Octopath Traveler 0 vai muito além de uma simples prequel, é uma evolução incrível que reúne tudo de melhor da franquia, mas com inovação e ousadia. Indo muito além do combate estratégico, o título possui uma progressão ainda mais robusta e também acessível para os novos jogadores, mas mantendo a essência da franquia.
Apesar de ser um novo título, alguns podem achar os gráficos abaixo dos títulos anteriores, no entanto, a experiência do jogador e as melhorias significativas passam por cima de todos os problemas. A Square Enix mostra que é possível evoluir sem perder a essência da franquia, mas evoluindo pontos cruciais.
A narrativa de Octopath Traveler 0 é um ponto que difere dos anteriores que haviam diversos personagens e suas próprias histórias, aqui tudo é mais centralizado e emocional. Aqui seguimos o Portador do Anel, um protagonista cuja aldeia, Wishvale, é destruída logo no inicio. A partir desse evento a trama que toca em temas como vingança e reconstrução, uma base emocional que sustenta a jornada. A tragédia ecoa durante toda jornada através das decisões do protagonista e no tom melancólico da narrativa.
Enquanto os antagonistas, essas figuras apresentam conceitos de riqueza, fama e poder. Todos eles representam excessos e luxos humanos que moldaram o continente de Orsterra, onde seus conflitos apresentam arcos densos e com temas morais, além de consequências duradouras. Conforme a história progride, o tema vingança fica cada vez menor e nos envolve em uma trama muito maior, onde o destino do mundo está em risco.
As missões secundárias também fazem grande parte da narrativa e dão mais vida ao mundo, trazendo personagens secundários com suas próprias motivações e traumas. Além disso, a reconstrução de Wishvale aumenta significativamente o peso do narrativo através de sua reconstrução, onde cada edifício erguido e cada novo habitante recrutado é um sinal de esperança após o caos.
A exploração de Octopath Traveler 0 mantém-se como o grande destaque da franquia, trazendo grandes mapas, dungeons desafiadoras e recompensas únicas. As áreas apresentadas aqui são ainda mais interligadas que nos jogos anteriores, apresentando diversos inimigos especiais e sempre apresentando novas cidade, criando a constante sensação de descoberta e recompensa. Cada região possui sua própria identidade, incentivando explorar caminhos ainda não revelados além do caminho principal, sempre apresentando novos desafios, detalhes visuais e uma trilha sonora única.
As dungeons apresentadas são ainda mais desafiadoras que nos jogos anteriores, mas também possuem ainda mais recompensas. Nelas enfrentamos inimigos de elite, no qual são ainda mais desafiadores que muitos inimigos principais, mas também somos recompensados com baús raros, materiais valiosos para o grupo e para a reconstrução da vila. Além disso, o jogo mantém uma progressão que nos ajuda, como poder rastrear tesouros e viajar rapidamente para locais já visitados, tornando a exploração mais fluida e mantendo o senso de aventura.
A interação com NPCs é parte crucial da jornada e evolução, seja por missões secundárias, para obter informações ou até mesmo desafia-los. As recompensas vão de equipamentos incomuns até mesmo novos personagens que contribuem para o crescimento da vila.
Octopath Traveler 0 se mantém como um grande JRPG estratégico, com um combate que desafia e recompensa o jogador. O jogo aprimora levemente os sistemas de Break e Boost, que continuam sendo a principal chave para derrotar os inimigos. Além disso, o jogo reestrutura completamente o sistema de party, permitindo o uso de oito personagens nos combates, divididos entre linha de frente e retaguarda.
A alteração dos personagens durante o combate são essênciais, principalmente em grandes chefes. Cada troca ativa habilidades, buffs e ataques especiais, criando sinergias únicas, transformando cada batalha em um grande quebra-cabeça tático. Claro, contra inimigos menores o desafio não é para tanto, mas no decorrer da jornada e contra chefes, e principalmente, contra chefes especiais será necessário ler o campo, antecipar padrões e estar preparado com bons equipamentos e habilidades.
Outro ponto forte é a evolução dos personagens. Começando pelo Portador do Anel que pode trocar de classe e combinar habilidades com outros personagens, tornando o fator replay e sua evolução constante. Cada personagem possui identidade própria, habilidades passivas e manuais únicas, além de poder obter diversas outras através da exploração do mapa.
Agora vamos falar do grande destaque de Octopath Traveler 0 e no meu ver, uma aposta arriscada. Após a destruição de Wishvale, nos ficamos encarregados de sua reconstrução e preciso dizer que essa mecânica funciona muito bem. As melhorias para a vila são integradas de forma objetiva na progressão e exploração, onde você encontra materiais e NPCs para residirem lá.
O sistema vai muito além de apenas pegar materiais, construir prédios e ter pessoas habitando, é preciso gerenciar quais estruturas construir primeiro e saber utilizar os espaços. Cada construção possui funções específicas, liberando lojas com itens raros, cultivação de ingredientes, serviços de forja e até mesmo novas atividades opcionais.
Os habitantes recrutados ao longo da jornada são parte crucial desse processo, onde suas habilidades quando alocadas de forma correta podem influenciar nos custos, afetar a eficiência das instalações ou até mesmo gerar melhores recompensas passivas. Essa gestão incentiva-nos a experimentar novas combinações de habitantes e funções, fazendo com que o gerenciamento seja parte fundamental da progressão.
Além disso, podemos aprimorar as construções utilizando materiais obtidos em dungeons e ao derrotar inimigos de elite, conectando diretamente a exploração e o combate ao crescimento da vila. À medida que Wishvale evolui, surgem novas opções de personalização visual e funcional, reforçando o senso de progresso ao longo da campanha.
Visualmente, Octopath Traveler 0 é impressionante. A estética HD-2D combina sprites detalhados, cenários que lembram dioramas iluminados e animações refinadas que dão vida a vilas, dungeons e regiões. Efeitos atmosféricos, iluminação dinâmica e atenção aos detalhes transmitem um mundo vivo e palpável. A trilha sonora acompanha elegantemente a narrativa, reforçando tensão, tragédia, mistério e redenção sem exageros, elevando a imersão e a conexão emocional com o mundo.
Além disso, o uso inteligente de enquadramentos de câmera e profundidade de campo valoriza momentos narrativos e combates decisivos, tornando cada cena memorável. A trilha sonora se adapta dinamicamente às situações, alternando variações de temas conforme o perigo ou a emoção do momento. Mesmo em longas sessões de jogo, o desempenho permanece estável, reforçando a sensação de polimento e cuidado técnico em todos os aspectos da experiência.
O desempenho é sólido, com fluidez constante e comandos responsivos, mesmo em batalhas complexas. Cada combate, interação e exploração mantém ritmo perfeito, sem travamentos ou quedas de frames. No entanto, é preciso falar sobre o mesmo problema que a série tem, a Square Enix não disponibiliza a localização em português do Brasil. Isso afeta diretamente, visto que a narrativa é densa e existem muitas mecânicas e diálogos, algo que pode atrapalhar a imersão de muitos.
Octopath Traveler 0 vale a pena?
Octopath Traveler 0 representa a evolução natural da série: mantém a essência estratégica, centraliza a narrativa sem perder os arcos individuais, transforma personagens diversos em equipes equilibradas e integra progressão, exploração e combate de forma contínua e orgânica. Mais do que uma prequel, é a afirmação definitiva de que a série encontrou sua forma ideal, combinando tradição, inovação e profundidade de maneira exemplar.

Agradeço a Square Enix pelo envio do jogo para review!











