Sou um novato na franquia Yakuza, tendo começado minha jornada em Like a Dragon e seguido adiante com Infinite Wealth e a jornada de Ichiban. Com o lançamento das novas versões para PlayStation 5 resolvi me aprofundar na franquia realmente e tem sido uma grata surpresa acompanhar Kiryu e sua evolução como personagem. E com Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, não foi diferente, sem conhecimento prévio com a narrativa do jogo, pude experienciar a aventura da melhor forma e sem comparar com a versão original (visto que alguns fãs não gostaram de certas mudanças).
O jogo se divide em duas campanhas: A jornada de Kiryu do jogo original e Dark Ties. Para melhor entendimento, dividirei o review de forma que fale sobre ambos de forma separada, seja na narrativa ou jogabilidade.
A história de Yakuza 3 se passa logo após o segundo jogo, onde vemos um Kiryu cansado da vida no submundo do crime e busca se afastar definitivamente da yakuza. Demonstrando um coração gigante, seu sonho é administrar o orfanato Morning Glory em Okinawa. Ali, Kiryu se torna a figura paterna (o verdadeiro paizão) para várias crianças, ganhando uma vida tranquila e longe da violência conhecida de Kamurocho.
Esse inicio mais calmo é essencial para mostrar esse lado de Kiryu, mostrando como ele lida com as crianças e aprendendo a ser cada vez mais responsável por elas. Esse ritmo mais lento fortalece o lado humano do personagem e dá um peso adicional à trama. No entanto, esse mesmo ritmo se estende por um período maior que o necessário, demorando a fazer a história engrenar de verdade.
Mas a calmaria acaba quando um projeto imobiliário visa o terreno do Morning Glory. Com a família yakuza local sofrendo pressão para vender a área, Kiryu se reconecta ao submundo para salvar o orfanato. A trama se expande de forma significativa, colocando em cena diversas figuras importantes e grandes figuras governamentais. Além disso, a trama envolve muito mais que um terreno e disputa imobiliária, sendo repleta de traições e conspirações.
Em Yakuza Kiwami 3 é possível explorar Okinawa e Kamurocho, duas cidades repletas de minigames, NPCs e suas histórias secundárias. As histórias paralelas são parte fundamental do mundo de Yakuza, dando vida às cidades e trazendo um respiro as missões principais. Aqui temos missões bem humoradas e bem escrachadas e até mesmo histórias que tocam o coração de forma emocional.
Um dos grandes destaques são as atividades relacionadas ao orfanato. É possível realizar tarefas, brincar com as crianças e melhorar o local através de um robusto sistema de progressão. Embora seja um conteúdo extra, essas ações fortalecem o vínculo entre Kiryu e as crianças, tornando a narrativa mais profunda emocionalmente.
Todos esses aspectos dão vida às cidades, fazendo com que a exploração e a progressão sejam fatores principais para que a franquia continue se expandindo e sendo tão aclamada pelos fãs.
O combate de Yakuza Kiwami 3 foi refinado, trazendo melhorias em relação ao jogo original. Mesmo não jogando o original, diversas pessoas relatavam que ele possuía inimigos excessivamente defensivos, tornando as lutas cansativas. Aqui, melhoraram isso, deixando-as mais dinâmicas e rápidas, principalmente por introduzir mecânicas dos jogos mais recentes.
Kiryu agora possui dois estilos de combate: O Dragão de Dojima, focado na força bruta e golpes pesados, eficiente em confrontos diretos. Enquanto o estilo Ryukyu utiliza armas tradicionais de Okinawa nos ataques. Esse estilo é ideal para quebrar defesas, controlar multidões e causar sangramento nos inimigos.
A progressão do personagem também é um ponto forte, onde dinheiro e pontos de treinamento são essenciais para melhorar. O dinheiro é conquistado através de batalhas, enquanto os pontos de treinamento podem ser adquiridos através de atividades secundárias. Esse sistema incentiva a exploração do cenário e a busca por fazer conteúdo extra, não exigindo um grind excessivo como vemos em grandes RPGs.
Agora vamos falar sobre o prelúdio inédito, Dark Ties, que conta a história de Yoshitaka Mine, um dos antagonistas mais marcantes da série. Aqui somos apresentados à contraparte de Kiryu, mostrando a ascensão de Mine dentro da hierarquia da Yakuza.
A história foca no relacionamento de Mine com Tsuyoshi Kanda e como ambos tentam subir dentro da família Nishikiyama. Diferente do jogo principal, aqui a narrativa é sombria e sem espaços para humor, trazendo um tom ainda mais sério e maduro. Mine é um personagem extremamente pragmático e calculista, movido por estratégia e ambição. No final das contas, ele faz o que for necessário para conseguir o que quer, até mesmo passar pelos seus ideais.
Apesar de trazer uma excelente perspectiva e complementar o contraste entre Mine e Kiryu, a narrativa não expande o enredo principal. Muitos eventos funcionam mais como contextualização do que parte essencial da história. Apesar disso, a relação entre Mine e Daigo oferecem momentos interessantes a historia.
A jogabilidade de Dark Ties é muito mais direta e não possui tantas histórias paralelas pelo mapa, aqui as atividades giram em torno do sistema chamado Controle de Dano. Nesse sistema, Mine realiza tarefas para melhorar a imagem de Kanda e também consolidar sua posição dentro da família.
Quanto ao combate, ele é bem diferente do que estamos acostumados como Kiryu. Mine adota uma postura de boxe rápida e agressiva, utilizando golpes que permitem combos fluidos, criando batalhas focadas na agilidade. Apesar da simplicidade, é uma jogabilidade extremamente divertida e cumpre seu papel, mesmo podendo ser melhorada e mais robusta.
Por fim, temos um modo de sobrevivência onde enfrentamos desafios com condições especiais. É basicamente um modo arcade de combate, oferecendo melhorias para o personagem e diversas recompensas extras. Tudo isso torna Dark Ties bem atraente, mesmo que seu conteúdo não seja tão robusto quanto o jogo principal.
Visualmente, Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties impressiona em vários momentos. Okinawa ganha vida com praias ensolaradas, ruas movimentadas e cenários cheios de detalhes. Kamurocho também mantém o nível de qualidade já visto em jogos recentes da franquia.
A iluminação, principalmente durante o pôr do sol ou à noite, cria ambientes bastante atmosféricos. Em termos de desempenho, o jogo roda de forma extremamente estável, sem quedas de fps, crashes ou bugs que atrapalhem a jornada.
Por outro lado, nem tudo é perfeito. Alguns modelos de personagens parecem um pouco datados. Não é algo que comprometa seriamente a experiência, mas fica evidente quando comparado aos padrões mais modernos da indústria.
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties vale a pena?
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties entrega uma experiência sólida ao aprofundar a jornada de Kiryu e apresentar uma perspectiva interessante com Mine. Mesmo com um início lento e alguns aspectos visuais datados, o jogo compensa com uma narrativa envolvente, personagens marcantes e um combate refinado que torna as batalhas mais dinâmicas. As atividades no orfanato adicionam peso emocional à trama, enquanto Dark Ties expande o universo de forma complementar. No geral, é uma ótima adição para fãs da franquia.














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