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Like a Dragon: Infinite Wealth encerra Kiryu e fortalece Ichiban

Depois de anos evitando a franquia Like a Dragon pela fama de continuidade extensa e histórias interligadas, a experiência com Like a Dragon já havia sido suficiente para quebrar essa barreira inicial. Ainda assim, Infinite Wealth não se limita a ser apenas uma continuação, ele se posiciona como um ponto de convergência ambicioso, onde passado e futuro da série coexistem em perfeita tensão narrativa.

O jogo não depende apenas da trajetória de Ichiban Kasuga, mas também reintroduz Kazuma Kiryu em um papel central, criando uma estrutura narrativa dupla que raramente perde equilíbrio. Em vez de competir entre si, os dois protagonistas se complementam, formando uma narrativa de longa escala que atravessa gerações, ideias e legados pessoais.

Dois protagonistas, uma mesma linha de impacto emocional

A força de Infinite Wealth está na forma como alterna suas perspectivas sem enfraquecer nenhuma delas. Ichiban continua representando otimismo e perseverança em meio ao caos, enquanto Kiryu assume um papel mais introspectivo, marcado pelo peso do tempo e das consequências de suas escolhas.

Essa dualidade transforma o jogo em algo maior do que a soma de suas partes. A narrativa não se apoia apenas em eventos isolados, mas na forma como esses eventos dialogam entre si, criando uma sensação constante de progressão emocional.

O enredo parte de uma premissa pessoal envolvendo Ichiban em busca de sua mãe, mas rapidamente se expande para algo mais complexo. Conspirações, mudanças estruturais no submundo japonês e reflexões sobre a dissolução da Yakuza adicionam camadas de crítica social e peso dramático à narrativa.

Ao mesmo tempo, o jogo consegue equilibrar esses temas mais sérios com o tom característico da franquia, onde o absurdo e o emocional convivem sem se anular.

Honolulu como novo centro de vida e contraste

A mudança de cenário para Honolulu representa uma das transformações mais marcantes da série. A cidade traz uma identidade completamente diferente de Kamurocho, apostando em uma atmosfera multicultural, aberta e visualmente vibrante.

Praias, ruas movimentadas e áreas comerciais cheias de personalidade fazem do ambiente algo constantemente vivo. A sensação é de um espaço em movimento contínuo, onde interações espontâneas e pequenos eventos ajudam a reforçar a imersão.

Personagens inéditos como Chitose e Tomizawa ampliam essa sensação de diversidade, enquanto Yamai se destaca como antagonista carismático, transitando entre humor, ameaça e complexidade emocional.

Kiryu e o peso do legado

O retorno de Kiryu adiciona uma camada completamente diferente ao jogo. Pela primeira vez, ele é retratado de forma claramente vulnerável, enfrentando sua mortalidade e o impacto físico do tempo.

Essa abordagem transforma sua jornada em algo mais reflexivo, quase como uma revisão de toda sua história dentro da franquia. Em vez de apenas avançar o enredo, suas cenas frequentemente funcionam como um olhar para trás, reforçando a ideia de legado e consequência.

Combate refinado com profundidade estratégica

O sistema de combate por turnos evolui de forma significativa, incorporando movimentação livre e posicionamento como elementos centrais. As batalhas deixam de ser estáticas e passam a exigir leitura de espaço, sinergia entre personagens e aproveitamento do ambiente.

Ataques combinados, movimentação estratégica e uso inteligente de habilidades tornam cada encontro mais dinâmico. O resultado é um sistema que mantém a base tradicional dos RPGs por turnos, mas adiciona camadas de ação e improviso.

Jobs, estilos e retorno do passado

O sistema de jobs foi refinado para oferecer mais flexibilidade e menos barreiras de progressão. A experimentação entre classes se torna mais natural, permitindo combinações variadas sem comprometer o ritmo do jogo.

Kiryu, por sua vez, rompe parcialmente com essa estrutura ao trazer de volta seus estilos clássicos de combate da era de ação direta. Em momentos específicos, o jogo alterna entre sistemas, criando uma transição que conecta o passado da franquia com sua fase atual.

Vínculos e combate em equipe

Um dos sistemas mais importantes está na construção de laços entre personagens. Esses vínculos não são apenas narrativos, mas impactam diretamente o combate.

Ataques cooperativos, habilidades combinadas e reações em cadeia tornam as batalhas mais dinâmicas e reforçam a sensação de grupo funcionando como unidade coesa. O resultado é um sistema que recompensa interação constante entre os membros da equipe.

Um mundo vivo além da história principal

Honolulu não funciona apenas como cenário, mas como extensão ativa da experiência. O mundo é cheio de atividades, interações e eventos que surgem de forma orgânica, incentivando exploração sem sensação de obrigação.

Conteúdos secundários variam entre missões emocionais, situações absurdas e sistemas mais elaborados que expandem a longevidade do jogo. Dungeons com estrutura semelhante a roguelikes, histórias paralelas e atividades inesperadas mantêm o ritmo sempre em movimento.

Dondoko Island e Sujimon como expansão do absurdo

Entre os conteúdos paralelos, Dondoko Island se destaca como um sistema de gerenciamento completo, permitindo construir e evoluir uma ilha personalizada. A mecânica adiciona uma camada de progressão totalmente diferente do restante do jogo, funcionando quase como um título à parte.

Já o sistema Sujimon transforma o humor da franquia em mecânica estruturada, com batalhas, evolução e progressão inspiradas em jogos de captura e coleção. Apesar do tom cômico, o sistema é robusto e contribui para a variedade geral da experiência.

Minigames, nostalgia e memória

A presença de minigames clássicos e novos reforça a identidade da série como um todo. Jogos de arcade, desafios variados e atividades paralelas ajudam a manter o ritmo leve entre os momentos mais densos da narrativa.

Além disso, elementos ligados às memórias de Kiryu adicionam uma camada emocional que conecta diretamente o passado da franquia ao presente, reforçando seu impacto como personagem central da série.

Um espetáculo técnico e emocional

Visualmente, o jogo representa um dos pontos mais altos do Dragon Engine. Honolulu é construída com atenção impressionante a detalhes, desde reflexos em superfícies molhadas até iluminação natural em ambientes abertos.

A trilha sonora acompanha perfeitamente essa variação de tom, alternando entre músicas energéticas em combate e composições mais contidas em momentos dramáticos. A dublagem japonesa reforça ainda mais o impacto emocional, especialmente em personagens centrais como Ichiban, Kiryu e Yamai.

LIKE A DRAGON: INFINITE WEALTH | LAUNCH 101 TRAILER

Like a Dragon: Infinite Wealth – Vale a pena?

Publisher: SEGA
Console: PlayStation 5

Like a Dragon: Infinite Wealth se estabelece como um dos pontos mais altos da franquia ao equilibrar encerramento e expansão ao mesmo tempo. Ele conclui a jornada de Kiryu com respeito e profundidade emocional, ao mesmo tempo em que consolida Ichiban como o novo eixo central da série. É um jogo que mistura drama, comédia, exagero e humanidade em uma escala rara dentro do gênero. Mais do que uma continuação, ele funciona como uma ponte entre eras, reforçando que a franquia ainda tem muito espaço para evoluir sem perder sua identidade.
Veredito Final
100%

Sonic Racing: CrossWorlds aposta em criatividade e mudança

Sonic Racing: CrossWorlds marca o retorno da franquia de corrida do ouriço azul com uma proposta que equilibra nostalgia e ousadia. Desenvolvido pela Sonic Team em parceria com a SEGA AM2, o jogo abandona a ideia de equipes do título anterior e aposta em corridas individuais mais caóticas, rápidas e cheias de reviravoltas.

Em vez de apenas repetir fórmulas conhecidas, CrossWorlds introduz portais dimensionais, veículos que se transformam em tempo real e um sistema de personalização mais profundo, tentando se firmar como uma evolução dentro da própria identidade da série.

Corrida sem história, mas não sem personalidade

Diferente de outros jogos da franquia, CrossWorlds não investe em campanha narrativa tradicional. Não há uma jornada estruturada ou um arco dramático guiando o jogador. Ainda assim, o mundo não parece vazio.

A graça aqui está nas interações entre os personagens. Cada piloto carrega sua própria identidade nas falas durante as corridas, reagindo a rivais específicos, vitórias inesperadas ou situações caóticas na pista. Isso cria uma camada leve de “teatro competitivo”, onde o carisma substitui a narrativa formal.

O sistema de rivais, porém, não atinge todo o potencial que sugere. Na prática, a diferença entre um rival designado e os demais oponentes não é tão marcante quanto poderia ser. O impacto existe mais nas falas e recompensas do que em mudanças reais de comportamento durante a corrida.

Simples na base, caótica no resultado

O coração de CrossWorlds continua sendo o gameplay de corrida arcade clássico: acelerar, derrapar e usar itens no momento certo. A estrutura é acessível, mas não simplista, principalmente por causa do drift, que retorna como peça central do desempenho.

O sistema de derrapagem recompensa precisão com boosts acumuláveis, criando aquele momento clássico de risco e recompensa em cada curva. Dominar isso é o que separa vitórias consistentes de derrotas frustrantes.

Os itens, por outro lado, são uma faca de dois gumes. Quando funcionam, criam viradas empolgantes. Quando não, podem transformar uma liderança sólida em caos absoluto em poucos segundos. Em dificuldades mais altas, especialmente contra IA agressiva, a sensação de “descontrole forçado” aparece com frequência e isso pode quebrar o ritmo competitivo para alguns jogadores.

O verdadeiro laboratório do caos

Onde o jogo realmente se destaca é no sistema de Gadgets. Esses modificadores funcionam como peças de personalização profunda que alteram diretamente o comportamento da corrida.

Com dezenas de opções desbloqueáveis, eles permitem criar builds voltadas para velocidade pura, controle, agressividade com itens ou estratégias híbridas. Isso transforma cada corrida em uma pequena experimentação de design, onde o jogador pode ajustar não só o veículo, mas a própria lógica da partida.

É aqui que CrossWorlds deixa de ser apenas um jogo de corrida e se aproxima de um “sistema de construção de estilo de jogo”.

Quando a pista muda de regras

Um dos elementos mais chamativos são os Anéis de Viagem, portais que surgem durante as corridas e transportam os jogadores para outras dimensões em tempo real.

A mudança não é apenas visual. A pista se reorganiza, o tipo de veículo pode se alterar e até a forma de controle muda levemente, criando uma sensação de ruptura constante no ritmo da corrida. É uma ideia que lembra experiências de transição fluida de outros jogos modernos, mas aqui aplicada ao caos competitivo.

Estrutura simples, execução eficiente

Sem campanha, CrossWorlds se apoia em modos bem definidos: O Grand Prix continua sendo o eixo principal, com copas que culminam em uma corrida final que mistura trechos das anteriores. Essa fusão de pistas cria um bom senso de progressão interna, mesmo sem narrativa.

O Time Trial retorna como desafio puro de otimização, exigindo domínio total das pistas e dos boosts. Já o modo de minijogos funciona como um espaço mais leve, voltado para diversão local e multiplayer.

Liberdade dentro de limites inteligentes

A customização dos veículos é um dos sistemas mais completos do jogo. Divididos em classes distintas, os carros podem ser ajustados tanto esteticamente quanto em desempenho.

Cores, acessórios, partes intercambiáveis e efeitos visuais permitem criar identidades bem únicas para cada máquina. No entanto, o jogo evita exageros: componentes não podem ser misturados entre classes diferentes, mantendo o equilíbrio competitivo.

Nostalgia reinterpretada em alta velocidade

As pistas são um dos pontos mais consistentes da experiência. Elas não apenas homenageiam locais icônicos da franquia Sonic, mas também reinterpretam esses cenários com novas mecânicas e layouts mais dinâmicos.

Há variações com seções aéreas, mudanças de terreno e trechos aquáticos que exigem adaptação constante. Algumas pistas ainda brincam com referências a outras franquias de corrida arcade, reforçando a identidade híbrida do jogo entre homenagem e inovação.

Energia constante na tela e bom desempenho

Visualmente, o jogo aposta em cores fortes e leitura clara, mesmo no meio do caos, o que ajuda a manter o controle da ação.

A trilha sonora segue a tradição da franquia Sonic: energética, vibrante e constantemente em movimento. As faixas acompanham bem a intensidade das corridas, alternando entre momentos mais tensos e explosões rítmicas.

No aspecto técnico, CrossWorlds mantém boa estabilidade no PS5. As opções de desempenho priorizam fluidez, o que faz mais sentido em um jogo onde reação rápida é essencial. Os tempos de carregamento são baixos e o desempenho se mantém consistente mesmo com muitos efeitos simultâneos, algo importante considerando a quantidade de explosões, boosts e transformações em tela.

Sonic Racing: CrossWorlds | Launch Trailer

Sonic Racing: CrossWorlds – Vale a pena?

Publisher: SEGA
Console: PlayStation 5

Sonic Racing: CrossWorlds não tenta ser apenas um novo jogo de corrida do Sonic, ele tenta redefinir como essas corridas podem funcionar dentro da própria franquia. Nem todas as ideias atingem seu máximo potencial, especialmente o sistema de rivais e o equilíbrio dos itens, mas o conjunto se sustenta graças à criatividade constante e à liberdade de personalização.

Veredito Final
85%

Sonic x Shadow Generations aposta na evolução dos personagens

Poucos jogos conseguem equilibrar nostalgia e novidade sem parecer apenas uma repetição, mas Sonic x Shadow Generations tenta justamente isso: revisitar um clássico enquanto adiciona uma nova perspectiva. O resultado é uma experiência que mistura celebração do passado com pequenas evoluções, colocando dois dos personagens mais icônicos da franquia em destaque.

Duas histórias que se complementam

A narrativa segue a base já conhecida, com Sonic enfrentando uma ameaça capaz de distorcer o tempo e aprisionar seus amigos. Em meio a esse caos, versões do passado e presente se cruzam, reforçando o tom nostálgico da aventura.

O diferencial está na campanha de Shadow, que adiciona uma camada mais densa à história. Ao investigar eventos ligados ao seu passado, ele revisita conflitos antigos e encara questões mais pessoais, criando um contraste interessante com o tom mais leve de Sonic.

Além disso, as duas jornadas se conectam de forma eficiente, usando o mesmo evento central para unir perspectivas diferentes e enriquecer o contexto geral.

Velocidade clássica com variações modernas

A jogabilidade mantém a essência que consagrou a franquia. Com Sonic, as fases alternam entre trechos em 2D e 3D, combinando precisão com velocidade em cenários que remetem a momentos icônicos da série.

O uso do boost continua sendo peça-chave, incentivando ritmo acelerado e execução precisa. Já os colecionáveis adicionam objetivos extras, ainda que nem todos tenham o mesmo peso em termos de recompensa.

Enquanto com Shadow, o ritmo muda. Suas fases incorporam mais combate e exploração, utilizando habilidades especiais que ampliam as possibilidades de movimentação e interação com o ambiente.

Habilidades que expandem a experiência

O destaque da campanha de Shadow está nas suas habilidades únicas. Poderes como manipulação do tempo e novas técnicas ofensivas criam uma abordagem diferente das fases, exigindo mais estratégia do jogador.

Essas mecânicas não apenas diversificam a jogabilidade, mas também ajudam a construir a identidade do personagem dentro do jogo. A progressão é perceptível, com novas habilidades abrindo caminhos e incentivando revisitas.

Essa dualidade entre velocidade pura e abordagem mais tática mantém o jogo variado do início ao fim.

Conteúdo enxuto, mas funcional

Apesar da qualidade geral, o jogo peca na quantidade de conteúdo. A campanha pode ser concluída rapidamente, especialmente para jogadores mais experientes.

Os coletáveis ajudam a estender a experiência, mas nem todos oferecem recompensas realmente motivadoras. Isso pode desanimar quem busca completar tudo.

A variedade de chefes também é limitada, o que reduz o impacto de momentos que poderiam ser mais marcantes ao longo da jornada.

Apresentação moderna sem perder a essência

Visualmente, o jogo entrega um salto claro em relação à versão original. Os cenários estão mais detalhados, as animações mais fluidas e o estilo artístico continua vibrante e fiel à franquia.

A trilha sonora merece destaque, combinando músicas clássicas com novas versões que reforçam o clima de cada fase e ampliam o fator nostálgico.

O desempenho também acompanha essa evolução, com alta taxa de quadros e resolução elevada garantindo uma experiência consistente, mesmo nos momentos mais rápidos.

SONIC X SHADOW GENERATIONS - Launch Trailer

Sonic x Shadow Generations – Vale a pena?

Publisher: SEGA
Console: PlayStation 5

Sonic x Shadow Generations acerta ao revisitar um clássico com respeito e adicionar novidades que fazem sentido, principalmente na campanha de Shadow. Ainda assim, a sensação é de que havia espaço para expandir mais essa ideia. Com mais conteúdo e ajustes pontuais, o jogo poderia alcançar um nível ainda mais alto dentro da franquia. Mesmo com essas limitações, é uma experiência sólida, especialmente para quem valoriza a história e a evolução desses personagens ao longo dos anos.
Veredito Final
80%

Two Point Museum equilibra complexidade e leveza

Jogos de gerenciamento sempre tiveram um apelo especial para quem gosta de ver sistemas complexos funcionando em harmonia e Two Point Museum aproveita exatamente esse prazer de organização para entregar uma das experiências mais completas da franquia até aqui. A Two Point Studios pega a fórmula já conhecida e expande suas possibilidades sem perder o tom leve e acessível que define a série.

Um começo controlado demais, mas necessário

A campanha funciona como uma introdução extensa aos sistemas do jogo. Ela guia o jogador por praticamente todos os fundamentos de administração, desde a organização básica do museu até sistemas mais avançados de gestão.

Embora seja eficiente como tutorial, esse início prolongado pode soar excessivamente guiado. O ritmo é deliberadamente lento, o que ajuda a evitar sobrecarga de informação, mas também atrasa o momento em que o jogador realmente sente autonomia.

Para quem já conhece o gênero, essa fase inicial pode parecer mais longa do que o necessário.

Quando o gerenciamento finalmente ganha vida

A experiência realmente engrena quando o jogador passa a ter controle total do museu. A partir desse ponto, o ciclo de planejamento, expansão e otimização se torna extremamente envolvente.

Gerenciar funcionários, satisfazer visitantes, organizar exposições e expandir espaços cria uma rotina dinâmica que constantemente exige decisões rápidas e estratégicas.

O que mantém o jogo interessante é justamente a forma como ele mistura diferentes camadas de administração sem deixar a experiência engessada.

Museus com identidades próprias

Cada museu dentro do jogo apresenta um tema específico, o que muda completamente a forma de jogar. Essa variedade impede que a experiência se torne repetitiva e adiciona novas regras e desafios conforme o progresso avança.

Alguns ambientes introduzem elementos mais inusitados, como exposições sobrenaturais ou temas futuristas, o que amplia o leque criativo e mantém o jogador constantemente adaptando sua estratégia.

Expedições e o risco da descoberta

Um dos sistemas mais interessantes é o de expedições. Nele, o jogador envia funcionários para missões externas em busca de artefatos raros e peças de exposição.

Essas viagens envolvem riscos e incertezas, já que falhas, acidentes ou resultados imprevisíveis fazem parte do processo. Isso adiciona uma camada de planejamento que vai além da gestão interna do museu.

O jogador precisa equilibrar investimento, risco e potencial de retorno, o que torna esse sistema um dos pilares da progressão.

Criatividade e personalização como extensão do jogador

A liberdade de personalização é outro elemento central da experiência. É possível organizar salas, posicionar exposições e criar layouts totalmente personalizados.

Essa flexibilidade permite que cada museu tenha identidade própria, refletindo as escolhas do jogador não apenas em eficiência, mas também em estética. O resultado é um sistema que incentiva tanto otimização quanto criatividade.

Screenshot

Complexidade crescente e limitações de interface

À medida que o museu cresce, o gerenciamento se torna naturalmente mais complexo. Isso é esperado dentro do gênero, mas também revela algumas limitações na interface, especialmente em consoles.

A navegação por menus mais profundos pode se tornar trabalhosa em certos momentos, e a precisão na organização de objetos nem sempre é ideal quando o espaço começa a ficar mais caótico.

Apesar disso, a adaptação dos controles para o PS5 é competente, oferecendo atalhos que ajudam a mitigar parte dessas dificuldades.

Eventos aleatórios e pressão constante

O jogo constantemente introduz eventos inesperados que quebram a rotina administrativa. Situações como vandalismo, desastres e crises internas forçam o jogador a reagir rapidamente e ajustar prioridades.

Esses elementos ajudam a manter o ritmo dinâmico, mas também podem gerar momentos de frustração, especialmente quando envolvem perda de itens importantes sem muito controle direto sobre a situação.

Direção visual leve e consistente

O estilo visual mantém a identidade cartunesca da série, com personagens exagerados e animações expressivas que reforçam o tom humorístico da experiência.

As exposições são criativas e variadas, misturando elementos históricos com toques fantasiosos, o que ajuda a manter o apelo visual constante ao longo da campanha.

No PS5, o desempenho é sólido, com carregamentos rápidos e estabilidade consistente mesmo em museus maiores e mais complexos.

Two Point Museum - Official Launch Trailer

Poker Night at the Inventory Remaster – Vale a pena?

Publisher: SEGA
Console: PlayStation 5

Two Point Museum se destaca como uma das experiências mais completas do gênero de simulação e gerenciamento, oferecendo uma combinação equilibrada entre profundidade, criatividade e acessibilidade. Embora o início excessivamente guiado e algumas limitações de interface possam impactar o ritmo da experiência, o conjunto geral compensa com um sistema de gestão rico, variado e constantemente envolvente.

Veredito Final
80%

Demon Slayer: The Hinokami Chronicles 2 é uma adaptação de alto nível

Depois do sucesso do primeiro título, a CyberConnect2 retorna ao universo de Demon Slayer com uma sequência que amplia a escala da adaptação e aprofunda o conteúdo da obra original. The Hinokami Chronicles 2 mantém a base sólida do primeiro jogo, mas avança ao cobrir arcos mais intensos e adicionar um elenco significativamente maior.

Ainda assim, apesar dos avanços claros em conteúdo e apresentação, alguns problemas estruturais do antecessor permanecem visíveis, especialmente fora do combate.

Uma adaptação que aposta na fidelidade como força principal

O modo história segue como o principal atrativo da experiência, cobrindo arcos importantes como o Distrito do Entretenimento, a Vila dos Ferreiros e o Treinamento dos Hashiras.

A narrativa é apresentada com forte fidelidade ao anime e ao mangá, utilizando cutscenes cinematográficas e direção visual inspirada diretamente na obra original. A dublagem oficial e a trilha sonora do anime reforçam o impacto emocional das cenas, especialmente nos momentos de maior tensão contra as Luas Superiores.

Esses confrontos funcionam como o ponto alto da campanha, concentrando o maior peso dramático e visual da experiência.

Exploração limitada entre os combates

Fora das batalhas, o ritmo do jogo perde parte do impacto. As áreas de exploração continuam estruturadas como corredores relativamente simples, com alguns colecionáveis e missões secundárias de pouca profundidade.

Apesar da tentativa de criar uma sensação de mundo interconectado, o resultado ainda é funcional, mas pouco envolvente. A repetição de diálogos e a insistência em reforçar objetivos contribuem para uma sensação de redundância durante essas seções.

Combate acessível, mas pouco melhorado

O sistema de luta mantém a estrutura clássica da CyberConnect2: batalhas em arena 3D com comandos simples e foco em combos acessíveis.

Ataques básicos, habilidades especiais, defesas e esquivas formam a base do sistema, permitindo que jogadores de diferentes níveis entrem rapidamente no ritmo do combate. Essa simplicidade continua sendo um dos principais fatores de acessibilidade da série.

Apesar disso, a evolução em relação ao jogo anterior é limitada. As mecânicas centrais permanecem praticamente as mesmas, com poucas adições realmente transformadoras.

Um elenco maior e mais variado

Um dos principais avanços da sequência está no aumento do elenco jogável. Com dezenas de personagens disponíveis, o jogo amplia significativamente as possibilidades de combate.

Cada lutador possui características próprias, seja pelo estilo de respiração, armas ou técnicas específicas, o que cria variações interessantes de abordagem. Essa diversidade incentiva experimentação e combinações entre personagens de estilos diferentes, especialmente no modo versus.

Modos adicionais e estrutura de conteúdo

Além da campanha principal, o jogo oferece uma variedade de modos que expandem o tempo de jogo. O modo versus permite confrontos locais ou contra a IA, enquanto o modo online adiciona competição contra outros jogadores. Já os modos extras introduzem desafios estruturados em forma de progressão arcade e torneios com objetivos variados.

Esses sistemas servem tanto para prática quanto para desbloqueio de recompensas, como skins e itens cosméticos. Apesar disso, a repetição natural do gênero acaba aparecendo com o tempo, especialmente nos modos mais longos.

Visual que se aproxima do anime em movimento

O aspecto visual continua sendo um dos pontos mais fortes da série. O uso de cel shading reproduz fielmente a estética do anime, com animações de golpes especiais que se destacam pelo impacto visual.

Efeitos de luz, partículas e destruição de cenário ajudam a construir lutas mais dinâmicas e cinematográficas, reforçando o espetáculo visual a cada confronto.

No entanto, as seções fora do combate mostram uma qualidade bem abaixo do esperado, com cenários simples e pouca variação de detalhes, criando um contraste evidente entre exploração e batalha.

No PS5, o jogo se mantém estável na maior parte do tempo, com taxa de quadros consistente durante os combates. Em situações com muitos efeitos simultâneos, podem ocorrer pequenas quedas de desempenho, mas sem comprometer significativamente a experiência.

Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles 2 | Announcement Trailer

Demon Slayer: The Hinokami Chronicles 2 – Vale a pena?

Publisher: SEGA
Console: PlayStation 5

Demon Slayer: The Hinokami Chronicles 2 entrega exatamente o que se propõe: uma adaptação fiel, visualmente impressionante e centrada em combates acessíveis e estilizados. Embora não evolua de forma significativa em suas mecânicas e mantenha limitações na exploração, o jogo compensa com um elenco ampliado, batalhas mais variadas e uma apresentação que respeita e valoriza o material original.
Veredito Final
80%

Yakuza Kiwami 2 brilha na história, mas perde profundidade

Yakuza Kiwami 2 é um dos capítulos mais marcantes da franquia, elevando a narrativa, os personagens e a apresentação a um novo patamar dentro da série. Ao mesmo tempo, ele faz algumas escolhas controversas no combate e na progressão que alteram significativamente a sensação do gameplay em relação ao título anterior.

Mais do que um simples remake, ele representa uma visão mais ambiciosa da SEGA para recriar um dos jogos mais importantes da saga Yakuza, especialmente em sua versão moderna para PS4, e que no PS5 ganha melhorias técnicas importantes, mesmo sem mudanças estruturais profundas.

Uma continuação direta com uma guerra prestes a explodir

Yakuza Kiwami 2 se passa logo após os eventos do primeiro jogo. O Clã Tojo está enfraquecido e sem liderança clara, o que abre espaço para que o Clã Omi, sua rival de Kansai, inicie uma movimentação agressiva para tomar o controle do submundo.

Nesse cenário instável, Kazuma Kiryu é mais uma vez puxado de volta para a vida da Yakuza, mesmo após tentar se afastar completamente dela.

O jogo também introduz Daigo Dojima como nova figura central do Tojo Clan, assumindo uma posição de liderança apesar de sua inexperiência, o que adiciona tensão política à narrativa.

Ryuji Goda e o peso de um verdadeiro rival

Um dos maiores destaques da história é Ryuji Goda, o chamado “Dragão de Kansai”. Ele é um antagonista que se destaca não apenas pela força, mas pela presença e filosofia própria.

Seu objetivo é simples, mas poderoso dentro da narrativa: provar que só pode existir um verdadeiro dragão no Japão.

Essa rivalidade com Kiryu sustenta boa parte da tensão do jogo, criando confrontos que vão além da força física e entram no campo do orgulho e da identidade.

Outro destaque importante é Kaoru Sayama, a “Caçadora de Yakuzas”, que adiciona uma perspectiva mais crítica e humana ao enredo. Sua relação com Kiryu é um dos pontos emocionais mais fortes da campanha, equilibrando o peso da história com momentos mais pessoais.

E, claro, Goro Majima retorna novamente como elemento de caos e humor, quebrando constantemente o tom sério da narrativa principal.

Um combate mais fluido, mas também mais limitado

O sistema de combate foi completamente reformulado em relação ao primeiro Kiwami. Agora, as lutas são mais cinematográficas, com maior foco em impacto visual e interação com o ambiente.

Os Heat Actions continuam sendo um dos pilares da jogabilidade, agora ainda mais variados e dependentes do contexto do cenário, o que aumenta o fator cinematográfico das lutas.

A possibilidade de armazenar armas encontradas pelo mapa também adiciona uma camada estratégica leve ao combate, embora o estilo predominante continue sendo o uso direto dos golpes de Kiryu.

A perda dos estilos de luta

Uma das mudanças mais significativas e controversas, é a remoção dos estilos de combate anteriores, como Beast e Rush.

Isso torna o sistema mais simples e direto, o que pode ser positivo para a fluidez, mas também reduz a profundidade e variedade das lutas ao longo da campanha. Com isso, o combate acaba se tornando mais repetitivo com o tempo, especialmente em comparação ao Kiwami 1, que oferecia mais variação de abordagem. As lutas contra chefes também seguem essa linha: mais cinematográficas, porém menos complexas em termos de mecânicas.

O sistema de evolução também foi reformulado. Em vez de uma árvore de habilidades mais orgânica, o jogo utiliza uma tabela dividida em categorias como combate, Heat Actions e atributos gerais.

Essa estrutura deixa a progressão mais organizada, mas também menos envolvente no sentido de descoberta e crescimento gradual.

Conteúdo secundário e o retorno de Majima

Como de costume na franquia, o conteúdo opcional é extremamente abundante e, em muitos casos, tão importante quanto a campanha principal em termos de variedade.

As missões secundárias continuam explorando desde histórias emocionais até situações absurdas e cômicas, mantendo o equilíbrio característico da série entre drama e humor.

Um dos grandes destaques é o retorno de Goro Majima com a chamada “Saga Majima”, uma campanha paralela que mostra os eventos entre Yakuza Kiwami e Kiwami 2. Apesar de curta, ela adiciona contexto importante para sua trajetória e ajuda a preencher lacunas da história.

Minigames como identidade da série

Os minigames continuam sendo uma das marcas mais fortes da franquia. Desde clássicos da SEGA em fliperamas até atividades mais elaboradas como o Cabaret Club Grand Prix, o jogo oferece uma enorme variedade de distrações.

Essas atividades funcionam como uma pausa natural da narrativa principal, permitindo alternar entre momentos sérios e experiências mais leves e absurdas.

Kamurocho mais viva e melhorias no PS5

Os cenários são um dos pontos mais impressionantes do jogo. Kamurocho retorna mais viva do que nunca, enquanto Sotenbori surge como uma nova região igualmente detalhada e vibrante.

A ambientação recria com fidelidade bairros japoneses dos anos 2000, com iluminação marcante, ruas cheias de vida e um nível de detalhe que transforma simples caminhadas em parte da experiência.

Na versão de PS5, Yakuza Kiwami 2 não recebe grandes mudanças estruturais, mas se beneficia de melhorias técnicas importantes. O jogo roda a 60 FPS, garantindo maior fluidez em combate e exploração. Os tempos de carregamento também são significativamente reduzidos.

Além disso, há melhorias sutis em texturas e iluminação, o que ajuda a modernizar a apresentação geral sem alterar a base visual original.

Like a Dragon & Yakuza Series 20th Anniversary Titles - Launch Trailer | PS5 Games

Yakuza Kiwami 2 – Vale a pena?

Publisher: SEGA
Console: PlayStation 5

Yakuza Kiwami 2 se destaca como um dos pontos mais altos da franquia em termos de narrativa, personagens e ambientação. Ryuji Goda e Kaoru Sayama elevam o peso emocional da história, enquanto Kamurocho e Sotenbori reforçam a identidade do mundo. Por outro lado, as mudanças no combate e na progressão reduzem a profundidade mecânica em comparação ao primeiro Kiwami, deixando a experiência mais direta, mas também mais repetitiva ao longo do tempo.

Veredito Final
80%

Persona 5 Tactica expande o universo com criatividade

Expandir um universo já consolidado sem torná-lo repetitivo é um desafio que poucas franquias conseguem superar com consistência. Persona 5 Tactica mostra que ainda há espaço para inovação dentro desse mundo, ao trocar o tradicional RPG por turnos por uma abordagem tática, mantendo o charme, a identidade e o estilo que tornaram a série tão popular. O resultado é uma experiência diferente, mas que ainda carrega o DNA da franquia.

Um retorno inesperado ao Metaverso

A história começa de forma abrupta, com os Phantom Thieves sendo transportados para um novo reino dentro do Metaverso. Sem tempo para se adaptar, o grupo rapidamente enfrenta uma derrota inicial, perdendo aliados para o controle do governante local.

É nesse contexto que novos personagens entram em cena, trazendo uma nova dinâmica à narrativa. Mesmo sendo uma trama paralela, o jogo consegue se conectar bem com os eventos conhecidos, equilibrando acessibilidade para novos jogadores e referências para fãs antigos.

Novos rostos, novas motivações

Grande parte do peso narrativo recai sobre os novos personagens. Erina surge como uma figura forte e determinada, enquanto Toshiro traz uma perspectiva mais humana e vulnerável, evoluindo ao longo da jornada.

A relação entre eles e os Phantom Thieves é construída de forma gradual, criando momentos interessantes e reforçando o tema central de resistência e mudança. Essa interação ajuda a manter a narrativa envolvente, mesmo em uma escala menor.

Estratégia no lugar da ação tradicional

Diferente de Persona 5 Royal e Persona 5 Strikers, aqui o combate assume um formato totalmente tático. As batalhas acontecem em mapas fechados, com movimentação por turnos, uso de cobertura e posicionamento estratégico sendo fundamentais.

O sistema “One More” retorna adaptado, permitindo ações extras em situações específicas, enquanto o “All-Out Attack” continua sendo um dos momentos mais satisfatórios das batalhas. Essa mudança exige planejamento constante, sem perder a identidade da franquia.

Missões que desafiam o jogador

Além da campanha principal, o jogo apresenta missões secundárias com objetivos específicos que vão além de simplesmente derrotar inimigos. Limites de turnos, condições especiais e desafios adicionais incentivam o jogador a pensar de forma mais estratégica.

A busca por completar todos os objetivos, como conquistar três estrelas em cada missão, adiciona uma camada extra de profundidade e aumenta significativamente a longevidade da experiência.

Progressão acessível, mas consistente

A evolução dos personagens é direta e funcional. Pontos de habilidade permitem desbloquear melhorias variadas, desde aumento de mobilidade até recuperação de recursos durante as batalhas.

O sistema de Personas também retorna, com fusões e personalizações que ampliam as possibilidades táticas. Mesmo sem a complexidade de outros títulos da série, o jogo mantém uma progressão satisfatória e fácil de acompanhar.

Um estilo visual que divide, mas funciona

A escolha pelo visual chibi pode causar estranhamento inicial, mas rapidamente mostra seu valor. Os personagens continuam expressivos e fiéis às suas versões originais, enquanto os cenários, embora mais simples, cumprem bem seu papel.

A trilha sonora, assinada por Shoji Meguro, mantém o alto nível da franquia, combinando novas faixas com arranjos familiares. O resultado é uma experiência audiovisual coesa, que reforça a identidade de Persona mesmo em um formato diferente.

Persona 5 Tactica - Launch Trailer | PS5 & PS4 Games

Persona 5 Tactica – Vale a pena?

Publisher: SEGA
Console: PlayStation 5

Uma nova forma de experimentar Persona
Persona 5 Tactica não tenta substituir os títulos principais, mas sim expandir o universo de forma criativa. Ao apostar em um gênero diferente, o jogo abre portas para novos públicos e oferece uma experiência complementar para os fãs. Mesmo com uma escala menor e algumas simplificações, acerta ao manter o que realmente importa: personagens marcantes, estilo único e uma jogabilidade envolvente.

Veredito Final
80%