Trazer de volta dois RPGs tão marcantes quanto Suikoden I & II HD Remaster: Gate Rune and Dunan Unification Wars vai além de um simples relançamento, é revisitar uma era em que narrativas políticas e elencos extensos ajudaram a moldar o gênero. Impulsionado pelo recente interesse reacendido por títulos como Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes, o retorno da franquia pela Konami surge como um movimento certeiro, equilibrando respeito ao material original com ajustes necessários para os padrões atuais.

Conflitos políticos e jornadas marcantes
O primeiro Suikoden apresenta uma narrativa que cresce gradualmente em complexidade. A história começa de forma contida, acompanhando um jovem ligado ao Império da Lua Escarlate, mas rapidamente evolui para um conflito maior, envolvendo corrupção, resistência e sacrifícios.
O elemento central está na Runa da Alma, que conecta o protagonista a eventos muito maiores do que ele próprio. A partir daí, a jornada ganha peso emocional com perdas, traições e decisões difíceis, enquanto o jogador recruta as 108 Estrelas do Destino, conceito inspirado em A Margem da Água.
Já Suikoden II expande tudo que o original propôs. A narrativa assume um tom mais denso, explorando guerra, amizade e ruptura de forma mais intensa.
O conflito entre Riou e Jowy funciona como o coração da experiência. Separados por circunstâncias brutais, os dois representam lados opostos de uma mesma tragédia, elevando o impacto emocional da história. A presença de antagonistas marcantes, como Luca Blight, reforça ainda mais o peso dramático.

Sistemas clássicos que ainda sustentam a experiência
A base da jogabilidade permanece fiel ao formato original, com combates em turnos que permitem até seis personagens no grupo.
O uso de runas para magias, ataques combinados e a necessidade de posicionamento estratégico, considerando o alcance de cada personagem, continuam sendo elementos sólidos. Essa estrutura mantém o ritmo envolvente, principalmente pela variedade de possibilidades em batalha.
No entanto, nem tudo envelheceu com a mesma elegância. Os duelos individuais e as batalhas em larga escala, que deveriam ampliar a diversidade do combate, hoje soam limitados. Mesmo com melhorias visuais, essas mecânicas permanecem simplificadas e pouco dinâmicas, destoando do restante do sistema.

O charme do recrutamento e da construção de base
Um dos pilares mais marcantes da franquia segue intacto: o recrutamento das 108 Estrelas do Destino.
Cada personagem adicionado não apenas fortalece o grupo, mas também contribui para o crescimento da base principal, desbloqueando serviços, lojas e novas interações. Esse sistema cria uma sensação constante de progresso e pertencimento ao mundo.

Modernização cuidadosa, mas não completa
A remasterização acerta ao atualizar aspectos importantes sem comprometer a identidade original. Os cenários receberam melhorias visuais, com mais detalhes e profundidade, enquanto os sprites foram refinados, mantendo o estilo clássico. A interface também foi redesenhada, tornando a navegação mais fluida e acessível.
No áudio, trilhas e efeitos foram retrabalhados, reforçando momentos importantes da jornada. Ainda assim, a ausência de localização em português continua sendo uma limitação relevante para parte do público.
Além disso, a remasterização traz melhorias de qualidade de vida, como a opção de correr desde o início, batalhas aceleradas, auto-batalha e níveis de dificuldade ajustáveis, tornando a progressão mais ágil e adaptável ao estilo de cada jogador.

Limitações que resistem ao tempo
Apesar dos avanços, algumas decisões antigas permanecem intactas e nem sempre de forma positiva. O sistema de inventário é um dos principais pontos de atrito. Com limite restrito por personagem, o gerenciamento constante acaba quebrando o fluxo da exploração.
Outro problema está no salvamento automático, que apresenta inconsistências. Em uma experiência longa e baseada em progressão contínua, essa limitação pode gerar frustração desnecessária.
Esses elementos evidenciam que a remasterização priorizou preservar a essência, mesmo quando isso significou manter estruturas já ultrapassadas.
Suikoden I & II HD Remaster – Vale a pena?





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