Misturando o charme dos desenhos clássicos com uma narrativa investigativa envolvente, Mouse P.I. For Hire aposta em um estilo pouco comum para contar sua história. Com forte inspiração no noir e carregado de personalidade, o jogo constrói uma experiência que vai além do visual cartunesco, entregando uma trama cheia de mistérios, humor e reviravoltas. O resultado é uma aventura cativante que prende a atenção do início ao fim, especialmente para quem aprecia boas histórias de detetive.
Mouse P.I. For Hire conta a história do detetive particular Jack Pepper que atua na caótica cidade de Mouseberg. A narrativa trabalha de forma simples, introduzindo o jogador a diversos casos menores que no final possuem ligação uns aos outros, mas que também revelam uma trama muito maior. Ao longo dos acontecimentos, conhecemos o lado podre da cidade, onde a corrupção domina a polícia e grandes figuras tentam acobertar os problemas da cidade.
A narrativa se destaca pela forma como conduz bem a história. Os diálogos apresentam uma escrita extremamente cativante, carregam o estilo da década de 1930 e utilizam humor e diversos trocadilhos do universo de camundongos. Personagens como a Senhorita McCarty, uma madame cheia de dinheiro, Wanda, a jornada, Tammy e diversos outros, fortalecem o lado emocional da e investigativo da história, além de mostrarem que Jack precisa de aliados para lidar com certas ocasiões.
Outro ponto interessante da narrativa é como personagens caricatos são apresentado, como Rocky Ford, um personagem inspirado no Indiana Jones de Harrison Ford. Além de servir como um tom cômico, ele também é importante para introduzir uma nova mecânica. Já Tammy é parte crucial no humor e história, além ser parte crucial na progressão. São esses detalhes e personagens que tornam a narrativa tão densa e Mouseberg tão viva, pois, sempre existe algo novo para conhecer.
Se a história já se destacava por si só, a jogabilidade torna a imersão ainda maior. O jogo apresenta um mapa com pequenas regiões que não podem ser revisitadas, mas que são amplos e repletos de segredos. Cada área possui identidade própria, missões secundárias, colecionáveis e inimigos. Essa estrutura faz com que você queira explorar 100% antes de avançar na história, seja para coletar novas pistas para os casos ou completar missões secundárias. A exploração direciona bem o jogador e em momento algum o deixa perdido; atende quem quer apenas acompanhar a história, mas também desperta a curiosidade sobre o que pode encontrar em novos caminhos.
A investigação é totalmente interligada a exploração, além de seguir os objetivos marcados, é possível se envolver ainda mais com os casos, coletando pistas extras e colhendo novas informações. Cada evidência contribui para a construção de um raciocínio maior, permitindo conectar novos pontos e liberar indícios que expandem a narrativa. Esse sistema evita é muito bem elaborado, apresentando novos caminhos e indícios apenas quando existem informações suficientes, tornando cada avanço ainda mais coerente e satisfatório.
Outro destaque é o minigame de beisebol, que funciona como uma atividade paralela extremamente divertida. Nele, o jogador participa de confrontos onde alterna entre rebater e arremessar, utilizando cartas táticas que influenciam diretamente o resultado das jogadas. Inicialmente pode parecer simples ou até um pouco desafiador, mas conforme novas cartas são adquiridas, o desafio some e é possível vencer de forma simples.
Além disso, o jogo oferece uma grande variedade de mecânicas, que em muitos momentos remetem ao gênero metroidvanias. Desde a primeira hora somos apresentados a novas mecânicas e sistemas de combate, como pulo duplo, correr pela parede e afins, tornando a exploração ainda mais envolvente e tornando a progressão interessante. Além disso, o jogo possui pequenos desafios, como o sistema de arrombamento de cofres e cadeados, onde é necessário desenhar um trajeto em um tempo limite, além de desviar de obstáculos.
O combate não fica atrás, ele constantemente faz com que o jogador sinta-se mais forte. Inicialmente temos apenas a pistola e os punhos, mas rapidamente somos apresentados a novas armas e habilidades. Tudo isso é combinado com o humor do jogo, incluindo situações absurdas e criativas, como explodir barris e os inimigos virarem cinzas ou até mesmo derrubar uma grande bigorna nele. Além disso, temos referências diretas à outras obras, como quando Jack come espinafre e fica musculoso igual o Popeye ou quando toma uma xícara de café e atira com os dedos, assim como em Cuphead.
Quanto ao arsenal, ele é vasto e vai muito além das armas básicas. Se você for curioso e ler as entrelinhas, consegue uma arma extra (mas não tão forte) de forma bem fácil. As armas variam de pistolas, metralhadoras, escopetas até armas que congelam ou derretem os inimigos. Isso tudo fica ainda melhor graças ao sistema de melhorias que a Tammy possui. Ela permite melhorar todas as armas até o nível 3, ganhando mais dano, capacidade de munição e estabilidade.
Outro destaque é como Mouse P.I. For Hire retrata a reação dos inimigos aos ataques. O jogo permite congelar alguns inimigos, possibilitando que um único soco os quebre, além de derretê-los ou até reduzi-los a cinzas. Você pode fazer tudo isso usando suas armas ou até mesmo barris espalhados pelo cenário. Mesmo que o foco no combate faça-o parece repetitivo, ele sempre permite ao jogador utilizar novas abordagens para lidar com as hordas de inimigos.
Apesar de já ter falado bem do combate, é preciso destacar os chefes apresentados. A variação de chefes é muito boa, indo de fantasmas, robôs e até mesmo uma cantora de ópera. Cada um deles possui visual único e uma abordagem mais eficiente para lutar, por exemplo, o fantasma não recebe dano por balas, apenas luz é capaz de matá-lo. Além disso, o jogo não repete o visual deles, dando a sensação de serem realmente únicos.
Visualmente, Mouse P.I. For Hire encanta com sua estética inspirada nas animações da década de 30, executada com excelência. O jogo apresenta animações únicas para cada arma e movimentos extremamente expressivos. Além disso, ele oferece cenários variados e ricos em detalhes, que vão muito além da cidade, incluindo portos, bares, laboratórios, um set de filmagem colorido e até o inferno.
A trilha sonora é um dos elementos que mais ajudam a definir a identidade de Mouse: P.I. For Hire. Ela segue uma linha fortemente inspirada no jazz clássico, especialmente aquele estilo mais “noir” dos anos 40 e 50, o que combina perfeitamente com o clima de detetive do jogo.
O desempenho é praticamente impecavel no PlayStation 5! Durante toda a jornada não tive qualquer problema de crashes ou bugs, além disso durante toda a ação e exploração o jogo não passou por queda de FPS. No entanto, em um certo momento no bar, o jogo oscilou, mesmo o cenário sendo simples, mas nada que atrapalhe a experiência e foi uma única vez.
Mouse P.I. For Hire vale a pena?
Mouse P.I. For Hire entrega uma experiência única ao combinar estética clássica, narrativa noir envolvente e jogabilidade variada. Com personagens carismáticos, exploração recompensadora e mecânicas criativas, o jogo mantém o jogador interessado do início ao fim. Apesar de pequenos deslizes no equilíbrio e raras oscilações técnicas, o conjunto é extremamente sólido. É uma aventura charmosa e divertida, especialmente indicada para fãs de histórias investigativas e jogos com forte identidade artística. Vale a pena para quem busca algo criativo e memorável.













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