Yakuza Kiwami 2 – Review

Yakuza Kiwami 2 – Review

Yakuza Kiwami 2 eleva o nível da franquia em todos os aspectos, sendo um dos pontos mais altos da saga. Sua narrativa expande muito a história de Kiryu, trazendo uma densidade maior, novos personagens e emoções. No entanto, o jogo perde muito em aspectos de jogabilidade, removendo algumas mecânicas apresentadas no primeiro jogo.

Além disso, o remake do segundo título para PlayStation 4 é muito mais ambicioso que o primeiro, trazendo um aspecto ainda mais moderno e melhorias. Já no PlayStation 5, essa experiência evolui de forma satisfatória em aspectos visuais e técnicos, mas mantém algumas limitações e erros da versão anterior.

Yakuza Kiwami 2 se passa logo após os eventos do primeiro jogo, onde o Clã Tojo se encontra em uma situação difícil e sem rumo. Em busca de aproveitar essa fragilidade, o Clã Omi, organização rival da região de Kansai, utiliza essa oportunidade para iniciar uma grande guerra. Com essa reviravolta se formando, Kazuma Kiryu, que havia decidido se afastar da vida criminosa, é mais uma vez arrastado de volta ao submundo da Yakuza.

O Clã Tojo coloca toda responsabilidade e seu futuro sobre Daigo Dojima, um jovem que é forçado a assumir o papel, mesmo sendo imaturo e não estando preparado para isso. A jornada leva Kiryu até Osada, onde ele enfrenta Ryuji Goda, o Dragão de Kansai, e o melhor vilão da série para mim até agora. Seu jeito impulsivo, orgulhoso e movido pelo desejo de que só pode existir um verdadeiro dragão no Japão, faz com que ele se torne muitas vezes imprevisível.

O elenco de personagens é ainda melhor que o primeiro jogo, trazendo Goda como grande vilão, além de introduzir Kaoru Sayama, conhecida como “Caçadora de Yakuzas”. A personagem se destaca por sua maturidade e forte oposição ao crime, sendo extremamente marcante durante toda a campanha. Além disso, sua relação com Kiryu e a evolução da relação entre ambos é um dos grandes destaques do jogo. E claro, Goro Majima retorna trazendo muito humor em meio à trama dramática e repleta de reviravoltas.

O sistema de combate foi uma surpresa para mim, visto que sofreu mudanças significativas. As lutas agora são mais realistas, com a física melhorada e mais cinematográficas e trazendo colisões mais realistas. Com essas melhorias é possível ver os inimigos reagindo de forma mais dinâmica ao ambiente e combate, fazendo-os interagir ainda mais com objetos do cenário. Os Heat Actions retornam ainda mais brutais, variando conforme o local e a situação da batalha, ajudando a manter o impacto visual dos confrontos. Um novidade bem legal é a possibilidade de armazenar armas encontradas pelo mapa, ampliando as opções estratégicas, mesmo que a forma mais eficiente de combate continuem sendo os socos de Kiryu.

Por outro lado, alguns estilos de luta foram removidos (Beast e Rush), tornando a jogabilidade mais limpa e restrita, trazendo um tom mais coeso para o combate. Esse aspecto pode ser péssimo para alguns e bom para outros, visto que o combate agora é mais acessível e direto, no entanto, a sensação de repetição ao longo da jornada é muito maior que no primeiro jogo. Além disso, mesmo com algumas melhorias técnicas, as lutas contra chefes se destacam pela simplicidade, principalmente por não conter tantas diversidades de estilo.

Outro ponto de mudança é o sistema de progressão. A antiga árvore de habilidades foi substituída por uma tabela mais simples, dividida em categoria como batalha, Heat e habilidades de vida. Embora essa estrutura permita uma maior personalização adaptativa ao estilo do jogador, o processo é mais burocrático e menos empolgante que no primeiro título.

Yakuza Kiwami 2 segue a tradição da série e entrega uma grande diversidade de conteúdo opcional. As missões secundárias são ainda mais bem desenvolvidas que no primeiro jogo, repletas de histórias emocionais, críticas sociais e situações cômicas que destoam da seriedade da narrativa principal. Além disso, temos o retorno de Goro Majima, em uma narrativa complementar e principalmente sendo um personagem muito ativo na campanha principal.

Majima agora possui um arco próprio separado da campanha, chamado de Saga Majima. Essa história pode ser acessada através do menu e coloca o jogador para explorar os acontecimentos entre Yakuza Kiwami e Kiwami 2, explicando por que ele deixou o Clã Tojo e começou sua própria jornada. Mesmo sendo uma campanha com duração de duas horas, ela complementa a história e dá algumas respostas.

Quanto aos minigames, ele são um jogo à parte (e isso é bom). A ambientação de Yakuza traz fliperamas com clássicos jogos da SEGA até atividades mais complexas e peculiares, possuindo uma grande variedade de distrações. Entre os destaques, eu posso citar o clássico Karaokê e claro, o Grande Prêmio do Cabaret Club, um dos minigames mais divertidos, onde devemos dominar o negócio de Cabarés. Essas opções de conteúdo são um grande descanso para a narrativa, permitindo ao jogador navegar entre a seriedade e o humor.

Yakuza Kiwami 2 no PS5 não traz grandes melhorias ou novidades, mas se destaca pela melhoria de desempenho e maior estabilidade. O jogo agora roda a 60 FPS, trazendo maior fluidez para os movimentos e combate. Além disso, o tempo de carregamento caiu drasticamente e o detalhamento visual em texturas e até mesmo nas expressões de alguns personagens tiveram melhorias.

Os cenários são um destaque à parte, cheio de detalhes, com uma iluminação vibrante e transições naturais. Kamurocho está ainda mais viva que no primeiro jogo, agora acompanhada do novo distrito, Sotenbori. A ambientação recria versões fiéis de bairros Japoneses dos anos 2000. O nível de detalhamento impressiona, tornando simples caminhadas um grande tour.

Yakuza Kiwami 2 vale a pena?

Yakuza Kiwami 2 é um dos pontos altos da franquia, elevando narrativa, personagens e apresentação a um novo patamar. Apesar de perder profundidade em algumas mecânicas de combate e progressão, compensa com história envolvente, vilões marcantes, ótimo conteúdo opcional e excelente ambientação. No PS5, ganha fluidez e estabilidade.

Agradeço à SEGA pelo envio do jogo para review!

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