Shadow Labyrinth é uma aposta ousada da Bandai Namco, onde ela faz uma releitura sombria e muito diferente do que estamos acostumados a ver no universo de PAC-MAN. Com uma ambientação sombria, melancólica e muito mistério, o jogo surpreende com uma narrativa mais profunda e madura. Além disso, o jogo é uma grande carta de amor às raízes da Bandai Namco, onde os jogadores viajam por um universo interligado que apresenta diversas referencias a série clássicas como Dig Dug e Splatterhouse.
No papel do Swordsman No. 8, somos guiados por PUCK, uma entidade que possui a forma do PAC-MAN, mas de uma forma distorcida e sombria. A história nos coloca em um mundo de ruínas, onde descobrimos o passado através de NPCs e diálogos, mas também através de detalhes nos ambientes que são apresentados, principalmente enquanto exploramos. Apesar de ser algo novo no mundo dos jogos, essa atmosfera apareceu pela primeira vez no episodio Circle na série Secret Level da Amazon.
O jogo adota o estilo metroidvania em sua essência, com um grande mapa que os desenvolvedores rechearam de áreas, atalhos, segredos e muito backtracking. A exploração se destaca como o principal atrativo do título. O jogador se perde diversas vezes durante a jornada, mas sempre encontra recompensas, como upgrades, áreas ocultas e elementos que aprofundam a lore. Durante a exploração, o jogador desbloqueia um gancho, ampliando a movimentação, e o modo GAIA, que transforma completamente a forma de se mover e lutar. Esse modo permite atravessar áreas espinhentas ou zonas de gases sem sofrer qualquer dano.
No entanto, o grande destaque da exploração é quando viramos o PUCK, permitindo acessar fendas e diversas rotas escondidas através dos trilhos, algo que remete ao clássico PAC-MAN. Nesse modo podemos pular, trocar de trilhos e atacar, apesar da simplicidade, é algo cativante e que muda a estrutura metroidvania, saindo sempre da mesmice da exploração.
Quanto ao combate, Shadow Labyrinth traz uma experiência simples até demais. Swordsman No. 8 utiliza sua espada para atacar, criando combos e utilizando habilidades especiais que consomem a barra ESP, além de esquivar e usar o parry. É necessário gerir sua barra de ESP e sua estamina, ao acertar ataques criticos ou parrys, sua barra de ESP é recarregada, permitindo desferir ainda mais golpes nos inimigos, quebrando sua postura. Apesar de parecer algo robusto, é preciso dizer que o combate é o maior ponto fraco do título, sua simplicidade e a não necessidade de sempre aprender o padrão dos inimigos torna a experiência bem fácil em muitos momentos, principalmente se explorar e melhorar seus atributos de vida e cura.
Após as lutas contra chefes, PUCK assume uma grande forma sombria e os devora, habilitando novos poderes ou formas de locomoção. Enquanto para os inimigos normais, ao derrota-los e consumi-los ganhamos materia para criação de perks e melhorias. Esses modificadores adicionam uma bela camada ao combate e estratégia ao jogo. Eles podem ser obtidos através de missões, áreas secretas ou até mesmo cria-los com a mercante do jogo. Cada perk oferece uma vantagem única, como exibir vida inimiga, ganhar vida extra, aumentar dano, resistência, velocidade de recarga, movimentação e outras melhorias estratégicas. A árvore de perks é robusta e promete atender aos jogadores mais hardcores, permitindo criação de builds para cada momento do jogo.
O jogo inclui upgrades clássicos de vida, como aumentar a barra de HP ou a bolsa de cura, permitindo ao jogador se curar com maior frequência durante as partidas. Esses itens estão espalhados pelos cenários e é preciso atenção e muito cuidado para obter, pois, estão sempre atrás de diversos inimigos, armadilhas ou áreas inacessíveis até conseguir certas habilidades.
No quesito inimigos o jogo brilha, com designs criativos, diversos deles inspirados em franquias da Bandai Namco. Existem grandes aberrações que remetem ao clássico Splatterhouse, entidades monstruosas dos fantasmas de PAC-MAN. Além disso, algumas lutas saem da mesmice de apenas atacar o inimigo e esquivar, é preciso utilizar a forma PUCK para se mover pela arena. Essa variação na luta contra chefes é algo que torna a experiência diferente dos demais, mesmo não reinventando a roda.
Visualmente ele impressiona com sua variedade de cenários, personagens e chefes. As texturas detalhadas e o uso inteligente da iluminação realçam cada ambiente — de cavernas densas a florestas e ruínas misteriosas. As animações de Swordman são fluidas e possuem um charme, enquanto a movimentação de PUCK… é simples né? A estética do jogo remete a jogos mais sombrios como Blasphemous e Castlevania, dando um charme ao título e mostrando que PAC-MAN é muito mais do que uma simples bolinha que come fantasmas.
A trilha sonora é simples e cumpre bem seu papel, mas não chega a ser tão memorável quanto eu esperava. Para os jogadores brasileiros, o título está totalmente em português, garantindo maior imersão na história e em todos os sistemas presentes no jogo.
Quanto ao desempenho, o jogo roda de forma fluida e perfeita no PS5, sem quedas de FPS ou crashes que atrapalhassem a jornada. No entanto, tive alguns pequenos problemas de colisão e algumas animações de inimigos que bugaram no meio do caminho, nada que atrapalhasse a jornada.
Agradecimentos a Bandai Namco que nos enviou o jogo para a produção do review!
Conclusão
Shadow Labyrinth é uma ousada reimaginação do universo de Pac-Man, que surpreende com sua atmosfera sombria, narrativa madura e exploração metroidvania envolvente. Apesar do combate simplificado ser um ponto fraco, o jogo brilha na ambientação, level design e nas inúmeras referências à história da Bandai Namco. A forma PUCK adiciona uma camada criativa à jogabilidade e reforça o respeito às origens. Mesmo com pequenos bugs, a experiência é sólida e cativante para fãs de exploração e mistério.
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