MIO: Memories in Orbit – Review

MIO: Memories in Orbit – Review

MIO: Memories in Orbit é um metroidvania construído com uma base sólida de desafio e progressão. Ao mesmo tempo que ele pune por seus erros, ele também te apresenta novas possibilidades, convidando sempre a tentar novamente. Em diversos momentos é possível se frustrar e querer desistir, mas a atmosfera e suas ideias tornam o mundo tão atrativo, que desistir não é uma opção.

Essa abordagem metroidvania em um ambiente de ficção científica funciona em todos os aspectos, principalmente em sua narrativa e ambientação abstrata, trazendo reflexões sobre dor, esquecimento e memórias.

A narrativa de MIO: Memories in Orbit não é linear, mas é fragmentada e pode ser confusa. Assumimos o papel de MIO, um pequeno androide que desperta em uma gigantesca estação espacial abandonada. A estação foi construída por uma civilização que sumiu há muito tempo, deixando como legado esse colosso espacial que possui sistemas automatizados, inteligências artificiais degradadas e uma fauna estranha que tomou conta. A estação que se chama Nau, não é apenas um cenário, mas também é um personagem, um organismo vivo que está morrendo aos poucos.

A história é repleta de detalhes e fragmentos, sem longas cenas explicativas ou respostas fáceis. O jogo aposta em fragmentos de memória, diálogos enigmáticos e detalhes ao ambiente para te dizer um pouco mais da história. Cada área sugere um passado, cada chefe representa uma função corrompida do sistema, e é preciso que MIO reconstrua todo o significado de tudo.

Apesar de ser uma narrativa excelente, ela pode afastar jogadores que preferem algo mais linear e explicito. No entanto, toda essa parte enigmática e fragmentada é parte essencial da aventura, reforçando a sensação de estar explorando ruínas e descobrindo a história.

A jogabilidade de MIO é um prato cheio para quem já está acostumado com o gênero. O coração da jogabilidade está na exploração aberta, idas e vindas para progredir em áreas antigas com novas habilidades. Assim como a narrativa, o jogo não te oferece grandes instruções, te incentivando a experimentar e explorar, fazendo com que a atenção aos detalhes seja importante desde o inicio.

A movimentação de MIO é uma das melhores partes do jogo. Conforme ganhamos novas habilidades, o pequeno androide passa a escalar paredes, planar, impulsos aéreos e ganchos de deslocamento, tudo muito padrão de um metroidvania. A partir do ponto que novas habilidades são adquiridas, o jogo passa a exigir cada vez mais precisão em suas ações. Essas ações que são medidas por sua barra de resistência, limitando suas ações avançadas, mas que pode ser recarregada ao acertar inimigos. É nesse ponto que o título se torna desafiador, exigindo cuidado no combate e nas partes de plataforma.

O combate, é o ponto mais fraco da jogabilidade, mas ainda assim exige atenção. Inimigos comuns cumprem bem o seu papel e principalmente no começo são bem punitivos, exigindo atenção aos ataques. Enquanto as lutas contras chefes são extremamente desafiadoras, fazendo com que utilizemos nosso arsenal de habilidades. Durante o final do jogo a dificuldade se eleva em muito, principalmente se for atrás das áreas extras e chefes opcionais.

Explorar a estação espacial é fascinante, complexo e frustrante. O mapa é enorme e repleto de segredos, mas sempre sem dar pistas claras de onde ir ou o que fazer. É preciso ficar atento a sinais visuais discretos que podem indicar segredos, como caminhos alternativos e áreas ocultas, algumas delas que exigem habilidades especificas. O problema é que nem sempre os sinais são consistentes, gerando confusão.

Por outro lado, o jogo nunca te deixa parado, sempre existe algo realmente útil a ser feito. Se um caminho está bloqueado e você não tem como passar, com certeza existe outra opção, como outra região não explorada ou habilidades não encontradas. A progressão é um ponto forte, onde a sensação de descoberta é constante e recompensadora em todos os aspectos.

Um dos grandes destaque é o sistema de modificadores, que é amplo e talvez um dos melhores dos jogos do gênero. Cada modulo aprofunda o estilo de jogo e oferece bônus poderosos em troca de limitações reais. Existem espaços limitadas, fazendo com que seja necessário modificar constantemente seus módulos, adaptando-se para combate, exploração ou desafios específicos. Essa flexibilidade adiciona uma camada de estratégia e incentiva a experimentação constante de novas builds.

Visualmente, MIO: Memories in Orbit é impressionante. Embora utilize modelos tridimensionais, o jogo adota um estilo que remete a ilustrações pintadas à mão, com texturas evidentes e uma paleta de cores densa e melancólica. Cada bioma possui identidade própria, reforçando a ideia de que o Vaso é composto por partes distintas, cada uma com sua função e sua história.

A direção de arte trabalha em sintonia com o level design, usando enquadramento, profundidade e escala para contar histórias sem palavras. A trilha sonora complementa perfeitamente essa proposta. Composta majoritariamente por sintetizadores atmosféricos, ela alterna entre momentos contemplativos e picos intensos durante confrontos importantes, criando uma identidade sonora marcante e memorável.

O desempenho é geralmente sólido, mas não perfeito. Em algumas situações, podem ocorrer quedas sutis de desempenho ou respostas imprecisas aos comandos, algo especialmente problemático em um jogo que exige tanta precisão. Esses deslizes não são constantes, mas se tornam mais perceptíveis em desafios avançados e podem aumentar a frustração.

MIO: Memories in Orbit vale a pena?

MIO: Memories in Orbit é uma experiência intensa, exigente e profundamente atmosférica. Ele não tenta agradar a todos, e isso faz parte de sua identidade. Para quem aprecia metroidvanias desafiadores, com forte foco em exploração, narrativa ambiental e sistemas que recompensam a atenção aos detalhes, o jogo oferece algo especial. Apesar de falhas pontuais em clareza e desempenho, seu mundo, suas ideias e sua direção artística fazem com que cada retorno ao Vaso valha a pena, mesmo quando dói.

Agradeço a Focus Entertainment pelo envio do jogo para review.

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