Baladins foi uma grata surpresa, sendo um RPG narrativo com foco na estratégia e principalmente cooperação. O título se passa em um mundo de fantasia chamado Gatherac, onde assumimos o papel de um membro da guilda dos Baladins, heróis que precisam salvar o festival da paz de sua cidade natal e todo o reino. Como todo bom conto de fantasia, o grande antagonista é o Colobra, um dragão do tempo que aprisiona o mundo em ciclos de seis semanas, reiniciando tudo ao final de cada período.
A narrativa nos aprisiona em um ciclo de repetição temporal, sendo a grande base para todos os eventos e jogabilidade. A cada novo ciclo, os personagens mantém o conhecimento adquirido anteriormente, permitindo novas abordagens e soluções diferentes para os problemas espalhados pelo mapa. Essa mecânica transforma cada tentativa em um experimento, onde cada erro e acerto trazem aprendizado e te preparam melhor para o próximo ciclo. A estrutura remete a RPGs de mesa no melhor estilo D&D, mas focando no humor e no visual que lembra livros de contos infantis.
Embora o grande foco seja lidar com Colobra, o jogo entrega um enredo muito mais vivo e elaborado graças às pequenas histórias que surgem pelo caminho. Ajudar moradores, resolver conflitos locais ou até mesmo se envolver em atividades absurdas que não contribuem diretamente para salvar o reino são a maior parte do encanto. Ao mesmo tempo que esse é um dos maiores acertos do jogo e torna o mundo vivo, ele também pode ser uma grande armadilha. Em diversos momentos passamos semanas inteiras resolvendo missões secundárias e esquecemos o objetivo principal, comprometendo todo o ciclo.
Baladins possui uma estrutura de tabuleiro, repleto de cidades, praças, caravanas e locais que são visitados ao longo das seis semanas. Cada semana representa um turno prolongado, e dentro dele temos pontos limitados de ação e deslocamento. Viajar, conversar, treinar habilidades ou realizar atividades secundárias consomem pontos, exigindo sempre escolher sabiamente. Se você é daqueles que amam fazer tudo em apenas uma run, esqueça, o jogo brinca com você à respeito disso. Você pode ver todas essas atividades, mas é impossível completá-las de uma vez. Isso limita e faz com que as decisões tenham um peso maior.
Os primeiros ciclos eu usei como um grande tutorial, para me acostumar com o ritmo do jogo e suas mecânicas, mas desde o primeiro momento é preciso calcular seus passos. Em diversos momentos é possível refletir se vale a pena treinar uma habilidade ou guardar às ações para outro momento. O jogo sempre nos coloca em alguns dilemas, e isso faz parte do núcleo da experiência.
Além disso, o jogo possui poções e itens que podem melhorar atributos temporariamente ou até mesmo conceder ações extras. No entanto, quando o dragão surge no final do ciclo, a grande maioria dos itens são perdidos, podendo levar apenas um para sua próxima partida.
Apesar de soar repetitivo, a repetição aqui nunca é igual. O jogo entrega constantemente novas informações, pois novas informações descobertas em um ciclo abrem novos caminhos no seguinte. Além disso, algumas missões só podem ser concluídas após diversas tentativas, encorajando à tentar novas abordagens constantemente.
Outro grande destaque do título são seus personagens, onde cada Baladin representa uma classe específica, como o Bardo, Cozinheiro, Pyro, Dançarino e Luxomancer. Cada um dos personagem possui maior proficiência em determinado atributo inicialmente. Os atributos variam, mas são a base de um RPG como força, conhecimento e até mesmo destruição e criatividade, trazendo ainda mais estratégia para alguns conflitos.
Um dos pontos mais RPGs de mesa são os testes de habilidades realizados com dados de três lados. Quanto maior o atributo relevante, maior a chance de sucesso. As falhas geralmente resultam em redução temporária de atributos ou perda de ouro, nada realmente punitivo como perder ações ou semanas. A progressão ocorre ao realizar atividades específicas nas cidades, aumentando gradualmente os atributos e desbloqueando desfechos melhores ou soluções alternativas para missões complexas.
Apesar de todas as qualidades narrativas e em sua jogabilidade, Baladins é extremamente desbalanceado. A experiência para quem joga solo para quem joga cooperativamente é completamente diferente. Sei que parece óbvio, mas o título foi pensado para ser jogado em grupo, então quanto mais pessoas em party, mas informações, mais áreas e mais missões são possíveis de fazer, tornando o tempo mais eficiente. Enquanto no modo solo, o progresso é extremamente mais limitado devido ao tempo que possuímos.
O cooperativo local ou online é uma das grandes forças do jogo. A experiência ganha vida quando amigos dividem decisões, discutem estratégias e até interpretam os personagens com vozes próprias, reforçando o clima de sessão de RPG de mesa.
Visualmente, Baladins é encantador, com estética que lembra recortes de papel e cenários de livros ilustrados. Apesar do charme e da criatividade, alguns bugs ocasionais podem interromper eventos e forçar a reinicialização do ciclo, gerando frustração após semanas bem planejadas.
Enquanto o desempenho do jogo é perfeito no PlayStation 5, tempos de carregamento rápidos, sem bugs ou problemas de FPS. No entanto, o título peca em não ser localizado para português!!! Infelizmente nós brasileiros perdemos muito da narrativa por não ter essa localização, principalmente em um jogo tão denso e encantador narrativamente.
Agradeço a ARMOR GAMES INC pelo envio do jogo para review!
Baladins vale a pena?
Baladins é um RPG estratégico e cooperativo que brilha na narrativa cíclica, transformando repetição em aprendizado constante. Encanta pelo humor, personagens carismáticos e forte clima de RPG de mesa. Apesar do desequilíbrio no modo solo e da ausência de localização em português, é uma experiência criativa, desafiadora e memorável em grupo.












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