Resident Evil Requiem é um marco para a franquia Resident Evil, unindo a ação intensa que vimos em alguns jogos da franqia com o terror mais intimista em primeira pessoa que vimos em RE7. A Capcom conseguiu encontrar o equilibrio perfeito para honrar o legado do passado e ter um vislumbre promissor para o futuro. Além disso, Requiem não tenta escolher entre o horror clássico e ação, ele abraça ambos de forma perfeita, feito para veteranos e novos jogadores.
Para o review fazer sentido e poder explicar ainda melhor, vou dividir o review entre Grace e Leon, tanto na história quanto na jogabilidade. Mostrando todos os pontos dessa dualidade única que o jogo traz.
Grace Ashcroft, filha de Alyssa Ashcroft é o ponto chave do jogo e uma das melhores personagens introduzidas na franquia. Grace é uma agente do FBI e é enviada para investigar uma morte misteriosa no mesmo hotel em que sua mãe foi assassinada, trazendo lembranças desagradáveis para a jovem. O que parecia uma pequena investigação se torna algo muito maior, visto que tudo foi arquitetado para ela ser sequestrada.
A jornada de Grace é construída em torno do medo constante. A personagem não possui treinamento de combates, além de ser insegura e possuir crises de pânico. Ela reage aos sons do ambiente e até mesmo na hesitação ao empunhar uma arma, demonstrando fragilidade e criando a sensação de tensão constantemente. Cada corredor escuro parece ameaçador, cada inimigo é um obstáculo que requer cuidado.
O roteiro é impecável ao ligar os eventos do passado e manter o jogador motivado para descobrir a verdade. Embora o final não seja tão surpreendente, a construção emocional e amadurecimento da personagem compensa toda a jornada.
Leon um dos personagens mais amados da franquia retorna mais velho, experiente e cansado por tantos anos lutando contra a Umbrella e armas biológicas. O personagem entre na história já ciente da gravidade da situação e com sua vida em risco. Sua missão é rastrear um renomado cientista que teve ligação direta com o surto de Raccoon City em, conectando o enredo ao passado da série.
Mesmo com a idade mais avançada, Leon mantém se carisma e seus comentários sarcásticos, mas é notório o desgaste emocional do personagem. Em busca de resolver o mistério por traz do cientista, ele também busca uma cura para sua infecção misteriosa, adicionando urgência e tensão ao seu arco narrativo.
Mesmo sendo um personagem confiante, é perceptível a fragilidade do personagem, não transformando-o em um herói invencível como vimos em Resident Evil 4. Diferente de Grace, suas seções são extremamente ambiciosas e com grandes confrontos intensos e sequências cinematográficas. No entanto, o grande choque é quando ele revisita o passado em Raccoon City, através da delegacia e da cidade destruída.
A jogabilidade de Resident Evil Requiem é um complemento perfeito para a história. Controlar Grace é mergulhar no terror clássico da série, trazendo recursos limitados, sua capacidade ofensiva é baixa e o gerenciamento é crucial para o sucesso. É preciso saber quando atirar ou tentar evitar conflitos. Cada espaço de inventário é precioso.
Um dos sistemas introduzidos para Grace é a coleta de sangue, essencial para a criação de itens. Essa mecânica torna as seções de combate ainda mais estratégicas. É preciso analisar quando vale a pena ou não gastar recursos para realizar a coleta. É um risco imeditado, mas que pode ser extremamente benéfico no futuro.
Além disso, algumas áreas contam com inimigos que perseguem Grace, criando momentos de tensão, assim como Mr. X em Resident Evil 2 ou Nemesis no 3. Esses encontros não são feitos para combater os inimigos, é preciso fugir e se esconder. O design de níveis é repleto de rotas, atalhos e quebra-cabeças ambientais clássicos da franquia.
Enquanto Grace se vê presa com infectados, a situação muda com Leon. Aqui, os infectados estão presos com Leon. O personagem traz toda sua experiência em combate, com um arsenal de respeito e habilidades corpo a corpo brutais com seu machadinho. É possível aparar ataques, utilizar ataques físicos para economizar munição e aprimorar os equipamentos para melhor o desempenho no combate.
Apesar de Leon ser brutal, o jogo não o deixa ser predominante, principalmente em dificuldades mais altas. A constancia de inimigos e sua agressividade, fazem com que a pressão seja constante. É possível ser encurralado rapidamente, mesmo sendo uma máquina de combate, é preciso ter cautela.
Diferente de Grace, o jogo incentiva Leon a entrar em combate. O jogador ganha pontos ao realizar eliminações e pode investi-los em melhorias, o que traz uma progressão mais balanceada para a ação em vez do terror. Esses pequenos sistemas tornam a experiência interessante e distinta entre os dois protagonistas.
Para os amantes de um bom desafio, o modo clássico limita os salvamentos através de fitas de tinta limitadas pelo mapa. Cada erro pode custar minutos ou até mesmo horas de progresso, tornando a tensão ainda maior.
Um dos grandes destaques de Requiem, é que cada personagem possui uma câmera ideal para ser jogada. Grace foi idealizada para trazer o terror em primeira pessoa. Enquanto Leon em terceira pessoa, trazendo uma leitura melhor do espaço e sendo ideal para o combate. Ambos personagens podem alternar entre as câmeras à qualquer momento, impactando diretamente a sensação de terror. A alternância entre ação e horror não fragmenta a identidade do jogo; ela reforça o legado da série, que sempre transitou entre esses dois extremos.
Resident Evil Requiem é um espetáculo e talvez um dos jogos mais bonitos até aqui! O que a Capcom evoluiu com a RE Engine é assustador. Os ambientes são extremamente detalhados, a iluminação realista e o modelo dos personagens estão ainda mais expressivos. O nível de detalhes dos inimigos são impactantes, apresentando deformidades grotescas.
Mesmo no PlayStation 5 normal, os reflexos, sombras e efeitos de partículas trazem uma atmosfera densa e opressiva. As áreas escuras e jogo de luzes criam um tensão visual constante. Além disso, as expressões faciais de Grace se incorporam à tensão, transmitindo medo e determinação de forma surreal!
Outro grande destaque aqui é a dublagem!!! A Capcom trouxe uma das melhores dublagens já vistas, com Stephany Custodi dando vida a Grace Ashcroft. A atuação da dubladora é impactante, principalmente em momentos de tensão, mas principalmente no choque inicial de Grace com a morte de sua mãe. Enquanto Felipe Grinnan dá vida a Leon de forma primorosa, trazendo rigidez e toda confiança do personagem, mas também demonstrando o cansaço ao longo dos anos.
Quanto ao desempenho o jogo roda de forma perfeita no PlayStation 5! É um espetáculo de otimização, sem quedas de fps, carregamentos rápidos e ainda trazendo o ray tracing que aumenta em muito a qualidade visual.
Resident Evil Requiem vale a pena?
Resident Evil Requiem é um marco para a franquia Resident Evil, equilibrando com maestria o terror intimista e a ação intensa. Ao dividir a narrativa entre Grace Ashcroft e Leon S. Kennedy, o jogo entrega duas experiências complementares: medo vulnerável e combate estratégico. A ambientação é impecável, potencializada pela RE Engine, com gráficos impressionantes e atmosfera sufocante. A jogabilidade se adapta perfeitamente a cada protagonista, reforçando a identidade de ambos sem quebrar o ritmo. A dublagem e a performance técnica elevam ainda mais a imersão. Mesmo com um desfecho previsível, a construção emocional e o equilíbrio entre passado e futuro tornam Requiem uma experiência memorável e essencial para fãs e novatos.

Agradeço a Capcom Brasil pelo envio do jogo para review!













Deixe um comentário