Após o lançamento de Tomba! Special Edition, eu mal podia esperar pelo lançamento da sequência, uma dos jogos que mais me diverti quando criança. Tomba! 2: The Evil Swine Return não tenta reinventar a fórmula, mas traz toda identidade da franquia consigo, apostando no carisma do universo, humor constante e um sistema de progressão que recompensa os curiosos. O título é uma evolução notável, trazendo mudanças significativas, especialmente no visual.
Apesar de possuir gráficos 3D, o jogo deixa claro que sua prioridade está na jogabilidade, dando liberdade de exploração e na construção do mundo. Algumas escolhas podem parecer estranhas no primeiro momento, mas tudo se encaixa conforme a jornada avança, evidenciando que Tomba! 2 é um jogo de plataforma bem diferente dos jogos habituais da época.
Tomba! 2 possui uma narrativa tão simples quanto o primeiro jogo, mas funciona bem e serve como um ponto de partida para explorar o mundo. Nosso querido protagonista, Tomba, recebe uma carta informado do sequestro de sua amiga de infância, Tabby. O jogo não explica muito ou apresenta grandes introduções, ele nos leva imediatamente para o novo continente, onde rapidamente percebemos que os responsáveis pelo caos são os Porcos Malignos.
A história é um pano de fundo para a jogabilidade, ela não emociona ou entrega grandes reviravoltas, mas diverte com bom humor. O foco narrativo é apenas sustentar o mundo vivo e sua exploração, trazendo encontros marcantes com personagens excêntricos e suas missões. São esses personagens e situações criadas que ajudam a manter o interesse no jogo, trazendo o charme peculiar que a franquia possui.
A exploração é o coração de Tomba! 2, onde mesmo utilizando cenários tridimensionais, a jogabilidade segue uma movimentação lateral, algo mais parecido com o 2.5D. Em certos pontos do mapa é possível alternas entre trilhas em primeiro e segundo plano, criando uma constante sensação de profundidade e ampliando as possibilidades de design das fases.
Apesar de ser considerado do gênero plataforma, ele não possui grandes desafios de precisão, mas foca na exploração contínua e no retorno frequente a áreas já visitadas. Conforme avança, Tomba adquire novos itens, armas e habilidades, abrindo novas possibilidades de caminhos, incentivando o retorno a locais já explorados para descobrir novos segredos. No entanto, mesmo na nova versão os controles podem ser imprecisos em certos momentos, principalmente em saltos.
Outro grande destaque de Tomba! 2 são as missões, assim como no primeiro jogo. Em vez da linearidade tradicional, o jogo vai apresentando novas tarefas constantemente para o jogador, permitindo que conclua elas em qualquer ordem. Muitas delas são dependentes de eventos específicos, itens ou diálogos que estão disponíveis após finalizar outras missões.
Essa estrutura cria uma sensação de que você está sempre investigando algo, exigindo atenção constante ao mundo e seus acontecimentos, analisando cada diálogo com NPCs e detalhes do cenário. No entanto, o diário de missões não é algo tão útil, visto que só apresenta os títulos das tarefas, sem descrições ou detalhes, podendo deixar muitos jogadores confusos. Ainda assim, é possível completar tudo ao explorar o mapa, esse espírito de descoberta foi algo que definiu o a franquia, mas ainda pode afastar novos jogadores.
A edição especial vai muito além de trazer o jogo para o mercado novamente, mas também oferece diversos conteúdos extras. É possível explorar uma galera de arte conceitual, artes de personagens, materiais promocionais de seu lançamento original e até mesmo ouvir as músicas do jogo. Apesar de simples, esse conteúdo extra serve como grande acervo da história do jogo.
No entanto, a quantidade de conteúdo adicional é relativamente modesta, especialmente quando comparada à edição especial do primeiro Tomba!, que oferecia entrevistas e materiais mais aprofundados sobre o desenvolvimento.
Visualmente, Tomba! 2 representa uma mudança significativa em relação ao primeiro jogo. A transição dos sprites 2D desenhados à mão para modelos 3D de baixa contagem de polígonos, típica do fim dos anos 1990, gera resultados mistos. Os cenários ganham profundidade, caminhos sobrepostos e maior sensação de espaço, com áreas criativas e layouts interessantes. Em contrapartida, os personagens perdem parte do charme e da expressividade originais, apresentando animações mais rígidas e menos fluidas, o que pode causar estranhamento para fãs do primeiro título. Ainda assim, a direção de arte permanece colorida, excêntrica e fiel à identidade da franquia.
No aspecto técnico, o jogo roda de forma estável, mas carrega limitações claras da época. A taxa de quadros é inferior à do primeiro Tomba!, reforçando a sensação de rigidez nos movimentos. O áudio também é inconsistente, com mixagem que frequentemente privilegia a música ao invés das vozes, além de variações perceptíveis na qualidade sonora entre personagens. A ausência de opções básicas, como ajuste de volume e velocidade do texto, evidência o caráter simples da emulação utilizada. Por outro lado, recursos modernos como salvamento rápido e retrocesso ajudam a reduzir frustrações.
Tomba! 2: The Evil Swine Return vale a pena?
Tomba! 2: The Evil Swine Return é uma sequência que mantém o espírito excêntrico e divertido da franquia, oferecendo exploração rica, missões criativas e um mundo vivo que recompensa curiosidade. Apesar de mudanças gráficas 3D e alguns problemas de controle e áudio, o jogo continua carismático e envolvente, principalmente para fãs do original. A edição especial adiciona conteúdo histórico, mesmo que modesto. No fim, Tomba! 2 prova que charme e diversão podem superar limitações técnicas, permanecendo um clássico memorável.

Agradeço à Limited Run Games pelo envio do jogo para review!











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