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Towa and the Guardians of the Sacred Tree foge do padrão com boas ideias, mas falha na execução

O gênero roguelite cresceu tanto nos últimos anos que se destacar virou um desafio por si só. Towa and the Guardians of the Sacred Tree surge justamente tentando fugir do lugar-comum, trazendo uma proposta que mistura narrativa mais presente, estética marcante e um sistema de combate em dupla pouco convencional. O resultado não é perfeito, mas mostra personalidade e ideias interessantes, algo cada vez mais raro dentro do gênero.

Uma história que caminha junto da jogabilidade

Diferente de muitos roguelites que tratam a narrativa como algo secundário, aqui ela ocupa um papel central. A jornada acompanha Towa, uma figura ligada ao divino que vive em paz até que uma entidade corrompe o mundo e força a protagonista a reunir aliados para enfrentar a ameaça.

Inspirado na mitologia xintoísta, o jogo constrói seu universo com base em símbolos, crenças e estética que reforçam essa identidade. O diferencial, porém, está na forma como a história se conecta à estrutura do jogo.

Ao longo da progressão, personagens são separados de Towa e deixam de estar disponíveis temporariamente, refletindo diretamente nas partidas. Essa ausência não é apenas mecânica, ela carrega peso emocional e reforça temas como sacrifício e perda, criando uma experiência onde narrativa e gameplay caminham juntas.

Combate em dupla com ideias interessantes

A base da jogabilidade segue o padrão do gênero, com salas sequenciais, melhorias e confrontos contra chefes. O diferencial está no uso de dois personagens simultaneamente, cada um com uma função distinta.

O Tsurugi é o foco da ação direta, utilizando espadas com diferentes tipos de ataques e habilidades. Um detalhe interessante é o sistema de durabilidade, que incentiva alternar entre armas para manter eficiência durante o combate.

Já o Kagura atua como suporte, oferecendo habilidades mágicas e auxílio indireto. Na prática, porém, essa dinâmica não funciona tão bem quanto deveria. O personagem tem poucas opções de ação, o que limita sua relevância. Mesmo no cooperativo, sua participação pode parecer pouco envolvente, criando um desequilíbrio claro entre os dois papéis.

Progressão com boas ideias e decisões questionáveis

Como esperado em um roguelite, há uma grande variedade de melhorias durante as runs, influenciando diretamente o estilo de jogo. Algumas dessas habilidades conseguem transformar o combate de maneira interessante.

No entanto, o sistema tropeça ao substituir melhorias em vez de acumulá-las. Isso reduz a sensação de crescimento ao longo das partidas, especialmente nas runs mais longas, onde o jogador espera evoluir de forma mais perceptível.

Por outro lado, o sistema de forja se destaca. Criar armas é essencial para progressão e adiciona uma camada estratégica interessante. O problema é que o minigame envolvido, apesar de criativo no início, pode se tornar repetitivo e até frustrante dependendo dos resultados.

Entre as partidas, a vila funciona como um hub central bem estruturado. Lá é possível evoluir atributos, desbloquear recursos e interagir com personagens. A quantidade de sistemas pode parecer excessiva no começo, mas aos poucos tudo se organiza e contribui para a experiência.

Direção artística encantadora e trilha marcante

Visualmente, o jogo chama atenção com seu estilo anime vibrante e personagens cheios de personalidade. Cada guardião possui um design único, muitas vezes fugindo do padrão comum do gênero. Os cenários são bonitos e bem construídos, mas acabam sofrendo com repetição estrutural após várias horas de jogo, diminuindo o impacto inicial.

A trilha sonora é um dos pontos altos. Alternando entre momentos intensos e contemplativos, ela reforça tanto o clima das batalhas quanto o peso emocional da narrativa.

No aspecto técnico, a experiência é sólida. O jogo mantém bom desempenho, sem quedas perceptíveis ou problemas que comprometam a fluidez.

Towa and the Guardians of the Sacred Tree – Launch Trailer

Towa and the Guardians of the Sacred Tree – Vale a pena?

Publisher: Bandai Namco
Console: PlayStation 5

Towa and the Guardians of the Sacred Tree é um roguelite que não tem medo de tentar algo diferente. Sua maior força está na forma como integra narrativa e jogabilidade, criando uma experiência com identidade própria. Mesmo com problemas no equilíbrio do combate em dupla e decisões discutíveis na progressão, o jogo consegue se destacar pela proposta e pelo charme. Para fãs do gênero que buscam algo fora do padrão, é uma experiência que vale a pena.
História
75%
Jogabilidade
75%
Gráficos
90%
Desempenho
80%

I Hate This Place acerta no conceito, mas tropeça nos detalhes

I Hate This Place chama atenção logo de cara pelo visual, mas não demora para mostrar que existe algo mais por trás da estética. A proposta mistura survival horror com visão isométrica, apostando em furtividade, gerenciamento de recursos e um sistema onde o som dita o comportamento dos inimigos. Em meio a tantos jogos genéricos do gênero, ele se destaca pela identidade, ainda que tropece na execução de algumas ideias.

Sobreviver é mais importante do que sentir medo

A história acompanha Elena, que se vê presa em uma realidade distorcida após um ritual dar errado. O que deveria ser um simples contato com o além acaba liberando algo muito mais perigoso, enquanto sua amiga desaparece sem deixar rastros.

A narrativa se constrói a partir dessa busca, colocando o jogador em um ambiente hostil e imprevisível. Diferente de outros jogos do gênero, aqui o terror não depende de sustos constantes, mas da sensação de vulnerabilidade. O medo vem da incerteza do que pode estar à frente ou escondido no silêncio.

Ainda assim, o foco maior está na sobrevivência. Quem espera uma experiência mais voltada ao terror psicológico pode estranhar essa abordagem mais prática e tensa, onde cada decisão importa mais do que o impacto emocional imediato.

Furtividade inteligente e tensão constante

A jogabilidade é um dos pontos mais fortes. O jogo incentiva o jogador a evitar confrontos diretos, especialmente no início, onde os inimigos são extremamente letais.

O grande diferencial está no uso do som. Muitas criaturas não enxergam, mas reagem a qualquer ruído. Cada passo precisa ser calculado, já que diferentes superfícies produzem sons distintos. O jogo comunica isso de forma criativa, com indicações visuais no estilo de histórias em quadrinhos.

Esse sistema funciona muito bem, criando momentos de tensão genuína. Um erro mínimo pode resultar em perseguições caóticas ou morte imediata. Saber quando se mover, correr ou usar o ambiente a seu favor se torna essencial.

Combate funcional, mas pouco refinado

Se a furtividade funciona bem, o combate não acompanha o mesmo nível de qualidade. Os controles são rígidos e pouco intuitivos, dando a sensação de que foram pensados mais para teclado e mouse.

Com o tempo é possível se adaptar, mas a falta de precisão pesa em momentos críticos. Em situações que exigem ações rápidas, essa rigidez pode transformar erros pequenos em frustração, quebrando o ritmo da experiência.

Base e gerenciamento com altos e baixos

O sistema de construção e manutenção da base é um dos pilares do jogo. O Rancho funciona como um refúgio seguro, onde é possível produzir itens, cozinhar, cultivar e preparar equipamentos para futuras expedições.

A progressão está diretamente ligada a esse sistema, incentivando a exploração em busca de materiais e projetos. No entanto, o balanceamento nem sempre funciona bem.

A comida, por exemplo, é abundante demais, reduzindo o impacto da mecânica de fome. Por outro lado, munição é escassa ao extremo, forçando o jogador a interromper o fluxo da exploração para buscar recursos. Esse desequilíbrio afeta o ritmo e pode tornar a experiência mais arrastada do que deveria.

O ciclo de dia e noite também é subaproveitado. Apesar de a noite ser mais perigosa, não há recompensas suficientes para justificar o risco, o que acaba tornando o sistema pouco relevante.

Estilo marcante com problemas técnicos

Visualmente, o jogo aposta em uma direção artística inspirada em quadrinhos de terror, com cenários desenhados à mão e criaturas grotescas que realmente causam desconforto. A identidade visual é forte e funciona muito bem na construção da atmosfera.

Porém, o desempenho deixa a desejar. Quedas de FPS são frequentes, especialmente em áreas abertas ou momentos com muitos inimigos. Além disso, problemas de sincronização entre áudio, efeitos visuais e ações do jogador prejudicam a precisão, algo crítico em um jogo que exige tanto cuidado.

Essas falhas não arruínam a experiência, mas tiram parte do impacto que o jogo poderia ter.

I Hate This Place - Official Launch Trailer

I Hate This Place – Vale a pena?

Publisher: Feardemic
Console: PlayStation 5

I Hate This Place apresenta ideias interessantes e uma identidade clara, com sistemas que funcionam bem no papel e, em muitos momentos, também na prática. No entanto, problemas de execução, controles pouco refinados e um balanceamento irregular impedem que o jogo alcance todo o seu potencial. Ainda assim, há momentos de tensão genuína e boas soluções de design que podem agradar fãs do gênero, desde que as expectativas estejam alinhadas.
História
75%
Jogabilidade
80%
Gráficos
82%
Desempenho
75%

Marathon é difícil de entrar, mas profundo e recompensador

Marathon chegou cercado de dúvidas, especialmente após o impacto negativo de Concord no cenário recente. Ainda assim, a Bungie aposta em sua experiência consolidada no gênero para entregar um shooter de extração PvPvE que busca equilibrar tensão, estratégia e identidade própria, algo que o aproxima de propostas como Arc Raiders, mas com personalidade distinta.

O resultado é uma experiência exigente, que não facilita a entrada, mas recompensa quem se dedica a entender seus sistemas.

Sobreviver é mais importante que vencer

Diferente de shooters tradicionais, Marathon não se apoia em narrativa. Aqui, o foco está totalmente na sobrevivência e no gerenciamento de risco.

Cada partida coloca o jogador em mapas compactos, porém densos, onde o objetivo é coletar recursos e conseguir extrair com vida. A tensão é constante: qualquer confronto pode significar perder tudo o que foi conquistado naquela sessão.

Esse ciclo cria momentos intensos. Perder um bom loot perto da extração é frustrante, mas eliminar outro jogador e tomar seus recursos gera uma satisfação imediata. É um jogo que vive desse equilíbrio entre risco e recompensa.

Gunplay refinado, mas interface problemática

A jogabilidade é, sem dúvida, o ponto alto. A Bungie mais uma vez demonstra domínio no gunplay, com armas responsivas, impacto consistente e uma sensação tátil bem trabalhada, especialmente no DualSense.

Cada arma possui identidade própria, incentivando experimentação e adaptação constante. Soma-se a isso o sistema de “Carcaças”, personagens com habilidades únicas que moldam o estilo de jogo, seja em combate direto, suporte ou furtividade.

Por outro lado, a interface atrapalha mais do que ajuda. Informações pouco claras e organização confusa dificultam entender rapidamente itens e sistemas, prejudicando o ritmo nas primeiras horas.

Modos que exigem abordagens diferentes

O jogo pode ser enfrentado solo ou em equipe, mas a experiência muda drasticamente entre os dois.

No modo solo, a tensão é máxima. Sem aliados, qualquer erro pode ser fatal, e a melhor estratégia costuma ser evitar confrontos diretos. O problema é que o balanceamento não acompanha essa proposta, mantendo desafios pensados para grupos.

Já no cooperativo, o jogo encontra seu melhor ritmo. A coordenação entre jogadores torna os combates mais estratégicos e reduz a frustração, além de valorizar o uso das habilidades das Carcaças.

Progressão constante, mas pouco clara

A progressão gira em torno de facções e contratos, que funcionam como objetivos durante as partidas. Mesmo falhando em extrair, ainda é possível avançar nesses sistemas, o que mantém uma sensação de evolução contínua.

Cada facção incentiva um estilo diferente de jogo, seja focado em combate, exploração ou coleta. No entanto, a falta de clareza nas descrições das missões pode gerar confusão e tornar o progresso menos intuitivo do que deveria.

Além disso, a dificuldade elevada exige mais do que habilidade em combate. É necessário conhecer mapas, gerenciar recursos e tomar decisões sob pressão. A curva de aprendizado é acentuada, mas recompensadora.

Endgame que expande a proposta

A chegada do Crioarquivo adiciona uma camada importante ao jogo. Funcionando como um conteúdo de endgame, ele introduz uma estrutura mais próxima de raids, lembrando o tipo de evolução que a Bungie já trabalhou em Destiny.

Aqui, o foco deixa de ser apenas extrair e passa a envolver progressão dentro da própria missão, com objetivos mais complexos e áreas desbloqueadas gradualmente.

O acesso exige preparação, tanto em nível de facções quanto em equipamentos, o que dá propósito ao grind das partidas tradicionais. É um sistema que amplia a longevidade e adiciona profundidade à experiência.

Direção de arte marcante, mas repetitiva

Visualmente, o jogo impressiona. A estética futurista mistura elementos industriais e naturais, criando cenários com forte identidade. Mudanças climáticas dinâmicas ajudam a reforçar a imersão.

No entanto, a estrutura dos ambientes tende à repetição. Muitas áreas compartilham padrões semelhantes, o que reduz a sensação de descoberta ao longo do tempo.

O desempenho técnico é sólido, especialmente considerando a complexidade das interações online. O áudio também se destaca, sendo essencial para identificar ameaças, embora, em momentos mais intensos, o excesso de informações visuais e sonoras possa gerar certa sobrecarga.

Launch Gameplay Trailer | Marathon

Marathon- Vale a pena?

Publisher: Bungie
Console: PlayStation 5

Marathon não é um jogo acessível para iniciantes. Sua interface confusa, dificuldade elevada e falta de explicações claras podem afastar nos primeiros momentos. Por outro lado, quem insiste encontra um sistema profundo, tenso e altamente recompensador. Com um gunplay refinado, progressão consistente e um endgame promissor, o jogo mostra que a Bungie ainda entende como criar experiências envolventes, mesmo que nem sempre fáceis de abraçar.
Jogabilidade
90%
Gráficos
80%
Desempenho
85%

Little Nightmares III traz novidades sem perder a essência

A mudança de estúdio sempre levanta dúvidas, e com Little Nightmares III isso não foi diferente. Agora nas mãos da Supermassive Games, a franquia dá um passo importante ao expandir suas ideias, mas sem abandonar completamente a essência construída anteriormente. O resultado é um jogo que respeita suas raízes, ainda que não alcance o mesmo impacto emocional e sensorial dos títulos anteriores.

Uma narrativa sensível, mas menos impactante

A história mantém o estilo característico da série: minimalista, simbólica e aberta à interpretação. Desta vez, acompanhamos dois protagonistas, Low e Alone, que enfrentam juntos os horrores de um mundo distorcido.

Sem diálogos diretos, a narrativa se constrói através de cenários, animações e fragmentos espalhados pelo caminho. Mesmo com essa abordagem indireta, o jogo consegue transmitir bem seus eventos e temas.

O grande destaque está na forma como aborda questões ligadas à infância, como abandono e trauma. Esses elementos aparecem de maneira sutil, mas carregada de significado. Ainda assim, o impacto emocional demora a se estabelecer e, quando finalmente chega, já não tem o mesmo peso imediato dos jogos anteriores.

Além disso, o desfecho deixa interpretações em aberto, ampliando o universo e sugerindo possíveis continuações, mas também dando a sensação de que alguns temas poderiam ter sido mais explorados.

Jogabilidade segura, sem grandes riscos

A base da jogabilidade permanece praticamente intacta. Exploração lateral em cenários tridimensionais, puzzles ambientais, momentos de furtividade e sequências de perseguição continuam sendo o núcleo da experiência.

A principal novidade está nas habilidades distintas dos protagonistas. Low utiliza um arco para interagir à distância e lidar com ameaças, enquanto Alone usa uma ferramenta mais física para manipular o ambiente e finalizar inimigos.

A proposta funciona bem em teoria, especialmente em momentos que exigem cooperação. Porém, na prática, há um desequilíbrio claro. Low acaba sendo mais útil durante grande parte da campanha, enquanto Alone assume um papel mais secundário, o que limita o potencial dessa mecânica.

Cooperação que funciona, mas precisa de ajustes

O modo cooperativo é a grande adição desta vez. Toda a campanha pode ser jogada em dupla, seja online ou com um parceiro controlado por inteligência artificial.

A IA surpreende positivamente, conseguindo acompanhar o ritmo do jogo, ajudar nos puzzles e não atrapalhar a progressão. Isso torna a experiência solo bastante funcional.

No entanto, o modo cooperativo não é perfeito. Em algumas situações, falta clareza sobre quem deve agir primeiro, o que pode gerar confusão. Esse pequeno ruído afeta o fluxo em momentos que deveriam ser mais naturais.

Atmosfera impecável e identidade preservada

Visualmente, o jogo continua impressionante. O uso de iluminação, sombras e cores dessaturadas cria ambientes perturbadores e ao mesmo tempo fascinantes. Cada cenário carrega uma identidade forte e contribui para a narrativa silenciosa.

Em alguns momentos, a escuridão excessiva pode dificultar a leitura do ambiente, mas isso não chega a comprometer a experiência geral.

A trilha sonora segue o mesmo padrão da franquia, alternando entre silêncio e composições sutis que intensificam a tensão. Sons ambientes e murmúrios reforçam a sensação de desconforto sem quebrar a imersão.

Little Nightmares III - 'Hold My Hand' | Launch Trailer

Little Nightmares III – Vale a pena?

Publisher: Bandai Namco
Console: PlayStation 4

Little Nightmares III é uma evolução cuidadosa da franquia. Ele mantém a identidade que consagrou a série, ao mesmo tempo em que introduz novas ideias, especialmente no aspecto cooperativo. Apesar de ser menos intimista e impactante do que os anteriores, o jogo entrega uma experiência sólida, com bons momentos narrativos e uma direção artística marcante. Não reinventa a fórmula, mas amplia o universo de forma consistente, deixando claro que ainda há espaço para crescer nos próximos capítulos.
História
70%
Jogabilidade
80%
Gráficos
85%
Desempenho
85%

Grime II evolui ideias, mas tropeça no ritmo e na execução

Sequências ambiciosas sempre caminham em uma linha tênue entre evolução e excesso. Grime II entende bem a essência do original e expande suas ideias com confiança, apostando em um mundo ainda mais denso, um combate refinado e uma identidade visual forte. Ainda assim, algumas decisões de ritmo e progressão acabam interferindo diretamente na fluidez da experiência.

Uma narrativa abstrata e cheia de simbolismo

Assim como no primeiro jogo, a história segue um caminho minimalista e aberto à interpretação. No controle de uma entidade sem forma, o jogador percorre um mundo moldado por figuras conhecidas como “Frágeis”, onde tudo parece fazer parte de uma grande obra viva.

A narrativa se desenvolve de maneira fragmentada, através de encontros e pequenos detalhes espalhados pelo cenário. Não há explicações diretas, e grande parte do entendimento depende da leitura do jogador. Esse estilo cria uma atmosfera única e envolvente, mas pode afastar quem prefere histórias mais diretas.

Ainda assim, a construção temática e o conceito artístico são suficientes para sustentar uma imersão forte, dando identidade ao universo mesmo com poucas palavras.

Combate versátil, mas com desequilíbrios

A jogabilidade mistura elementos de metroidvania com influências de soulslike, resultando em um combate estratégico e exigente. O sistema evolui em relação ao primeiro jogo, especialmente ao dar mais destaque à esquiva, permitindo abordagens mais dinâmicas.

As armas oferecem ataques básicos e habilidades carregáveis, criando variedade nas lutas. A mecânica de absorção também ganha relevância, permitindo utilizar inimigos derrotados como recurso em combate, o que amplia as possibilidades táticas.

Apesar disso, o equilíbrio deixa a desejar. Conforme o jogo avança, os inimigos se tornam mais fortes em um ritmo que nem sempre acompanha a evolução do jogador. A escassez de recursos para melhorias acaba limitando builds e impactando diretamente o desempenho em combate.

Chefes memoráveis e desafiadores

Os confrontos contra chefes continuam sendo um dos grandes destaques. Criativos e visualmente impressionantes, eles exigem adaptação constante e aprendizado a cada tentativa.

A sensação de superação ao derrotá-los é genuína, reforçando o aspecto desafiador do jogo. No entanto, nem todos seguem o mesmo padrão de qualidade. Alguns apresentam comportamentos inconsistentes ou ataques difíceis de prever, o que pode gerar frustração em vez de aprendizado.

Exploração sólida que perde força com o tempo

O mundo é interconectado e bem estruturado, com atalhos e caminhos alternativos que tornam a navegação interessante. A presença de pontos de teletransporte ajuda a manter o ritmo, evitando deslocamentos excessivos.

O início da jornada é bem conduzido, com progressão equilibrada e introdução gradual das mecânicas. Porém, na segunda metade, o ritmo desacelera. Recompensas menos frequentes, checkpoints escassos e dificuldade elevada tornam a experiência mais arrastada.

As seções de plataforma merecem destaque positivo. Elas exigem precisão e domínio das habilidades, funcionando como bons testes de habilidade. Desafiadoras, mas geralmente justas, ajudam a variar o ritmo da exploração.

Direção artística marcante, mas cansativa

Visualmente, Grime II mantém uma identidade forte, misturando o grotesco com o artístico de forma ousada. Criaturas e cenários têm um estilo único, e muitos momentos realmente impressionam pela composição visual.

Por outro lado, a predominância de tons escuros e ambientes sombrios pode tornar a experiência visual repetitiva com o tempo. O impacto inicial é forte, mas perde parte do brilho ao longo da jornada.

Problemas técnicos que quebram a imersão

No aspecto técnico, o desempenho é, em geral, estável, especialmente em momentos mais críticos. Ainda assim, o jogo não está livre de falhas.

Quedas ocasionais de desempenho, travamentos e até crashes aparecem em situações específicas. Embora não sejam constantes, esses problemas são suficientes para interromper a imersão e causar incômodo.

Grime II - Announce Trailer | PS5 Games

Grime II – Vale a pena?

Publisher: Kwalee
Console: PlayStation 4

Grime II é uma sequência que entende suas bases e tenta ir além, trazendo sistemas mais profundos e uma experiência mais desafiadora. Mesmo com problemas de ritmo, progressão irregular e falhas técnicas, o jogo se sustenta graças ao combate versátil, chefes marcantes e uma direção artística única. Não alcança todo o potencial que sugere, mas ainda oferece momentos intensos e memoráveis, especialmente para quem já aprecia o gênero.
História
75%
Jogabilidade
80%
Gráficos
75%
Desempenho
90%

Code Vein II acerta no combate, mas falha na execução geral

A expectativa em torno de Code Vein II era alta, especialmente para quem criou uma conexão com o primeiro jogo. Justamente por isso, o impacto inicial pode ser de frustração. Não se trata de um título ruim, mas fica evidente a falta de polimento em áreas importantes, principalmente no desempenho. Ainda assim, sua proposta ambiciosa e a tentativa de expandir tudo que funcionou anteriormente mostram um jogo com identidade, mesmo que irregular em sua execução.

Uma narrativa ambiciosa, mas confusa

A sequência aposta em uma história mais densa, ambientada em um mundo devastado por um evento catastrófico que deu origem a criaturas conhecidas como Horrors. Nesse cenário, os Revenants assumem um papel ambíguo, divididos entre salvar o mundo e seguir seus próprios interesses.

A trama se arrisca ao trabalhar com viagens no tempo, explorando diferentes períodos e realidades alternativas. Essa estrutura amplia o escopo narrativo e traz momentos interessantes, principalmente nos encontros com figuras do passado. As escolhas do jogador também influenciam diretamente o desfecho, oferecendo múltiplos finais.

Por outro lado, a execução não acompanha totalmente essa ambição. A narrativa é fragmentada, repleta de termos próprios e mudanças constantes de contexto, o que pode confundir mais do que envolver. Ainda assim, quem se dedica a explorar diálogos opcionais e detalhes do mundo encontra uma construção rica e cheia de nuances.

Um mundo maior, mas nem sempre mais interessante

Diferente do primeiro jogo, Code Vein II adota uma estrutura mais aberta, lembrando títulos como Elden Ring. O mapa é amplo, interconectado e repleto de áreas opcionais, incentivando a exploração de forma mais livre.

Na prática, essa liberdade tem seus altos e baixos. Embora o jogo recompense o jogador com frequência, seja com novos recursos ou regiões escondidas, falta um senso mais forte de descoberta. Muitas vezes, a exploração se resume à progressão de melhorias, sem aquele impulso natural de curiosidade.

A adição de meios de locomoção mais rápidos ajuda a atravessar grandes distâncias, mas é na exploração a pé que o jogo realmente funciona melhor. Missões secundárias espalhadas pelo mundo e ligadas às diferentes linhas temporais ajudam a enriquecer a experiência, ainda que não sejam suficientes para tornar o mundo memorável.

Combate acessível e cheio de possibilidades

O combate continua sendo o grande destaque. Seguindo a base dos Soulslikes, o jogo oferece uma ampla variedade de armas e estilos, permitindo criar builds bem distintas. A flexibilidade é um dos seus maiores trunfos, incentivando experimentação constante.

Comparado a outros títulos do gênero, a experiência é mais acessível. A gestão de energia é menos restritiva, habilidades são usadas com mais frequência e o sistema de parceiros reduz a punição em combate. Isso torna o jogo convidativo para iniciantes.

Por outro lado, essa abordagem pode desagradar jogadores mais experientes, já que o desafio nem sempre acompanha a evolução do personagem. Ainda assim, confrontos contra chefes conseguem elevar a tensão e exigem atenção total.

Sistemas profundos que sustentam a progressão

Os Códigos de Sangue retornam como um dos pilares da jogabilidade, funcionando como arquétipos que definem habilidades e atributos. A liberdade de combinação permite criar estilos únicos, sem as limitações rígidas de classes tradicionais.

O sistema de companheiros também evolui, oferecendo aliados úteis durante a jornada. Eles ajudam no combate, servem como suporte e até podem reviver o jogador, criando uma margem de erro maior. Para quem prefere jogar sozinho, há alternativas que compensam essa ausência com bônus temporários.

Outro ponto que merece destaque é o criador de personagens. Extremamente robusto, ele oferece liberdade quase total para personalização, sendo facilmente um dos sistemas mais completos do jogo.

Estilo marcante com problemas técnicos

Visualmente, o jogo mantém a identidade anime que marcou o original, com personagens estilizados e efeitos chamativos. A direção artística é consistente e ajuda a reforçar sua personalidade.

No entanto, tecnicamente deixa a desejar. Texturas simples e iluminação inconsistente fazem o jogo parecer menos atual do que poderia. O maior problema, porém, está no desempenho. Quedas de framerate em áreas abertas e durante combates mais intensos afetam diretamente a fluidez.

Esses problemas, somados a pequenos travamentos, acabam prejudicando a imersão e reforçam a sensação de falta de polimento.

CODE VEIN II – Launch Trailer

Code Vein II – Vale a pena?

Publisher: Bandai Namco
Console: PlayStation 5

Code Vein II é um jogo cheio de ideias e sistemas interessantes, mas que não consegue executar tudo com o mesmo nível de qualidade. Apesar das falhas técnicas e de um mundo que poderia ser mais envolvente, o combate sólido, a variedade de builds e a acessibilidade fazem dele uma experiência válida, especialmente para quem quer entrar no gênero Soulslike sem enfrentar uma barreira tão alta.
História
75%
Jogabilidade
80%
Gráficos
70%
Desempenho
75%

Cairn é desafiador, desconfortável e profundamente recompensador

A The Game Bakers consegue transformar uma ideia simples em algo muito mais profundo com Cairn. O jogo usa a escalada como base, mas vai além do desafio mecânico, construindo uma experiência intensa, quase meditativa. À primeira vista pode parecer punitivo, lembrando títulos focados em frustração, mas aqui existe um equilíbrio maior, tanto pelas opções de acessibilidade quanto pela forma como recompensa o aprendizado e a dedicação.

Uma jornada silenciosa e carregada de significado

A história acompanha Aava, uma alpinista renomada que decide enfrentar uma montanha jamais conquistada. Mais do que reconhecimento, sua motivação é pessoal, quase espiritual. A escalada representa algo íntimo, uma busca por sentido e superação que vai além do físico.

A narrativa é fragmentada e se constrói aos poucos, através de mensagens, encontros e vestígios deixados ao longo do caminho. Esse formato reforça o sentimento de solidão e cria uma atmosfera melancólica constante. Há também uma camada histórica envolvendo antigos habitantes da montanha, adicionando mistério e profundidade ao mundo.

Sem depender de diálogos constantes, o jogo aborda temas como obsessão, isolamento e propósito. O desfecho consegue amarrar bem essa jornada, levantando questionamentos sobre o preço de ir longe demais.

Escalada técnica e recompensadora

A jogabilidade é o coração da experiência. Cada movimento precisa ser pensado com cuidado, já que o controle é feito de forma individual para mãos e pés. No início, tudo parece estranho e pouco intuitivo, mas com o tempo o sistema revela sua profundidade.

O progresso vem do domínio dessas mecânicas. Conforme o jogador entende o funcionamento do corpo de Aava na rocha, a movimentação se torna mais natural, criando uma sensação genuína de evolução.

A escalada exige paciência. A fadiga é constante e qualquer erro de posicionamento pode resultar em quedas. Para aliviar a tensão, é possível usar equipamentos de ancoragem, mas até isso exige precisão, onde um erro pode custar recursos valiosos.

Sobrevivência que adiciona tensão real

Além da escalada, o jogo incorpora elementos de sobrevivência que tornam a jornada ainda mais desafiadora. É preciso gerenciar fome, sede, temperatura e energia, criando uma camada estratégica constante.

Os recursos são escassos e precisam ser encontrados ao longo do percurso. Isso torna cada decisão importante, especialmente na gestão do inventário. A mochila funciona de forma física, sem divisões fixas, obrigando o jogador a organizar os itens manualmente e fazer escolhas difíceis sobre o que carregar.

Os acampamentos funcionam como momentos de respiro. Neles, é possível cozinhar, reparar equipamentos e recuperar forças. A alimentação, além de essencial, oferece bônus temporários que podem fazer diferença em trechos mais exigentes.

Atmosfera marcante e direção artística consistente

Visualmente, Cairn aposta em um estilo estilizado que valoriza cores e iluminação para destacar a grandiosidade da montanha. O sentimento de isolamento é constante, e o cenário frequentemente convida o jogador a simplesmente parar e observar.

A variedade de ambientes ajuda a manter a experiência interessante, com cavernas, ruínas e formações únicas quebrando a repetição visual. No entanto, os modelos de personagens não acompanham o mesmo nível de qualidade, criando um contraste perceptível em alguns momentos.

Problemas técnicos que não passam despercebidos

Apesar da proposta sólida, o jogo apresenta algumas falhas técnicas. Quedas de desempenho podem ocorrer, especialmente ao visualizar grandes áreas do cenário. Pequenos problemas de física também aparecem ocasionalmente, com movimentos estranhos ou interações pouco naturais.

Nada disso inviabiliza a experiência, mas são detalhes que podem atrapalhar a imersão em momentos específicos.

Cairn - Launch Trailer

Cairn – Vale a pena?

Publisher: The Game Bakers
Console: PlayStation 6

Cairn não é um jogo para todos e nem tenta ser. Ele exige paciência, atenção e envolvimento emocional. Em troca, oferece uma experiência única, que combina mecânicas precisas com uma narrativa sutil e impactante. Mesmo com alguns problemas técnicos e escolhas visuais inconsistentes, o conjunto funciona muito bem. É uma jornada desafiadora, por vezes desconfortável, mas extremamente recompensadora para quem decide chegar até o topo.
História
90%
Jogabilidade
90%
Gráficos
98%
Desempenho
90%

Dragon Ball: Sparking! ZERO é fiel e se destaca pelo elenco

Poucas franquias alcançaram o impacto de Dragon Ball ao longo das décadas. Desde sua criação, a obra de Akira Toriyama conquistou gerações e se expandiu por diversas mídias. Dragon Ball: Sparking! ZERO surge não apenas como mais um jogo, mas como uma celebração desse legado. Sendo um título que combina nostalgia e modernidade para entregar uma experiência completa, com ambição de ser a versão definitiva para os fãs.

Uma jornada que mistura passado e presente

O modo história revisita momentos icônicos da série, passando por sagas clássicas e avançando até eventos mais recentes. Essa transição entre diferentes fases do universo funciona bem, criando uma progressão que agrada tanto veteranos quanto novos jogadores.

A possibilidade de acompanhar diferentes personagens durante a campanha é um dos grandes acertos. Em vez de seguir apenas um protagonista, o jogo oferece múltiplas perspectivas, enriquecendo a narrativa e incentivando revisitas para explorar caminhos alternativos.

O sistema de decisões também adiciona uma camada interessante, permitindo que certos eventos tomem rumos inesperados. Essas variações não apenas surpreendem, mas também ampliam o valor de replay ao apresentar cenários alternativos bem integrados ao universo da série.

Combate dinâmico e cheio de possibilidades

A jogabilidade é, sem dúvida, um dos pontos mais fortes. As batalhas acontecem em arenas amplas e tridimensionais, com liberdade total de movimentação. Voar, desviar e atacar em alta velocidade cria confrontos intensos e visualmente empolgantes.

A variedade de golpes, habilidades e transformações permite adaptar o estilo de jogo conforme o personagem escolhido. O gerenciamento de energia adiciona uma camada estratégica importante, exigindo atenção constante para equilibrar ataque e defesa.

Além disso, mecânicas como fusões, contra-ataques e uso do ambiente tornam cada luta imprevisível. Apesar disso, dominar todas essas ferramentas exige dedicação. A curva de aprendizado pode afastar iniciantes no começo, mas recompensa quem investe tempo em entender o sistema.

Conteúdo abundante e modos variados

O jogo oferece uma quantidade generosa de modos, indo além da campanha principal. Há desafios específicos, batalhas personalizadas e opções competitivas tanto offline quanto online, garantindo variedade para diferentes estilos de jogador.

O modo de treinamento merece destaque, funcionando como uma ferramenta essencial para dominar mecânicas mais avançadas. Já os torneios adicionam um elemento clássico que amplia ainda mais as possibilidades, trazendo formatos variados inspirados no anime.

A progressão é reforçada por desafios extras e um sistema de recompensas que incentiva a exploração completa do jogo. Personalizações, habilidades e conteúdos desbloqueáveis ajudam a manter o jogador engajado por mais tempo.

Um elenco gigantesco e cheio de fan service

Um dos maiores atrativos está na enorme quantidade de personagens disponíveis. O jogo reúne versões variadas de lutadores icônicos, além de incluir nomes menos explorados, ampliando a diversidade do elenco.

Essa variedade não é apenas estética, ela impacta diretamente a jogabilidade, já que cada personagem possui habilidades e estilos próprios. Os cenários também acompanham esse cuidado, recriando locais conhecidos com riqueza de detalhes e elementos destrutíveis que tornam as batalhas mais imersivas.

Apresentação que captura a essência do anime

Visualmente, o jogo acerta ao traduzir o estilo do anime para o formato interativo. O uso de técnicas que simulam a animação original resulta em personagens expressivos, movimentos fluidos e efeitos de energia impressionantes.

Os ataques especiais são verdadeiros espetáculos, com enquadramentos e efeitos que remetem diretamente às cenas mais marcantes da série. A destruição dos cenários complementa essa experiência, dando peso e impacto a cada golpe.

Apesar do alto nível técnico, nem tudo é perfeito. Em momentos mais intensos, a câmera pode se comportar de forma inconsistente, dificultando a leitura da ação e afetando a precisão durante o combate.

Dragon Ball: Sparking Zero - Official Launch Trailer

Dragon Ball: Sparking! ZERO – Vale a pena?

Publisher: Bandai Namco
Console: PlayStation 6

Dragon Ball: Sparking! ZERO se consolida como uma experiência robusta, combinando combate profundo, grande variedade de conteúdo e uma apresentação fiel ao material original.
Mesmo com pequenos problemas técnicos e uma curva de aprendizado exigente, o jogo consegue capturar a essência da franquia e entregar batalhas empolgantes. Mais do que um simples lançamento, ele funciona como uma homenagem ao legado de Dragon Ball, oferecendo uma jornada rica e duradoura para os fãs.
História
85%
Jogabilidade
95%
Gráficos
100%
Desempenho
96%

Legacy of Kain: Ascendance falha em corresponder à ambição

Reviver uma franquia querida enquanto tenta expandir seu universo é sempre um desafio delicado. Legacy of Kain: Ascendance aposta justamente nessa ideia, funcionando como um prelúdio que busca revisitar eventos conhecidos sob novas perspectivas, ao mesmo tempo em que apresenta personagens inéditos.

O resultado, porém, é uma experiência que oscila entre boas intenções e uma execução que não acompanha suas próprias ambições.

Uma narrativa fragmentada, mas pouco envolvente

A história se apoia em múltiplos pontos de vista e momentos distintos da linha do tempo, o que ajuda a enriquecer o universo e criar conexões interessantes com eventos já estabelecidos. Essa estrutura não linear traz um certo frescor e mostra potencial para aprofundar a mitologia da série.

Ainda assim, falta força onde mais importa. A nova protagonista, Elaleth, não consegue gerar o mesmo impacto emocional que figuras icônicas da franquia. Mesmo com boas ideias e ligações com o passado, a narrativa acaba perdendo força por não conseguir prender o jogador de forma consistente.

Variedade que não sustenta a base

Na jogabilidade, o título aposta em uma mistura de ação com plataforma em 2D. Os comandos são simples e funcionais, permitindo pular, atacar, desviar e usar habilidades especiais. Há também pequenas alternâncias entre personagens, que adicionam nuances como maior mobilidade aérea ou ataques específicos.

Essa variação ajuda a quebrar a monotonia em certos momentos, mas não é suficiente para sustentar a experiência como um todo. No fim, as diferenças entre os personagens são superficiais e pouco impactam a forma de jogar.

Combate limitado e repetitivo

O sistema de combate é, sem dúvida, um dos pontos mais frágeis. Com poucas opções e praticamente nenhuma evolução ao longo da campanha, as batalhas rapidamente se tornam previsíveis. A possibilidade de bloquear ou contra-atacar existe, mas é mal apresentada e pouco intuitiva, fazendo com que muitos jogadores simplesmente ignorem essas mecânicas.

O resultado é um ciclo repetitivo de ataques básicos e investidas simples, que não exige adaptação nem oferece profundidade. O que poderia ser dinâmico acaba se tornando mecânico e cansativo.

Inconsistências que atrapalham o ritmo

A inteligência artificial dos inimigos contribui para essa sensação de desequilíbrio. Em alguns momentos, adversários não reagem como deveriam ou ficam presos no cenário. Em outros, conseguem atingir o jogador em situações pouco claras ou difíceis de evitar.

Esse contraste cria uma experiência irregular, onde o desafio parece mais injusto do que proposital. Em vez de estimular aprendizado, o jogo frequentemente recorre à frustração.

Design punitivo e movimentação imprecisa

O design dos cenários reforça esses problemas. Obstáculos são posicionados de maneira excessivamente punitiva, muitas vezes pegando o jogador de surpresa em pontos onde a progressão deveria ser natural.

Somado a isso, a movimentação nem sempre responde com a precisão esperada para um jogo de plataforma, o que torna erros mais frequentes e menos justificáveis. Em vez de recompensar habilidade, o jogo acaba incentivando tentativa e erro.

Charme visual com falhas técnicas

Visualmente, o jogo apresenta um estilo em pixel art que, em vários momentos, consegue capturar bem a atmosfera sombria da franquia. A ambientação funciona e há cuidado em certos detalhes.

Por outro lado, a inconsistência entre estilos em algumas cenas prejudica a imersão. O desempenho geral é aceitável, mas pequenos bugs e falhas recorrentes acabam interferindo diretamente na experiência, especialmente durante a movimentação.

Legacy of Kain: Ascendance - Official Launch Trailer

Legacy of Kain: Ascendance – Vale a pena?

Publisher: Crystal Dynamics
Console: PlayStation 5

Legacy of Kain: Ascendance traz ideias interessantes e tenta expandir seu universo com novas abordagens narrativas e variedade de personagens. No entanto, a execução não acompanha essa ambição. Com combate raso, progressão limitada, inconsistências técnicas e decisões de design que priorizam frustração em vez de desafio justo, o jogo acaba não deixando uma marca duradoura, especialmente para quem esperava um retorno à altura da franquia.
História
66%
Jogabilidade
55%
Gráficos
65%
Desempenho
74%

Absolum constrói experiência rica com sistemas bem integrados

Misturar gêneros costuma ser um caminho arriscado. Muitas vezes, ideias demais acabam competindo entre si e o resultado perde identidade. Absolum segue na direção contrária. Ele combina elementos de beat ’em up, roguelite e RPG com uma confiança rara, criando uma experiência que não só funciona, mas evolui constantemente a cada nova tentativa.

O jogo não se apoia apenas na repetição. Ele constrói um ciclo onde cada derrota ensina, cada retorno fortalece e cada nova partida revela possibilidades diferentes dentro do mesmo mundo.

Um mundo que se expande além do básico

A jornada se passa em Talamh, um mundo marcado pela opressão da Ordem Carmesim e pelo domínio de Azra, um governante que restringiu o uso da magia e transformou rebeldes em inimigos do sistema.

A premissa inicial parece simples, mas rapidamente ganha novas camadas. O avanço não se limita a enfrentar o antagonista, mas envolve enfraquecer sua influência, derrubar estruturas de poder e impactar diretamente o funcionamento do seu domínio.

O mundo é dividido em ilhas com identidades próprias, cada uma trazendo novos conflitos, personagens e desafios. Conforme a jornada avança, novas áreas se tornam acessíveis dependendo das escolhas feitas, ampliando o escopo da narrativa.

Além disso, a história se desenvolve de forma natural, sem sobrecarregar o jogador. Revelações importantes, alianças inesperadas e conflitos internos ajudam a dar peso à progressão, especialmente quando elementos mais profundos da lore começam a surgir.

Combate simples na superfície, profundo na prática

O sistema de combate é o coração da experiência. À primeira vista, ele parece direto, baseado em ataques leves e pesados, mas rapidamente revela camadas adicionais.

A barra de energia acumulada durante os confrontos permite o uso de habilidades especiais que transformam completamente a dinâmica das batalhas. Essas habilidades não apenas aumentam o dano, mas também alteram a forma como o jogador se posiciona e reage aos inimigos.

A variedade de abordagens mantém o combate sempre interessante. É possível adotar estilos mais agressivos, focar em controle de grupo ou investir em estratégias mais seguras, dependendo das escolhas feitas ao longo da partida.

Essa flexibilidade garante que o sistema não se torne repetitivo, mesmo após várias tentativas.

Arcanas e rituais que moldam cada partida

Um dos grandes diferenciais está no sistema de habilidades. As Arcanas funcionam como peças centrais da progressão durante as runs, oferecendo efeitos que vão desde invocações até melhorias passivas significativas.

Essas habilidades são integradas ao próprio mundo do jogo, sendo desbloqueadas através da destruição de elementos específicos espalhados pelas áreas.

Além disso, os rituais adicionam modificadores que influenciam diretamente a partida, alterando atributos, efeitos de status e até a forma como o personagem interage com o ambiente.

Esse conjunto cria uma experiência altamente variável, onde dificilmente duas partidas acontecem da mesma forma.

Progressão que recompensa persistência

Fora das runs, o jogo oferece um hub central que funciona como ponto de evolução e preparação. É nesse espaço que o jogador aprimora habilidades, interage com personagens e acessa sistemas que ampliam suas possibilidades.

A presença de uma árvore de progressão mais ampla permite investir em atributos permanentes, criando uma sensação constante de avanço, mesmo após derrotas.

Outros elementos, como acesso a equipamentos desbloqueados e áreas de treinamento, reforçam essa ideia de evolução contínua.

Essa estrutura equilibra bem o desafio, evitando que a repetição se torne frustrante.

Chefes desafiadores e bem construídos

Os confrontos contra chefes elevam significativamente o nível de exigência. Cada um apresenta padrões próprios, exigindo leitura atenta, domínio de mecânicas e preparo adequado.

Os encontros opcionais e secretos intensificam ainda mais esse desafio, funcionando como testes reais de domínio do sistema.

A variedade de personagens jogáveis também influencia diretamente essas batalhas, permitindo abordagens diferentes para o mesmo confronto.

Cooperativo que transforma a experiência

O modo cooperativo adiciona uma camada extra à jogabilidade. Jogar em dupla altera completamente o ritmo das partidas, exigindo coordenação e decisões compartilhadas.

Inicialmente, o balanceamento pode parecer caótico, com excesso de inimigos em tela, mas ajustes recentes tornam a experiência mais equilibrada.

A interação entre habilidades e combinações de ataques cria momentos intensos, especialmente em confrontos mais avançados.

Direção artística que se destaca imediatamente

Visualmente, o jogo impressiona com um estilo desenhado à mão cheio de personalidade. Personagens, inimigos e cenários apresentam um nível de detalhe que reforça a identidade do mundo.

Cada região utiliza cores e elementos visuais próprios para transmitir sua atmosfera, criando ambientes distintos e memoráveis.

As animações são fluidas, e os efeitos visuais durante os combates intensificam a sensação de impacto.

Som e desempenho que sustentam o ritmo

A trilha sonora acompanha bem a proposta, alternando entre momentos mais intensos e passagens mais contemplativas, sempre alinhada ao clima da jornada.

No aspecto técnico, o desempenho se mantém estável mesmo em situações caóticas, algo essencial para um jogo que depende tanto de precisão.

Correções feitas antes do lançamento ajudam a garantir uma experiência mais consistente, reduzindo problemas que poderiam comprometer o ritmo.

Absolum | Launch Trailer

Absolum – Vale a pena?

Publisher: Dotemu
Console: PlayStation 5

Absolum mostra que misturar gêneros não precisa resultar em algo desconexo. Pelo contrário, quando bem executada, essa combinação pode criar uma experiência rica e cheia de possibilidades. Com combate envolvente, progressão bem estruturada e um mundo que incentiva exploração constante, o jogo se sustenta tanto pela variedade quanto pela consistência.
História
90%
Jogabilidade
100%
Gráficos
95%
Desempenho
95%