É sempre interessante ver jogos que bebem da fonte dos clássicos sem se limitar a imitá-los. Neon Inferno, desenvolvido pela Zenova Interactive, segue justamente esse caminho. Ele resgata a essência dos títulos dos anos 90, mas adiciona ideias próprias que ajudam a dar identidade à experiência.

Um pano de fundo simples, mas funcional
A história se passa em uma versão caótica de Nova York em 2025, onde o colapso da lei abriu espaço para o domínio de facções criminosas. Nesse cenário, acompanhamos Angelo Morano e Mariana Vitti, assassinos encarregados de restaurar a ordem.
A narrativa não busca complexidade. Funciona como suporte para a ação, com cenas curtas entre fases que ajudam a contextualizar os eventos. Não há grandes reviravoltas, mas o suficiente para manter o ritmo e dar propósito à progressão.

Ação direta e desafiadora
A jogabilidade é o verdadeiro foco. Inspirado por clássicos como Contra, o jogo aposta em fases laterais com progressão constante e hordas de inimigos surgindo sem pausa.
O combate é rápido e exige precisão. Sem itens de cura, cada erro pesa, mas o uso inteligente de checkpoints evita frustrações maiores. O equilíbrio entre desafio e progressão funciona bem, incentivando aprendizado e adaptação.
Há também opções de dificuldade que tornam a experiência mais acessível sem comprometer o espírito arcade.

Mecânicas que trazem frescor
Um dos principais diferenciais está na forma como o jogo lida com múltiplos planos de ação. Inimigos posicionados ao fundo da tela exigem atenção extra, criando uma dinâmica que vai além do tradicional.
Essa ideia remete a títulos como Wild Guns, adicionando uma camada estratégica interessante. O jogador precisa constantemente alternar foco entre ameaças próximas e distantes.
Outro destaque é a possibilidade de rebater projéteis específicos, ativando momentos de desaceleração que aumentam o controle da situação e adicionam estilo aos combates.

Chefes intensos e bem construídos
Os confrontos contra chefes são um dos pontos altos. Cada batalha apresenta padrões próprios, múltiplas fases e exige leitura cuidadosa dos ataques.
Inicialmente, alguns encontros podem parecer desbalanceados, mas com prática, o jogo recompensa o domínio das mecânicas. Essa curva de aprendizado reforça a sensação de progresso.
Para evitar repetição, o jogo introduz variações na estrutura das fases, incluindo segmentos com veículos que mudam temporariamente a dinâmica da ação. Essas mudanças ajudam a manter o ritmo mais dinâmico, sem desviar da proposta principal. É um detalhe simples, mas eficaz para prolongar o interesse.
Ainda assim, a dificuldade pode aumentar de forma brusca em momentos mais avançados, o que pode afastar jogadores menos acostumados ao gênero.

Estilo marcante e identidade visual forte
Visualmente, Neon Inferno se destaca com uma estética retrofuturista carregada de neon, chuva e violência estilizada. A influência de obras como Akira é perceptível, especialmente no uso de cores e ambientação urbana.
A pixel art é detalhada e bem animada, evocando o charme de jogos clássicos com um nível moderno de refinamento. A trilha sonora, com forte presença de synthwave, acompanha bem a proposta, embora algumas faixas se repitam mais do que o ideal.
Neon Inferno – Vale a pena?