Resident Evil Requiem não é apenas mais um título da aclamada franquia, é uma obra de arte que une elementos que definiram a série, misturando terror psicológico e muita ação. A Capcom conseguiu equilibrar perfeitamente duas vertentes, trazendo um jogo que agrada tanto veteranos quanto novatos. O que poderia ser apenas apenas união de estilo, aqui se transforma em uma jornada de múltiplas camadas entre a dupla narrativa de Grace Ashcroft e Leon S. Kennedy.

Grace Ashcroft
Grace Ashcroft, filha de Alyssa Ashcroft (Resident Evil Outbreak), é uma das maiores surpresas que à franquia ofereceu ao longo dos anos. Como agente do FBI, ela é enviada para investigar uma misteriosa morte, que coincide ser no mesmo local em que sua mãe foi assassinada. O que parecia um simples caso, se mostra uma grande armadilha, com Grace sendo sequestrada por Dr. Victor Gideon e passa a enfrentar seu maior pesadelo.
A jornada de Grace é construída pelo medo constante. Diferente de outros protagonistas, ela não tem habilidades de combate para lidar com os infectados e criaturas apresentadas, sendo uma pessoa vulnerável e tensa. Sua insegurança é palpável, e o jogo ressalta isso constantemente, demonstrando isso através da hesitação em usar uma arma, sua respiração acelerada e até mesmo ataques de pânico. Enquanto com Grace, cada espaço é ameaçador, o jogador sente na pele sua fragilidade, reforçando o terror psicológico do título.
O grande diferencial de Grace é seu gerenciamento de recursos, sendo parte vital da jornada. A personagem possui um inventário limitado e poucas armas, então ela precisa usar a mecânica exclusiva para coletar sangue e criar itens. Cada recurso aproveitado de forma cuidadosa para que não sejam desperdiçados. Além disso, personagens como o Açougueiro e Chunk perseguem a personagem constantemente, levando perigo constante ao jogador.

Leon S. Kennedy
Enquanto Grace nos leva ao terror psicológico, Leon nos conduz por uma narrativa repleta de ação. Após anos enfrentando a Umbrella e as armas biológicas, Leon está mais velho e cansado, mas ainda assim tenta rastrear um cientista que possui ligação com o surto de Raccoon City. Ele é um agente já experiente, mas a vida o levou ao limite, fazendo com que seu corpo não seja como antes, principalmente por estar infectado. Isso faz com que Leon tenha certa urgência em sua missão, principalmente para achar uma cura.
A jogabilidade de Leon contrasta totalmente com a de Grace, e isso é ótimo! Enquanto com a personagem nos estávamos presos com os infectados, aqui, eles estão presos com Leon. Armado até os dentes e com habilidades corpo a corpo, suas sessões são repletas de confrontos cinematográficos. Porém, mesmo estando mais experiente, ele não é uma máquina imbatível. É preciso ter cautela, especialmente em dificuldades mais altas, onde os inimigos pressionam de forma constante.
Levar Leon para o combate é sempre prazeroso, valendo o risco. O jogo premia o jogador com pontos por diversas atividades com o personagem, podendo usá-los para melhorar armas e seu estilo de combate. Enquanto a progressão é constante e não deixa o jogador cair na mesmice, sempre apresentando novas recompensas, inimigos e colecionáveis.

O melhor dos dois mundos
Resident Evil Requiem ousa e aposta na alternância entre os estilo de Grace e Leon. Enquanto Grace é feita para viver o terror psicológico em primeira pessoa, trazendo uma perspectiva mais intimista, Leon é jogado em terceira pessoa, oferecendo uma visão melhor do espaço e inimigos. O melhor é que o jogador é livre para alternar entre essas câmeras a qualquer momento, impactando diretamente a sensação de imersão e a fluidez entre o terror e a ação.
Para os jogadores que buscam um desafio extra, o modo clássico de Resident Evil Requiem é um prato cheio. Como nos jogos antigos, ele limita o número de fitas de tinta para salvar, fazendo com que cada erro custe seu progresso. Isso adiciona uma tensão extra ao jogo, principalmente por conter ainda menos recursos que o modo normal.

RE Engine em seu ápice
Tecnicamente, Resident Evil Requiem é um espetáculo visual! A RE Engine nunca foi tão impressionante e sua evolução impressiona. O nível de detalhamento dos ambientes e personagens são de cair o queixo. Enquanto cada cenário é trabalhado de forma detalhista, fazendo com que a iluminação crie uma atmosfera densa e opressiva, com sombras e reflexos que aumentam a tensão. As expressões faciais, especialmente de Grace, são de uma intensidade única, transmitindo o medo e a determinação de forma intensa.
O design dos inimigos também é de tirar o fôlego, com deformidades grotescas e animações que fazem cada encontro ser uma experiência única. A ambientação, desde os corredores escuros até as áreas mais abertas, mantém uma consistência impressionante, sempre criando momentos de medo e surpresa.
Quanto ao desempenho, Resident Evil Requiem é impecável no PlayStation 5, onde o jogo roda de forma extremamente fluida, com taxas de quadros estáveis e tempos de carregamento quase inexistentes. Até mesmo em áreas mais complexas e repletas de inimigos, o jogo mantém um desempenho sólido, sem quedas, garantindo uma experiência imersiva e sem interrupções.

A dublagem que eleva a experiência
Não é apenas a parte visual que impressiona; a dublagem de Resident Evil Requiem é um dos maiores destaques do jogo. Stephany Custodi, dando voz a Grace, traz uma atuação primorosa, capturando a fragilidade e o medo da personagem. Enquanto Felipe Grinnan, interpretando Leon, faz jus à trajetória do personagem, transmitindo sua confiança, mas também o desgaste de tantos anos enfrentando o caos.
Resident Evil Requiem – Vale a pena?





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