O gênero roguelite cresceu tanto nos últimos anos que se destacar virou um desafio por si só. Towa and the Guardians of the Sacred Tree surge justamente tentando fugir do lugar-comum, trazendo uma proposta que mistura narrativa mais presente, estética marcante e um sistema de combate em dupla pouco convencional. O resultado não é perfeito, mas mostra personalidade e ideias interessantes, algo cada vez mais raro dentro do gênero.

Uma história que caminha junto da jogabilidade
Diferente de muitos roguelites que tratam a narrativa como algo secundário, aqui ela ocupa um papel central. A jornada acompanha Towa, uma figura ligada ao divino que vive em paz até que uma entidade corrompe o mundo e força a protagonista a reunir aliados para enfrentar a ameaça.
Inspirado na mitologia xintoísta, o jogo constrói seu universo com base em símbolos, crenças e estética que reforçam essa identidade. O diferencial, porém, está na forma como a história se conecta à estrutura do jogo.
Ao longo da progressão, personagens são separados de Towa e deixam de estar disponíveis temporariamente, refletindo diretamente nas partidas. Essa ausência não é apenas mecânica, ela carrega peso emocional e reforça temas como sacrifício e perda, criando uma experiência onde narrativa e gameplay caminham juntas.

Combate em dupla com ideias interessantes
A base da jogabilidade segue o padrão do gênero, com salas sequenciais, melhorias e confrontos contra chefes. O diferencial está no uso de dois personagens simultaneamente, cada um com uma função distinta.
O Tsurugi é o foco da ação direta, utilizando espadas com diferentes tipos de ataques e habilidades. Um detalhe interessante é o sistema de durabilidade, que incentiva alternar entre armas para manter eficiência durante o combate.
Já o Kagura atua como suporte, oferecendo habilidades mágicas e auxílio indireto. Na prática, porém, essa dinâmica não funciona tão bem quanto deveria. O personagem tem poucas opções de ação, o que limita sua relevância. Mesmo no cooperativo, sua participação pode parecer pouco envolvente, criando um desequilíbrio claro entre os dois papéis.

Progressão com boas ideias e decisões questionáveis
Como esperado em um roguelite, há uma grande variedade de melhorias durante as runs, influenciando diretamente o estilo de jogo. Algumas dessas habilidades conseguem transformar o combate de maneira interessante.
No entanto, o sistema tropeça ao substituir melhorias em vez de acumulá-las. Isso reduz a sensação de crescimento ao longo das partidas, especialmente nas runs mais longas, onde o jogador espera evoluir de forma mais perceptível.
Por outro lado, o sistema de forja se destaca. Criar armas é essencial para progressão e adiciona uma camada estratégica interessante. O problema é que o minigame envolvido, apesar de criativo no início, pode se tornar repetitivo e até frustrante dependendo dos resultados.
Entre as partidas, a vila funciona como um hub central bem estruturado. Lá é possível evoluir atributos, desbloquear recursos e interagir com personagens. A quantidade de sistemas pode parecer excessiva no começo, mas aos poucos tudo se organiza e contribui para a experiência.

Direção artística encantadora e trilha marcante
Visualmente, o jogo chama atenção com seu estilo anime vibrante e personagens cheios de personalidade. Cada guardião possui um design único, muitas vezes fugindo do padrão comum do gênero. Os cenários são bonitos e bem construídos, mas acabam sofrendo com repetição estrutural após várias horas de jogo, diminuindo o impacto inicial.
A trilha sonora é um dos pontos altos. Alternando entre momentos intensos e contemplativos, ela reforça tanto o clima das batalhas quanto o peso emocional da narrativa.
No aspecto técnico, a experiência é sólida. O jogo mantém bom desempenho, sem quedas perceptíveis ou problemas que comprometam a fluidez.
Towa and the Guardians of the Sacred Tree – Vale a pena?





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