A Street Racer Collection, lançada pela QUByte Interactive, é um prato cheio para os fãs de jogos de corrida dos anos 90. Conhecidos como kart racer, os títulos tentaram se destacar e buscar uma identidade própria. O pacote oferecido é uma proposta interessante, principalmente os nostálgicos de plantão, trazendo um recorte da trajetória do jogo ao longo de várias plataforma. A coletânea possui bons acertos e surpresas, mas também traz problemas.
A coletânea conta com quatro versões de Street Racer, sendo elas de Super Nintendo, Mega Drive, Game Boy e DOS. A desenvolvedora resolveu cobri a era 16-bit e resolveu deixar de fora versões importantes que traria um peso maior para a coletânea, como a de PlayStation e Sega Saturn. Ambas as versões deixadas de foram são evoluções significativas, trazendo jogos 32-bit. No entanto, os jogos presentes cumprem bem sua proposta de nostalgia e até mesmo introduzir novos jogadores ao passado.
A versão de SNES é a mais equilibrada, trazendo uma sensação de profundida e controles mais responsivos. De todos jogos presentes esse é o que melhor envelheceu, seja pelos seus aspectos técnicos, diversão ou acessibilidade para os jogadores. Já a versão do Mega Drive possui maiores limitações, com cores mais neutras, qualidade do áudio mais baixa e uma jogabilidade mais travada.
Enquanto a versão para Game Boy é um desastre, mas não pelo porte, mas sim por tentar adaptar algo feito para um console de mão. Os visuais dificultam a leitura das pistas, os controles são bem reduzidos e o desempenho é horrível. Já a versão de DOS é uma grata surpresa. Com a emulação dos dias atuais, ela se destaca por ser suave e ter maior framerate, além de sprites e uma apresentação mais caprichada.
Todos os títulos possuem vários modos de jogos, sendo o Campeonato o principal deles. Neste modo percorremos uma série de corridas para acumular pontos, precisando sempre estar no pódio para pontuar e não encerrar a trajetória de forma prematura. Além disso, existem modos de batalha, focados no combate direto, e até mesmo um modo futebol, antecipando o conceito visto em Rocket League. No entanto, o ponto alto é o multiplayer local, que suporta até quatro jogadores, trazendo consigo um grande caos, que é extremamente divertido.
Street Racer se diferencia dos demais títulos do gênero por conter elementos únicos. Além de acelerar e derrapar, é possível socar adversários, empurrá-los para fora da pista e usar itens para atrapalhar. Tudo isso consome uma barra de energia que precisa ser gerenciada durante a corrida, trazendo uma pitada de estratégia aos duelos. Além disso, o salto é uma das mecânicas mais importantes, permitindo alcançar atalhos ou evitar obstáculos, além de permitir se livrar de dinamites. Na versão DOS, há ainda um botão dedicado para encolher o veículo, facilitando manobras em pistas mais apertadas.
Visualmente, cada versão reflete bem seu hardware de origem. O SNES se destaca pelo uso inteligente de efeitos, enquanto o DOS impressiona pelo tamanho dos sprites e clareza da imagem. A coletânea oferece filtros visuais, desde pixel perfect até opções com efeito CRT. O som e a trilha sonora mantêm um clima cartunesco e viajado pelo mundo, sem serem memoráveis a ponto de grudar na cabeça, mas cumprindo bem o papel. Nos recursos modernos, há save states, rewind, remapeamento completo de botões e manuais digitais detalhados, o que facilita a adaptação entre versões tão diferentes.
Street Racer Collection vale a pena?
A Street Racer Collection é uma coletânea honesta, voltada principalmente aos nostálgicos. Apesar da ausência das versões 32-bit pesar, o pacote compensa com bons recursos modernos e recortes interessantes da era 16-bit. Nem todas as versões envelheceram bem, mas o multiplayer caótico e a identidade própria ainda garantem diversão para quem busca revisitar um clássico fora do eixo Mario Kart.

Agradeço a QUByte Interactive pelo envio do jogo para review!







