Sou fã de jogos de ação e ritmo, e Hi-Fi Rush rapidamente se tornou um dos meus favoritos de 2023. Ter a chance de revisitar esse título agora no PS5 é uma alegria. Misturando combate estilo hack’n slash com mecânicas musicais únicas, o jogo é uma das experiências mais criativas e cativantes da geração. Neste review, explico por que Hi-Fi Rush não é só um jogo de ação estiloso, mas uma celebração interativa da música e da cultura pop.
Em Hi-Fi Rush, assumimos o papel de Chai, um aspirante a astro do rock que se voluntaria para o Projeto Armstrong, iniciativa da corporação tecnológica Vandaley. Após um erro durante o experimento, um MP3 player fica acidentalmente fundido ao seu peito, concedendo a ele a habilidade de perceber o mundo ao ritmo da música — literalmente. O resultado? Um universo onde tudo, desde portas até inimigos, se move no compasso da batida.
A história acompanha Chai em sua tentativa de derrubar a Vandaley, ao lado de uma equipe improvável de aliados, incluindo a robô felina 808, que rapidamente se torna uma das personagens mais queridas do jogo. Enquanto ao longo da jornada, enfrentamos executivos corrompidos, chefes carismáticos e descobrimos os segredos obscuros por trás da empresa.
O tom é leve, divertido e cheio de humor, com um roteiro que brinca com clichês e se apoia fortemente na personalidade exagerada de seus personagens. A dublagem em português do Brasil é um dos grandes destaques, com performances inspiradas e adaptações criativas que ajudam a manter o ritmo e o charme do jogo — algo essencial em uma narrativa que valoriza tanto o timing e a expressividade.
Apesar disso, Hi-Fi Rush não é isento de falhas. Alguns diálogos secundários podem soar repetitivos e há momentos em que o foco narrativo dá lugar ao puro espetáculo, diminuindo o impacto de certas revelações. Ainda assim, a coerência temática entre música, enredo e estilo visual mantém a experiência coesa do começo ao fim.
O grande diferencial de Hi-Fi Rush está em sua jogabilidade. Este é um hack’n slash rítmico, onde o timing dos ataques é tão importante quanto os comandos em si. Chai utiliza uma guitarra como arma principal, e sincronizar seus golpes com a batida da música resulta em combos mais poderosos, bônus de dano e habilidades especiais.
Não é preciso ser um mestre do ritmo para jogar — os ataques sempre saem, mas acertar no tempo certo gera recompensas e deixa o combate mais fluido. Conforme avançamos, novos movimentos e ataques são desbloqueados, assim como upgrades para a guitarra, saúde e habilidades.
Aliados que se juntam à equipe trazem mecânicas adicionais: podem ser chamados em batalha para quebrar defesas, causar dano em área ou resolver pequenos puzzles ambientais. A variedade de estratégias disponíveis torna cada combate mais dinâmico e evita a repetição.
Ainda assim, o jogo pode parecer fácil demais para jogadores experientes no gênero. Os inimigos têm padrões previsíveis e, mesmo nos chefes, a dificuldade é bem equilibrada para o público mais casual. Hi-Fi Rush claramente busca oferecer uma experiência acessível sem abrir mão da criatividade e do estilo.
Visualmente, Hi-Fi Rush é deslumbrante. Com um estilo cel-shading que remete a animações ocidentais e japonesas, o jogo constrói um mundo futurista vibrante, onde tudo — absolutamente tudo — pulsa com o som da trilha. Enquanto a direção de arte impressiona ao sincronizar elementos do cenário com a música, criando uma experiência audiovisual que beira o sinestésico.
Os cenários são variados e cheios de vida, com pequenos detalhes e segredos escondidos que incentivam a exploração. Além disso, em determinados momentos, puzzles simples baseados em som e ritmo adicionam variedade sem quebrar o ritmo da aventura.
A trilha sonora é outro destaque. Alternando entre rock, eletrônico e pop, ela dita o tom de cada batalha, cada exploração e cada transição narrativa. Músicas licenciadas aparecem em momentos chave, mas as composições originais também são fortes e memoráveis. Tudo é cuidadosamente colocado para que a música não seja apenas trilha — mas parte fundamental da mecânica de jogo.
Hi-Fi Rush chega ao PlayStation 5 mantendo todas as qualidades técnicas da versão original, agora com o bônus da presença em uma nova plataforma e a possibilidade de atingir um público ainda maior. O jogo roda com estabilidade, apresentando boa taxa de quadros mesmo em combates intensos e áreas mais densas visualmente.
A dublagem em português é um acerto absoluto. Todos os personagens têm vozes bem escolhidas, com interpretações que se encaixam perfeitamente no estilo cartunesco e exagerado do jogo. Além disso, a localização não se limita à tradução literal — há adaptações culturais e piadas localizadas que funcionam muito bem para o público brasileiro.
Em termos de acessibilidade, o título oferece opções visuais e sonoras para auxiliar jogadores com dificuldades auditivas ou motoras, permitindo aproveitar a experiência mesmo sem domínio total do ritmo. O jogo é generoso nesse aspecto, tornando-se mais inclusivo sem comprometer a proposta.
Agradecimentos a Bethesda que nos enviou o jogo para a produção do review!
Conclusão
Hi-Fi Rush é uma vibrante fusão de ação e ritmo, com combates envolventes, trilha sonora pulsante e direção de arte estilosa. A história é leve, divertida e ganha vida com uma dublagem em português excepcional. Embora a dificuldade seja acessível demais para veteranos, o jogo compensa com criatividade e carisma. Sua chegada ao PS5 mantém a excelência técnica e amplia o alcance dessa experiência única. Uma celebração interativa da música, cultura pop e do puro prazer de jogar. Imperdível!
Deixe um comentário