Review | Triangle Strategy – Estratégia, política e consequências em HD-2D

Após conquistar fãs em outras plataformas, Triangle Strategy finalmente desembarca no PlayStation 5 em 2025, trazendo para o console da Sony um RPG tático que se destaca pela combinação entre uma narrativa profunda, um sistema de combate estratégico e todo o charme HD-2D. Desenvolvido pela Square Enix, o jogo mantém suas qualidades originais e apresenta uma experiência densa, repleta de escolhas que realmente impactam o rumo da história e o destino do continente de Norzelia.

A trama se desenrola em um cenário medieval de tensão política, onde três grandes reinos — Glenbrook, Aesfrost e Hyzante — disputam controle sobre recursos naturais vitais, especialmente o minério chamado Salitre. Você assume o papel de Serenoa Wolffort, herdeiro do reino de Glenbrook, e é lançado em um turbilhão de decisões diplomáticas e batalhas sangrentas que definem o futuro da região. O ponto forte do enredo está justamente nas escolhas do jogador, que influenciam diretamente três parâmetros morais: Utilidade, Liberdade e Moralidade. Cada decisão, por menor que pareça, pode gerar desdobramentos únicos, incluindo diferentes alianças, traições e múltiplos finais, o que confere ao título uma rejogabilidade excelente.

Um dos sistemas mais interessantes e inovadores do jogo é o mecanismo de votação. Em momentos cruciais da história, Serenoa deve defender suas propostas perante os membros de seu conselho, buscando convencê-los a apoiar suas ideias políticas. Esse sistema transforma o diálogo em um elemento estratégico: além de escolher respostas, o jogador precisa considerar o alinhamento de cada aliado e a influência que suas palavras exercem sobre eles. Essa dinâmica reforça a imersão e a sensação de responsabilidade pelo destino da nação.

Porém, apesar dessa riqueza narrativa, o jogo peca em seu ritmo inicial. As primeiras horas são dominadas por longas cenas de diálogos e cenas de corte que, embora importantes para estabelecer o cenário e as motivações dos personagens, podem cansar jogadores que preferem ação mais direta. A narrativa densa exige paciência, e a leitura constante de textos pode tornar o começo da aventura um pouco arrastado, o que pode afastar alguns jogadores, principalmente por não conter legendas em português.

No aspecto da jogabilidade, Triangle Strategy brilha em sua mecânica de combate tático por turnos. O campo de batalha é apresentado em mapas isométricos detalhados, onde posicionamento e ordem de ação são cruciais. A introdução do sistema de linha do tempo, que determina a ordem dos turnos baseado na velocidade das unidades, traz uma camada extra de profundidade, exigindo planejamento cuidadoso para maximizar ataques e defesas.

Um destaque são os ataques encadeados, que permitem a realização de combos conhecidos como “ping-pong”. Nesse sistema, o jogador pode direcionar golpes para múltiplos inimigos em sequência, usando o terreno e as habilidades especiais para ampliar o dano. Essa mecânica recompensa o pensamento estratégico e cria momentos de combate bastante satisfatórios para quem gosta de otimizar cada movimento.

Por outro lado, essa complexidade pode ser meio intimidante para os novatos do gênero. A curva de aprendizado é alta, e a dificuldade se mantém constante, com inimigos que utilizam estratégias variadas e agressivas. Em algumas batalhas, a necessidade de posicionamento perfeito e o domínio das mecânicas podem frustrar jogadores menos experientes. Além disso, a progressão do personagem — através de níveis e desbloqueio de habilidades — acontece de forma discreta, sem muitos incentivos visuais ou recompensas chamativas.

Os personagens são outro ponto alto do jogo. Serenoa é um protagonista com motivações claras, mas o verdadeiro charme está em seu grupo de aliados, que trazem diversidade de personalidades e histórias. Cada um deles oferece habilidades únicas para as batalhas e influência política, tornando as escolhas ainda mais impactantes. Além disso, é possível carregar aliados recrutados para o seu NG+, permitindo criar um elenco com 30 personagens se buscar todos os finais do jogo.

Quanto à dificuldade, o jogo oferece múltiplos níveis, desde o mais acessível para novatos até o modo extremo para veteranos. Mesmo no modo mais fácil, Triangle Strategy não se torna trivial, mantendo a necessidade de planejamento e cuidado em cada ação. Para os jogadores que buscam desafio, o modo avançado pode ser implacável, exigindo domínio total das mecânicas e estratégia de longo prazo.

Visualmente, o título aposta no estilo HD-2D, uma combinação entre pixel art clássica e cenários em 3D que lembram um livro pop-up medieval. Essa estética é um dos principais atrativos do jogo, e no PlayStation 5 ela ganha ainda mais vida com resolução aprimorada, iluminação detalhada e tempos de carregamento significativamente reduzidos. A performance é estável, sem quedas de frame rate, o que ajuda a manter a imersão durante longas sessões. Os controles foram adaptados para o console, garantindo respostas precisas e intuitivas, sem perda da fluidez nos combates.

Contudo, o port para PS5 deixa a desejar por não trazer conteúdo adicional ou melhorias significativas além do upgrade técnico. Para quem já jogou em outras plataformas, a experiência é praticamente idêntica, o que pode desanimar quem buscava novidades ou bônus exclusivos.

Agradecimentos a Square Enix que nos enviou o jogo para a produção do review!

Conclusão

Triangle Strategy chega ao PS5 com uma narrativa profunda, escolhas impactantes e combates táticos envolventes, agora com performance aprimorada e visuais deslumbrantes em HD-2D. Apesar do ritmo lento no início e da falta de novidades no port, o jogo oferece uma experiência densa e gratificante para fãs de RPGs estratégicos. A curva de aprendizado pode afastar iniciantes, mas quem persistir encontrará uma obra rica em conteúdo e rejogabilidade.

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