Romeo is a Dead Man – Review

Quando se trata de um jogo idealizado por Goichi Suda, também conhecido como SUDA51, o hype é inevitável, pois, sempre aposta em algo fora da caixinha. O desenvolvedor construiu sua carreira de sucesso apostando em jogos exagerados, narrativas absurdas e violência estilizada. Com Romeo is a Dead Man, desenvolvido pela Grasshopper Manufacture, essa identidade visual retorna, mas ainda mais ousada e repleta de exageros. Esse novo título não reinventa a roda ou é o maior de SUDA51, mas é extremamente divertido e caricato.

A história é um ponto fora da curva aqui e aposta em algo fora do convencional, focando no humor exagerado. A narrativa nos coloca no papel Romeo Stargazer, um policial que morre durante uma abordagem de rotina e retorna à vida após o próprio avô, Benjamin, implantar um dispositivo em seu olho. Neste ponto, a história já mostra ao que veio, ser cômica e uma aventura que diverte.

O personagem retorna à vida como Dead Man, uma espécie de herói com estética inspirada em sentai, que passa a enfrentar criaturas grotescas enquanto busca por Juliet, sua namorada desaparecida. Mas calma, em meio ao caos, uma divisão interdimensional do FBI recruta Romeo para capturar fugitivos espalhados pelo espaço-tempo.

A narrativa é nonsense em todos seus aspectos, misturando elementos de ficção científica, drama e humor, mas tudo de forma natural e sem forçar em momento algum. O roteiro é exagerado e até mesmo confuso em certos aspectos, mas ao contrário de muitos jogos, ele abraça a confusão e utiliza isso à seu favor. Existem momentos de humor intenso, outros desconfortáveis (no melhor estilo The Office) e até mesmo desafia a lógica. Ainda assim, em meio ao caos, o jogo consegue entregar um grande tom emocional quando se trata da busca de Romeo por Juliet.

Apesar da boa narrativa, é na jogabilidade que Romeo is a Dead Man realmente brilha. O jogo utiliza como base o gênero hack ‘n’ slash, focando em combate corpo a corpo e armas de fogo. Inicialmente temos apenas uma katana tecnológica e uma pista, combinação que define o rumo das batalhas do jogo. Os confrontos são rápidos e exigem boa leitura dependendo do inimigo. Além disso, o jogo conta com a Primavera Sangrenta, uma mecânica que permite absorver os sangue dos inimigos e desferir um golpe ainda mais poderoso.

Apesar de possui um combate simples e divertido, é nítido que o sistema de combos poderia ter sido melhor trabalhado. Ao alternar entre ataques leves e fortes, não sentimos o encadeamentos dos golpes, dando uma sensação de rigidez. Apesar de não ser algo que estrague a experiência, mas o jogo poderia dar mais liberdade ter maiores combinações. Além disso, alguns jogadores podem senti falta de mecânica como defesa ou parry, visto que o jogo se baseia apenas em esquiva. Ainda assim, o jogo não falha ao entregar a sensação de impacto de cada golpe, principalmente ao acertar os pontos fracos.

O arsenal se expande de forma considerável ao longo da campanha, incluindo espadas pesadas, garras, lanças e uma grande variedade de armas de fogo como escopetas, rifles e até lança foguetes. Cada equipamento traz uma nova dinâmica para os combates. Por exemplo, as armas pesadas exigem maior cautela, enquanto armas rápidas como as garras, favorecem sua mobilidade e confronto contra multidões.

Um dos elementos mais diferentes de Romeo é o sistema de Bastardos, criaturas que são cultivadas na nave e podem ser invocadas em combate. Elas funcionam como habilidades especiais, criando áreas de cura, disparando laser ou se sacrificando contra inimigos. São mais de 10 Bastados, que podem ser evoluídos ao utilizar sementes de diferentes raridades, criando versões ainda mais poderosas.

A progressão aqui é excepcional e sempre traz novas mecânicas e armas. O sistema de evolução tem um visual retrô, onde subir de nível é também um mini-game arcade clássico. Cada ponto de experiência são investidos em um tabuleiro interativo que reforça ainda mais a identidade visual do título. Além disso, o jogo conta com um sistema de cozinhar, que dá buffs temporários antes de cada missão.

Além da exploração normal e dos combates, Romeo is a Dead Man conta com pequenos segmentos em subespaço. Aqui as áreas contam com um visual digitalizado, priorizando exploração e quebra-cabeças ao invés do caos. Essas seções são simples e servem para quebrar o ritmo, mas de uma forma legal. A interação entre mundo real e esse plano alternativo é inteligente e recompensadora, adicionando atalhos e novas rotas.

Visualmente, o jogo aposta em uma mistura ousada de estilos. Cenários tridimensionais convivem com momentos em 16-bit e interfaces que simulam computadores antigos. Essa alternância entre moderno e retrô cria uma identidade única. Não se trata de gráficos ultrarrealistas, mas de direção de arte forte e consciente. O contraste entre ambientes comuns, como prédios urbanos e shoppings, e criaturas bizarras invadindo a realidade é marcante.

O desempenho é consistente. Na versão de PlayStation 5, o jogo mantém 60fps, mesmo durante batalhas caóticas com múltiplos inimigos e efeitos na tela. Carregamentos são rápidos, e não há quedas bruscas de performance. Ainda assim, pequenas limitações técnicas aparecem na simplicidade de algumas texturas e na repetição de certos cenários.

A trilha sonora complementa o clima caótico com energia e personalidade, variando entre faixas agitadas e momentos mais experimentais. A dublagem também ajuda a dar vida ao elenco excêntrico, reforçando o tom teatral da narrativa.

Romeo is a Dead Man vale a pena?

Sob a assinatura criativa de Goichi Suda e com desenvolvimento da Grasshopper Manufacture, Romeo is a Dead Man é exagerado, estiloso e propositalmente caótico. A narrativa abraça o absurdo com confiança, enquanto o combate diverte, mesmo com limitações no sistema de combos. A progressão é criativa e o visual mistura retrô e moderno com personalidade. Não reinventa o gênero, mas entrega identidade e diversão do início ao fim.

Agradeço a GRASSHOPPER MANUFACTURE pelo envio do jogo para produção do review!

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