Review | Prince of Persia: The Lost Crown – Metroidvania moderno que reinventa a franquia com maestria

Você já ouviu falar de Prince of Persia, certo? Uma franquia icônica que teve seu início em 1989, mas que realmente brilhou em 2003 com Prince of Persia: The Sands of Time. Esse jogo revolucionou, combinando aventura, quebra-cabeças e viagem temporal, conquistando os corações dos jogadores. A trilogia continuou com Warrior Within e The Two Thrones, expandindo a história e a jogabilidade de maneiras emocionantes.

Depois, em 2008, a série tentou se reinventar, mas não foi bem-sucedida. Porém, em 2010, trouxeram de volta o clássico personagem com Prince of Persia: The Forgotten Sands, mantendo o estilo que os fãs adoravam. Depois disso, a franquia pareceu sumir por um tempo, até que surgiu o anúncio do remake de The Sands of Time, que enfrentou problemas de desenvolvimento e foi adiado.

A surpresa veio com Prince of Persia: The Lost Crown — um jogo mais modesto, porém promissor. The Lost Crown é um metroidvania 2D que promete reacender a chama da franquia, focando em ação, exploração e desafios de plataforma. Com uma história e personagens novos, mas mantendo a essência das icônicas areias do tempo, ele prepara uma aventura cheia de vigor e surpresas.

Prince of Persia: The Lost Crown começa em meio a uma guerra desesperadora na Pérsia, onde a aniquilação parece iminente. Conhecemos Sargon, Vahram, Orod, Artaban, Menolias e Neith, guerreiros que moldarão o destino da região. Sargon se destaca como herói do povo, ganhando fama e também a inveja de seus companheiros.

Quando sequestram Sargon, inicia-se uma missão de resgate repleta de emoções e reviravoltas, durante a qual conhecemos o Athra — uma energia vital que concede habilidades extraordinárias aos guerreiros que conseguem dominá-la. Também conhecemos Anahita, poderosa aliada de Sargon, e acompanhamos o desenrolar de um conflito complexo.

O jogo nos leva até o Monte Qaf, um santuário antigo onde segredos e poderes do tempo são revelados, tornando a narrativa mais profunda e intrigante. A presença de personagens variados, como mercadores, uma Deusa da Forja que aprimora armas e uma pequena garota que vende mapas e dicas, ajuda a criar um mundo vivo e interessante.

Sem entregar spoilers, a trama é recheada de traições, reviravoltas e viagens temporais que mantêm o jogador engajado. Os seres misteriosos das árvores de wak-wak concedem habilidades de Athra e ajudam a entender a história, enquanto o Monte Qaf apresenta uma dinâmica temporal que afeta cada personagem de forma única.

Ao final, o jogo entrega uma narrativa envolvente e satisfatória, com Sargon se firmando como um protagonista carismático. Apesar de dúvidas iniciais por apresentar um novo herói, o desenvolvimento cuidadoso surpreende, tornando a experiência emocional e emocionante.

Este título é uma verdadeira obra-prima do gênero metroidvania, equilibrando o clássico com inovações que ampliam a experiência. A variedade de habilidades, amuletos e upgrades não só personaliza o estilo de jogo como também incentiva a exploração.

O mapa é vasto, contemplando ambientes diversos — desde desertos áridos até naufrágios misteriosos — cada um trazendo desafios únicos e inimigos distintos. A progressão depende tanto do domínio das habilidades de combate quanto do refinamento nas plataformas, exigindo destreza e estratégia.

Entre as habilidades, destacam-se o dash rápido e a capacidade de alternar entre dimensões, que se tornam essenciais para acessar áreas escondidas e enfrentar obstáculos ambientais complexos. As batalhas contra chefes são momentos épicos, oferecendo desafios que testam tanto a habilidade quanto o raciocínio do jogador.

Os colecionáveis, como pétalas das árvores e jarros de areia, recompensam a exploração, garantindo upgrades e itens valiosos. As missões secundárias enriquecem a experiência com mais variedade, enquanto os fragmentos de memória revolucionam a interação com o mundo, facilitando a busca por segredos e tesouros.

Desde que anunciou o jogo, a Ubisoft prometeu que ele rodaria a 120fps em 4K no PlayStation 5, o que gerou grandes expectativas. Ao longo de mais de 20 horas de jogo, não encontrei bugs visuais ou qualquer tipo de problema técnico, entregando uma experiência polida e definitiva.

Essa performance é notável para um título que não é AAA, mostrando que um jogo de menor orçamento pode oferecer qualidade excepcional em todos os aspectos: narrativa, personagens, ambientação, variedade de inimigos e trilha sonora que, embora discreta, cumpre seu papel.

Outro ponto alto é o cuidado com a acessibilidade. O jogo oferece opções para quem possa ter dificuldades com as partes mais desafiadoras, como pular seções inteiras de plataforma que gerem frustração, destacar coletáveis com um brilho para facilitar a visualização e até reduzir o dano recebido dos inimigos. Essas ferramentas são opcionais, permitindo que cada jogador ajuste o nível de desafio conforme sua preferência, sem comprometer a experiência principal para quem busca um teste mais rigoroso.

Agradecimentos a Ubisoft pelo envio do jogo para que o review fosse feito!

Conclusão

Prince of Persia: The Lost Crown é uma revitalização brilhante da franquia, combinando o charme clássico com mecânicas modernas e bem executadas. Com narrativa envolvente, combate afiado, level design inteligente e excelente acessibilidade, o jogo entrega uma experiência surpreendente, digna dos melhores metroidvanias. Mesmo com expectativas altas, ele supera com maestria cada desafio proposto.

Avatar de George Oliveira

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *