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Bloomtown: A Different Story aposta em clima retrô e exploração

Bloomtown: A Different Story é um daqueles RPGs que conseguem capturar o jogador pela atmosfera antes mesmo da jogabilidade entrar em foco. Misturando nostalgia, mistério e um leve toque sobrenatural, o jogo constrói uma experiência que parece simples à primeira vista, mas rapidamente revela camadas mais profundas tanto na narrativa quanto em seus sistemas.

Um verão estranho em uma cidade cheia de segredos

Em Bloomtown: A Different Story, acompanhamos Emily e seu irmão Chester durante um verão aparentemente tranquilo na pequena cidade de Bloomtown. A mudança de rotina, porém, rapidamente dá lugar a eventos estranhos quando a protagonista encontra uma entidade demoníaca que revela a existência de um mundo paralelo chamado Underside.

A partir daí, a narrativa se divide entre o cotidiano da cidade e esse plano sobrenatural, onde três grandes demônios ameaçam a estabilidade do local. O tom do jogo equilibra leveza e mistério, usando a infância como ponto central para explorar temas como medo, amadurecimento e laços familiares.

Os personagens ajudam a sustentar essa construção emocional: Emily representa a curiosidade e coragem infantil, Chester traz vulnerabilidade e inocência, enquanto aliados como Ramona e o carismático cachorro falante Hugo adicionam personalidade e leveza ao grupo.

Um RPG estratégico com identidade própria

A jogabilidade de Bloomtown: A Different Story combina exploração livre com combate em turnos, criando um ritmo que alterna entre investigação e batalhas estratégicas.

O sistema de combate lembra RPGs como Persona em sua estrutura, mas adiciona uma camada própria com a presença de demônios guardiões ligados a cada personagem. Esses aliados espirituais não apenas lutam ao lado do jogador, mas também influenciam diretamente as estratégias possíveis em batalha.

Cada demônio possui habilidades únicas, incentivando experimentação e adaptação constante. O resultado é um sistema que recompensa planejamento, mas ainda permite flexibilidade tática conforme os desafios evoluem.

Exploração, missões e o ritmo não linear

A cidade de Bloomtown funciona como um espaço vivo, repleto de NPCs, segredos e atividades secundárias. A exploração é um dos pilares da experiência, incentivando o jogador a conversar com personagens, investigar locais e descobrir pequenas histórias paralelas.

As missões secundárias são especialmente importantes para aprofundar o mundo e seus habitantes. Elas ajudam a construir um senso de comunidade, reforçando a ideia de que cada pessoa na cidade tem sua própria história.

Por outro lado, a estrutura não linear pode gerar certa desorientação. Com muitas tarefas acontecendo ao mesmo tempo, é fácil perder objetivos ou deixar interações importantes passarem despercebidas. Além disso, a ausência de um sistema de salvamento manual é uma das mais significativas, já que o autosave único pode resultar em perda de progresso em certas situações.

Combate estratégico com elementos de aleatoriedade

Um dos elementos mais controversos de Bloomtown: A Different Story é o sistema de rolagem de dados utilizado em algumas interações e verificações de habilidade.

Mesmo com personagens altamente desenvolvidos em certas áreas, o resultado ainda pode depender da aleatoriedade, o que adiciona imprevisibilidade ao gameplay. Isso cria momentos de tensão, mas também pode gerar frustração em situações críticas.

No combate, essa aleatoriedade é mais controlada, mas ainda influencia o ritmo geral da experiência.

Estilo visual nostálgico e atmosfera marcante

Visualmente, Bloomtown: A Different Story aposta em um estilo 16-bit modernizado, que combina nostalgia com técnicas mais atuais de animação e iluminação.

A cidade de Bloomtown contrasta fortemente com o mundo de Underside, criando duas atmosferas bem distintas: uma mais acolhedora e outra mais sombria e misteriosa. Essa dualidade visual reforça a temática central do jogo.

A trilha sonora acompanha essa proposta com precisão, alternando entre momentos calmos e faixas mais tensas, ajudando a construir a identidade emocional da experiência.

Bloomtown: A Different Story | Launch Trailer

Bloomtown: A Different Story – Vale a pena?

Publisher: Twin Sails Interactive
Console: PlayStation 5

Bloomtown: A Different Story conquista pelo clima nostálgico e misterioso, com combate estratégico interessante e boa exploração. Apesar da aleatoriedade e algumas decisões estranhas como o autosave limitado, entrega uma aventura envolvente, charmosa e cheia de personalidade
Veredito Final
85%

The Stone of Madness mistura stealth e gestão psicológica

The Stone of Madness é um daqueles jogos que chamam atenção imediatamente pela atmosfera, mas que também deixam claro desde cedo que não querem ser uma experiência confortável. Em vez disso, ele aposta em tensão constante, vulnerabilidade e uma sensação de confinamento psicológico dentro de um mosteiro opressor.

Um mosteiro isolado e personagens marcados pela loucura

Em The Stone of Madness, a história se passa em um mosteiro jesuíta isolado nos Pirineus, onde prisioneiros com diferentes traumas psicológicos vivem sob condições extremas.

O jogador acompanha Alfredo Martin, um sacerdote injustamente preso em um sanatório junto de outros personagens igualmente marcados por sofrimento e instabilidade mental. Entre eles estão figuras como uma violinista autodestrutiva, uma suposta bruxa, um homem de força bruta com amnésia e uma criança órfã inquieta.

A narrativa não segue uma linha tradicional e se revela aos poucos através da progressão e das descobertas dentro do mosteiro. O foco não está em grandes reviravoltas, mas na construção de um ambiente psicológico pesado e opressivo.

Stealth tático com múltiplos personagens e limitações reais

A base de jogabilidade de The Stone of Madness é o stealth em tempo real, com foco em movimentação cuidadosa e planejamento.

Cada personagem jogável possui habilidades únicas que precisam ser usadas de forma complementar. Um pode se esgueirar por passagens estreitas, outro mover objetos pesados, enquanto outros têm funções mais específicas dentro da fuga.

Essa dinâmica incentiva a troca constante entre personagens e o uso inteligente de suas habilidades para superar obstáculos ambientais e evitar detecção.

Sistema psicológico e gestão de fobias

Um dos elementos mais interessantes do jogo é o sistema de saúde mental. Cada personagem possui traumas e fobias específicas que afetam diretamente sua performance.

Certos ambientes ou eventos podem desencadear reações negativas, como pânico ou desmaios, obrigando o jogador a lidar não apenas com o espaço físico, mas também com o estado emocional do grupo.

Durante as noites, há momentos de descanso e recuperação, onde é possível gerenciar a sanidade dos personagens e preparar melhor o grupo para as próximas incursões.

Estrutura não linear e liberdade de abordagem

A progressão em The Stone of Madness não é rigidamente linear. As missões podem ser abordadas de formas diferentes, permitindo múltiplas soluções para os mesmos problemas.

Isso cria uma sensação de liberdade dentro de um ambiente extremamente restritivo, onde o jogador precisa experimentar diferentes táticas para avançar.

No entanto, a interface e o sistema de objetivos também podem ser confusos. A falta de um registro claro de missões dificulta o acompanhamento da progressão, especialmente em um jogo com múltiplos personagens e habilidades simultâneas.

Atmosfera gótica e direção de arte marcante

Visualmente, The Stone of Madness é um dos seus maiores pontos fortes. A direção de arte aposta em um estilo inspirado em ilustrações antigas e livros góticos, criando uma identidade visual única.

Os ambientes do mosteiro são claustrofóbicos, detalhados e carregados de uma sensação constante de decadência. As áreas externas, por outro lado, reforçam o isolamento e a impotência dos personagens.

Apesar do forte apelo visual, o jogo sofre com problemas técnicos relevantes. Há relatos de quedas de desempenho, travamentos ocasionais e inconsistências na colocação de objetos no cenário, o que pode atrapalhar momentos críticos de stealth.

The Stone of Madness - Official Launch Trailer

The Stone of Madness – Vale a pena?

Publisher: Tripwire Presents
Console: PlayStation 5

The Stone of Madness se destaca muito mais pela atmosfera e pela proposta do que pela execução técnica. A combinação de stealth tático, gestão psicológica e narrativa fragmentada cria uma identidade forte e diferenciada. No entanto, problemas de desempenho, interface e clareza de objetivos impedem que o jogo alcance seu potencial máximo.
Veredito Final
80%

Flintlock: The Siege of Dawn aposta em identidade própria

Flintlock: The Siege of Dawn foi uma daquelas surpresas que começam discretas, mas vão crescendo conforme o jogador entende seu ritmo. A A44 Games entrega uma aventura que mistura guerra, mitologia e elementos de soulslike de forma acessível, sem perder identidade própria. O resultado é um jogo que não reinventa o gênero, mas sabe usar bem suas peças para construir uma jornada consistente e envolvente.

Guerra, deuses e uma jornada improvável

A história acompanha Nor Vanek, uma soldada marcada pela guerra que vê sua realidade colapsar quando os mortos-vivos invadem o mundo e forças divinas começam a interferir diretamente no destino da humanidade.

Nesse cenário, surge Enki, uma criatura mística semelhante a uma raposa, que oferece a Nor uma aliança para enfrentar divindades corrompidas e buscar vingança contra aquilo que destruiu seu mundo.

Flintlock: The Siege of Dawn constrói sua narrativa em cima dessa relação improvável entre humana e semideus, usando diálogos e exploração para revelar gradualmente o universo. Não é uma história complexa ou cheia de reviravoltas, mas funciona bem como motor da jornada.

Exploração em áreas conectadas e progressão constante

O mundo de Flintlock: The Siege of Dawn não é totalmente aberto, mas estruturado em grandes regiões interligadas. Isso cria um equilíbrio interessante entre liberdade e direção, mantendo o jogador sempre em movimento sem perder o senso de progressão.

Cada área possui hubs liberados após a limpeza de inimigos, oferecendo descanso, comerciantes e missões secundárias. A exploração recompensa bastante, com segredos, equipamentos e recursos que fazem diferença no avanço do personagem.

As missões secundárias ajudam a expandir o mundo, mesmo quando são simples, e servem como complemento para quem gosta de explorar cada canto. Ainda assim, a estrutura mais segmentada pode limitar a sensação de liberdade total para alguns jogadores.

Combate híbrido com identidade própria

O sistema de combate é um dos pilares de Flintlock: The Siege of Dawn, misturando ataques corpo a corpo, armas de fogo e magia em um fluxo contínuo.

Nor utiliza um machado como arma principal e uma pistola como suporte, criando um ciclo interessante entre ataque e recarga ativa. Quanto mais dano corpo a corpo você causa, mais recursos libera para ataques à distância, incentivando agressividade.

Enki adiciona uma camada extra com habilidades mágicas, como maldições e efeitos de status, além de ataques especiais que se tornam essenciais contra grupos e chefes.

O sistema de progressão reforça isso com uma árvore de habilidades dividida entre combate físico, armas de fogo e magia, permitindo diferentes estilos de jogo. É um combate funcional, direto e com boas ideias, mesmo que não alcance a profundidade dos grandes nomes do gênero soulslike.

Estrutura soulslike leve e acessível

Flintlock: The Siege of Dawn flerta com o estilo soulslike, mas de forma mais leve e menos punitiva. A morte faz com que o jogador perca reputação, que pode ser recuperada ao retornar ao local da queda, criando um risco controlado. A dificuldade é ajustável e não há a rigidez extrema típica do gênero, o que torna a experiência mais acessível.

Isso faz com que o jogo funcione melhor como action RPG com elementos soulslike do que como um soulslike tradicional.

Direção de arte forte

Visualmente, Flintlock: The Siege of Dawn impressiona pelo estilo artístico que mistura fantasia, elementos steampunk e referências históricas.

Os ambientes são variados, com boa direção de arte e identidade visual forte em cada região. Personagens e criaturas têm design consistente, e a iluminação ajuda a reforçar a atmosfera épica do jogo.

No áudio, a trilha sonora acompanha bem o ritmo da ação, alternando entre momentos grandiosos e exploração mais calma, enquanto os efeitos sonoros dão impacto ao combate.

Por outro lado, o desempenho apresenta oscilações, com quedas de frame rate e alguns bugs visuais ocasionais. A IA dos inimigos também é inconsistente em alguns momentos, especialmente em movimentação e posicionamento.

Flintlock: The Siege of Dawn – Vale a pena?

Publisher: Kepler Interactive
Console: PlayStation 5

Flintlock: The Siege of Dawn entrega uma experiência equilibrada entre narrativa, exploração e combate. Ele não tenta competir diretamente com os grandes soulslike do mercado, mas constrói sua própria identidade ao apostar em um sistema híbrido mais acessível e em uma história guiada pela relação entre Nor e Enki.
Veredito Final
76%

SYNDUALITY Echo of Ada entre potencial e inconsistência

SYNDUALITY Echo of Ada chega como uma nova IP ambiciosa da Bandai Namco que tenta unir sobrevivência, extração e PvPvE em um mundo pós-apocalíptico visualmente impressionante. Apesar de ter uma base sólida e ideias interessantes, o jogo ainda oscila entre momentos muito bons e decisões de design que podem frustrar parte dos jogadores, especialmente aqueles menos familiarizados com o gênero. O resultado é uma experiência competente, mas claramente irregular em sua execução.

Um mundo devastado e uma premissa funcional

Em SYNDUALITY Echo of Ada, a humanidade vive confinada no subsolo após uma chuva tóxica devastar a superfície do planeta. O jogador assume o papel de um Drifter, responsável por explorar esse mundo hostil em busca dos cristais AO, recursos essenciais para a sobrevivência.

Acompanhado por um Magus, uma inteligência artificial que atua como suporte, o jogador precisa se aventurar na superfície pilotando os Cradlecoffin, mechas personalizáveis que funcionam como núcleo da jogabilidade.

Apesar de estabelecer um cenário interessante, a narrativa funciona mais como pano de fundo do que como elemento central. A história raramente aprofunda seus personagens ou relações, deixando o potencial do universo subaproveitado.

Loop PvPvE intenso, mas com ritmo punitivo

O foco principal de SYNDUALITY Echo of Ada está em seu loop de extração: entrar na superfície, coletar recursos e escapar com vida antes que o ambiente ou outros jogadores te eliminem.

A presença da chuva tóxica adiciona pressão constante, funcionando como um temporizador natural que obriga decisões rápidas. Além disso, inimigos controlados pelo jogo e outros jogadores tornam cada incursão imprevisível.

Na prática, porém, o PvP nem sempre é tão agressivo quanto o esperado, com muitos encontros sendo neutros ou evitados. Ainda assim, o risco constante mantém a tensão elevada.

A ausência de zonas seguras no mapa aumenta a tensão, mas também pode gerar frustração, especialmente ao perder recursos após longas expedições.

Personalização como base da progressão

Um dos pontos mais interessantes do jogo está na customização dos Cradlecoffin. É possível modificar armas, peças e habilidades, adaptando o mecha ao estilo de cada jogador.

O Magus também desempenha um papel importante como suporte ativo, podendo curar, proteger ou auxiliar em combate. Embora não seja profundamente desenvolvido narrativamente, ele adiciona uma camada estratégica importante às missões.

Essa combinação entre mecha e IA cria uma sensação constante de evolução, mesmo que a progressão geral seja lenta.

Progressão lenta e economia punitiva

Apesar da variedade de missões, que incluem coleta, exploração e combates contra chefes, o sistema de progressão é um dos pontos mais problemáticos.

A economia do jogo exige um grande investimento de tempo para adquirir recursos e melhorias, o que pode tornar o avanço repetitivo. Jogadores novatos podem sentir dificuldade em acompanhar a curva de crescimento, especialmente quando enfrentam adversários mais equipados.

Essa barreira de progressão afeta diretamente o ritmo da experiência, reduzindo a sensação de recompensa em algumas sessões.

Um espetáculo audiovisual

Visualmente, SYNDUALITY Echo of Ada é um dos seus maiores destaques. A direção de arte mistura ficção científica com pós-apocalipse de forma consistente, criando ambientes marcantes, cheios de ruínas, áreas industriais e paisagens desoladas.

O desempenho é um dos pontos positivos do título, que possui carregamentos rápidos, desempenho estável e boa taxa de quadros. O suporte ao DualSense também se destaca, com feedback tátil e gatilhos adaptativos que aumentam a imersão durante o combate.

No entanto, a ausência de localização em português do Brasil, o que dificulta o entendimento da narrativa e dos sistemas para parte do público.

Synduality Echo of Ada | Trailer de lançamento | PS5

SYNDUALITY Echo of Ada – Vale a pena?

Publisher: Bandai Namco
Console: PlayStation 4

SYNDUALITY Echo of Ada é uma experiência que se destaca pela atmosfera, pelo visual e pela ideia central de sobrevivência em um mundo hostil compartilhado. No entanto, sua progressão lenta, narrativa pouco explorada e problemas de balanceamento impedem que ele alcance todo o seu potencial. É um título interessante para quem gosta de jogos de extração e experiências PvPvE, mas ainda precisa de ajustes e refinamentos para se tornar realmente consistente e acessível a um público mais amplo.
Desempenho
68%

Beyond Good & Evil 20th Anniversary Edition mantém o charme do original

Alguns jogos não desaparecem, eles apenas esperam o momento certo para serem redescobertos. Beyond Good & Evil 20th Anniversary Edition é exatamente isso: o retorno de uma obra que talvez não tenha tido o reconhecimento merecido no passado, mas que hoje encontra um público muito mais preparado para valorizá-la.

Uma jornada de conspirações e carisma

A história se passa em Hillys, um mundo ameaçado por forças misteriosas enquanto um governo aparentemente protetor levanta suspeitas. No centro disso tudo está Jade, uma protagonista determinada que se envolve em uma trama muito maior do que imaginava.

Ao seu lado, personagens como Pey’j e Double H ajudam a construir uma narrativa leve, mas cheia de momentos marcantes. O equilíbrio entre humor e tensão funciona muito bem, dando ritmo à jornada sem torná-la pesada demais.

O grande diferencial está justamente na forma como esses personagens interagem, criando uma conexão genuína que sustenta a história do início ao fim.

Exploração que recompensa curiosidade

Hillys não é apenas um cenário, é um mundo que convida à descoberta. Seja a pé ou utilizando o hovercraft, explorar cada canto revela segredos, itens e detalhes que enriquecem a experiência.

A sensação de progresso vem não só da história, mas também da descoberta constante. Sempre há algo novo para encontrar, seja uma área escondida ou uma informação adicional sobre o universo do jogo.

Combate, furtividade e variedade

O gameplay se sustenta bem pela diversidade. O combate direto é simples, mas funcional, exigindo atenção em alguns confrontos mais exigentes.

No entanto, o jogo não se limita à ação. Momentos de furtividade ganham destaque, pedindo paciência e estratégia para avançar sem ser detectado. Essa alternância de ritmo evita que a experiência se torne repetitiva.

Os quebra-cabeças também entram como um elemento importante, incentivando o uso criativo das habilidades da protagonista e de seus aliados.

Fotografia como mecânica e narrativa

Uma das ideias mais interessantes do jogo está na câmera de Jade. Fotografar criaturas, cenários e momentos específicos não é apenas um colecionável, é parte ativa da progressão.

Essa mecânica adiciona profundidade à exploração e reforça o papel da protagonista como repórter. Ao registrar o mundo ao seu redor, o jogador também participa da construção daquela realidade. É um detalhe simples, mas que ajuda a dar identidade única ao jogo.

Conteúdo extra e melhorias bem-vindas

A edição de aniversário traz ajustes que tornam a experiência mais agradável nos dias atuais. Controles mais responsivos e opções de acessibilidade ajudam a modernizar a jogabilidade sem alterar sua essência.

Além disso, há uma boa quantidade de extras, como materiais de bastidores e conteúdos inéditos que expandem o universo do jogo. A inclusão de novos desafios, como o modo speedrun, adiciona longevidade para quem busca algo a mais.

Esses elementos funcionam como um complemento sólido, especialmente para quem já conhece o original.

Remasterização que respeita o original

Visualmente, o jogo recebeu melhorias claras. A resolução mais alta e a taxa de quadros estável deixam tudo mais fluido, enquanto texturas e modelos foram refinados sem perder o estilo artístico característico.

Hillys continua vibrante, agora com mais detalhes e melhor apresentação. Os personagens também se beneficiam dessas melhorias, mantendo sua identidade visual, mas com acabamento mais moderno.

A trilha sonora acompanha essa evolução, com novas gravações que ampliam a imersão e reforçam o clima da aventura.

Beyond Good & Evil - 20th Anniversary Edition: Launch Trailer

Beyond Good & Evil 20th Anniversary Edition – Vale a pena?

Publisher: Ubisoft
Console: PlayStation 5

Beyond Good & Evil 20th Anniversary Edition é aquele clássico que envelheceu bem: história carismática, exploração gostosa e mecânicas variadas. Com melhorias modernas e extras legais, continua envolvente hoje, mesmo com gameplay simples perto dos padrões atuais
Veredito Final
80%

SPY×ANYA: Operation Memories é leve e direto ao ponto

Entrar em um jogo baseado em anime sempre levanta uma dúvida: ele vai conseguir capturar a essência da obra ou apenas servir como um complemento raso para fãs? SPY×ANYA: Operation Memories segue por um caminho bem específico, não tenta reinventar nada, mas aposta totalmente no carisma de seus personagens e no cotidiano leve que tornou a série tão popular. O resultado é uma experiência simples, focada em momentos e memórias, que claramente sabe para quem foi feita.

Uma rotina cheia de pequenas memórias

A história gira em torno de Anya Forger e sua tarefa escolar: montar um diário com lembranças do seu dia a dia. A premissa é tão simples quanto parece, mas funciona justamente por respeitar o tom leve e descontraído da obra original.

Ao longo da jornada, o jogador interage com personagens conhecidos, fortalecendo laços e desbloqueando cenas especiais. Não há grandes reviravoltas ou conflitos intensos, tudo é construído em cima de momentos cotidianos, reforçando o charme da família Forger. Para quem já conhece o anime, essas interações têm um peso maior, trazendo aquela sensação de estar “vivendo” novos episódios.

Jogabilidade simples, mas funcional

A estrutura do jogo gira em torno de atividades do dia a dia e minijogos. O principal destaque fica para o sistema de fotografia, onde o jogador registra momentos especiais de Anya em diferentes cenários. A mecânica lembra bastante jogos focados em captura de imagens, com avaliação baseada em composição e timing.

Os passeios se dividem em oportunidades específicas de fotos, e o jogador precisa cumprir esses objetivos para avançar na história. No entanto, o ritmo pode se tornar um pouco arrastado, já que nem sempre é possível acessar todas as atividades livremente, obrigando o jogador a passar mais tempo nos minijogos.

E aqui entra um ponto curioso: os minijogos são variados e divertidos no início, trazendo humor e até referências a outros jogos. Mas a necessidade de repeti-los várias vezes para desbloquear conteúdo acaba tornando essa parte mais cansativa do que deveria.

Um jogo feito para fãs

Não há como fugir disso: Operation Memories é extremamente nichado. Ele não tenta agradar um público amplo, nem busca profundidade mecânica ou narrativa.

Em vez disso, aposta totalmente na familiaridade. Personalização de personagens, interações simples e recompensas visuais são pensadas para quem já tem conexão com aquele universo. Para esse público, funciona bem, é quase como um “simulador de momentos” da família Forger.

Para quem não conhece a obra, porém, a experiência pode parecer limitada e até repetitiva, já que grande parte do apelo está justamente no reconhecimento dos personagens e situações.

Fidelidade visual que sustenta a experiência

Visualmente, o jogo cumpre muito bem sua proposta. O estilo artístico é fiel ao anime, com cores vibrantes, personagens expressivos e uma direção que prioriza o carisma.

As animações ajudam bastante a dar vida aos momentos, principalmente nas expressões de Anya, que continuam sendo um dos maiores destaques. Além disso, os conteúdos desbloqueáveis como cenas e artes funcionam como um bônus interessante para fãs.

Mesmo com uma estrutura simples, o cuidado com a apresentação garante que o jogo mantenha sua identidade e não pareça apenas um produto genérico.

SPYxANYA Operation Memories – Launch Trailer

SPY×ANYA: Operation Memories – Vale a pena?

Publisher: Bandai Namco
Console: PlayStation 5

SPY×ANYA: Operation Memories não tenta ser mais do que é, e isso joga tanto a favor quanto contra. Ele entrega exatamente o que promete: uma experiência leve, focada em momentos cotidianos e no carisma dos personagens. Para fãs, pode ser um complemento divertido. Para quem busca algo mais profundo ou variado, talvez falte um pouco mais de ambição.
Veredito Final
75%

Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin é um RPG viciante

Expandir uma franquia conhecida para um gênero completamente diferente exige coragem e a Capcom mostrou isso com Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin. Ao abandonar a ação tradicional da série principal e apostar em um RPG por turnos mais acessível, o jogo não só respeita suas origens, como também cria uma identidade própria. O resultado é uma experiência mais leve, mas surpreendentemente profunda.

Uma jornada movida por laços e legado

A história se passa na Ilha Hakolo, onde eventos misteriosos começam a afetar o comportamento dos monstros. No centro dessa narrativa está o protagonista, neto do lendário Red, que parte em uma jornada ao lado de Ena e do carismático Navirou.

O desaparecimento do Guardião Ratha serve como ponto de partida para uma aventura que vai além do simples conflito. A trama explora temas como herança, confiança e conexão, criando um vínculo emocional forte, especialmente com os Monsties que acompanham o jogador.

Ao longo da aventura, novos aliados se juntam ao grupo, como Alwin, Avinia e Kayna. Diferente do primeiro jogo, esses companheiros participam ativamente das batalhas, trazendo habilidades únicas que influenciam diretamente o combate.

Combate estratégico e acessível

O sistema de batalha segue o modelo por turnos, mas com um diferencial: a mecânica baseada em “pedra-papel-tesoura”. Escolher o tipo certo de ataque é essencial para vencer, tornando cada confronto uma mistura de estratégia e leitura de padrões.

Além disso, o jogo equilibra bem acessibilidade e profundidade, permitindo que novos jogadores entendam rapidamente o sistema, enquanto ainda oferece desafios interessantes para quem busca mais complexidade.

Muito mais do que capturar monstros

Como um verdadeiro Montador, o jogador explora o mundo em busca de ninhos, coleta ovos e cria seus próprios Monsties. A variedade é um dos grandes destaques, incluindo criaturas icônicas da franquia, como Kushala Daora, Teostra e Nergigante.

O sistema de Genes adiciona ainda mais profundidade, permitindo personalizar habilidades e adaptar monstros para diferentes situações. Essa liberdade incentiva experimentação e dá ao jogador controle total sobre sua equipe.

Um mundo rico e cheio de atividades

O jogo apresenta diversas regiões, cada uma com biomas distintos e repletos de vida. Explorar esses ambientes vai além da narrativa principal, com uma grande quantidade de missões secundárias, coleta de recursos e desafios adicionais.

O conteúdo pós-jogo também se destaca, oferecendo ainda mais atividades e prolongando a experiência de forma significativa.

No entanto, as dungeons podem se tornar repetitivas com o tempo, e o ritmo da progressão na parte final exige dedicação extra para evoluir o nível dos personagens.

Visual vibrante e identidade própria

Diferente da série principal, Monster Hunter Stories 2 aposta em um estilo mais colorido e estilizado. Os cenários são vivos e convidativos, enquanto as animações dos monstros durante o combate reforçam a personalidade de cada criatura.

A trilha sonora acompanha bem essa proposta, alternando entre momentos de exploração e batalhas intensas, criando uma ambientação consistente.

No quesito desempenho, o jogo não deixa a desejar em nada, algo padrão da Capcom. Durante as mais de 100 horas, não tive qualquer problema com crashes, quedas de desempenho ou problemas que impedissem o meu avanço.

Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin - Launch Trailer | PS4

Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin – Vale a pena?

Publisher: Capcom
Console: PlayStation 4

Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin é um RPG leve e viciante, com combate estratégico divertido e um sistema de monstros cheio de possibilidades. Mesmo com dungeons repetitivas e ritmo mais lento no final, entrega uma jornada longa, carismática e fácil de se apegar
Veredito Final
85%

My Hero Academia: All’s Justice aposta no fan service

My Hero Academia: All’s Justice representa o capítulo final esperado pelos fãs da franquia, indo além de uma simples adaptação do arco final do mangá. O jogo coloca o jogador no centro dos maiores confrontos da série, recriando batalhas marcadas por forte carga emocional e impacto visual desde seus primeiros momentos. Com uma grande variedade de modos e um elenco extenso de personagens jogáveis, o título oferece alto fator replay, embora alguns problemas de execução deixem uma impressão inconsistente.

O clímax da guerra final

A campanha cobre o arco final de My Hero Academia e adota uma estrutura menos linear, permitindo acompanhar eventos paralelos que ocorrem simultaneamente dentro da cronologia principal. Essa abordagem amplia a visão dos conflitos, contextualizando melhor o papel de cada herói durante a guerra.

Apesar da proposta interessante, a execução narrativa apresenta limitações. Parte das cenas é renderizada no motor do jogo, mas grande parte da história é apresentada por imagens estáticas e trechos adaptados diretamente do anime. Embora isso reduza custos de produção, também enfraquece a imersão em diversos momentos.

Outro ponto negativo está na inconsistência de apresentação, com falas ocasionalmente sem legendas adequadas ou alternância inesperada de idioma. Ainda assim, para fãs da obra, o impacto emocional dos eventos finais permanece forte, já que o jogo prioriza a recriação interativa dos acontecimentos em vez de reinterpretá-los.

Modos extras que estendem a experiência

Além da campanha, o jogo oferece diferentes modos adicionais que ampliam sua longevidade:

Free Battle: Permite combates locais contra outro jogador ou IA com diferentes níveis de dificuldade. O modo online também está presente e se torna o principal atrativo para quem busca partidas competitivas.

Team Up Missions: Oferece exploração em uma versão virtual da cidade, combinada com missões secundárias e objetivos específicos durante combates. Apesar da proposta interessante, o modo se torna repetitivo rapidamente e sofre com falta de variedade e recompensas pouco impactantes, majoritariamente cosméticas.

Archive Battles: Um dos modos mais relevantes para fãs antigos e novos jogadores, permitindo reviver confrontos icônicos da série, como All Might vs Nomu. Apesar de não ser tão acessível quanto outros modos, adiciona valor histórico à experiência.

O jogo também inclui tutoriais e modo de treino, mas surpreendentemente não conta com um modo arcade tradicional, algo bastante esperado em jogos de luta.

Um sistema de combate que abraça o caos

O sistema de combate segue o padrão de arenas 3D com movimentação livre. Os controles são acessíveis e diretos, permitindo o uso das habilidades individuais de cada personagem.

O grande diferencial está no sistema de equipes com três lutadores, que podem ser alternados em tempo real durante as batalhas. Essa mecânica adiciona profundidade estratégica e dinamismo ao combate.

No entanto, a curva de aprendizado inicial pode ser caótica. Mecânicas como contra-ataques, evasões e gerenciamento de barra especial exigem adaptação. Após as primeiras horas, o sistema se torna mais fluido, permitindo combinações mais complexas com habilidades especiais, incluindo o sistema “Plus Ultra” e o modo “Rising”, que intensificam os combates com momentos cinematográficos.

Por outro lado, a interface exagerada e pouco configurável pode atrapalhar a leitura visual durante lutas mais intensas.

Um elenco feito para fãs, não para equilíbrio

O jogo conta com 68 personagens jogáveis, cada um com habilidades próprias e variações de ataques que reforçam sua identidade dentro da franquia. Esse elenco extenso favorece o fan service, ainda que o balanceamento competitivo não seja o foco principal.

A progressão é baseada principalmente em recompensas cosméticas, como variações de cor, banners, poses e itens de perfil. Embora não impactem a jogabilidade, ajudam a reforçar a personalização.

Uma cidade que promete vida, mas entrega vazio

A cidade virtual funciona como hub central e apresenta os personagens se locomovendo de forma distinta, refletindo suas habilidades. A ideia é interessante, mas a execução é limitada.

O ambiente sofre com sensação de vazio, mesmo com ajustes de densidade populacional. A ausência de interiores exploráveis e atividades mais profundas reduz o potencial de imersão e reforça a impressão de escopo restrito.

Fidelidade visual nos combates, simplicidade fora deles

Visualmente, o jogo acerta na fidelidade ao estilo do anime. Os modelos dos personagens são bem adaptados, com cores vibrantes e efeitos chamativos durante ataques especiais. As animações de golpes principais são impactantes e transmitem bem a intensidade das batalhas.

Em contrapartida, fora do combate há animações mais simples e cenários pouco detalhados. O uso frequente de imagens estáticas na narrativa também prejudica a apresentação geral.

No PlayStation 5, o desempenho é estável mesmo em lutas intensas com muitos efeitos. O jogo mantém taxa de quadros consistente, algo essencial para o gênero. Ainda assim, algumas opções visuais, como desfoque excessivo, podem não agradar todos os jogadores.

My Hero Academia: All’s Justice – Vale a pena?

Publisher: Bandai Namco
Console: PlayStation 5

My Hero Academia: All’s Justice é um jogo feito claramente para fãs da série. Ele não busca inovar no gênero de luta em arena nem competir com títulos mais técnicos, mas sim recriar os momentos finais da obra com fidelidade e apelo emocional. Apesar de limitações técnicas, modos secundários pouco aprofundados e uma apresentação narrativa inconsistente, o jogo entrega um elenco vasto, batalhas cinematográficas e uma adaptação respeitosa do material original. Como experiência final da franquia nos videogames, cumpre seu papel com foco no fan service e na celebração da obra.

Veredito Final
75%

Blue Prince desafia com puzzles complexos e progressão não linear

Blue Prince é um daqueles jogos que não se preocupam em explicar demais, ele prefere ser descoberto. A experiência gira em torno de um grande enigma central, construído com paciência, repetição e pequenos fragmentos de informação que vão se conectando aos poucos. Em vez de conduzir o jogador por uma narrativa linear, o jogo o coloca dentro de um sistema vivo, onde cada tentativa na mansão revela uma nova camada do mistério.

O mistério do 46º quarto e uma mansão impossível

Em Blue Prince, o jogador assume o papel de um herdeiro que recebe uma mansão deixada por seu tio, o Barão Herbert Sinclair. Existe apenas uma condição para reivindicar a propriedade: encontrar o lendário 46º quarto, algo que, teoricamente, não deveria existir.

A mansão possui 45 cômodos conhecidos, mas sua estrutura esconde segredos que desafiam a lógica. O jogo não entrega respostas diretas, mas sim pistas espalhadas em documentos, objetos e interações ambientais. Cada descoberta levanta novas perguntas, mantendo o mistério sempre em movimento.

A narrativa não avança de forma tradicional. Ela é fragmentada, interpretativa e construída a partir da exploração repetida, fazendo com que cada run contribua para a compreensão geral do enigma.

Um roguelike de construção e planejamento constante

A estrutura de Blue Prince combina elementos de roguelike com exploração e quebra-cabeças. Cada novo dia representa uma tentativa completamente diferente de explorar a mansão.

O jogador começa com três portas iniciais e um limite de 50 passos, que funcionam como recurso central de progressão. A cada porta aberta, três novos cômodos são gerados aleatoriamente, obrigando o jogador a escolher com cuidado qual caminho seguir.

A mansão não é apenas um cenário, ela é um sistema de regras rígidas. Não é possível trazer itens externos, nem permanecer indefinidamente dentro dela, e tudo o que é encontrado durante uma tentativa permanece preso àquele ciclo. Isso cria uma estrutura de risco e planejamento constante.

Construção da mansão e decisões estratégicas

O núcleo da jogabilidade está na construção progressiva da mansão. Cada sala adicionada influencia diretamente o fluxo da run, criando caminhos, bloqueios ou vantagens específicas.

Algumas salas recuperam passos, outras desbloqueiam áreas, enquanto certas combinações podem abrir possibilidades inesperadas. Essa interdependência transforma cada decisão em algo estratégico, já que o layout da mansão pode facilitar ou dificultar completamente o progresso.

O gerenciamento de recursos é essencial. Cada movimento conta, e o jogador precisa pensar não apenas no presente, mas nas consequências futuras da estrutura que está construindo.

Quebra-cabeças complexos e curva de aprendizado exigente

Os puzzles são um dos pontos mais fortes e também mais desafiadores de Blue Prince. Eles variam entre desafios lógicos, padrões ocultos e enigmas que exigem interpretação cuidadosa de pistas espalhadas pelo ambiente.

A progressão segue uma lógica roguelike, com desbloqueios permanentes que expandem as possibilidades a cada nova tentativa. Isso cria uma sensação constante de evolução, mesmo quando uma run não chega ao objetivo final.

Por outro lado, o jogo não oferece tutoriais claros ou explicações diretas. A curva de aprendizado é deliberadamente íngreme, e isso pode gerar confusão nas primeiras horas. A ausência de localização em português também torna alguns enigmas mais difíceis de interpretar.

Ainda assim, essa dificuldade faz parte da identidade do jogo. A sensação de finalmente compreender um sistema ou resolver um enigma complexo é um dos principais motores da experiência.

Atmosfera, som e direção visual minimalista

Blue Prince aposta visualmente em uma estética simples em cel shading, mas a utiliza de forma extremamente funcional. O jogo organiza a mansão em ambientes variados, cada um com identidade própria, o que reforça o clima constante de mistério.

A direção de arte prioriza a leitura clara dos ambientes, ao mesmo tempo em que mantém uma sensação de estranheza e isolamento. A simplicidade visual ajuda a focar no que realmente importa: exploração e raciocínio.

A trilha sonora é discreta e atmosférica, servindo mais como suporte emocional do que como destaque. Já o design de som reforça a imersão com ruídos sutis e momentos de tensão silenciosa. A ausência de diálogos tradicionais contribui para a sensação de isolamento e descoberta constante.

Em termos técnicos, o jogo se comporta de forma muito estável. As transições entre salas são rápidas, a navegação é fluida e o sistema de construção da mansão responde bem aos comandos. Além disso, a interface se mantém funcional e clara após o jogador se acostumar com suas regras.

Blue Prince | Release Trailer

Blue Prince – Vale a pena?

Publisher: Raw Fury
Console: PlayStation 5

Blue Prince é uma experiência que exige paciência, curiosidade e disposição para falhar várias vezes antes de avançar. Ele não entrega respostas fáceis nem progresso linear, mas recompensa profundamente quem se dedica a entender suas regras ocultas. Apesar da curva inicial difícil e da forte dependência de interpretação, o jogo se destaca pela originalidade, pela construção de mistério e pela sensação constante de descoberta. É uma experiência única dentro do gênero, ideal para quem gosta de puzzles complexos e narrativas não convencionais.

Veredito Final
95%

A Quiet Place: The Road Ahead acerta na tensão e falha na variedade

A Quiet Place: The Road Ahead tenta traduzir para os games uma das premissas mais interessantes do cinema recente: sobreviver em um mundo onde o som é sentença de morte. O resultado é uma experiência que acerta na atmosfera e na tensão, mas que nem sempre consegue sustentar o ritmo ao longo da jornada.

A ideia de viver o silêncio absoluto funciona muito bem como base, mas o jogo depende demais dessa mecânica para segurar a experiência inteira.

Sobrevivência em um mundo onde o som é inimigo

A história acompanha Alex, uma jovem grávida tentando sobreviver em um planeta dominado por criaturas que caçam pelo som.

Em A Quiet Place: The Road Ahead, a narrativa foca mais na sobrevivência imediata do que em grandes reviravoltas. Há um tom emocional presente, especialmente ligado à vulnerabilidade da protagonista, mas o enredo segue uma linha previsível e pouco aprofundada.

O universo da franquia está presente, mas funciona mais como cenário do que como elemento narrativo explorado em profundidade.

Stealth baseado em silêncio e precisão

O núcleo da jogabilidade de A Quiet Place: The Road Ahead gira em torno do stealth absoluto. Cada movimento precisa ser calculado. Abrir uma porta, caminhar sobre folhas secas ou até acelerar demais o passo pode atrair as criaturas. O jogo utiliza um sistema de medição de ruído que ajuda o jogador a entender o risco de cada ação.

O diferencial mais interessante é a integração com o som externo, onde o microfone pode captar ruídos reais do ambiente e transformá-los em perigo dentro do jogo, aumentando a tensão de forma constante.

Apesar da atmosfera, A Quiet Place Road Ahead tem ritmo irregular. Jogabilidade lenta torna trechos repetitivos, com padrão de evitar inimigos, esconder e avançar. Além disso, a IA inconsistente que prejudica imersão.

Gestão de recursos e fragilidade constante

Além do silêncio, o jogo adiciona uma camada de sobrevivência física através da condição de Alex.

A protagonista sofre de asma, o que influencia diretamente o gameplay. Situações de estresse ou fuga podem desencadear crises, forçando o jogador a gerenciar também a respiração e o uso limitado de inaladores.

Atmosfera forte e direção audiovisual eficiente

Um dos maiores acertos de A Quiet Place: The Road Ahead é sua apresentação audiovisual. Os cenários são bem construídos, variando entre ambientes naturais abandonados e estruturas decadentes, sempre reforçando a sensação de isolamento. A iluminação e o uso de sombras ajudam a criar uma atmosfera constante de alerta.

O áudio é o elemento central da experiência. O silêncio quase absoluto, interrompido por sons mínimos e cuidadosamente posicionados, sustenta a tensão do começo ao fim.

A Quiet Place: The Road Ahead - Reveal Trailer

A Quiet Place: The Road Ahead – Vale a pena?

Publisher: Saber Interactive
Console: PlayStation 5

A Quiet Place: The Road Ahead consegue capturar bem a essência da franquia: tensão, silêncio e medo constante do erro. A ideia de transformar o som em mecânica central funciona e cria momentos realmente intensos. No entanto, a falta de variação no gameplay e a narrativa pouco desenvolvida impedem que o jogo vá além de uma adaptação competente.
Veredito Final
70%