Esse foi meu primeiro contato com WiZmans World Re;Try e sinto que foi uma experiência repleta de boas ideias e execução que deixa à desejar. O título tem como foco central a cidade de Wizarest, uma cidade isolada do mundo há mais de um século. Apesar de parecer um confinamento físico, os habitantes sofrem com uma amnésia geracional, esquecendo repetidamente aspectos essenciais de sua realidade. A atmosfera criada aqui nos dá o grande ponto do jogo, sua narrativa.
Wizmans World Re;Try nos coloca no papel de Claus. um aventureiro treinado pela alquimista Giselle, que desapareceu repentinamente. Ao lado de nosso personagem temos três homúnculos criados por ela: Aen, Doe e Toori. Não pense neles como simples companheiros, eles são parte fundamental e o núcleo emocional e mecânico da experiência. Claus que sai em busca de Giselle, encontra um mistério ainda maior que envolve Wizarest, buscando libertar seu povo da amnésia geracional que sofrem.
Narrativamente, o jogo começa forte e nos entrega um bom mistério. Os personagens da cidade estão repletos de bons diálogos e que dão profundidade ao mundo e mistério. Apesar de Claus não falar, é perceptível sua personalidade em momentos pontuais, principalmente em escolhas que aparentam ter peso na narrativa. No entanto, apesar da narrativa sólida, o ritmo dela é quebrando pela jogabilidade, graças à estrutura repetitiva das masmorras e do grinding excessivo.
A jogabilidade é dividida em ciclos: preparação na cidade e explorar masmorras. O grande diferencial aqui é o sistema de Anima Fusion, permitindo utilizar almas de monstros derrotados como ingredientes alquímicos para modificar atributos, afinidades elementais e habilidades de nossos homúnculos.
Cada homúnculo pode ser moldado de acordo com as almas absorvidas, alterando completamente seu papel em combate. É possível ajustar tipo de dano, resistências e habilidades, criando uma vasta estratégia. Enquanto Claus aprende magias de múltiplos elementos e garante uma maior versatilidade nos ataques. Além disso, após cada batalha todos recuperam sua vida completamente, no entanto, os pontos de SP não se regeneram, exigindo um gerenciamento mais cuidadoso.
Apesar de parecer um sistema profundo, a execução não entrega todo potencial. As masmorras apresentadas são extremamente lineares e com layouts simples. Mesmo quando o jogo tenta ousar um pouco mais e introduzir mudanças como alterações temporais, as ideias não são bem exploradas e falham em quebrar a repetição. Além disso, o número de inimigos espalhados pelos mapas é absurdo! As áreas são sobrecarregadas de inimigos e dificilmente vai escapar dos combates. A constância de encontros faz com que a tensão da exploração se torne frustração pela repetição.
Outro ponto que pode gerar frustração são os inimigos excessivamente fortes no inicio de cada masmorra. Essa disparidade faz com que o retorno à cidade seja frequente para reabastecer e se curar. No entanto, após alguns níveis e fusões, o jogo já volta para monotonia de batalhas fáceis demais e praticamente automáticas. O título não consegue manter um meio termo entre o “difícil demais” e “fácil demais”, ou ele é estressante ou entediante.
Apesar de tudo, é preciso tirar o chapéu para as batalhas contra chefes, o ponto alto da jogabilidade. Os chefes exigem a utilização de todas as mecânicas aprendidas, utilização de buffs, fraquezas elementais e muita estratégia. É aqui que o sistema de Anima Fusion demonstra seu potencial. Infelizmente, os confrontos contra chefes são poucos ao longo de toda jornada.
Há ainda um bestiário que permite enfrentar inimigos para ganhar experiência de forma controlada, além de missões secundárias oferecidas por NPCs. Contudo, essas atividades pouco acrescentam em termos de variedade ou aprofundamento narrativo. Funcionam mais como extensões do ciclo principal de combate e exploração do que como conteúdo realmente memorável.
WiZmans World Re;Try apresenta um estilo artístico encantador e estilizado, mantendo o charme da versão original do Nintendo DS enquanto adapta personagens e cenários para plataformas modernas. Os protagonistas têm designs carismáticos, e os homúnculos se destacam por identidades visuais bem definidas.
A direção de arte constrói uma atmosfera melancólica e misteriosa, fortalecida por uma trilha sonora competente e por uma identidade estética coesa que sustenta o tom emocional da narrativa. Contudo, o design das masmorras é prejudicado pela repetição excessiva, com pouca variedade visual entre ambientes, o que gera sensação constante de repetição.
No PlayStation 5, o jogo roda com fluidez, apresenta carregamentos rápidos e não sofre com problemas de performance. Apesar disso, o jogo não possui localização em português do Brasil, algo que pode afastar a grande maioria dos jogadores que buscam investir na narrativa apresentada.
Agradeço a Clear River Games pelo envio do jogo para review!
WiZmans World Re;Try vale a pena?
WiZmans World Re;Try entrega uma narrativa intrigante e um sistema de Anima Fusion cheio de potencial estratégico, mas tropeça na repetição excessiva das masmorras e no desequilíbrio de dificuldade. Chefes são o grande destaque, exigindo estratégia real. Visualmente carismático e tecnicamente sólido no PS5, é um RPG de boas ideias, porém mal aproveitadas.












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