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Ruffy and the Riverside brilha no visual e nas ideias

Ruffy and the Riverside surge como uma das surpresas mais carismáticas de 2025, apostando em uma combinação pouco comum hoje em dia: plataforma 3D de pegada clássica, puzzles baseados em transformação de elementos e uma direção artística totalmente desenhada à mão. Desenvolvido pela Zockrates Laboratories, o título demonstra ambição logo de cara, ainda que nem sempre consiga sustentar sua criatividade com o mesmo nível de consistência ao longo da jornada.

Um herói improvável em um mundo à beira do colapso

O jogador acompanha Ruffy, um urso curioso e determinado, acompanhado por Pip, uma abelha tagarela cheia de personalidade, além do rabugento Sir Eddler, uma toupeira que atua como contraponto cômico do grupo. A trama começa com uma investigação aparentemente simples envolvendo um cristal mágico, mas rapidamente escala para uma ameaça maior: a libertação de Groll, uma entidade maligna que coloca o mundo de Riverside em risco.

Para impedir a destruição do cenário, Ruffy precisa reunir letras sagradas espalhadas por seis grandes regiões, cada uma com identidade visual e desafios próprios. A premissa é leve, quase infantil em sua apresentação, mas serve bem como base para a variedade de ideias que o jogo tenta explorar.

A mecânica de troca de elementos como centro da experiência

O grande diferencial de Ruffy and the Riverside está no sistema de troca de propriedades do ambiente. Com um único comando, o jogador pode escanear materiais como madeira, metal, lava ou água e transferir suas propriedades para outros objetos do cenário.

Essa mecânica abre espaço para soluções criativas de puzzles, transformando o próprio mundo em ferramenta. Uma cachoeira pode virar escada, uma ponte pode ganhar flutuação, e obstáculos podem ser reorganizados com base na lógica física do jogo.

A limitação de tempo e quantidade dessas transformações adiciona um leve senso de urgência, forçando o jogador a pensar rapidamente. Em seus melhores momentos, o sistema cria soluções inteligentes e satisfatórias. No entanto, com o tempo, alguns padrões começam a se repetir, e certos quebra-cabeças acabam se tornando previsíveis demais.

Exploração leve, mas cheia de personalidade

A estrutura de colecionáveis é um dos pilares da progressão. Marbles escondidas, borboletas associadas ao personagem Quintus e criaturas chamadas Etoi incentivam exploração constante, oferecendo recompensas como moedas, melhorias e elementos cosméticos.

Cada região também apresenta pequenas histórias paralelas, muitas vezes centradas em personagens excêntricos, como peixes em conflito com tubarões ou corvos que propõem enigmas. Essas interações ajudam a manter o mundo vivo, mesmo quando as atividades principais seguem uma lógica mais simples.

Progressão simples, mas com charme

O sistema de vida de Ruffy começa básico, com três corações, podendo ser expandido permanentemente através de itens específicos. Há também corações temporários, embora sua utilidade seja limitada pela perda ao trocar de área.

Um dos sistemas mais interessantes é a personalização de capas, obtida por meio de uma roleta de moedas. Esses modificadores podem gerar efeitos variados, como cura automática ou aumento de resistência, adicionando uma camada leve de aleatoriedade à progressão.

Plataforma clássica com movimentos familiares

Ruffy conta com um conjunto de habilidades tradicionais do gênero: ataques corpo a corpo, planagem com auxílio de Pip e um golpe carregado para controle de multidões. A movimentação é fluida na maior parte do tempo, ainda que algumas animações apresentem rigidez típica de jogos inspirados em gerações anteriores.

A estamina para corrida se recupera rapidamente, e o fluxo de exploração é constantemente incentivado pelo posicionamento generoso de moedas e recompensas pelo cenário.

Criatividade constante, execução irregular

Apesar da forte identidade criativa, o jogo enfrenta alguns problemas que impedem uma consistência maior. Quedas ocasionais de desempenho surgem em transições entre áreas maiores, e há pequenos problemas de localização em alguns diálogos, que afetam a fluidez da narrativa.

O maior ponto de fraqueza está no combate e na variedade de inimigos. Com um número reduzido de tipos ao longo da campanha, as lutas acabam se tornando repetitivas e pouco memoráveis. O mesmo vale para os chefes, que são poucos e apresentam padrões relativamente simples, com reaparições pouco modificadas.

Um mundo desenhado à mão com forte identidade visual

Visualmente, Ruffy and the Riverside é um dos seus maiores destaques. O estilo desenhado à mão remete a ilustrações infantis altamente detalhadas, com cores vivas e traços que reforçam a sensação de fantasia artesanal.

O título possui biomas bem variados e definidos, passando por praias ensolaradas, florestas, pântanos e cemitérios atmosféricos. Além disso, essa diversidade ajuda a sustentar o ritmo da exploração, mesmo quando a jogabilidade entra em momentos mais repetitivos.

A trilha sonora complementa bem essa proposta, com faixas leves e marcantes que reforçam o clima aventureiro e descontraído.

Ruffy and the Riverside - Launch Trailer | PS5 Games

Ruffy and the Riverside – Vale a pena?

Publisher: Phiphen Games
Console: PlayStation 5

Ruffy and the Riverside é super carismático, com visual desenhado à mão lindo e uma mecânica criativa de transformar o cenário. A exploração diverte, mas repetição nos puzzles e combate simples impedem que a experiência mantenha o mesmo brilho até o fim
Veredito Final
85%