A expectativa em torno de Code Vein II era alta, especialmente para quem criou uma conexão com o primeiro jogo. Justamente por isso, o impacto inicial pode ser de frustração. Não se trata de um título ruim, mas fica evidente a falta de polimento em áreas importantes, principalmente no desempenho. Ainda assim, sua proposta ambiciosa e a tentativa de expandir tudo que funcionou anteriormente mostram um jogo com identidade, mesmo que irregular em sua execução.

Uma narrativa ambiciosa, mas confusa
A sequência aposta em uma história mais densa, ambientada em um mundo devastado por um evento catastrófico que deu origem a criaturas conhecidas como Horrors. Nesse cenário, os Revenants assumem um papel ambíguo, divididos entre salvar o mundo e seguir seus próprios interesses.
A trama se arrisca ao trabalhar com viagens no tempo, explorando diferentes períodos e realidades alternativas. Essa estrutura amplia o escopo narrativo e traz momentos interessantes, principalmente nos encontros com figuras do passado. As escolhas do jogador também influenciam diretamente o desfecho, oferecendo múltiplos finais.
Por outro lado, a execução não acompanha totalmente essa ambição. A narrativa é fragmentada, repleta de termos próprios e mudanças constantes de contexto, o que pode confundir mais do que envolver. Ainda assim, quem se dedica a explorar diálogos opcionais e detalhes do mundo encontra uma construção rica e cheia de nuances.

Um mundo maior, mas nem sempre mais interessante
Diferente do primeiro jogo, Code Vein II adota uma estrutura mais aberta, lembrando títulos como Elden Ring. O mapa é amplo, interconectado e repleto de áreas opcionais, incentivando a exploração de forma mais livre.
Na prática, essa liberdade tem seus altos e baixos. Embora o jogo recompense o jogador com frequência, seja com novos recursos ou regiões escondidas, falta um senso mais forte de descoberta. Muitas vezes, a exploração se resume à progressão de melhorias, sem aquele impulso natural de curiosidade.
A adição de meios de locomoção mais rápidos ajuda a atravessar grandes distâncias, mas é na exploração a pé que o jogo realmente funciona melhor. Missões secundárias espalhadas pelo mundo e ligadas às diferentes linhas temporais ajudam a enriquecer a experiência, ainda que não sejam suficientes para tornar o mundo memorável.

Combate acessível e cheio de possibilidades
O combate continua sendo o grande destaque. Seguindo a base dos Soulslikes, o jogo oferece uma ampla variedade de armas e estilos, permitindo criar builds bem distintas. A flexibilidade é um dos seus maiores trunfos, incentivando experimentação constante.
Comparado a outros títulos do gênero, a experiência é mais acessível. A gestão de energia é menos restritiva, habilidades são usadas com mais frequência e o sistema de parceiros reduz a punição em combate. Isso torna o jogo convidativo para iniciantes.
Por outro lado, essa abordagem pode desagradar jogadores mais experientes, já que o desafio nem sempre acompanha a evolução do personagem. Ainda assim, confrontos contra chefes conseguem elevar a tensão e exigem atenção total.

Sistemas profundos que sustentam a progressão
Os Códigos de Sangue retornam como um dos pilares da jogabilidade, funcionando como arquétipos que definem habilidades e atributos. A liberdade de combinação permite criar estilos únicos, sem as limitações rígidas de classes tradicionais.
O sistema de companheiros também evolui, oferecendo aliados úteis durante a jornada. Eles ajudam no combate, servem como suporte e até podem reviver o jogador, criando uma margem de erro maior. Para quem prefere jogar sozinho, há alternativas que compensam essa ausência com bônus temporários.
Outro ponto que merece destaque é o criador de personagens. Extremamente robusto, ele oferece liberdade quase total para personalização, sendo facilmente um dos sistemas mais completos do jogo.

Estilo marcante com problemas técnicos
Visualmente, o jogo mantém a identidade anime que marcou o original, com personagens estilizados e efeitos chamativos. A direção artística é consistente e ajuda a reforçar sua personalidade.
No entanto, tecnicamente deixa a desejar. Texturas simples e iluminação inconsistente fazem o jogo parecer menos atual do que poderia. O maior problema, porém, está no desempenho. Quedas de framerate em áreas abertas e durante combates mais intensos afetam diretamente a fluidez.
Esses problemas, somados a pequenos travamentos, acabam prejudicando a imersão e reforçam a sensação de falta de polimento.
Code Vein II – Vale a pena?





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