Discounty, da Crinkle Cut Games, mistura gerenciamento de supermercado com uma narrativa profunda sobre uma cidade em decadência. O jogo parece simples à primeira vista, mas logo se revela uma experiência envolvente, que vai muito além de apenas abastecer prateleiras e atender clientes. Em vez disso, ele explora questões sociais e econômicas de uma comunidade pequena, com um toque de crítica às grandes corporações.
A história segue uma jovem mulher muçulmana, que assume o comando do supermercado de sua tia na cidade de Blomkest. A princípio, o objetivo é simplesmente manter a loja funcionando, mas logo os jogadores descobrem que Blomkest está lutando contra uma série de problemas — corrupção, monopólios e uma economia local em declínio. A narrativa se desenrola enquanto você faz escolhas que impactam tanto o futuro do supermercado quanto a comunidade, com um equilíbrio entre lucro e ética.
A jogabilidade em Discounty é envolvente, mas não sem falhas. No início, o jogador precisa gerenciar o estoque, organizar os produtos e operar o caixa de forma simples, mas eficaz. O sistema de precificação, usando um teclado numérico para calcular o valor das compras, é curioso e traz uma sensação de imersão, mas, por outro lado, o controle pode ser um pouco impreciso, especialmente ao tentar interagir com objetos ou clientes usando um controle de console. É fácil ficar preso ao tentar alinhar a interação, o que quebra o ritmo da experiência.
Outro ponto positivo é a progressão, onde, conforme você vende mais e organiza melhor a loja, pode investir em novos produtos e ferramentas. Mas, em alguns momentos, a falta de opções de personalização do controle (como uma corrida constante ou pulos de diálogos) pode diminuir a fluidez do jogo, tornando algumas tarefas repetitivas um pouco tediosas. Isso é especialmente notável durante as interações, onde a falta de velocidade pode fazer o jogo parecer mais lento do que o ideal.
As missões principais são divertidas e bem escritas, abordando desde questões locais, como disputas comerciais, até dilemas mais amplos sobre o futuro da cidade. Interagir com os moradores de Blomkest oferece uma oportunidade de explorar suas histórias e necessidades, o que traz uma camada emocional e estratégica para a jogabilidade. Porém, após certo tempo, a cidade pode parecer um pouco estagnada quando não há missões ativas, e a falta de atividades secundárias (como minijogos) torna o ritmo um pouco monótono durante os períodos de inatividade.
Visualmente, Discounty é encantador. Seu estilo pixelado, colorido e acolhedor remete a jogos como Stardew Valley, e é fácil se perder na charmosa cidade de Blomkest. No entanto, o desempenho do jogo é estável, embora a movimentação do personagem possa se arrastar um pouco. A falta de uma opção para correr constantemente, sem precisar segurar o botão, é um pequeno detalhe que pode incomodar durante longos períodos de exploração.
A trilha sonora, com músicas suaves de chiptune, complementa perfeitamente a atmosfera tranquila e acolhedora do jogo. Ela cria uma sensação de nostalgia e relaxamento, ajudando a construir um ambiente imersivo. Contudo, após muitas horas de jogo, a repetição da música pode se tornar um pouco cansativa, embora não chegue a prejudicar a experiência como um todo.
Agradecimentos a PQube que nos enviou o jogo para a produção do review!
Conclusão
Discounty é uma mistura cativante de simulação e crítica social, com uma narrativa sensível e relevante. Apesar de limitações nos controles e na fluidez, oferece uma experiência única e envolvente. Seu charme visual e profundidade emocional compensam os momentos de repetição.
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