Yakuza Kiwami – Review

Yakuza Kiwami – Review

Yakuza sempre foi uma franquia misteriosa para mim, via muitas pessoas falando sobre e venerando e nunca entendi isso. Com o lançamento de Like a Dragon e o “inicio” de uma nova história, resolvi mergulhar nos jogos e me surpreendi com a narrativa bem humorada, mas madura e cheia de reviravoltas. Com o relançamento da série Yakuza para PlayStation 5, resolvi mergulhar de cabeça e ver o que perdi por todos esses anos.

Yakuza Kiwami é uma remasterização do jogo original lançado para PS2 em 2005, e agora a Ryu Ga Gotoku Studio relança-o para PlayStation 5 trazendo melhorias pontuais em relação à versão de PlayStation 4.

Yakuza Kiwami conta a história de Kazuma Kiryu (um dos melhores protagonistas dos videogames), um jovem integrante da Yakuza que se envolve em um assassinato cometido por seu melhor amigo, Akira Nishikiyama. Ao passar dez anos na prisão, Kiryu volta ao mundo sem laços, status e um cenário totalmente diferente do qual conhecia. Um dos grandes choque para ele é ver seu melhor amigo, Nishikiyama como um grande líder do Clã Tojo, uma das maiores organizações criminosas da região. Enquanto do lado da Yakuza, uma grande quantia de dinheiro desapareceu, fazendo com o clã mergulhasse em uma guerra interna atrás do traidor.

Além do lado criminoso, Kiryu se envolve em um laço emocional profundo com Haruka, uma garotinha que tem ligação com o dinheiro desaparecido, ao mesmo tempo ele tenta encontrar seu grande amor, Yumi. A trama possui diversos aspectos emocionais que são bem escalados e apresentados ao jogadores, trazendo um intenso drama criminal, onde conflitos morais e traições acontecem à todo momento. A profundidade dos personagens é algo que impressiona e te faz questionar o que mais pode vir pela frente, fazendo com que você queira ver o próximo jogo e seus acontecimentos.

Infelizmente, mesmo sendo um jogo mais antigo e que muitas pessoas conhecem, eu prefiro não entrar com grande profundida na narrativa. É uma trama cheia de surpresas e que realmente vale a pena dar uma chance. Esse é um daqueles casos que os spoilers realmente podem estragar sua experiência.

Yakuza Kiwami possui um sistema de combate divertido e bem simples, colocando Kiryu para enfrentar mafiosos por todos os locais que passa em Kamurocho. O personagem possui quatro estilos de luta distintos, cada um deles possuindo vantagens especificas como velocidade, força ou até mesmo para controlar o combate contra diversos inimigos, podendo ser alternados em tempo real.

O sistema de combate além de dinâmico, ele apresenta cinematografias e coreografias impressionantes. Os golpes especiais, as finalizações e o uso de objetos do cenário, como bicicletas, moveis, bancos e diversos outros, aumentam o fator diversão. Além disso, a progressão é realmente boa, trazendo novas habilidades constantemente, fazendo com que Kiryu sempre fique mais forte.

Ainda assim, o jogo apresenta problemas pontuais no seu combate. Mesmo com toda beleza e fluidez, a quantidade de encontros aleatórios tornam o jogo cansativo, principalmente por ser uma longa jornada. Além disso, é possível sentir que o jogo é desbalanceado em diversos aspectos, principalmente em lutas contra chefes. Diversos chefes são extremamente fortes e possuem regeneração de vida. Para fãs de JRPG, isso pode ser tranquilo, visto que já estão acostumados com farmar level, explorar e sempre estar um passo à frente do próximo desafio, no entanto, para novatos e quem só quer curtir a história, pode ser frustrante e quebrar o ritmo da experiência.

O maior destaque de Yakuza Kiwami é sua quantidade de conteúdo opcional e exploração. Kamurocho é um mapa simples e compacto, mas denso em atividades e figuras. Praticamente em todos os locais existem missões secundárias, minigames e eventos inesperados, tornando-o um lugar único e cheio de vida. As missões secundárias se destacam ainda mais por trazer histórias emocionais, críticas sociais pontuais para a época e situações que beiram o absurdo, mas são extremamente divertidas e dão um respiro ao tom sério da narrativa principal.

Além disso, Kamurocho é tão viva e impressionante, que funciona como um grande personagem secundário, algo bem diferente de diversos títulos que não trabalham em sua ambientação. A cidade conta com lojas, restaurantes, ruas repletas de neon e NPCs que refletem a cultura de um bairro japonês. Mesmo com sua simplicidade, o mapa compensa com vida.

Uma das melhores coisas da exploração é o sistema “Majima Everywhere”. Goro Majima, é um dos personagens mais absurdos e populares da série, basta ver Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii e você vai entender. Nesse sistema, o personagem aparece em diferentes situações para desafiar Kiryu, trazendo um tom bem humorado e surpresa. Esses encontros também são essências para desbloquear novas habilidades.

Infelizmente a versão de PS5 peca em trazer grandes novidades para os jogadores. As melhorias se concentraram no aspecto técnico apenas, trazendo tempos de carregamento mais rápidos, 60 frames por segundo e uma experiência mais fluida e confortável.

Visualmente o jogo se mantém praticamente identico a versão de PlayStation 4, mas possui certos detalhes de iluminação que ressaltam a vida de Kamurocho. Além disso, é possível ver um certo refinamento em texturas e aspectos visuais mais simples, nada que seja um salto significativo de diferença. Para quem jogou versões anteriores, talvez não valha a pena investir nessa versão ainda.

Yakuza Kiwami vale a pena?

Yakuza Kiwami no PS5 é uma ótima porta de entrada para entender por que a franquia é tão amada. Com narrativa madura, personagens marcantes e Kamurocho extremamente viva, o jogo entrega uma experiência envolvente e cheia de conteúdo opcional. O combate diverte, mas sofre com desbalanceamentos e encontros excessivos. Tecnicamente sólido, porém pouco inovador, é recomendado principalmente para novos jogadores, especialmente fãs de ação e histórias criminais japonesas clássicas modernas.

Agradeço à SEGA pelo envio do jogo para review!

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