Sou um caçador de longa data, e Monster Hunter Wilds era facilmente meu jogo do ano antes mesmo do lançamento. Escrever sobre ele é um prazer, mas também exige equilíbrio. O título traz melhorias significativas e um combate mais dinâmico, funcionando como a porta de entrada perfeita para novos jogadores. Ao mesmo tempo, algumas escolhas podem frustrar quem já acompanha a franquia há anos. É justamente essa dualidade que define a experiência.

Uma narrativa mais presente
A história representa um avanço claro em relação aos jogos anteriores. Agora assumimos o papel de um caçador experiente que chega às Terras Proibidas, uma região instável, repleta de criaturas agressivas e fenômenos naturais incomuns.
A introdução de Nata adiciona um elemento central à narrativa. Sua conexão com Arkveld guia boa parte dos acontecimentos e dá mais peso emocional à jornada. Além disso, o protagonista finalmente possui voz, com dublagem completa em português, o que fortalece muito a imersão.
Apesar dessas melhorias, a narrativa sofre com ritmo inconsistente. Momentos que poderiam aprofundar personagens e conflitos acabam sendo interrompidos por batalhas constantes. Os personagens secundários, em especial, carecem de carisma e muitas vezes parecem artificiais.

Combate mais fluido e acessível
O combate continua sendo o coração da experiência, agora mais ágil e refinado. O novo Modo Foco permite atingir pontos específicos dos monstros, incentivando precisão e estratégia durante as caçadas.
As armas clássicas retornam com ajustes importantes, tornando seu uso mais acessível sem perder identidade. A possibilidade de carregar duas armas e alternar entre elas durante a caçada adiciona uma camada tática interessante e torna os confrontos mais dinâmicos.
Por outro lado, essa acessibilidade reduz o desafio. O jogo é menos punitivo, mesmo em níveis mais avançados. A progressão também exige menos esforço, com menos necessidade de farmar recursos. Para novos jogadores, isso é um grande acerto. Para veteranos, pode diminuir a sensação de conquista.

Mundo aberto impressionante
O mundo é totalmente interconectado e vivo. Os biomas se conectam de forma natural, e o clima dinâmico influencia diretamente o comportamento das criaturas.
O nível de detalhe é alto, com ambientes destrutíveis e mudanças que afetam a estratégia durante as batalhas. O ciclo de dia e noite também impacta a exploração e o comportamento dos monstros.
O Seikret, nova montaria, facilita a locomoção e permite trocar equipamentos rapidamente. No entanto, sua movimentação automatizada reduz o senso de exploração. A jornada se torna mais prática, mas menos envolvente.
As bases temporárias são uma adição interessante, trazendo uma camada estratégica ao permitir preparo durante as caçadas, ainda que não sejam exploradas ao máximo.

Monstros incríveis, mas aliados esquecíveis
As criaturas continuam sendo o grande destaque. Novos tipos de monstros trazem mecânicas únicas, enquanto clássicos retornam com comportamentos mais naturais e complexos.
Arkveld se destaca como um dos confrontos mais marcantes, tanto pelo design quanto pelo desafio. As interações entre monstros e ambiente tornam cada caçada mais orgânica.
Por outro lado, os companheiros controlados por IA não acompanham esse nível de qualidade. Eles contribuem pouco em combate e não possuem sistemas de evolução ou personalização, limitando seu papel na experiência.

Personalização profunda e recompensadora
A customização é um dos pontos mais fortes. O criador de personagens oferece liberdade ampla, permitindo construir protagonistas únicos.
O sistema de armas continua robusto, agora com materiais obtidos também por interações com o ambiente. Algumas armas possuem efeitos condicionais, adicionando variedade ao combate.
As armaduras se destacam tanto visualmente quanto funcionalmente. O sistema de transmog já disponível desde o início é um grande acerto. Runas e modificações ampliam ainda mais as possibilidades de build, permitindo adaptar o estilo de jogo com precisão.

Visual impressionante e desempenho questionável
Tecnicamente, o jogo é o mais bonito da franquia. Os ambientes são densos, vivos e reativos, enquanto os monstros apresentam animações detalhadas e naturais.
No desempenho, a experiência é estável na maior parte do tempo. Existem pequenas quedas de performance em momentos mais intensos, como tempestades ou múltiplos inimigos na tela, mas nada que comprometa a jogabilidade.
Monster Hunter Wilds – Vale a pena?





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