Arquivo da tag: Like a Dragon

Like a Dragon: Infinite Wealth encerra Kiryu e fortalece Ichiban

Depois de anos evitando a franquia Like a Dragon pela fama de continuidade extensa e histórias interligadas, a experiência com Like a Dragon já havia sido suficiente para quebrar essa barreira inicial. Ainda assim, Infinite Wealth não se limita a ser apenas uma continuação, ele se posiciona como um ponto de convergência ambicioso, onde passado e futuro da série coexistem em perfeita tensão narrativa.

O jogo não depende apenas da trajetória de Ichiban Kasuga, mas também reintroduz Kazuma Kiryu em um papel central, criando uma estrutura narrativa dupla que raramente perde equilíbrio. Em vez de competir entre si, os dois protagonistas se complementam, formando uma narrativa de longa escala que atravessa gerações, ideias e legados pessoais.

Dois protagonistas, uma mesma linha de impacto emocional

A força de Infinite Wealth está na forma como alterna suas perspectivas sem enfraquecer nenhuma delas. Ichiban continua representando otimismo e perseverança em meio ao caos, enquanto Kiryu assume um papel mais introspectivo, marcado pelo peso do tempo e das consequências de suas escolhas.

Essa dualidade transforma o jogo em algo maior do que a soma de suas partes. A narrativa não se apoia apenas em eventos isolados, mas na forma como esses eventos dialogam entre si, criando uma sensação constante de progressão emocional.

O enredo parte de uma premissa pessoal envolvendo Ichiban em busca de sua mãe, mas rapidamente se expande para algo mais complexo. Conspirações, mudanças estruturais no submundo japonês e reflexões sobre a dissolução da Yakuza adicionam camadas de crítica social e peso dramático à narrativa.

Ao mesmo tempo, o jogo consegue equilibrar esses temas mais sérios com o tom característico da franquia, onde o absurdo e o emocional convivem sem se anular.

Honolulu como novo centro de vida e contraste

A mudança de cenário para Honolulu representa uma das transformações mais marcantes da série. A cidade traz uma identidade completamente diferente de Kamurocho, apostando em uma atmosfera multicultural, aberta e visualmente vibrante.

Praias, ruas movimentadas e áreas comerciais cheias de personalidade fazem do ambiente algo constantemente vivo. A sensação é de um espaço em movimento contínuo, onde interações espontâneas e pequenos eventos ajudam a reforçar a imersão.

Personagens inéditos como Chitose e Tomizawa ampliam essa sensação de diversidade, enquanto Yamai se destaca como antagonista carismático, transitando entre humor, ameaça e complexidade emocional.

Kiryu e o peso do legado

O retorno de Kiryu adiciona uma camada completamente diferente ao jogo. Pela primeira vez, ele é retratado de forma claramente vulnerável, enfrentando sua mortalidade e o impacto físico do tempo.

Essa abordagem transforma sua jornada em algo mais reflexivo, quase como uma revisão de toda sua história dentro da franquia. Em vez de apenas avançar o enredo, suas cenas frequentemente funcionam como um olhar para trás, reforçando a ideia de legado e consequência.

Combate refinado com profundidade estratégica

O sistema de combate por turnos evolui de forma significativa, incorporando movimentação livre e posicionamento como elementos centrais. As batalhas deixam de ser estáticas e passam a exigir leitura de espaço, sinergia entre personagens e aproveitamento do ambiente.

Ataques combinados, movimentação estratégica e uso inteligente de habilidades tornam cada encontro mais dinâmico. O resultado é um sistema que mantém a base tradicional dos RPGs por turnos, mas adiciona camadas de ação e improviso.

Jobs, estilos e retorno do passado

O sistema de jobs foi refinado para oferecer mais flexibilidade e menos barreiras de progressão. A experimentação entre classes se torna mais natural, permitindo combinações variadas sem comprometer o ritmo do jogo.

Kiryu, por sua vez, rompe parcialmente com essa estrutura ao trazer de volta seus estilos clássicos de combate da era de ação direta. Em momentos específicos, o jogo alterna entre sistemas, criando uma transição que conecta o passado da franquia com sua fase atual.

Vínculos e combate em equipe

Um dos sistemas mais importantes está na construção de laços entre personagens. Esses vínculos não são apenas narrativos, mas impactam diretamente o combate.

Ataques cooperativos, habilidades combinadas e reações em cadeia tornam as batalhas mais dinâmicas e reforçam a sensação de grupo funcionando como unidade coesa. O resultado é um sistema que recompensa interação constante entre os membros da equipe.

Um mundo vivo além da história principal

Honolulu não funciona apenas como cenário, mas como extensão ativa da experiência. O mundo é cheio de atividades, interações e eventos que surgem de forma orgânica, incentivando exploração sem sensação de obrigação.

Conteúdos secundários variam entre missões emocionais, situações absurdas e sistemas mais elaborados que expandem a longevidade do jogo. Dungeons com estrutura semelhante a roguelikes, histórias paralelas e atividades inesperadas mantêm o ritmo sempre em movimento.

Dondoko Island e Sujimon como expansão do absurdo

Entre os conteúdos paralelos, Dondoko Island se destaca como um sistema de gerenciamento completo, permitindo construir e evoluir uma ilha personalizada. A mecânica adiciona uma camada de progressão totalmente diferente do restante do jogo, funcionando quase como um título à parte.

Já o sistema Sujimon transforma o humor da franquia em mecânica estruturada, com batalhas, evolução e progressão inspiradas em jogos de captura e coleção. Apesar do tom cômico, o sistema é robusto e contribui para a variedade geral da experiência.

Minigames, nostalgia e memória

A presença de minigames clássicos e novos reforça a identidade da série como um todo. Jogos de arcade, desafios variados e atividades paralelas ajudam a manter o ritmo leve entre os momentos mais densos da narrativa.

Além disso, elementos ligados às memórias de Kiryu adicionam uma camada emocional que conecta diretamente o passado da franquia ao presente, reforçando seu impacto como personagem central da série.

Um espetáculo técnico e emocional

Visualmente, o jogo representa um dos pontos mais altos do Dragon Engine. Honolulu é construída com atenção impressionante a detalhes, desde reflexos em superfícies molhadas até iluminação natural em ambientes abertos.

A trilha sonora acompanha perfeitamente essa variação de tom, alternando entre músicas energéticas em combate e composições mais contidas em momentos dramáticos. A dublagem japonesa reforça ainda mais o impacto emocional, especialmente em personagens centrais como Ichiban, Kiryu e Yamai.

LIKE A DRAGON: INFINITE WEALTH | LAUNCH 101 TRAILER

Like a Dragon: Infinite Wealth – Vale a pena?

Publisher: SEGA
Console: PlayStation 5

Like a Dragon: Infinite Wealth se estabelece como um dos pontos mais altos da franquia ao equilibrar encerramento e expansão ao mesmo tempo. Ele conclui a jornada de Kiryu com respeito e profundidade emocional, ao mesmo tempo em que consolida Ichiban como o novo eixo central da série. É um jogo que mistura drama, comédia, exagero e humanidade em uma escala rara dentro do gênero. Mais do que uma continuação, ele funciona como uma ponte entre eras, reforçando que a franquia ainda tem muito espaço para evoluir sem perder sua identidade.
Veredito Final
100%

Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii abraça o caos

A primeira impressão ao ver Goro Majima liderando uma aventura pirata no Havaí é de estranhamento quase imediato. A franquia Like a Dragon já tem histórico de exageros, mas essa combinação parece ultrapassar qualquer limite lógico conhecido. Ainda assim, o que começa como uma ideia difícil de levar a sério rapidamente se transforma em uma experiência que entende exatamente o tipo de absurdo que está propondo e consegue fazer disso um ponto forte.

Um protagonista perdido em busca de identidade

A história acompanha Majima após ele despertar em uma ilha tropical sem memória e sem qualquer contexto sobre como chegou ali. Nesse estado de vazio, ele se agarra a uma única certeza improvável: a de que seu destino agora é o mar aberto e a vida de pirata.

Esse ponto de partida serve como base para uma jornada que mistura reconstrução pessoal, aventuras marítimas e a clássica busca por significado dentro do caos. A introdução de Noah, um jovem entusiasmado com histórias de exploração, cria um contraste interessante. Entre os dois surge uma relação que alterna leveza, humor e momentos inesperadamente humanos, com Majima assumindo uma função quase protetora, mesmo sem perder sua natureza imprevisível.

Humor, exagero e emoção em rota de colisão

A narrativa principal funciona melhor quando aceita seu próprio tom descontrolado. O jogo não tenta suavizar Majima, pelo contrário, amplifica sua excentricidade e usa isso como motor da história. Em vários momentos, o riso e a seriedade convivem lado a lado, criando uma identidade difícil de replicar.

Por outro lado, conteúdos paralelos nem sempre recebem o mesmo cuidado. Algumas missões secundárias começam com boas ideias, mas terminam antes de desenvolver plenamente seus temas, o que gera certa irregularidade no impacto geral da narrativa fora do eixo principal.

Combate estiloso com identidade caótica

O sistema de luta segue a tradição da franquia, apostando em impacto visual e exagero deliberado. Majima alterna entre dois estilos distintos: um mais ágil, focado em ataques rápidos e precisão, e outro que explora sua faceta pirata, com golpes amplos e postura mais agressiva.

Essa dualidade ajuda a manter o combate dinâmico e incentiva variação constante. Somam-se a isso ferramentas adicionais como gancho, armas de fogo e habilidades especiais bizarras, que reforçam o clima de caos controlado.

Apesar disso, a inteligência artificial dos inimigos nem sempre acompanha esse ritmo. Muitos confrontos acabam previsíveis, especialmente contra adversários comuns. Já as batalhas contra chefes apresentam mais estrutura, ainda que alguns padrões se repitam ao longo dos encontros.

Navegação e domínio do mar como expansão do gameplay

Um dos pilares mais interessantes do jogo está na gestão da embarcação principal. Personalizar o navio, recrutar tripulantes e enfrentar outras frotas adiciona uma camada estratégica que complementa bem a estrutura tradicional da franquia.

As batalhas navais são dinâmicas e exigem atenção constante, principalmente quando o clima interfere na visibilidade e no ritmo dos confrontos. No entanto, com o tempo, a repetição de situações semelhantes reduz parte do impacto inicial dessa mecânica.

Mesmo assim, o controle do navio e a construção da tripulação continuam sendo um dos elementos mais envolventes da experiência, funcionando como uma extensão natural da progressão do jogador.

Conteúdo paralelo entre criatividade e repetição

Fiel à série, o jogo oferece uma grande variedade de atividades opcionais. Há desde desafios clássicos até minijogos completamente absurdos que reforçam o tom cômico da franquia. Essa diversidade inicial ajuda a manter o ritmo leve e constantemente ativo.

Com o passar das horas, porém, algumas dessas atividades revelam estruturas muito semelhantes entre si. Isso faz com que parte do conteúdo secundário perca impacto, mesmo quando a ideia original é interessante.

Um mundo vibrante com oscilações técnicas

O cenário havaiano é um dos maiores destaques visuais do jogo. Ilhas detalhadas, vegetação densa e áreas urbanas vivas criam um ambiente rico e cheio de personalidade. A direção de arte aposta em cores fortes e iluminação marcante, reforçando a identidade tropical da experiência.

Os personagens seguem o padrão elevado da franquia, com expressões exageradas e animações carregadas de personalidade. As cenas principais mantêm boa direção e qualidade consistente de apresentação.

Ainda assim, o desempenho técnico não é totalmente estável. Em momentos mais intensos, especialmente durante combates ou áreas cheias de elementos, há quedas perceptíveis de fluidez que podem afetar a imersão.

Trilha sonora que reforça o espírito da aventura

A composição musical acompanha bem o tom do jogo, misturando elementos tradicionais da série com influências marítimas e tropicais. O resultado é uma trilha que alterna entre energia caótica e sensação de exploração constante.

As músicas de combate são intensas e carregadas de impacto, enquanto as faixas de navegação ajudam a reforçar o clima de liberdade e aventura.

Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii – Vale a pena?

Publisher: SEGA
Console: PlayStation 5

Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii não tenta ser contido ou lógico e essa é justamente sua maior força. Mesmo com irregularidades no ritmo, limitações técnicas e repetição em parte do conteúdo, o jogo se sustenta pela personalidade forte, pelo carisma do protagonista e pela ousadia de suas ideias. No fim, é uma daquelas experiências que só funcionam porque abraçam completamente o próprio exagero, entregando algo estranho, caótico e, ainda assim, genuinamente divertido.
Veredito Final
80%