Review | Rise of the Ronin – Ambicioso, mas limitado

Conhecida por redefinir o gênero soulslike com Nioh, a Team Ninja retorna com um projeto ambicioso que foge das fórmulas estabelecidas por seus títulos anteriores. Rise of the Ronin é um RPG de ação que aposta em mundo aberto, liberdade narrativa e forte ambientação histórica. Em um cenário repleto de conflitos políticos e mudanças culturais, a desenvolvedora entrega uma experiência nova — mas nem sempre polida.

Rise of the Ronin se passa no turbulento período Bakumatsu, quando o Japão começa a abrir suas portas ao Ocidente após séculos de isolamento. A chegada dos Barcos Negros, liderados pelo Comodoro Matthew Perry, serve como ponto de partida para uma trama densa, repleta de escolhas morais, disputas políticas e revolução social. No controle de uma Lâmina Gêmea — um guerreiro moldado desde a infância para atuar nas sombras — o jogador pode escolher apoiar o shogunato, a restauração imperial ou manter-se neutro, moldando o destino da nação.

A narrativa é apresentada com seriedade, sem subestimar o jogador. Decisões importantes têm impacto no enredo, desbloqueando missões, personagens e até áreas novas. Essa liberdade narrativa é um dos maiores méritos do jogo, permitindo múltiplos desfechos e perspectivas sobre um dos momentos mais transformadores da história japonesa.

Os cenários históricos — como Yokohama, Edo e Kyoto — são bem representados e ricos em detalhes, trazendo à vida a transição entre tradição e modernidade. No entanto, embora o mundo aberto seja funcional, ele sofre com certa rigidez visual e densidade artificial. A ambientação cumpre seu papel histórico, mas não atinge o mesmo nível de naturalidade ou dinamismo de outros mundos abertos contemporâneos.

A Team Ninja não abandonou suas raízes, e o combate continua sendo o ponto central da experiência. Com sete estilos de armas principais, cada uma com combos e posturas distintas, Rise of the Ronin oferece duelos estratégicos e intensos. O sistema de postura e parry é essencial para quebrar a defesa dos inimigos, exigindo precisão e leitura do adversário. Apesar da inspiração em soulslike, o jogo adota um ritmo mais fluido e acessível, equilibrando desafio com variedade.

A árvore de habilidades é robusta e permite personalização completa do estilo de jogo — seja focado em combate direto, furtividade ou até habilidades sociais. O karma, sistema que reage às escolhas narrativas, afeta desbloqueios de habilidades, missões exclusivas e relações com NPCs. Há uma sensação real de progressão, e cada decisão pesa, tanto no campo de batalha quanto na evolução do personagem.

A customização de equipamentos também merece destaque. Armaduras e armas possuem atributos únicos e visuais variados, permitindo liberdade estética e funcional. Além disso, o jogo conta com um sistema de loot interessante, que estimula a experimentação com diferentes builds.

No entanto, algumas animações durante o combate são inconsistentes, especialmente em cenários apertados ou quando há múltiplos inimigos. Há momentos em que o personagem parece “flutuar” entre os golpes, o que tira parte do impacto nos confrontos mais frenéticos. É um pequeno detalhe técnico, mas que afeta a imersão num jogo tão focado em precisão.

Apesar de ser o primeiro título de mundo aberto da Team Ninja, Rise of the Ronin oferece uma estrutura sólida e recheada de atividades. Além das missões principais, há uma grande variedade de conteúdos paralelos: pontos de interesse, confrontos aleatórios, coleta de gatinhos (sim), jogos de azar, pesca e interações com NPCs que rendem recompensas e histórias secundárias.

Para tornar a exploração mais fluida, o jogador conta com diversos meios de locomoção. O planador permite alcançar pontos elevados, o cavalo garante mobilidade em áreas extensas e o sistema de viagem rápida é ágil e bem implementado. É um mundo aberto que respeita o tempo do jogador.

Apesar da diversidade de conteúdo, algumas atividades acabam caindo na repetição, com objetivos pouco inspirados ou recompensas modestas. Ainda que o universo seja historicamente rico, certas missões paralelas parecem existir apenas para preencher o mapa — algo comum no gênero, mas que destoa do excelente design das missões principais.

Se há um ponto em que Rise of the Ronin tropeça de forma mais evidente, é na parte visual. Apesar de seus belos cenários e bom design artístico, os gráficos são claramente limitados para os padrões da atual geração. Texturas de baixa resolução, expressões faciais engessadas e iluminação simples comprometem a imersão em alguns momentos importantes da narrativa.

Ainda assim, a direção de arte consegue compensar em parte essas limitações com ambientações estilizadas e roupas historicamente autênticas. E o que falta em visual, sobra em áudio: a trilha sonora é excelente, mesclando música tradicional japonesa com elementos ocidentais de forma harmoniosa. Ela não apenas acompanha bem os momentos de combate e exploração, como também intensifica o peso emocional das cenas narrativas.

Outro grande acerto é a localização completa em português do Brasil, com dublagem de alta qualidade. Heitor Assali, Vágner Fagundes, Bia Dellamonica e Fernando Mendonça entregam performances envolventes que elevam o tom cinematográfico do jogo, especialmente em cutscenes dramáticas.

Conclusão

Rise of the Ronin é um passo ousado da Team Ninja rumo ao mundo aberto, entregando uma experiência rica em narrativa, combate e ambientação histórica. Apesar de falhas técnicas, especialmente visuais, o jogo se destaca pela liberdade de escolha, sistema de combate envolvente e trilha sonora marcante. Sua profundidade narrativa e personalização compensam as limitações, oferecendo uma jornada memorável no Japão do século XIX.

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