Dragon Quest VII Reimagined – Review

Dragon Quest VII Reimagined – Review

Com essa nova onda de remakes da Square Enix, eu estou no paraíso e não vou negar. Dragon Quest é uma das minhas franquias de RPGs favoritas e poder reviver clássicos na nova geração e com diversas melhorias tem sido um prazer imenso, e com Dragon Quest VII Reimagined ela elevou ainda mais o nível. Indo muito além de um simples remake, o jogo reformula de forma ousada o ritmo e a jogabilidade, mas mantém sua essência original. Essa reestruturação vem de forma pontual para conquistar um novo público e também tirar o gosto amargo que muitos veteranos tem com o jogo original por conta de sua narrativa lenta e arrastada.

Dragon Quest VII Reimagined traz uma narrativa simples e charmosa que se divide entre pequenas histórias locais. Cada ilha possui uma história que nos faz viajar entre o passado e o presente, apresentando personagens e desfechos de uma forma episódica. Essa estrutura vem desde o jogo original, mas agora ela é melhor estruturada e mais condensada, permitindo aos jogadores aproveitarem de forma menos cansativa toda densidade de diálogos e narrativa. Além disso, essas pequenas histórias dão a sensação de que é uma história de menor escala e nem tudo é sobre salvar o mundo, onde pequenas ações ecoam ao longo do tempo, até o presente.

A principal mudança narrativa é a duração e o ritmo apresentado. Enquanto no jogo original sua narrativa era extremamente lenta e cansativa, passando facilmente de 80 horas apenas na campanha, aqui temos uma redução de tempo absurda, mas ainda mantendo grande parte do conteúdo original. Muitas das ilhas são opcionais, enquanto algumas poucas foram removidas, decisão que pode fazer alguns fãs torcerem o nariz para o título, mas foi algo que tornou o fluxo narrativo mais coeso e simplificado, algo que evita estagnação e principalmente aquele cansaço de “não aguento mais esse jogo, por quê ele não acaba logo?”.

À medida que visitamos o passado e desbravamos suas histórias, novas ilhas são restauradas no presente, criando um ciclo de descobrimento histórico e como suas ações ecoam pelo tempo, como foi citado acima. Essa dualidade temporal é um dos grandes destaques criativos de toda a franquia.

A exploração é o coração de Dragon Quest VII Reimagined, e mesmo com algumas remoções, o título possui um número considerável de ilhas e muito conteúdo à ser explorado. Quatro ilhas são opcionais, além de outras duas extras que são liberadas após finalizar o jogo e possuem um dos melhores desafios do jogo. Além disso, as mini medalhas retornaram com recompensas únicas, mas dessa vez está muito mais fácil coletar. No menu do álbum das medalhas é possível ver quais já pegamos e as localizações que estão faltando.

Além disso, o Coliseu se destaca por seu desafio extra e opcional, principalmente nas Rampage Roads. Nos duelos mais simples lutamos em batalhas individuais contra inimigos em sequência e temos que derrotá-los em um número determinado de turnos para garantir cada vez mais recompensas. Enquanto as Rampage são extremamente punitivas e com uma sequência dos monstros mais fortes do jogo, onde a dificuldade do seu jogo não influência nos inimigos. Para quem busca o 100% do jogo, será necessário aprender vocações e ter bons equipamentos para completar alguns dos desafios apresentados aqui.

Muitos consideram controversos os marcadores que indicam objetivos e tesouros no mapa. Diferente de Dragon Quest I, II e III HD-2D, o jogo não permite desativar esses marcadores. Essa opção seria muito bem-vinda, principalmente para os jogadores mais puristas, que preferem a sensação de descobrir tudo de forma mais orgânica enquanto exploram o mundo.

Dragon Quest VII Reimagined mantém a estrutura de combate por turnos, mas traz melhorias significativas tornando tudo mais dinâmico e fluido. O sistema de combate já se prova diferente e muito mais amplo ao poder combinar duas vocações simultaneamente, ampliando a personalização e a criação de sinergias entre as 26 vocações presentes.

O sistema de vocações possui certa profundidade, mas traz uma progressão gradual e simples para os personagens, que ao evolui-las aprende novas habilidades. Além disso, ao evoluir certas vocações, novas vocações mais fortes são desbloqueadas, como Champion e Hero (as duas melhores e que mais me ajudaram no pós-jogos). Cada uma delas possui habilidades especiais únicos, adicionando ainda mais tática ao combate modernizado.

Além disso, o ritmo das batalhas foi aprimorado. As animações estão mais fluida e muito lindas, com diversos efeitos enquanto utiliza desde golpes simples até especiais. A agilidade dos golpes ao selecionar o comando tornam tudo ainda mais dinâmico. Enquanto por parte dos inimigos, temos os clássicos monstros mais simples, chefes e os Vicious Monsters, versões mais poderosas e com uma IA muito melhor estruturada que os monstros habituais.

Assim como nos mais recentes remakes, o novo jogo introduz diversos modificadores que ajustam a experiência conforme o jogador quer. É possível acelerar o combate, ativar cura automática ao terminar um combate e até mesmo deixar na batalha automática. Além disso, para quem quer uma jornada mais narrativa, você pode escolher ganhar mais experiência, pontos de vocação, dinheiro e afins. Essas opções podem ser ativadas a qualquer momento, permitindo maior flexibilidade para todos os jogadores.

Apesar dessas melhorias, o nível de desafio é muito menor que os jogos anteriores, mesmo se mantiver nos níveis mais altos de dificuldade. No meu ponto de vista isso não é ruim, porque essa dificuldade é relativa. Ao explorar, conseguir melhores equipamentos e ter paciência para evoluir os personagens e vocações, seus personagens ficam mais fortes e com melhores habilidades, tornando a progressão ainda mais prazerosa. Além disso, a possibilidade de combate automático ajuda a cortar parte do grind, visto que você pode apenas derrotar inimigos no campo.

Visualmente, Dragon Quest VII Reimagined é um deleite visual por sua simplicidade caricata. Os cenários remetem a dioramas físicos digitalizados, com cidades e paisagens que parecem maquetes detalhadas e cheias de textura, criando um mundo que parece artesanal. Os personagens adotam um estilo que lembra figuras estilizadas de livros, com animações expressivas durante toda à jornada.

Embora o visual mais leve, ele mantém o tom melancólico da narrativa original. O design dos monstros, ainda inspirado nos traços de Akira Toriyama, mantém o carisma característico da franquia, equilibrando nostalgia e inovação com naturalidade.

Enquanto a trilha sonora clássica foi regravada com orquestra, mantém todo o impacto emocional das composições, algo extremamente marcante na franquia. A inclusão de mais faixas inéditas poderia ter enriquecido ainda mais a experiência. O jogo oferece desempenho técnico perfeito no PlayStation 5, com tempos de carregamento rápidos e sem quedas de FPS ou engasgos. Sendo um jogo extremamente polido e bem acabado.

No entanto, preciso tocar nesse ponto mais uma vez: é um pecado a Square Enix não localizar a franquia Dragon Quest para português. Essa localização faria com que todos os jogadores brasileiros pudessem apreciar melhor sua densidade narrativa. Entendo que exista um custo para isso, mas também acredito que expandiria ainda mais o nome da franquia entre os fãs de RPG.

Dragon Quest VII Reimagined vale a pena?

Dragon Quest VII Reimagined é mais que um remake: é uma releitura inteligente que moderniza ritmo, combate e progressão sem perder a essência do clássico. Com narrativa episódica mais fluida, sistema de vocações aprofundado e diversas melhorias de qualidade de vida, o jogo corrige os principais problemas do original. Visual encantador, trilha marcante e conteúdo robusto completam o pacote. Ainda que mais fácil e sem localização em português, é uma experiência obrigatória para fãs de RPG.

Agradeço a Square Enix pelo envio do jogo para review!

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