O mercado de roguelites se expandiu muito nos últimos anos, mas infelizmente poucos se destacam e ousam nas ideias. Towa and the Guardians of the Sacred Tree surge como uma tentativa honesta de trazer algo diferente ao gênero. A nova IP da Bandai Namco, desenvolvida pela Brownies Inc., aposta em uma narrativa mais densa, identidade visual e um sistema de combate em duplas, mesmo se jogar sozinho.
Mesmo que o resultado não seja perfeito, o título entrega uma experiência divertida, especialmente para quem gosta do gênero.
Towa and the Guardians of the Sacred Tree se destaca narrativamente por não utilizar a história apenas como pano de fundo, ela é um dos principais pilares. A trama gira em torno de Towa, uma descendente dos deuses que vive pacificamente na vila de Shinju, até que a entidade maligna Magatsu traz o caos para o mundo. Para deter o vilão, Towa reúne oito guardiões para ajudá-la.
O enredo é baseado na mitologia xintoísta, algo refletido em todos os aspectos do jogo, como design dos personagens, ambientação e na simbologia do mundo. Ao longo da jornada, eventos separam os guardiões de Towa, colocando-os em realidades paralelas, dando inicio a uma narrativa marcada por despedidas e sacrifícios.
A história funciona justamente por se integrar à estrutura roguelite do jogo. Personagens desaparecem temporariamente da seleção conforme avançamos, criando o sentimento de perda e reforçando o peso das escolhas feitas. Essas escolhas vão muito além da mecânica, é narrativa sendo contada através da jogabilidade.
Quanto a jogabilidade, Towa and the Guardians segue a estrutura do gênero de cabo a rabo: salas sequenciais, inimigos, escolhas de melhorias e chefes. O diferencial aqui está no sistema de personagens, onde utilizamos dois por partida, cada um exercendo um papel distinto.
O primeiro personagem é o Tsurugi, controlamos ele diretamente e possui foco no combate físico. O personagem utiliza duas espadas que possuem ataques normais, golpes carregados e habilidades especiais. Um grande aspecto aqui é a durabilidade das espadas, quanto mais você utiliza, mais ela se desgasta, incentivando a alternância constante entre elas.
Já o segundo personagem, o Kagura, ele é o nosso suporte mágico. Ele lança feitiços e auxilia de forma indireta o combate. Apesar da boa ideia, o papel não funciona bem e é bem limitado há apenas dois botões. Mesmo jogando de forma cooperativa com outro jogador, é praticamente impossível se divertir utilizando o personagem. Essa disparidade entre Kagura e Tsurugi, faz com que o combate não atinja todo seu potencial.
Assim como todo bom roguelite, o jogo possui diversas melhorias que podem ser adquiridas nas partidas, variando entre simples bônus até mesmo efeitos que tem o poder de mudar o combate. O desempenho do jogador e sua abordagem influenciam de forma direta as opções oferecidas no final de cada sala.
No entanto, a progressão sofre com uma decisão de design questionável: muitas melhorias substituem as anteriores em vez de se acumularem. Isso gera uma sensação estranha de estagnação em alguns momentos, principalmente em runs mais longas, onde o jogador espera se sentir cada vez mais poderoso.
Para compensar, o jogo aposta forte no sistema de forjas (um belo acerto). Criar espadas é essencial para evoluir, mas o minigames de forja, apesar de possuir charme e ser algo legal no começo, se torna cansativo e muitas vezes injusto quando o resultado não compensa o esforço investido.
Além disso, entre cada partida, retornamos para à vila de Shinju, nosso hub central. Nesse hub podemos melhorar atributos, desbloquear magias, construir novos estabelecimentos, interagir com NPCs e até mesmo praticar atividades secundárias, como pesca. Embora não seja enorme, oferece opções suficientes para personalizar o estilo de jogo. No início, a quantidade de sistemas pode parecer excessiva, mas com o tempo tudo se encaixa de forma natural.
Visualmente, Towa and the Guardians é encantador. O estilo anime, aliado a cores vibrantes e designs expressivos, dá ao jogo uma identidade forte. Os ambientes, apesar de belos, acabam se repetindo estruturalmente após várias horas, o que reduz o impacto visual a longo prazo. Os personagens são um destaque à parte. Cada guardião tem um design único e memorável, muitos deles com traços animais que fogem do padrão comum visto em outros jogos do gênero.
A trilha sonora é excelente e ajuda a elevar a experiência. Com composições que transitam entre momentos tensos e trechos mais contemplativos, a música complementa perfeitamente tanto o combate quanto a narrativa. Enquanto no desempenho, o jogo roda de forma perfeita e sem quedas de frame ou travamentos, durante toda a jornada tive uma experiência sólida e bem divertida.
Towa and the Guardians of the Sacred Tree vale a pena?
Em resumo, Towa and the Guardians of the Sacred Tree é um roguelite imperfeito, mas cheio de identidade. A narrativa integrada à jogabilidade, o visual marcante e a trilha sonora elevam a experiência. O combate em duplas tem boas ideias, porém execução desigual, e a progressão nem sempre satisfaz. Ainda assim, é uma proposta corajosa e divertida, recomendada para fãs do gênero em busca de algo diferente e memorável experiência.

Agradeço a Bandai Namco pelo envio do jogo para review.










