Avowed – Review

Avowed – Review

Avowed foi um jogo bem polêmico em seu lançamento para Xbox e PC e desde então sempre fiquei curioso para saber se o jogo deveria ser tão criticado quanto foi. Desenvolvido pela Obsidian, o título entrega um RPG em primeira pessoa que está longe de ser o monstro pintado pela mídia em seu lançamento. A jogabilidade, progressão e personagens entregam uma boa experiência, mas você sente que falta um algo à mais. No entanto, com sua chegada ao PlayStation 5, o jogo recebeu diversas em uma nova atualização, trazendo até mesmo um NG+ e diversas melhorias de qualidade de vida.

A narrativa nos coloca no universo de Pillas of Eternity, mas em uma aventura totalmente paralela aos eventos do jogo. Aqui, assumimos o papel de um Emissário do Império de Aedry que parte para as Terras Ferteis para investigar uma praga chamada “Praga da Terra”. Essa praga está levando as pessoas e criaturas à loucura, tornando-as violentas e o mundo um verdadeiros caos. Contudo, rapidamente a trama ganha outras camadas, fazendo com que o protagonista questione sua identidade e destino.

A narrativa não é um dos grandes forte de Avowed, mas entrega de forma consistente conflitos políticos, choques culturais e dilemas éticos. O jogo não se divide entre o bem e o mal, aqui, quase todas decisões possuem consequências claras e até mesmos dolorosas. Uma das partes mais legais, são os companheiros e como eles estão sempre envolvidos em suas escolhas através de opiniões, discordância e até mesmo podem desaprovar suas atitudes. Essas pequenas atitudes reforçam o peso moral das escolhas, construindo uma sensação de que cada ação gera um efeito em cadeia perceptível ao longo da jornada.

Como dito, os companheiros tornam a experiência ainda melhor, não só pelo peso narrativo do personagem principal, mas por terem um passado e motivações próprias. Cada personagem possui uma linha de missão exclusiva, além disso, é sempre interessante ver suas reações aos acontecimentos, interações entre si e como podem influenciar e até mesmo solucionar alguns dilemas. Determinadas situações mudam dependendo do companheiro que te acompanha, é possível abrir novos caminhos e até mesmo evitar conflitos.

Além disso, os companheiros também desempenham papéis táticos, como tanque e suporte, ampliando sinergias e incentivando combinações variadas de build. Embora o sistema seja acessível, há profundidade suficiente para quem deseja otimizar construções híbridas e explorar diferentes estilos de jogo.

O sistema de relacionamento inclui um peso enorme, incluindo diálogos, aprofundar vínculos e até mesmo ter um romance bem simples com Kai ou Lodwyn. Além disso, é nitido o carinho da Obsidian na criação dos personagens, com personalidades e visuais diferentes, funcionando de forma precisa com a história e sem forçar nada. Esse pequeno cuidado, faz com que a aventura seja ainda melhor pelo grupo ao seu lado.

A jogabilidade de Avowed é flexivel e totalmente acessível, feita para veteranos e novatos do genero. Diferente da maioria dos RPGs, aqui não temos classes fixas, é possível misturar diversos elementos ao personagem. O combate se sustenta através de armas corpo a corpo, escudos, arcos e habilidades mágicas, podendo alternar em tempo real entre dois conjuntos de equipamento. Essa mecânica permite transições rápidas entre estilos ofensivo e defensivos, permitindo uma abordagem mais precisa dependendo da situação.

O combate também se destaca por possuir transmitir peso e impacto em seus golpes, como golpes pesados ou habilidades mágicas. Cada inimigo reage de forma distinta aos ataques desferidos, como habilidades elementais ou ataques corpo a corpo. O jogo mantém a base de gerenciamento de estamina, exigindo precisão no ataque, defesa e utilização de magias. Ainda assim, o jogo é desbalanceado em certos momentos, principalmente nas primeiras horas, surpreendendo com inimigos extremamente resistente, tornando alguns combates cansativos e punitivos. Além disso, a inteligência artificial é bem previsível em certos aspectos, tornando alguns dos grandes combates do jogo apenas monótonos.

A árvore de habilidades de Avowed foi projetada para priorizar flexibilidade e experimentação, permitindo que o jogador misture estilos de combate livremente em vez de escolher uma classe fixa. O jogo se apoia em três pilares principais de combate e progressão. As habilidades se dividem em quatro categorias: Lutador, voltado para combate corpo a corpo e resistência; Patrulheiro, focado em agilidade, armas de longo alcance e furtividade; Mago, especializado em magias elementais e dano em área; e Deidade, com poderes únicos ligados à narrativa. Não há restrições, permitindo combinações como guerreiro arcano ou atirador furtivo com suporte mágico.

Uma das coisas mais legais de Avowed é sua progressão que não se baseia apenas no nível do personagem, mas principalmente no equipamento. Armas e armaduras podem ser aprimorados através de recursos coletados pelo mapa, compradas ou adquiridas através de missões secundárias. Essa dependência significativa da melhoria de equipamentos, é interessante e frustrante na mesma proporção. Em certos momentos, principalmente em níveis de dificuldade maiores, fica difícil continuar a história caso não tenha equipamentos adequados. Para nós, amantes de um bom RPG, nosso caminho principal é sempre desviar da rota, fazer o máximo de conteúdo secundário possível e ficar ainda mais forte.

Aqui, o mundo não é totalmente aberto, mas dividido em grandes regiões com diferentes ambientações. Essa estrutura favorece a densidade em vez de uma escala exagerada, embora alguns prefiram o mapa aberto contínuo. Cada bioma tem aspectos visuais e inimigos únicos, seja desbravando uma floresta ou deserto, a atmosfera é distinta e possui uma grande identidade visual, principalmente em regiões vulcânicas. Além disso, o jogo mantém diversos segredos escondidos, cavernas, contratos e eventos narrativos que surgem ao longo da jornada. O jogo incentiva a curiosidade do jogador, sempre introduzindo novos elementos, mas sem inflar o mapa.

Um dos grandes acertos do jogo são elementos de qualidade de vida que tornam a experiência mais fluida. A corrida é ilimitada, o inventário não possui um limite de peso, permitindo sempre carregar itens leves e acessar o armazenamento do acampamento de forma remota. Esses pequenos detalhes evitam frustrações comuns no gênero e tornam o jogo mais acessível.

Visualmente, Avowed impressiona pela direção artística vibrante. A paleta de cores ousada foge do padrão medieval acinzentado comum em muitos RPGs de fantasia. Tons intensos de roxo, azul, verde e vermelho dominam cenários e efeitos mágicos, criando paisagens memoráveis. A iluminação desempenha papel fundamental na ambientação, destacando partículas, reflexos e detalhes de vegetação. Em plataformas mais potentes, os efeitos de ray tracing valorizam ainda mais a atmosfera, especialmente em cavernas e áreas afetadas pela “Praga da Terra”.

No que diz respeito ao desempenho, a versão para PlayStation 5 trouxe melhorias perceptíveis e me surpreendeu demais! O modo desempenho roda à 60fps, sem crashes ou bugs visuais, pude me aventurar por mais de 40 horas sem qualquer tipo de problema. Além disso, o controle DualSense foi integrado de maneira eficiente, com feedback tátil que intensifica a sensação de impacto nos combates e uso adaptativo dos gatilhos em armas à distância.

Avowed vale a pena?

Avowed é um RPG competente, ambicioso e muito mais sólido do que parte da crítica inicial sugeriu. Sua narrativa é consistente, mesmo sem ser memorável, enquanto os companheiros e as escolhas morais elevam a experiência. O combate é flexível e satisfatório, apesar de alguns desequilíbrios e IA previsível. A progressão baseada em equipamentos divide opiniões, mas recompensa exploração. No PS5, melhorias técnicas e de qualidade de vida tornam a jornada ainda mais agradável. Falta um brilho extra, porém entrega uma aventura envolvente e honesta.

Agradeço a Xbox Brasil pelo envio do jogo para review!

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