Tales of Graces f Remastered traz de volta um dos JRPGs mais lembrados da era PS3, agora atualizado com melhorias visuais e ajustes de qualidade de vida. A proposta é clara: preservar o sistema de combate que sempre foi o coração do jogo enquanto moderniza o suficiente para torná lo mais acessível nas plataformas atuais.

Uma jornada de amadurecimento em meio ao conflito
A história acompanha Asbel Lhant, herdeiro de uma família nobre que, ainda jovem, se envolve em um evento trágico ao lado de seus amigos Sophie e Richard. Esse prólogo estabelece o tom emocional da narrativa, mas também se estende além do necessário, retardando o início da aventura principal.
Sete anos depois, Asbel retorna com uma postura mais madura, carregando o peso de escolhas passadas enquanto o mundo enfrenta tensões políticas entre reinos em disputa por um recurso vital chamado eleth.
A trama se apoia fortemente em temas clássicos de JRPG como amizade, responsabilidade e sacrifício. Sophie se destaca como o centro emocional da história, e sua relação com Asbel é um dos fios condutores mais consistentes do enredo.
Apesar disso, a narrativa segue estruturas bastante tradicionais do gênero, com reviravoltas previsíveis e momentos que podem soar familiares demais para quem já conhece outros títulos da série.

O combate como verdadeira identidade do jogo
Se há um elemento que sustenta Tales of Graces f até hoje, é o sistema de combate em tempo real. As batalhas acontecem diretamente no campo, sem transição para arenas separadas, mantendo o ritmo constante da exploração. O sistema gira em torno de ataques físicos, artes baseadas em eleth e movimentação em tempo real, criando um fluxo que valoriza posicionamento e leitura de combate.
Ainda assim, a câmera continua sendo um dos maiores pontos fracos. Em ambientes fechados, ela pode atrapalhar a leitura do combate, criando situações desconfortáveis em lutas mais intensas, especialmente quando há muitos inimigos ou efeitos simultâneos na tela.
O sistema de Chain Capacity adiciona uma camada estratégica importante. Cada ação consome recursos limitados, forçando o jogador a pensar em ritmo e eficiência em vez de apenas repetir ataques. Já o Eleth Burst cria momentos de explosão ofensiva, onde a gestão correta da barra pode virar completamente o rumo de uma luta.
Cada personagem possui um estilo próprio, o que incentiva variação constante e adaptação tática. No entanto, a IA dos aliados também permanece inconsistente: em batalhas comuns, ela cumpre bem seu papel, mas em confrontos mais difíceis, especialmente contra chefes, a falta de eficiência pode pesar contra o jogador.

Melhorias de qualidade de vida que fazem diferença
A remasterização não tenta reinventar o jogo, mas adiciona ajustes importantes que tornam a experiência mais fluida.
A possibilidade de desativar encontros aleatórios reduz a repetição em momentos de exploração, enquanto marcadores de objetivo ajudam a evitar perda de tempo em mapas mais abertos. A opção de pular cutscenes também facilita rejogabilidade ou sessões mais diretas.
Outro destaque é o Grade Shop liberado desde o início, permitindo ajustes de dificuldade e progressão mais flexível, algo que muda significativamente o ritmo da campanha dependendo do estilo do jogador.

Accel Mode e a tentativa de modernizar o combate
Uma das novidades mais interessantes é o Accel Mode, que adiciona habilidades especiais únicas para cada personagem.
Asbel ganha um estilo mais agressivo e flamejante, Sophie foca em recuperação e velocidade, enquanto Hubert transforma o combate à distância em uma chuva ofensiva de ataques.
Esses momentos quebram o ritmo tradicional das lutas e adicionam uma camada visual mais chamativa, mesmo que não alterem profundamente a estrutura base do sistema.

Visual atualizado, mas estrutura antiga
Visualmente, o remaster cumpre seu papel. Modelos estão mais nítidos, animações de combate mais suaves e efeitos visuais mais claros, especialmente durante habilidades e no Accel Mode. As cutscenes também receberam polimento, melhorando a apresentação geral da história.
Ainda assim, o design artístico entrega claramente sua idade. A base continua sendo de um jogo da geração PS3, e isso aparece em animações mais simples e cenários menos detalhados.
Quanto ao desempenho o jogo roda a 60fps de forma estável no PlayStation 5, o que já representa uma melhoria significativa em relação ao original.
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