Nioh 3 é a maior surpresa de 2026 para mim até aqui, mas também representa o passo mais ambicioso da Team Ninja. Depois de trazer dois jogos técnicos e exigentes, eles decidiram reformular sem abandonar a identidade da franquia. O resultado é uma experiência que mantém o desafio e estratégia da série, mas traz melhorias significativas na exploração, progressão e combate. Com um mundo aberto e um desenvolvimento ainda maior na história e no modo cooperativo, Nioh 3 é um dos melhores jogos do gênero Soulslike até aqui.
Nioh 3 se passa no inicio do século XVII, em um Japão repleto de disputas políticas e influência sobrenatural dos yokais. No papel de Tokugawa Takechiyo, entramos em um confronto direto contra nosso próprio irmão, que está utilizando as forças do mal para corromper o mundo e espalhar yokais por todo território. A premissa é simples e foca na disputa de poder e caos familiar, mas também apresenta constantemente personagens e eventos históricos com aquele toque de fantasia.
Além do conflito entre os irmãos Tokugawa, a narrativa explora temas como ambição e corrupção pelo poder, utilizando os yokais como metáfora para as disputas humanas. Um dos grandes acertos do título é o fato de revisitar períodos históricos e conhecer figuras reais em meio ao caos. São graças à esses momentos que a narrativa ganha um peso maior e faz com que as batalhas tenham um peso maior.
Embora a história seja boa e repleta de boas atuações, ela não é o foco principal aqui, assim como nunca foi na franquia. A narrativa é uma base (bem sólida até) para a jogabilidade e seus desafios. Mesmo com participações de personagens marcantes e até mesmo já conhecidos da franquia, a ação e a progressão são o ponto crucial do título.
O combate de Nioh 3 se destaca por uma grande mudança: a possibilidade alternar à qualquer momento entre os estilos de combate. O estilo Samurai preserva o sistema clássico da série, mantendo três estilos de postura e propriedades focadas em força e defesa. Enquanto o estilo Ninja é completamente o oposto, focando em agilidade, furtividade e movimentação rápida.
Essa dualidade traz uma dinâmica e estratégia incrível para o combate, permitindo ao jogador maior liberdade. Enquanto os inimigos comuns podem ser derrotados apenas com estilo, muitos chefes exigem alternância entre estilos.
A troca fluida entre estilo é um dos pontos mais satisfatórios do sistema. Combinação a força do Samurai com a mobilidade do Ninja cria um combate extremamente divertido e dinâmico. No entanto, é possível que alguns jogadores não se adaptem ao modelo inicialmente, visto que cada estilo possui suas próprias habilidades e equipamentos, tornando o gerenciamento um pouco mais robusto.
O grande destaque de Nioh 3 e da Team Ninja é a ousadia em mudar e tentar algo diferente, trazendo um refinamento profundo a todos os aspectos da jogabilidade. O combate mantém a base sólida dos jogos anteriores, onde é preciso gerenciar o ki (barra de estamina) e utilizar o sistema de pulso de ki. É preciso dominar o tempo correto para recuperar energia após ataques, mantendo uma exigência técnica e estratégica.
No entanto, a maior mudança é a substituição do sistema de missões por grandes áreas interconectadas, praticamente um mundo aberto. Ao invés de termos estágios isolados, aqui é possível percorrer grandes áreas, com caminhos alternativos, eventos opcionais, cavernas, segredos, áreas corrompidas e regiões que mudam após serem purificadas.
O mundo é denso e cheio de inimigos, mini-chefes e segredos, dificilmente encontramos uma área vazia apenas para preencher espaço. Além disso, os santuários se tornaram pontos de viagem rápida espalhados pelo mapa, evitando deslocamentos cansativos por áreas já exploradas. Todas essas decisões tornam o ritmo do jogo ainda melhor. É possível se afastar de inimigos mais fortes, explorar outras regiões, evoluir e se preparar melhor, dando maior liberdade de escolha e menos frustrações, mas mantendo o ritmo intenso e exigente.
A progressão de Nioh 3 é um ponto fora da curva também, trazendo melhorias em comparação aos jogos anteriores. O jogo mantém uma variedade de armas ampla, trazendo diferentes estilos para cada jogador. Além disso, cada estilo e arma possui uma árvore de habilidade especifica, incentivando a exploração de novas abordagens e incentivando o jogador a experimentar novos estilos. Isso é reforçando com a possibilidade de restar seus pontos de habilidades e realocá-los novamente.
O sistema de loot continua com a forte influência de jogos de RPG, trazendo equipamentos com várias raridades, bônus e sinergias. A busca por combinações ideias de armaduras, armas e amuletos são parte central da construção da build, sendo mais importante que seus pontos de habilidade. Pequenas mudanças em atributos podem alterar o combate, especialmente contra chefes. São nesses destalhes que o caráter estratégico é reforçando, tornando o gerenciamento de inventário tão importante quando apenas pegar o loot.
Os Espíritos Guardiões também retornam, mas com excelentes melhorias. Agora cada um deles possui novas habilidades adicionais, funções únicas e as transformações temporárias já conhecidas, mas que agora possuem ligação direta com a exploração. Além disso, os Núcleos da Alma foram reformulados, focando em invocações e habilidades ao invés de simples transformações.
A possibilidade de invocar aliados continua presente, seja pelo cooperativo online ou por NPCs encontramos no mapa. Um dos grandes destaque para mim, é a possibilidade de invocar até dois jogadores no modo exploração, permitindo vagar pelo mapa, derrotar chefes e avançar na história de forma totalmente cooperativa. Essas opções tornam o jogo mais acessível e permite uma cooperação maior entre jogadores.
Apesar de todos esses aprimoramentos, a enorme quantidade de sistemas interligados pode se tornar intimidadora, principalmente para quem não tem familiaridade com a franquia. Mesmo com tutoriais mais claros e melhor integração das mecânicas nas primeiras horas, a curva de aprendizado permanece elevada. A densidade de informações, atributos, modificadores e sinergias exige dedicação e atenção constantes. Para jogadores pacientes, essa complexidade é justamente o que torna a experiência tão recompensadora. Para outros, pode representar uma barreira inicial significativa.
Visualmente, Nioh 3 apresenta melhorias claras. Os ambientes estão mais variados, com biomas distintos e iluminação mais limpa em comparação aos jogos anteriores, que tendiam a tons excessivamente escuros. Os novos chefes possuem design marcante, e as animações de combate são extremamente fluidas. O criador de personagem retorna com alto nível de personalização.
Por outro lado, parte dos inimigos e elementos arquitetônicos reaproveita modelos anteriores. Isso não compromete a qualidade, mas reduz o impacto de novidade em alguns momentos.
Quanto a performance no PlayStation 5, ela é sólida, mantendo fluidez durante combates intensos e excelente tempo de carregamento entre áreas. Para um jogo que o combate é o ponto central é excelente que otimizaram ele tão bem para a plataforma.
Nioh 3 vale a pena?
Nioh 3 é o capítulo mais ambicioso da franquia e prova que a Team Ninja soube evoluir sem perder identidade. O combate continua técnico e desafiador, agora enriquecido pela alternância dinâmica entre estilos, enquanto o mundo interconectado substitui com sucesso a estrutura linear anterior. A progressão profunda, o loot estratégico e o cooperativo expandido ampliam a liberdade do jogador. Apesar da complexidade intimidar iniciantes e de alguns reutilizações visuais, a performance sólida e o refinamento geral tornam a experiência extremamente recompensadora. Um Soulslike robusto, estratégico e ousado, entre os melhores do gênero até aqui.

Agradeço a Koei Tecmo pelo envio do jogo para review!













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