Gex Trilogy revive clássico com charme e falhas

Resgatar mascotes clássicos dos anos 90 é sempre um exercício delicado entre preservação e atualização. Gex Trilogy aposta justamente nesse equilíbrio ao reunir três títulos marcantes do lagarto mais irreverente da era dos videogames. Utilizando a Carbon Engine, também presente em Tomba! Special Edition a coletânea busca modernizar a experiência sem descaracterizar sua identidade original.

Um mascote moldado pela cultura pop

A trilogia reúne Gex, Gex: Enter the Gecko e Gex 3: Deep Cover Gecko, três jogos que refletem bem o humor e o estilo da época.

Gex sempre foi definido por suas referências à cultura pop, com piadas constantes sobre filmes, televisão e celebridades. Esse humor continua sendo um dos pilares da experiência, ainda que varie bastante em qualidade, alternando entre momentos realmente criativos e outros que envelheceram menos bem.

Do 2D simples ao salto ambicioso para o 3D

O primeiro jogo mantém uma estrutura side-scroller tradicional. Mesmo sendo mais simples, ainda funciona bem graças aos controles responsivos e ao uso inteligente das habilidades do protagonista, como escalar paredes.

A progressão baseada na coleta de controles para desbloquear novas áreas incentiva exploração, embora o design das fases apresente certa repetição ao longo da campanha.

A grande virada acontece em Gex: Enter the Gecko. Inspirado por títulos como Super Mario 64, o jogo leva a franquia para o 3D com um hub central e fases temáticas mais elaboradas.

Essa mudança amplia significativamente a variedade. Objetivos múltiplos, chefes e exploração mais livre tornam a experiência mais rica. Ainda assim, a estrutura de ser expulso da fase após cada objetivo, exigindo repetição, evidencia um design datado.

Evolução sem ruptura no terceiro capítulo

Gex 3: Deep Cover Gecko segue a base do segundo jogo, expandindo suas mecânicas sem reinventá-las.

Novos colecionáveis e atividades adicionais ajudam a diversificar a progressão, mas a ausência de mudanças mais profundas faz com que a experiência pareça familiar demais, especialmente ao jogar os títulos em sequência.

Além disso, problemas antigos persistem. A câmera continua sendo um dos pontos mais frágeis, afetando a navegação e a precisão em momentos mais exigentes.

Melhorias modernas que facilitam o acesso

Do ponto de vista técnico, a coletânea entrega um trabalho sólido de preservação. Recursos como save state, rebobinamento, suporte a widescreen e filtros visuais tornam os jogos mais acessíveis ao público atual. Essas melhorias reduzem frustrações típicas da época e permitem uma experiência mais fluida.

Ainda assim, elas não corrigem completamente limitações estruturais, especialmente nos títulos em 3D, que carregam problemas de design difíceis de contornar.

Criatividade nas fases, limitações no combate

Um dos pontos mais interessantes está no design das fases. A trilogia apresenta ideias criativas, com níveis que exploram diferentes temas, mecânicas e até referências diretas a obras como Indiana Jones.

Por outro lado, os inimigos e chefes não acompanham esse nível de criatividade. Há pouca variedade, e os combates tendem a ser simples e pouco memoráveis, o que reduz o impacto de alguns momentos importantes.

Extras que valorizam a preservação

A coletânea se destaca pelo conteúdo adicional. Entrevistas, trilhas sonoras, materiais promocionais e até protótipos inéditos ajudam a contextualizar a franquia.

Além disso, a presença de materiais envolvendo Dana Gould (responsável pela voz original de Gex) reforça esse cuidado histórico, oferecendo um olhar mais completo sobre o desenvolvimento dos jogos.

Esse conjunto transforma a coletânea em algo além de uma simples reunião de títulos, funcionando também como um registro do período em que foram criados.

Gex Trilogy | New Features Overview Trailer

Gex Trilogy – Vale a pena?

Publisher: Limited Run Games
Console: PlayStation 5

Gex Trilogy Remaster é puro retrô: humor cheio de referências, fases criativas e aquela evolução clássica do 2D pro 3D. As melhorias ajudam bastante, mas câmera ruim e repetição ainda pesam. No fim, é nostálgico, divertido e meio datado ao mesmo tempo
Veredito Final
75%

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