Call of Duty: Black Ops 7 – Review

Após amar Black Ops 6 e ver tudo que a Activision havia apresentado de Call of Duty: Black Ops 7, eu senti que poderia um dos jogos que menos gostaria na franquia. E eu não errei. Mas também não vou ser injusto, a ambição apresentada aqui é grande, ainda maior que seu título anterior, no entanto, a experiência é inconsistente.

O título se divide em quatro modos: Campanha, multiplayers, Zombies e Fim da Jornada, cada um deles segue um modelo e filosofia próprios, apresentando qualidade e tropeços únicos que não afetam uns aos outros. Como muito já viram, o grande ponto negativo está na campanha e é real, enquanto os outros modos se sustentam de uma forma incrível até, principalmente o multiplayer.

Eu vou tentar elucidar cada ponto que tornou Black Ops 7 o título mais diferente desde Infinity Warfare.

A campanha é o ponto principal de críticas e deixou muitos fãs divididos (incluindo eu). Black Ops 6 entregou uma campanha que eu amei, cinematográfica e com um roteiro bem decente. Porém, a sequência já se mostra diferente por apostar em um campanha cooperativa, pensada para ser jogada por quatro jogadores. Mesmo soando moderno, a experiência parece pertencer à outro jogo, não a Call of Duty.

A campanha possui bons momentos e diverte em certos aspectos, principalmente em suas missões mais caóticas que foram feitas para serem jogadas em equipe. Mas ao experimentar jogá-la solo, você tem uma experiência desastrosa. Por não possuir companheiros em sua equipe, você espera que bots te ajudem, certo? Certo. Mas você não tem ninguém, precisa atravessar os mapas sozinhos, enfrentando hordas de inimigos. O impacto da campanha se perde totalmente ao jogar solo.

Outro ponto negativo é que você precisa sempre estar conectado à internet para jogar. Não existe como pausar o jogo, visto que ele é 100% online, algo que pode ser cruel e trazer diversas perdas de progresso. Para piorar, ao ficar parado no mapa você é descontado após alguns minutos e precisa recomeçar, rever as cutscenes e se estiver jogando com outras pessoas, é preciso que elas pulem a cena junto, para poder cortá-las.

Quanto a trama, ela tenta ser apoteótica e épica, mas acaba sendo cafona em diversos momentos, principalmente nas lutas contra chefes colossais que combinam mais com Easter Egg de Zombies do que campanha. O enredo busca construir momentos de tensão, mas cai na repetição sempre. Com reviravoltas simples, vilões sem carisma e uma progressão sem surpresas, essa é a PIOR campanha já feita para Call of Duty.

Call of Duty: Black Ops 7 se perde na narrativa, mas entrega uma jogabilidade sólida e divertida. O sistema de movimentação aprimorado de começo pouco me agradou, mas aos poucos saltar em paredes e as habilidades únicas de combate dão um gás para às missões. Porém, a IA dos inimigos não acompanha o ritmo frenético do jogo, em certos momentos eles parecem não entender o que está acontecendo, com diversos inimigos ignoravam minhas ações ou travavam no cenário.

Esse comportamento torna a campanha muito fácil, tirando qualquer sensação de ameaça ou medo de morrer e perder progresso. Em relação às novas mecânicas, elas realmente tem o poder de mudar o ritmo das partidas. Uma das maiores mudanças é a Postura Tática 2.0, uma evolução direta, trazendo mais fluidez aos movimentos já apresentados em MW II. Essa postura é ativada ao se aproximar de lugares baixos ou corredores estreitos, trazendo mais naturalidade entre correr, deslizar e combater.

Além disso, ao ser pressionado e suprimido por diversos inimigos, o personagem sente a pressão e perde estabilidade. Trazendo uma camada tática que muda completamente o combate, alterando precisão e até mesmo velocidade de troca de armas.

O sistema de customização sofreu uma grande reformulação, trazendo além de acessórios tradicionais, é possível ajustar diversos parâmetros, como a resistência do gatilho ou peso do ferrolho, criando builds ainda mais táticas da mesma arma. Além disso, ao montar sua arma, você altera a animação: armas leves permitem trocas mais rápidas, enquanto armas pesadas modificam o timing de todas as ações.

Call of Duty: Black Ops 7 acerta demais em seu ritmo mais agressivo no modo multiplayer. Os mapas sofreram alterações muito boas, com rotas mais curtas, incentivando confrontos mais rápidos e retornadas constantes de posição após sua morte. As novas mecânicas de movimentação tornam cada partida impactante, onde jogadores que sabem utilizá-las conseguem criar vantagens, principalmente alternando a postura de forma inteligente.

O sistema de Perks também foi reformulado. Agora diversos perks escalam conforme a performance do jogador na partida, oferecendo bônus que reforçam seu estilo de jogo, como correr, flanquear ou ser suporte. Os scorestreaks tradicionais retornam com penalidades menores ao morrer, deixando as partidas mais dinâmicas e reduzindo a frustração de perder todo seu progresso após morrer.

O grande ponto fora da curva é que o matchmaking é menos dependente de habilidade, tornando as partidas mais imprevisíveis e muito mais divertidas. Apesar do desequilíbrio em algumas delas, os momentos caóticos fazem valer a pena, principalmente por encontrar lobbies mais rapidamente.

O Modo Zombies continua sendo um grande chamariz para os amantes do modo. A aventura Cinzas dos Condenados, traz um mapa vasto e dá ao jogador uma grande sensação da exploração, como poucos easter eggs apresentados (principalmente nos últimos jogos). O mapa está repleto de segredos, caminhos alternativos e desafios que recompensam pela curiosidade. Apesar de poder ser jogador solo, o grande destaque é jogando com amigos, principalmente para se unirem em busca de resolver o Easter Egg.

Além disso, o modo Dead Ops Arcade retorna para a alegria de muitos e sofrimento de alguns (EU). O modo shooter twin-stick-top-down é feito para até quatro jogadores e é um bom desafio extra. Trazendo uma boa diversidade de cenários, armas e desafios, os jogadores devem sobreviver à diversas ondas de inimigos enquanto coletam upgrades, armas e se tornam mais fortes.

Outro modo que se destaca é o Fim da Jornada, que é liberado após finalizar a campanha. Funcionando como uma expansão do final, o modo mistura elementos de PvE, roguelite e extraction shooter. É preciso subir de nível, comprar novas habilidades e limpar ainda mais zonas desse vasto mapa que está repleto de atividades secundárias. Apesar de ser extremamente divertido no começo, os problemas logo aparecem. Os inimigos são inconsistentes e se você estiver muito acima do nível da zona, vira um passeio no parque. Além disso, se os servidores caírem, adeus progresso feito.

Visualmente o jogo não se destaca, sendo bonito, mas só, não impressiona como Modern Warfare ou até mesmo Black Ops 6. Os cenários futuristas, os efeitos de iluminação e os modelos de personagens bem detalhados se destacam. No entanto, certos cenários da campanha parecem ser reciclados.

Quanto ao desempenho, se não dependesse da estar conectado 100% do tempo, o jogo seria muito melhor, mas ainda assim, existem crashes e alguns pequenos bugs que atrapalham seu progresso.

A trilha sonora segue o padrão da série: funcional, atmosférica e adequada aos momentos de ação, mas raramente marcante. Enquanto a trilha sonora não é marcante, o design de som se mantém de altíssimo nível! O som das armas, movimentação e até mesmo de inimigos no cenários trazem uma identidade única para a obra.

Call of Duty: Black Ops 7 vale a pena?

Call of Duty: Black Ops 7 é um pacote robusto, mas desigual. A campanha é o elo mais fraco: repetitiva, mal adaptada ao jogo solo e limitada por sua estrutura totalmente online. Porém, o multiplayer brilha com ritmo agressivo, mapas bem pensados e um sistema de progressão renovado. Zombies continua forte e variado, enquanto Fim da Jornada oferece boas ideias, mas sofre com inconsistências. No geral, quem busca modos online terá ótimos momentos; quem prioriza campanha pode se frustrar.

Agradeço ao Activision pelo envio do jogo para review!

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