Desde Black Ops: Cold War, a franquia Call of Duty não me empolgava tanto. Entre mudanças bruscas na jogabilidade e modos menos inspirados, meu interesse pela série foi diminuindo. Mas Black Ops 6, desenvolvido pela Treyarch e publicado pela Activision, consegue reacender a chama — e vai além, entregando um pacote completo com campanha cinematográfica, multiplayer viciante e um modo zumbis que honra as origens. Com novidades sutis, mas eficazes, a experiência retorna aos trilhos e oferece o melhor Call of Duty desde Modern Warfare (2019).
A campanha de Black Ops 6 é, como dizem por aí, ABSOLUTE CINEMA. Ambientada logo após o fim da Guerra Fria, ela resgata o estilo narrativo de Black Ops 2, com missões variadas e roteiros recheados de reviravoltas. Roubos, infiltrações, tiroteios e até segmentos furtivos criam um ritmo que prende do começo ao fim. Há até uma missão com estrutura de mundo aberto, onde o jogador explora áreas secundárias e coleta itens opcionais — algo inédito na franquia principal.
Além da narrativa envolvente, o jogo oferece liberdade tática: é possível encarar as missões em stealth ou partir para o confronto direto no melhor estilo Rambo. Esse nível de escolha reforça a imersão e a sensação de agência, mantendo a campanha fresca ao longo das cerca de 8 horas no modo normal (ou mais de 12 no veterano).
O roteiro ousa e exagera, mas de forma positiva, abraçando o estilo blockbuster que os fãs tanto amam. A trilha sonora e a direção de arte elevam a experiência a um novo patamar cinematográfico, fazendo da campanha uma das melhores da série — e, para muitos, a melhor desde Ghosts.
Em termos de jogabilidade, Black Ops 6 inova sem abandonar a essência da série. A principal novidade é a mecânica “omnimovement”, que permite ao jogador se mover de forma mais fluida: deslizar, escalar e correr com liberdade em qualquer direção. Isso torna os combates mais rápidos, dinâmicos e agressivos — algo que se encaixa perfeitamente com o estilo da franquia.
Os controles continuam precisos, especialmente no console, com uma leve assistência que não compromete a experiência. A resposta aos comandos é imediata, e o feedback das armas — sons, recuo, impacto visual — é excelente.
No entanto, a curva de aprendizado pode ser cruel para jogadores novatos, especialmente no multiplayer. A nova movimentação exige adaptação até mesmo dos veteranos, o que pode resultar em algumas partidas frustrantes nas primeiras horas. Ainda assim, o tempo investido recompensa com um gameplay afiado e satisfatório.
O multiplayer de Black Ops 6 retorna com força total, oferecendo uma experiência sólida e extremamente personalizável. Com 33 armas no arsenal inicial, o sistema de classes está mais completo do que nunca, permitindo ajustes finos em praticamente todos os aspectos da build do jogador.
Os mapas apresentam boa variedade visual e tática, incluindo cenários novos e clássicos — como o icônico Nuketown, que já chegou por atualização. O ritmo das partidas é fluido, com tempo de respawn bem ajustado e modos que atendem tanto ao público casual quanto competitivo.
Entretanto, problemas clássicos do lançamento estão presentes, como pontos de respawn problemáticos, que às vezes colocam o jogador em locais expostos, resultando em mortes instantâneas e injustas. Além disso, o balanceamento das armas precisa de ajustes urgentes, já que algumas estão desproporcionalmente mais fortes que outras, prejudicando o equilíbrio em partidas ranqueadas.
Com atualizações constantes, é esperado que esses problemas sejam corrigidos rapidamente — e a base sólida que o jogo apresenta deixa claro que o multiplayer ainda tem muito espaço para crescer.
O modo zumbis de Black Ops 6 retorna ao formato clássico de sobrevivência por rodadas, com dois mapas — Liberty Falls e Terminus — que mesclam ação frenética com segredos a serem desvendados. Além disso, o retorno dos Easter Eggs, o Pack-a-Punch, a Ray Gun e a lendária caixa misteriosa são provas de que a Treyarch sabe exatamente o que os fãs querem.
Apesar de não trazer grandes inovações, o modo brilha ao manter aquilo que sempre o tornou especial: atmosfera sombria, progressão tensa e variedade de inimigos. A adição de novos tipos de zumbis exige atenção, especialmente nas rodadas avançadas, o que torna o modo desafiador tanto solo quanto em co-op.
Aqui, menos é mais. O foco está na essência — e isso é mais do que suficiente para agradar os veteranos e atrair novos jogadores.
Usando o motor IW 9.0, Black Ops 6 impressiona nos aspectos técnicos. Com texturas de alta qualidade, iluminação cinematográfica e ambientes ricos em detalhes, o jogo é visualmente deslumbrante, especialmente em monitores 4K.
A direção de arte faz um ótimo trabalho em diferenciar visualmente as campanhas, mapas e modos, sem sacrificar performance. Além disso, as animações de personagens, especialmente nas cutscenes da campanha, contribuem para a imersão, fazendo com que cada diálogo e movimento pareçam parte de um filme de ação.
As armas, como sempre, são um espetáculo à parte — desde o som dos disparos até os efeitos visuais das skins e camos. O áudio também é impecável, com mixagem clara, sons realistas e uma trilha sonora que reforça o clima de cada modo.
Agradecimento a Activision que nos enviou o jogo para a produção do review!
Conclusão
Call of Duty: Black Ops 6 marca o retorno triunfante da franquia ao seu auge, com campanha cinematográfica, multiplayer viciante e zumbis clássicos. Apesar de pequenos tropeços no balanceamento e respawn, o jogo entrega uma das experiências mais completas da série nos últimos anos. Para fãs e novatos, é um pacote imperdível de ação, estratégia e imersão.
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