Yakuza 0: Director’s Cut – Review

Yakuza 0: Director’s Cut – Review

Hoje eu entendo ô porque Yakuza 0 ser uma virada de chave na franquia, principalmente por ocupar um lugar especial na história. O título foi responsável por tirar a série de um nicho pequeno e trazê-la para o grande público, consolidando Yakuza como uma das maiores sagas dos videogames. Com uma narrativa ainda mais ampla e respondendo questionamentos de Yakuza Kiwami e Kiwami 2, o título aprofunda o jogador ao passado de Kiryu.

Mantendo o nível de exploração, minigames e histórias secundárias, o jogo não deixa a desejar em nada. Além disso, com Yakuza 0: Director’s Cut, temos a versão definitiva do jogo, com desempenho melhorado e algumas adições que não estavam presentes no Ocidente.

Yakuza 0 é um dos melhores prólogos da história dos videogames, dando aos jogadores respostas e um maior entendimento da história da Kiryu. Ambientado no final dos anos 80, temos o jovem Kazuma Kiryu tentando subir na hierarquia da Yakuza ao lado de seu melhor amigo, Akira Nishikiyama. A trama é desenvolvida de forma cuidadosa, adicionando um peso emocional e sensação constante de tragédia para quem jogou os títulos anteriores. A relação de amizade entre ambos é um dos pontos altos não só do título, mas de toda a franquia.

Um dos grandes destaques da narrativa é que agora Goro Majima divide a atenção com Kiryu. Diferente de Yakuza Kiwami e Kiwami 2 onde ele era caótico, imprevisivel e sempre metido em confusões, aqui ele é um personagem completamente diferente. Trabalhando como gerente de um clube noturno em Osaka, Majima está fora da Yakuza e tenta levar uma vida normal. A dualidade apresentada entre Kiryu e Majima é um dos pontos altos narrativos do jogo, onde oferece aos jogadores dois pontos de vista distintos sobre sacrifício, honra e sobrevivência no submundo japonês.

A narrativa conta com diálogos ainda melhores escritos que nos jogos anteriores, mas mantendo o tom marcante de dramas criminais japoneses. Além disso, a nova versão se aprofunda ainda mais nos eventos principais de Yakuza 0, oferecendo um fechamento para personagens secundários e conectando diversos arcos narrativos. As novas cenas são um ponto frágil aqui, visto que alteram eventos da história, suavizando consequências que eram definitivas na versão normal.

Yakuza 0: Director’s Cut mantém a essência brutal em seu combate, onde Kiryu e Goro possuem múltiplos estilos de luta, cada um com características únicas, permitindo adaptar a abordagem conforme o tipo de inimigo ou a situação. As batalhas continuam intensas e repletas de exageros, onde devemos utilizar objetos do cenário, Heats Actions e diversos combos cinematográficos para eliminar os inimigos.

Kiryu conta com três estilos distintos: Brawler, equilibrado e técnico; Rush, focado em velocidade e esquivas; e Beast, voltado para força bruta e uso pesado de objetos do cenário. Majima, por sua vez, também possui três estilos próprios: Thug, mais tradicional; Breaker, extremamente ágil e baseado em movimentos de dança; e o caótico Mad Dog, que enfatiza ataques rápidos e imprevisíveis. Cada estilo possui sua própria árvore de habilidades, incentivando a experimentar e alternar entre eles ao longo dos combates.

A progressão é eficiente, graças à sua simplicidade. As melhorias são obtidas com Pontos de Competição, usados para desbloquear habilidades nas árvores de cada estilo. É possível adquirir pontos ao completar minigames, missões secundárias e atividades paralelas pela cidade, conectando exploração e evolução. Além disso, existem habilidades mais imponentes que exigem Limit Breakers, que podem ser adquiridos no Santuário de CP, expandindo ainda mais as árvores e personalização. Enquanto outro movimentos especiais são aprendidos com Mestres de Combate.

A exploração e atividades extras de Yakuza 0 são como sempre, um ponto fora da curva. O título se divide em duas áreas, enquanto Kiryu passa a maior parte do tempo em Kamurocho, Majima explora Sotenrobi. Ambos os mapas são compactos, mas repletos de lojas, restaurantes, NPCs e atividades extras. Cada rua transmite personalidade e rende encontros únicos inesperados, dando uma maior sensação de mundo vivo, um dos grandes pilares da franquia.

As missões secundárias são o grande destaque entre o conteúdo opcional. Essas histórias variam de tons emocionantes, críticas sociais e situações caóticas, dando um alivio ao tom mais sério da história principal. O jogo beira tanto o absurdo, que Majima participa de um culto chamado Nova Ordem, apenas para resgatar uma pessoa, uma das missões mais estranhas da franquia até aqui.

E claro, no quesito minigames, o jogo retorna com a grande variedade já conhecida pelos jogadores. É possível ir para cassinos, casas de apostas, karaokê, fliperamas com jogos da SEGA e até mesmo gerenciar bordeis. Esse conteúdo é o que mantém Yakuza como uma das melhores séries de mundo aberto, trazendo longevidade, aprofundando a personalidade dos protagonistas e criando um mundo vivo.

Uma grande adição na nova edição é o modo online Red Light Raid, uma experiência cooperativa no estilo musou. Aqui os jogadores se unem para derrotar ondas de inimigos utilizando vários personagens jogáveis da série.

Yakuza 0: Director’s Cut no PS5 não representa um salto gráfico revolucionário, mas entrega melhorias técnicas sutis e bem-vindas. O desempenho é mais estável, rodando a 60 FPS e trazendo carregamentos mais rápidos. Uma grande novidade é a inclusão da dublagem em inglês, embora o áudio em japonês continue sendo a melhor opção para manter a atmosfera original.

O maior destaque dessa nova edição é o licenciamento de músicas que haviam sido removidas da versão ocidental. Os cenários e a vida de Kamurocho continuam sendo o ponto alto do visual aqui, trazendo as mais belas representações das ruas japonesas dos anos 80. Infelizmente, a representatividade visual e tudo que a cidade oferece já vimos nos jogos anteriores, então são pontos pouco relevantes aqui, visto que não existem grandes mudanças.

Yakuza 0: Director’s Cut vale a pena?

Yakuza 0: Director’s Cut reafirma por que o título é um dos maiores marcos da franquia. Com narrativa poderosa, protagonistas carismáticos e um equilíbrio exemplar entre drama e absurdo, o jogo segue impecável mesmo anos depois. As adições da nova edição são interessantes, embora nem todas sejam essenciais. Ainda assim, é a versão definitiva de um prólogo memorável, mas dispensável para quem jogou a versão de PS4.

Agradeço à SEGA pelo envio do jogo para review!

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