Morsels é um roguelike único, caótico e surpreende! Sua estética “suja” e seu jeito esquisito abraçam a essência do gênero, mas com uma personalidade forte, ritmo e muito charme. Com uma base sólida de roguelike, o título traz partidas rápidas, um sistema de evolução inusitado e uma apresentação audiovisual que parece ter saído diretamente dos anos 90.
Mesmo com toda a aparência simples, mas desajeitada, Morsels entende seu papel e funciona muito bem. Ele não traz narrativas complexas ou mundos gigantescos, mas possui força em seu universo estranho, no improviso e principalmente na progressão.
Morsels tem uma narrativa simples, direta, exagerada e usada como pano de fundo para que a jogabilidade brilhe. A aventura acompanha Mousel, uma criatura frágil vivendo um mundo dominado por gatos que ganharam poderes após encontrarem cartas mágicas. Essas cartas evocam criaturas únicas, os Morsels, serem que misturam uma estética podre, suja e que saíram direto de uma sucata.
Cada capítulo é uma pequena parte da história, onde temos explicações sobre os Morsels, Mousel e personagens secundários que encontramos durante a jornada. Cada morte reinicia tudo, mas traz pequenas melhorias permanentes, permitindo uma progressão mais justa e que faz o jogador ir em busca de mais uma partida.
O combate é o ponto alto do jogo, misturando o elemento roguelike com twin-stick shooter, a ação é frenética, mas também é preciso saber gerenciar suas criaturas. Durante cada partida, é possível carregar até três Morsels, alternando entre eles a qualquer momento, podendo montar trios que se complementam, trazendo uma bela pitada de estratégia.
Existem diversos Morsels que criam uma dinâmica única, por exemplo, você pode ter um mais ágil, outro que limpa áreas inteiras com seus ataques e outro que seja mais “tanque” para aguentar mais porrada. Além disso o sistema de evolução complementa esse aspecto do jogo, sendo criativo e cruel. Morsels são criaturas simples e frágeis, após subir de nível uma vez, está tudo bem, mas ao evoluir de novo, ele morre. Essa perda constante, faz com que decisões sejam importantes, como sacrificar um personagem forte para fortalecer o time, ou mantê-lo vivo e ver até onde chega.
Os ambientes são gerados de forma procedural, trazendo sempre salas diferentes, com combinações únicas e combates intensos. Além disso, existem salas únicas, como lojinhas, desafios que premiam o jogador com queijo, a moeda do jogo e muitas outras.
No entanto, Morsels peca na sua falta de clareza, principalmente para explicar habilidades e itens. Os nomes enigmáticos e as poucas explicações tornam as primeiras horas confusas, fazendo com que você perca muitas partidas até que aprenda algo. Além disso, algumas criaturas são extremamente desbalanceadas (para pior), fazendo com que algumas partidas sejam extremamente injustas.
Outro grande destaque de Morsels é sua estética pixelada que imita um CRT mal sintonizado, com filtros que intensificam a atmosfera “suja” do jogo. É um visual cheio de estilo que saiu do fundo de um porão, mas extremamente funcional e nada confuso. Projeteis, inimigos e efeitos são sempre legíveis, mesmo quando temos diversos inimigos e balas percorrendo a tela.
As animações e os personagens são bizarros, mas cheios de personalidade com sua aparência grotesca e charmosa. A trilha sonora é simples, mas acompanha o ritmo acelerados das partidas, com músicas agitadas e efeitos sonoros.
O desempenho no PlayStation 5 é sólido, trazendo tempos de carregamento instantâneos entre uma partida e outra, sem deixar o ritmo cair. Além disso, o jogo se mantém com a taxa de quadros estável por todo o momento, trazendo fluidez para a aventura. No entanto, alguns bugs e glitches podem surgir, fazendo com que seja preciso reiniciar o jogo, quebrando a imersão, principalmente se estiver em uma partida mais avançada.
Morsels vale a pena?
Morsels é um roguelike ácido, charmoso e surpreendentemente profundo. Sua estética repulsivamente bonita, sua trilha animada e seu sistema de criaturas que exigem decisões constantes criam uma experiência única. Ele sofre com falhas técnicas e falta de clareza em alguns sistemas, mas para quem gosta de jogos desafiadores, que não pegam na mão e recompensam a perseverança, é uma aventura que vale a pena encarar.

Agradeço a Annapurna Interactive pelo envio do jogo para review!









