Ruffy and the Riverside é uma surpresa agradável que 2025 trouxe. Desenvolvido pela Zockrates Laboratories, ele é o título de estreia, misturando aventura, plataforma 3D e quebra-cabeças. A mistura de mecânicas onde trocamos elementos do mundo ao seu redor e a estética desenhada à mão, ele traz a essência de jogos clássicos do Nintendo 64 e PlayStation 1, mas com estilo e alma própria.
A história gira em torno de Ruffy, um urso bem peculiar e seu parceiro Pip, uma abelha cheia de personalidade diálogos e do Sir Eddler, uma toupeira rabugenta. Ao investigarem um misterioso cristal mágico, eles acabam libertando o maligno Groll. O grande vilão tem como objetivo de destruir o mundo de Riverside. Para impedi-lo, Ruffy deve reunir as letras sagradas que compõem o nome da cidade, uma missão que passa por seis áreas principais.
A jogabilidade é centrada na mecânica de troca de elementos, que é tanto simples quanto brilhante. Com o toque de um botão, você pode escanear um material — seja madeira, metal, água ou lava — e aplicá-lo em outro objeto. Isso abre espaço para interações criativas e soluções de quebra-cabeças que envolvem alterar propriedades físicas dos objetos: madeira flutua, metal afunda, pedra pesa mais, lava queima, e por aí vai. A aplicação dessas trocas é limitada por tempo e quantidade, o que obriga o jogador a pensar rápido e planejar com atenção. Em vários momentos, essa mecânica é explorada de forma engenhosa — transformar uma cachoeira em escada com cipós ou converter uma ponte quebrada em algo flutuante são apenas alguns exemplos do que dá para fazer. Ainda assim, o jogo peca ao repetir certos padrões e apresentar puzzles cuja resolução se torna previsível com o tempo.
Os colecionáveis têm papel importante na jornada. Há marbles escondidas, é claro, mas também borboletas que alimentam o hobby de um simpático raposo chamado Quintus, além de criaturas chamadas Etoi que se espalharam após o caos causado por Groll. Essas atividades secundárias não são apenas enfeites: elas oferecem recompensas em moedas, upgrades e desbloqueios visuais que ampliam a personalização do mundo. A cada nova área, há sempre um novo personagem com um objetivo, como os peixes encrenqueiros que pedem ajuda para derrotar tubarões escondidos ou corvos enigmáticos que propõem enigmas.
No quesito upgrades, Ruffy começa com três corações de vida, mas pode expandi-los permanentemente ao encontrar o Heart-o-Bot. Há também corações temporários, mas sua utilidade é discutível, já que desaparecem ao trocar de área. A personalização de capa é uma das mecânicas mais divertidas: você coleta moedas, joga na roleta do urso Gaga e recebe modificações aleatórias que podem curar automaticamente Ruffy ou aumentar sua resistência. Embora simples, esse sistema incentiva a coleta e explora bem o espírito lúdico do jogo.
Ruffy não é apenas um mestre da troca de elementos — ele também tem um conjunto de habilidades clássicas. Ele pode planar usando Pip como apoio, atacar com socos e usar um golpe carregado para lidar com múltiplos inimigos. Pode correr por curtos períodos, sendo que sua barra de estamina se recarrega rapidamente — principalmente ao pegar moedas, que são abundantemente espalhadas por Riverside. A movimentação é fluida, ainda que as animações sejam por vezes um pouco duras, lembrando jogos de gerações anteriores.
A exploração do mundo é onde o jogo realmente brilha. Riverside divide-se em biomas que variam de praias ensolaradas a pântanos sombrios, florestas vibrantes e cemitérios misteriosos. Os desenvolvedores desenham tudo em um estilo que parece ter saído do caderno de uma criança super talentosa, usando canetinhas coloridas e traços vivos. O charme visual é um dos grandes trunfos do jogo, e a trilha sonora acompanha muito bem o clima, com faixas cativantes como o tema de Crash Island, que grudam na cabeça com facilidade.
Entretanto, nem tudo são flores. O desempenho apresenta quedas ocasionais, especialmente ao transitar entre áreas maiores. Alguns diálogos parecem mal localizados ou com erros de gramática sutis, o que quebra um pouco da imersão. E, apesar de todo o esforço artístico, há problemas de repetição: os inimigos são escassos em variedade e não representam um desafio significativo. Há, literalmente, três ou quatro tipos ao longo de toda a campanha, o que torna os combates repetitivos e esquecíveis. Os chefes, por sua vez, decepcionam. São apenas três, com padrões simples e repetitivos, e dois deles enfrentados mais de uma vez, apenas com leves mudanças.
O jogo compensa essas falhas com momentos criativos e mudanças inesperadas de ritmo. Ele apresenta fases em 2D desenhadas com giz, seções de corrida com fardos de feno onde incentiva trapacear, desafios estilo stealth, e até competições esportivas absurdas que remetem ao espírito irreverente de Crash Bandicoot ou WarioWare. A sensação de surpresa está sempre presente, e é difícil não sorrir ao entrar em uma nova área e se deparar com mais uma ideia maluca que o jogo resolve explorar, mesmo que por poucos minutos.
Agradecimentos a Phiphen Games que nos enviou o jogo para a produção do review!
Conclusão
Ruffy and the Riverside é uma estreia promissora da Zockrates Laboratories, que combina aventura, plataforma 3D e puzzles com mecânicas criativas e estética artesanal charmosa. Apesar de algumas falhas em repetição, combate e performance, o jogo se destaca pela originalidade, diversidade de desafios e um mundo visualmente cativante. Suas ideias inovadoras e momentos de diversão constante compensam as limitações, tornando-o uma experiência envolvente e um ótimo tributo aos clássicos dos anos 90 com identidade própria. Uma grata surpresa para 2025.
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