Arquivo da tag: Review

Split Fiction é a maior obra de Josef Fares até aqui

Josef Fares voltou a fazer o que sabe de melhor: transformar cooperação em espetáculo. Split Fiction não é apenas mais um jogo da Hazelight, mas sim a consolidação do estúdio como referência absoluta em experiências cooperativas modernas. É exagerado, criativo, emocional e constantemente surpreendente, exatamente o tipo de jogo que lembra por que dividir um controle ainda pode ser uma das formas mais divertidas de jogar.

Uma história sobre criação, conflito e conexão

A premissa já deixa claro o tom do jogo. Zoe e Mio são duas escritoras com estilos opostos, fantasia e ficção científica, que acabam presas dentro de uma simulação criada a partir de suas próprias obras.

O que começa como uma situação absurda rapidamente se transforma em uma jornada sobre identidade, criatividade e convivência. As duas protagonistas não funcionam apenas como peças da narrativa, mas como o verdadeiro centro emocional da experiência.

A relação entre elas é construída em camadas. Começa com choque de personalidade, evolui para resistência mútua e, aos poucos, se transforma em parceria genuína. O jogo sabe equilibrar momentos leves com diálogos mais íntimos, criando uma conexão que se fortalece junto com a progressão da campanha.

Cooperação como linguagem de design

Split Fiction não apenas incentiva cooperação, ele depende dela. Cada desafio foi pensado para duas pessoas em constante comunicação. Não há solução solitária escondida, tudo exige coordenação. Em um momento você está hackeando sistemas em uma cidade futurista, no outro está voando com dragões em um reino de fantasia.

Essa alternância constante de estilos não é apenas estética, mas estrutural. A jogabilidade muda junto com o cenário, forçando adaptação contínua e evitando qualquer sensação de repetição prolongada.

O mais interessante é que o jogo nunca trata cooperação como obrigação técnica, mas como parte natural da narrativa. Jogar junto não é uma mecânica, é o próprio tema da história.

Quando a jogabilidade vira narrativa

O progresso não depende apenas de desafios mais difíceis, mas também da forma como a relação entre Zoe e Mio evolui. O jogo intercala momentos de ação intensa com conversas sinceras, conflitos emocionais e reflexões sobre passado, criação e identidade. Essa alternância dá ritmo à experiência e evita que ela se torne apenas uma sequência de puzzles cooperativos.

O equilíbrio entre humor e drama é um dos pontos mais fortes da experiência. O jogo não tem medo de ser absurdo, com situações completamente caóticas, mas sempre encontra um jeito de justificar isso dentro do contexto emocional das personagens.

Até os exageros mais surreais acabam fazendo sentido dentro do universo.

Histórias secundárias que parecem outros jogos

As chamadas Histórias Secundárias são um dos maiores destaques da experiência. Elas funcionam como capítulos independentes, quase como pequenas experiências dentro do jogo principal. Cada uma delas muda completamente o estilo de gameplay e visual, oferecendo ideias que vão desde corridas futuristas até sequências em formato de teatro interativo.

Esses momentos quebram a estrutura tradicional da campanha e reforçam a ideia de que o jogo está sempre disposto a experimentar algo novo. Mesmo curtas, essas histórias deixam marca, tanto pela criatividade quanto pela variedade mecânica.

Um espetáculo visual em constante transformação

Split Fiction é um jogo visualmente impressionante, não pelo realismo, mas pela diversidade. Cada mundo tem identidade própria muito bem definida. Cidades futuristas brilham com neon e movimento constante, enquanto reinos de fantasia apostam em cores mais quentes e cenários mais orgânicos.

As transições entre estilos 2D e 3D acontecem de forma fluida, sem quebrar a imersão. Efeitos de luz e partículas ajudam a destacar ações importantes, enquanto as animações mantêm o ritmo sempre dinâmico.

A trilha sonora não tenta roubar atenção, mas cumpre bem seu papel de ambientação. Ela se adapta aos dois grandes pilares do jogo, o tom mais tecnológico de Mio e o clima mais fantasioso de Zoe, reforçando a dualidade da narrativa sem exageros.

O áudio funciona mais como suporte emocional do que como destaque principal, o que combina com a proposta geral da experiência.

Split Fiction | Official Gameplay Reveal Trailer

Split Fiction – Vale a pena?

Publisher: Electronic Arts
Console: PlayStation 5

Split Fiction é uma celebração da cooperação como narrativa, onde duas pessoas precisam se entender para avançar. Com criatividade constante, direção segura e protagonistas marcantes, destaca-se como o trabalho mais ambicioso da Hazelight, expandindo sua fórmula com variedade, personalidade e confiança em sua própria identidade única.
Veredito Final
95%
95%

Sonic Racing: CrossWorlds aposta em criatividade e mudança

Sonic Racing: CrossWorlds marca o retorno da franquia de corrida do ouriço azul com uma proposta que equilibra nostalgia e ousadia. Desenvolvido pela Sonic Team em parceria com a SEGA AM2, o jogo abandona a ideia de equipes do título anterior e aposta em corridas individuais mais caóticas, rápidas e cheias de reviravoltas.

Em vez de apenas repetir fórmulas conhecidas, CrossWorlds introduz portais dimensionais, veículos que se transformam em tempo real e um sistema de personalização mais profundo, tentando se firmar como uma evolução dentro da própria identidade da série.

Corrida sem história, mas não sem personalidade

Diferente de outros jogos da franquia, CrossWorlds não investe em campanha narrativa tradicional. Não há uma jornada estruturada ou um arco dramático guiando o jogador. Ainda assim, o mundo não parece vazio.

A graça aqui está nas interações entre os personagens. Cada piloto carrega sua própria identidade nas falas durante as corridas, reagindo a rivais específicos, vitórias inesperadas ou situações caóticas na pista. Isso cria uma camada leve de “teatro competitivo”, onde o carisma substitui a narrativa formal.

O sistema de rivais, porém, não atinge todo o potencial que sugere. Na prática, a diferença entre um rival designado e os demais oponentes não é tão marcante quanto poderia ser. O impacto existe mais nas falas e recompensas do que em mudanças reais de comportamento durante a corrida.

Simples na base, caótica no resultado

O coração de CrossWorlds continua sendo o gameplay de corrida arcade clássico: acelerar, derrapar e usar itens no momento certo. A estrutura é acessível, mas não simplista, principalmente por causa do drift, que retorna como peça central do desempenho.

O sistema de derrapagem recompensa precisão com boosts acumuláveis, criando aquele momento clássico de risco e recompensa em cada curva. Dominar isso é o que separa vitórias consistentes de derrotas frustrantes.

Os itens, por outro lado, são uma faca de dois gumes. Quando funcionam, criam viradas empolgantes. Quando não, podem transformar uma liderança sólida em caos absoluto em poucos segundos. Em dificuldades mais altas, especialmente contra IA agressiva, a sensação de “descontrole forçado” aparece com frequência e isso pode quebrar o ritmo competitivo para alguns jogadores.

O verdadeiro laboratório do caos

Onde o jogo realmente se destaca é no sistema de Gadgets. Esses modificadores funcionam como peças de personalização profunda que alteram diretamente o comportamento da corrida.

Com dezenas de opções desbloqueáveis, eles permitem criar builds voltadas para velocidade pura, controle, agressividade com itens ou estratégias híbridas. Isso transforma cada corrida em uma pequena experimentação de design, onde o jogador pode ajustar não só o veículo, mas a própria lógica da partida.

É aqui que CrossWorlds deixa de ser apenas um jogo de corrida e se aproxima de um “sistema de construção de estilo de jogo”.

Quando a pista muda de regras

Um dos elementos mais chamativos são os Anéis de Viagem, portais que surgem durante as corridas e transportam os jogadores para outras dimensões em tempo real.

A mudança não é apenas visual. A pista se reorganiza, o tipo de veículo pode se alterar e até a forma de controle muda levemente, criando uma sensação de ruptura constante no ritmo da corrida. É uma ideia que lembra experiências de transição fluida de outros jogos modernos, mas aqui aplicada ao caos competitivo.

Estrutura simples, execução eficiente

Sem campanha, CrossWorlds se apoia em modos bem definidos: O Grand Prix continua sendo o eixo principal, com copas que culminam em uma corrida final que mistura trechos das anteriores. Essa fusão de pistas cria um bom senso de progressão interna, mesmo sem narrativa.

O Time Trial retorna como desafio puro de otimização, exigindo domínio total das pistas e dos boosts. Já o modo de minijogos funciona como um espaço mais leve, voltado para diversão local e multiplayer.

Liberdade dentro de limites inteligentes

A customização dos veículos é um dos sistemas mais completos do jogo. Divididos em classes distintas, os carros podem ser ajustados tanto esteticamente quanto em desempenho.

Cores, acessórios, partes intercambiáveis e efeitos visuais permitem criar identidades bem únicas para cada máquina. No entanto, o jogo evita exageros: componentes não podem ser misturados entre classes diferentes, mantendo o equilíbrio competitivo.

Nostalgia reinterpretada em alta velocidade

As pistas são um dos pontos mais consistentes da experiência. Elas não apenas homenageiam locais icônicos da franquia Sonic, mas também reinterpretam esses cenários com novas mecânicas e layouts mais dinâmicos.

Há variações com seções aéreas, mudanças de terreno e trechos aquáticos que exigem adaptação constante. Algumas pistas ainda brincam com referências a outras franquias de corrida arcade, reforçando a identidade híbrida do jogo entre homenagem e inovação.

Energia constante na tela e bom desempenho

Visualmente, o jogo aposta em cores fortes e leitura clara, mesmo no meio do caos, o que ajuda a manter o controle da ação.

A trilha sonora segue a tradição da franquia Sonic: energética, vibrante e constantemente em movimento. As faixas acompanham bem a intensidade das corridas, alternando entre momentos mais tensos e explosões rítmicas.

No aspecto técnico, CrossWorlds mantém boa estabilidade no PS5. As opções de desempenho priorizam fluidez, o que faz mais sentido em um jogo onde reação rápida é essencial. Os tempos de carregamento são baixos e o desempenho se mantém consistente mesmo com muitos efeitos simultâneos, algo importante considerando a quantidade de explosões, boosts e transformações em tela.

Sonic Racing: CrossWorlds | Launch Trailer

Sonic Racing: CrossWorlds – Vale a pena?

Publisher: SEGA
Console: PlayStation 5

Sonic Racing: CrossWorlds não tenta ser apenas um novo jogo de corrida do Sonic, ele tenta redefinir como essas corridas podem funcionar dentro da própria franquia. Nem todas as ideias atingem seu máximo potencial, especialmente o sistema de rivais e o equilíbrio dos itens, mas o conjunto se sustenta graças à criatividade constante e à liberdade de personalização.

Veredito Final
85%

Shadow Labyrinth reinventa Pac-Man com tom sombrio

Nem toda reinvenção precisa seguir o caminho seguro e Shadow Labyrinth prova isso com coragem. A Bandai Namco pega um de seus maiores ícones e transforma completamente sua identidade, entregando uma experiência sombria, misteriosa e surpreendentemente densa. Aqui, Pac-Man deixa de ser apenas um símbolo arcade e passa a fazer parte de algo muito mais estranho e interessante.

Um mundo distorcido e cheio de mistérios

A narrativa coloca o jogador no papel do Swordsman No. 8, guiado por PUCK, uma entidade que remete diretamente ao Pac-Man, mas em uma versão muito mais sombria e enigmática.

O mundo é formado por ruínas e ambientes decadentes, onde a história é contada de forma indireta, seja por diálogos com NPCs ou pelos próprios cenários. Existe um cuidado claro na construção desse universo, que recompensa a atenção aos detalhes.

Essa abordagem lembra muito a atmosfera apresentada em Secret Level, especialmente no episódio Circle, trazendo uma sensação constante de estranheza e descoberta.

Exploração como grande protagonista

Seguindo a estrutura de um metroidvania, o jogo aposta em um mapa interconectado, cheio de atalhos, segredos e backtracking. E aqui está seu maior acerto.

A exploração é constante e recompensadora. Novas habilidades, áreas escondidas e elementos de lore surgem com frequência, incentivando o jogador a revisitar regiões já exploradas.

O gancho amplia a mobilidade, enquanto o modo GAIA muda completamente a forma de navegar pelo mapa, permitindo atravessar áreas perigosas sem sofrer dano.

Mas o grande diferencial está na transformação em PUCK. Nesse formato, o jogo abandona momentaneamente o estilo tradicional e abraça suas raízes, permitindo explorar trilhos em uma mecânica que remete diretamente ao clássico Pac-Man. É simples, mas extremamente criativo e quebra a repetição comum do gênero.

Combate funcional, mas limitado

O sistema de combate entrega o básico: ataques com espada, habilidades especiais, esquivas e parry. Existe uma gestão de recursos com a barra de ESP e estamina, que adiciona uma leve camada estratégica.

Apesar disso, o combate é o ponto mais fraco do jogo. Em muitos momentos, não há necessidade real de estudar inimigos ou dominar padrões, especialmente se o jogador investir em upgrades.

Progressão e builds bem estruturadas

Mesmo com um combate simples, o jogo compensa com um bom sistema de progressão. Ao derrotar inimigos, é possível obter materiais para criar perks, que modificam atributos e habilidades.

Esses perks oferecem diversas vantagens como aumento de dano, regeneração, melhorias de mobilidade, e permitem certa personalização do estilo de jogo.

Além disso, upgrades clássicos como aumento de vida e cura incentivam a exploração, já que geralmente estão escondidos em áreas mais desafiadoras.

Chefes criativos e cheios de identidade

As batalhas contra chefes são um dos momentos mais interessantes. Muitos deles apresentam mecânicas diferentes, exigindo o uso das habilidades adquiridas ao longo da jornada, incluindo a forma PUCK.

Visualmente, há forte inspiração em franquias da própria Bandai Namco, com criaturas que remetem a Splatterhouse e Dig Dug. Essa mistura de referências funciona bem e reforça o caráter de “celebração” do catálogo da empresa.

Direção artística que sustenta a experiência

O visual é um dos grandes destaques. O jogo aposta em uma estética sombria, com forte inspiração em títulos como Blasphemous e Castlevania.

Os cenários são variados e bem construídos, com uso eficiente de iluminação e texturas que ajudam a criar atmosferas densas e imersivas. As animações do protagonista são fluidas, enquanto PUCK mantém movimentos mais simples, o que faz sentido dentro da proposta.

A trilha sonora cumpre seu papel, acompanhando bem a ambientação, mas sem se destacar de forma memorável.

Por outro lado, o desempenho é sólido, com boa estabilidade e poucos problemas técnicos. Pequenos bugs de colisão e animação podem aparecer, mas não comprometem a experiência.

Shadow Labyrinth - Launch Trailer

Shadow Labyrinth – Vale a pena?

Publisher: Bandai Namco
Console: PlayStation 5

Shadow Labyrinth é uma releitura bem ousada de Pac-Man, com exploração viciante e ideias criativas como a forma PUCK. O combate é simples demais, mas o clima sombrio, os chefes legais e o mundo cheio de segredos seguram bem a experiência
Veredito Final
75%

The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered mantém o vício de explorar Cyrodiil

Alguns jogos simplesmente não desaparecem com o tempo, eles ficam esperando o momento certo para voltar. The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered é exatamente isso: o retorno de um dos RPGs mais marcantes da Bethesda Game Studios, agora com uma roupagem moderna que respeita suas raízes. E mesmo após tantos anos, a jornada por Cyrodiil continua tão envolvente quanto antes.

Uma crise que ameaça todo o império

A narrativa permanece intacta, mantendo a essência que consagrou o original. Em Cyrodiil, acompanhamos um protagonista anônimo que, após sair da prisão, se vê no meio de uma conspiração envolvendo a seita Mythic Dawn e o imperador Uriel Septim VII.

Antes de morrer, o imperador entrega ao jogador o Amuleto dos Reis, peça fundamental para manter o equilíbrio do reino. A missão passa a ser encontrar Martin Septim e impedir que o caos se espalhe.

Esse caos tem nome: Oblivion. Portões dimensionais começam a surgir por todo o mapa, trazendo criaturas do plano de Mehrunes Dagon. Fechá-los se torna uma tarefa constante e perigosa.

Liberdade que define a experiência

Se existe algo que continua sendo o grande diferencial, é a liberdade. Após o prólogo, o jogo praticamente solta o jogador no mundo e diz: vá.

Enquanto a criação de personagem segue o modelo clássico, permitindo definir atributos, habilidades e estilo de jogo desde o início. O sistema de progressão continua baseado no uso: quanto mais você pratica uma habilidade, melhor ela se torna.

Quer focar em combate direto? Magia? Furtividade? Tudo é possível e mais importante, tudo funciona.

As guildas retornam como pilares importantes da experiência. Seja na Guilda dos Magos, dos Ladrões ou na icônica Dark Brotherhood, cada linha de missões traz histórias próprias que expandem o universo e dão ainda mais profundidade ao mundo.

Exploração que ainda impressiona

Explorar Cyrodiil continua sendo uma das partes mais recompensadoras da jornada. O mundo é vasto, variado e cheio de pequenas histórias escondidas.

Cidades, cavernas, ruínas e florestas oferecem descobertas constantes, seja através de missões secundárias, itens raros ou até livros que ajudam a construir a mitologia do universo.

Com todos os conteúdos adicionais incluídos, o jogo facilmente entrega dezenas ou até centenas de horas para quem decide mergulhar de verdade.

Um clássico com novas camadas visuais

O trabalho da Virtuos na remasterização é evidente. Utilizando a Unreal Engine 5, o jogo recebeu uma atualização visual significativa.

Além disso, a iluminação está mais realista, as texturas mais detalhadas e os cenários ganharam vida. Florestas densas, lagos refletivos e cidades medievais agora possuem uma presença muito mais forte.

Os personagens também foram retrabalhados, com animações mais suaves e melhorias perceptíveis na movimentação, inclusive em terceira pessoa, que agora está mais natural.

Ajustes de qualidade de vida fazem diferença

A interface foi modernizada sem perder sua identidade. Menus e inventário estão mais intuitivos, e o HUD mais limpo facilita a navegação.

Algumas adições também ajudam na experiência, como sistemas de orientação mais claros inspirados em The Elder Scrolls V: Skyrim. A coleta de itens está mais prática, com interações mais precisas e menos frustrantes.

A trilha de Jeremy Soule continua sendo um dos pilares da experiência. Remasterizada, ela mantém toda a força emocional, equilibrando momentos épicos com tons mais melancólicos.

Enquanto a nova dublagem também contribui para dar mais vida aos personagens, e a localização completa em português é um grande acerto, tornando o jogo muito mais acessível ao público brasileiro.

Problemas antigos ainda marcam presença

Nem tudo foi resolvido. Alguns problemas técnicos ainda aparecem, como quedas ocasionais de desempenho e pop-ins que quebram a imersão.

Bugs clássicos também persistem. NPCs que não aparecem corretamente em missões ou pequenos glitches de física ainda podem acontecer, lembrando constantemente que, por baixo da nova camada visual, ainda existe o mesmo jogo de antes.

Além disso, outro ponto que poderia ter sido melhor explorado é a ausência de recursos específicos do controle moderno, como feedback tátil mais avançado.

The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered - Official Trailer

Poker Night at the Inventory Remaster – Vale a pena?

Publisher: Bethesda Softworks
Console: PlayStation 5

The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered traz de volta um clássico com visual renovado e a mesma liberdade absurda de sempre. Explorar Cyrodiil ainda é viciante, mas bugs antigos e alguns problemas técnicos continuam por ali. Mesmo assim, é aquele tipo de RPG fácil de se perder por horas sem nem perceber
Veredito Final
80%

Pac-Man World 2: Re-Pac melhora clássico sem perder identidade

Poucos jogos conseguem voltar depois de duas décadas e parecerem tão confortáveis quanto uma lembrança boa da infância. Pac-Man World 2: Re-Pac faz exatamente isso. Mais do que um simples retorno, ele pega a base de um clássico querido e a adapta para os tempos atuais com cuidado, respeito e melhorias que fazem diferença de verdade no controle e na experiência geral. Não é só nostalgia: é um resgate bem pensado.

Uma aventura simples, mas funcional

A história não tenta reinventar nada, e nem precisa. Os fantasmas causaram confusão mais uma vez, roubaram as Frutas Douradas e acabaram libertando Spooky, um espírito maligno que claramente não deveria estar solto por aí. Cabe ao Pac-Man recuperar tudo e restaurar a ordem.

É uma narrativa direta, leve e com aquele tom clássico dos jogos de plataforma da época. Funciona como pano de fundo sem atrapalhar o ritmo, mantendo o foco onde realmente importa: a jogabilidade.

Estrutura clássica com conteúdo extra

O jogo segue a fórmula tradicional de mundos temáticos conectados por um hub central, a Pac-Vila. Cada área traz fases, desafios e chefes, mantendo o ritmo constante de progressão.

Mas o remake adiciona camadas interessantes. O modo Contra o Tempo incentiva rejogabilidade, colocando o jogador contra o relógio em fases já concluídas. Além disso, há fases bônus com pegada arcade e um modo assistido, permitindo que um segundo jogador participe de forma mais casual.

Essas adições ampliam o conteúdo, embora nem tudo seja para qualquer tipo de jogador. O Contra o Tempo, por exemplo, pode ser bastante exigente e acaba sendo mais voltado para quem busca desafio.

Jogabilidade refinada faz toda a diferença

Aqui está o maior acerto do remake. A movimentação do Pac-Man está muito mais precisa, responsiva e confiável. O destaque vai para o novo flutter jump, que permite ajustar saltos no ar e reduz significativamente a frustração comum do jogo original.

O indicador de pouso também ajuda bastante, tornando os desafios de plataforma mais justos. Pequenos ajustes como esse transformam completamente a sensação de controle.

O combate, apesar de não ser o foco, recebeu melhorias importantes. Há mais opções de ataque, melhor resposta aos comandos e até a possibilidade de rebater projéteis. Ainda assim, continua sendo uma parte mais simples da experiência.

Fases clássicas, agora mais justas

As infames fases de gelo retornam, mas dessa vez, sem causar dor de cabeça. A física foi retrabalhada e está muito mais equilibrada. O desafio permanece, mas agora depende mais da habilidade do jogador do que de inconsistências do jogo.

Outro ponto positivo é a coleta de itens, que ficou mais acessível graças ao aumento da área de alcance. Isso reduz momentos frustrantes e deixa a exploração mais fluida.

As missões secundárias por fase incentivam revisitar níveis, com objetivos como pontuação, coleta total e conclusão. Ao final, recompensas cosméticas são liberadas, adicionando um incentivo extra.

Chefes simples e acessíveis

O modo fácil torna a experiência mais acessível, reduzindo dano e facilitando a progressão. Porém, há um equilíbrio interessante: no modo Contra o Tempo, essa escolha traz penalidades, dificultando a obtenção de melhores resultados.

Os confrontos contra chefes seguem uma linha mais básica, mas funcionam bem dentro da proposta. Com melhorias nas colisões, arenas e controles, as batalhas se tornam mais justas e agradáveis.

Visual moderno com essência preservada

O remake aposta em um visual totalmente reconstruído, com gráficos em alta definição, cores vibrantes e animações suaves. Cada mundo tem identidade própria e mantém o charme do original.

A Pac-Vila funciona como um hub vivo, com atividades extras, colecionáveis e interações que reforçam a sensação de progresso. A câmera, que antes era um dos maiores problemas, agora está totalmente sob controle do jogador. Isso elimina uma das maiores fontes de frustração do jogo original.

Em termos de desempenho, o jogo roda de forma estável, com carregamentos rápidos e sem problemas técnicos relevantes. A localização em português também é um ótimo acréscimo, tornando a experiência mais acessível.

PAC-MAN WORLD 2 Re-PAC – Launch Trailer

Pac-Man World 2: Re-Pac – Vale a pena?

Publisher: Bandai Namco
Console: PlayStation 5

Pac-Man World 2: Re-Pac é um exemplo de como um remake deve ser feito. Ele respeita o material original, mas não tem medo de corrigir suas falhas e adaptar a experiência para padrões modernos. Com jogabilidade refinada, melhorias significativas na qualidade de vida e um visual atualizado, o jogo consegue equilibrar nostalgia e evolução. Mesmo com alguns elementos repetitivos e um combate pouco aprofundado, é uma experiência sólida tanto para fãs antigos quanto para novos jogadores.
Veredito Final
80%

Rematch valoriza liberdade criativa e diversão direta

Nem todo jogo de futebol precisa seguir o caminho da simulação para funcionar. Rematch surge justamente como uma alternativa ao tradicional, apostando em uma abordagem arcade que valoriza ritmo, improviso e habilidade individual. Desenvolvido pela Sloclap, desenvolvedora de Sifu, o título abandona o realismo rígido para criar partidas mais livres, caóticas e acessíveis.

Futebol sem amarras

A proposta de Rematch quebra várias convenções do gênero. Não há faltas, impedimentos ou cartões. Em vez disso, arenas fechadas com paredes transformam o campo em um espaço dinâmico, onde a bola nunca para.

Essa decisão muda completamente a forma de jogar. Rebotes constantes criam situações imprevisíveis, favorecendo jogadas rápidas e criativas. O resultado são partidas intensas, com muitos gols e pouca pausa.

A comparação com Rocket League faz sentido: aqui, o desempenho depende muito mais da habilidade do jogador do que de estatísticas ou atributos.

Simples de aprender, difícil de dominar

Um dos maiores acertos está na acessibilidade. Os controles são diretos e funcionais, permitindo que qualquer jogador entenda o básico em poucos minutos.

Chutes respondem bem à intensidade do comando, enquanto passes (manuais ou assistidos) sustentam o jogo coletivo. O drible, por sua vez, é mais contido, focado em mudanças rápidas de direção ao invés de animações complexas.

Essa simplicidade inicial esconde uma profundidade interessante. O timing das ações e o posicionamento fazem toda a diferença, principalmente em partidas mais competitivas.

Ritmo dinâmico e partidas sempre diferentes

O jogo possui os seguintes modos: 3×3, 4×4 e 5×5, alterando significativamente a dinâmica das partidas.

  • No 3×3, há mais espaço e liberdade individual
  • No 5×5, o jogo exige coordenação e estratégia coletiva

Outro elemento que mantém tudo imprevisível é a troca de posições em tempo real. Qualquer jogador pode assumir o gol em momentos críticos, criando situações emergenciais que exigem reação imediata.

As partidas curtas, com cerca de seis minutos, reforçam o ritmo acelerado. Enquanto o sistema de “última jogada” adiciona tensão extra nos momentos finais, transformando empates em decisões dramáticas.

Um jogo que funciona melhor em equipe

Apesar das qualidades, a experiência com jogadores aleatórios nem sempre é ideal. A ausência de um sistema de comunicação eficiente, como pings visuais ou comandos rápidos, dificulta a coordenação. Em partidas sem entrosamento, o jogo pode se tornar caótico no pior sentido.

Esse problema praticamente desaparece ao jogar com amigos, onde a comunicação externa resolve essa limitação e potencializa o lado mais divertido do jogo.

Personalização presente, mas pouco impactante

O sistema de customização permite alterar a aparência do jogador, incluindo opções mais criativas como próteses cibernéticas.

No entanto, tudo é puramente estético, e, mais importante, pouco marcante. Os itens disponíveis não têm grande apelo visual, o que reduz o incentivo para investir tempo desbloqueando recompensas.

Com o tempo, essa falta de variedade pode afetar o engajamento, especialmente para quem busca progressão mais significativa.

Estilo visual leve e desempenho consistente

Visualmente, Rematch aposta em um estilo estilizado e colorido, com cenários variados que vão de ambientes urbanos a paisagens mais exóticas. Essa escolha ajuda a manter a leitura do jogo clara e evita o cansaço visual comum em simuladores mais realistas.

No desempenho, o jogo se mostra estável durante as partidas, com boa fluidez. Problemas de conexão podem ocorrer, como esperado em experiências online, mas o suporte contínuo com atualizações tem melhorado essa estabilidade ao longo do tempo.

Rematch | Official Launch Trailer

Rematch – Vale a pena?

Publisher: Kepler Interactive
Console: PlayStation 5

Rematch não tenta competir com simuladores tradicionais, e essa talvez seja sua maior virtude. Ao focar em acessibilidade, ritmo rápido e liberdade criativa, o jogo entrega uma experiência diferente dentro do gênero. Ainda há espaço para melhorias, principalmente em comunicação e recompensas, mas a base é sólida e divertida.
Veredito Final
75%

Anger Foot é caos puro e ritmo acelerado

Poucos jogos conseguem transmitir personalidade logo nos primeiros segundos como Anger Foot. Desenvolvido pela Free Lives e publicado pela Devolver Digital, o título abandona qualquer pretensão tradicional para abraçar o caos: um FPS rápido, barulhento e deliberadamente absurdo, onde chutar portas é tão importante quanto puxar o gatilho.

Violência estilizada em uma cidade decadente

A ambientação em Shit City define bem o tom da experiência. Trata-se de uma metrópole exagerada, suja e completamente disfuncional, dominada por gangues e por uma figura caricata conhecida como Ministro do Crime.

Nesse cenário grotesco, surge um protagonista improvável. A motivação? Recuperar sua coleção de tênis roubada. É uma premissa mínima, quase irrelevante e essa é justamente a intenção.

O jogo não depende de narrativa para se sustentar. Sua força está no ritmo, no impacto visual e na forma como transforma cada fase em um espetáculo de caos controlado.

Ritmo acelerado e tentativa constante

A estrutura das fases é simples, mas extremamente eficiente. Cada nível funciona como um pequeno quebra-cabeça de ação, onde o objetivo é eliminar todos os inimigos no menor tempo possível.

A comparação com Hotline Miami é inevitável. Assim como nele, o aprendizado vem pela repetição: morrer faz parte do processo.

As fases são curtas, muitas vezes durando menos de um minuto, mas exigem precisão, memorização e reflexos rápidos. Cada tentativa ajuda a entender melhor o posicionamento dos inimigos e a traçar rotas mais eficientes.

Quando a execução não acompanha a ideia

Apesar da base sólida, alguns problemas técnicos interferem diretamente na experiência.

A principal falha está na inconsistência da mira. Mesmo em situações claras, os disparos podem não se comportar como esperado, prejudicando desafios mais específicos, como headshots.

As hitboxes também apresentam irregularidades, afetando tanto tiros quanto chutes. Em um jogo que depende tanto de precisão e rapidez, esses deslizes acabam gerando mortes frustrantes, não por erro do jogador, mas por falhas do sistema.

Tênis que mudam a forma de jogar

Um dos elementos mais criativos do jogo é o sistema de habilidades baseado em tênis, em que cada par concede efeitos únicos que vão de dashes letais a modificações de dano, mudanças no comportamento das armas e habilidades utilitárias, como vidas extras, adicionando uma camada estratégica que incentiva o jogador a adaptar sua abordagem a cada fase.

No entanto, nem todos os tênis têm impacto real. Muitos acabam sendo ignorados por oferecerem vantagens pouco relevantes, enquanto outros exigem desafios excessivamente difíceis para serem desbloqueados, o que pode afastar parte dos jogadores.

Combate intenso, mas chefes esquecíveis

Nos combates comuns, o jogo mantém um ritmo excelente. A introdução gradual de novos inimigos aumenta a complexidade, exigindo domínio das mecânicas e adaptação constante.

Por outro lado, os chefes não acompanham essa qualidade. Enquanto as fases normais são rápidas e imprevisíveis, os confrontos contra chefes são lentos e baseados em padrões simples. Em muitos casos, basta esperar o momento certo para atacar, o que quebra completamente o fluxo frenético da experiência.

Estética caótica com identidade forte

Visualmente, Anger Foot aposta em um estilo exagerado e propositalmente desconfortável. Shit City mistura elementos grotescos com humor escrachado, criando um mundo que causa estranheza, mas também diverte. NPCs com diálogos rápidos e absurdos ajudam a reforçar esse tom.

O áudio merece destaque especial. A trilha sonora, inspirada em música eletrônica intensa, dita o ritmo da ação com precisão. As batidas acompanham o combate, acelerando a adrenalina e criando uma sensação constante de urgência.

Os efeitos sonoros também são criativos, com cada tipo de calçado produzindo sons distintos, um detalhe pequeno, mas que reforça a identidade do jogo.

No aspecto técnico, o jogo entrega uma performance sólida, mantendo fluidez constante durante toda a experiência. O uso do DualSense contribui para a imersão, com feedback tátil sincronizado à trilha sonora e uso eficiente dos gatilhos adaptáveis. Além disso, a presença de localização em português e opções de acessibilidade ajuda a tornar o jogo mais acessível.

Anger Foot | PS5 Launch Trailer | Available Now! 🥾🚪 💥 🔫

Anger Foot – Vale a pena?

Publisher: Devolver Digital
Console: PlayStation 5

Anger Foot é puro caos: rápido, barulhento e viciante, com fases curtinhas que pedem tentativa e erro o tempo todo. A ideia dos tênis é criativa e o estilo é único, mas problemas na mira e chefes fracos quebram um pouco o ritmo insano do jogo.
Veredito Final
80%

Suikoden I & II HD Remaster: Gate Rune and Dunan Unification Wars revive clássicos marcantes

Trazer de volta dois RPGs tão marcantes quanto Suikoden I & II HD Remaster: Gate Rune and Dunan Unification Wars vai além de um simples relançamento, é revisitar uma era em que narrativas políticas e elencos extensos ajudaram a moldar o gênero. Impulsionado pelo recente interesse reacendido por títulos como Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes, o retorno da franquia pela Konami surge como um movimento certeiro, equilibrando respeito ao material original com ajustes necessários para os padrões atuais.

Conflitos políticos e jornadas marcantes

O primeiro Suikoden apresenta uma narrativa que cresce gradualmente em complexidade. A história começa de forma contida, acompanhando um jovem ligado ao Império da Lua Escarlate, mas rapidamente evolui para um conflito maior, envolvendo corrupção, resistência e sacrifícios.

O elemento central está na Runa da Alma, que conecta o protagonista a eventos muito maiores do que ele próprio. A partir daí, a jornada ganha peso emocional com perdas, traições e decisões difíceis, enquanto o jogador recruta as 108 Estrelas do Destino, conceito inspirado em A Margem da Água.

Já Suikoden II expande tudo que o original propôs. A narrativa assume um tom mais denso, explorando guerra, amizade e ruptura de forma mais intensa.

O conflito entre Riou e Jowy funciona como o coração da experiência. Separados por circunstâncias brutais, os dois representam lados opostos de uma mesma tragédia, elevando o impacto emocional da história. A presença de antagonistas marcantes, como Luca Blight, reforça ainda mais o peso dramático.

Sistemas clássicos que ainda sustentam a experiência

A base da jogabilidade permanece fiel ao formato original, com combates em turnos que permitem até seis personagens no grupo.

O uso de runas para magias, ataques combinados e a necessidade de posicionamento estratégico, considerando o alcance de cada personagem, continuam sendo elementos sólidos. Essa estrutura mantém o ritmo envolvente, principalmente pela variedade de possibilidades em batalha.

No entanto, nem tudo envelheceu com a mesma elegância. Os duelos individuais e as batalhas em larga escala, que deveriam ampliar a diversidade do combate, hoje soam limitados. Mesmo com melhorias visuais, essas mecânicas permanecem simplificadas e pouco dinâmicas, destoando do restante do sistema.

O charme do recrutamento e da construção de base

Um dos pilares mais marcantes da franquia segue intacto: o recrutamento das 108 Estrelas do Destino.

Cada personagem adicionado não apenas fortalece o grupo, mas também contribui para o crescimento da base principal, desbloqueando serviços, lojas e novas interações. Esse sistema cria uma sensação constante de progresso e pertencimento ao mundo.

Modernização cuidadosa, mas não completa

A remasterização acerta ao atualizar aspectos importantes sem comprometer a identidade original. Os cenários receberam melhorias visuais, com mais detalhes e profundidade, enquanto os sprites foram refinados, mantendo o estilo clássico. A interface também foi redesenhada, tornando a navegação mais fluida e acessível.

No áudio, trilhas e efeitos foram retrabalhados, reforçando momentos importantes da jornada. Ainda assim, a ausência de localização em português continua sendo uma limitação relevante para parte do público.

Além disso, a remasterização traz melhorias de qualidade de vida, como a opção de correr desde o início, batalhas aceleradas, auto-batalha e níveis de dificuldade ajustáveis, tornando a progressão mais ágil e adaptável ao estilo de cada jogador.

Limitações que resistem ao tempo

Apesar dos avanços, algumas decisões antigas permanecem intactas e nem sempre de forma positiva. O sistema de inventário é um dos principais pontos de atrito. Com limite restrito por personagem, o gerenciamento constante acaba quebrando o fluxo da exploração.

Outro problema está no salvamento automático, que apresenta inconsistências. Em uma experiência longa e baseada em progressão contínua, essa limitação pode gerar frustração desnecessária.

Esses elementos evidenciam que a remasterização priorizou preservar a essência, mesmo quando isso significou manter estruturas já ultrapassadas.

Suikoden I&II HD Remaster Gate Rune and Dunan Unification Wars | Launch Trailer

Suikoden I & II HD Remaster – Vale a pena?

Publisher: Konami
Console: PlayStation 5

Suikoden I & II HD Remaster traz de volta dois clássicos com histórias políticas fortes, personagens marcantes e aquele sistema viciante de recrutar todo mundo. As melhorias ajudam bastante, mas inventário travado e sistemas datados ainda incomodam. Mesmo assim, continua sendo uma experiência única e muito especial
Veredito Final
90%

Gex Trilogy revive clássico com charme e falhas

Resgatar mascotes clássicos dos anos 90 é sempre um exercício delicado entre preservação e atualização. Gex Trilogy aposta justamente nesse equilíbrio ao reunir três títulos marcantes do lagarto mais irreverente da era dos videogames. Utilizando a Carbon Engine, também presente em Tomba! Special Edition a coletânea busca modernizar a experiência sem descaracterizar sua identidade original.

Um mascote moldado pela cultura pop

A trilogia reúne Gex, Gex: Enter the Gecko e Gex 3: Deep Cover Gecko, três jogos que refletem bem o humor e o estilo da época.

Gex sempre foi definido por suas referências à cultura pop, com piadas constantes sobre filmes, televisão e celebridades. Esse humor continua sendo um dos pilares da experiência, ainda que varie bastante em qualidade, alternando entre momentos realmente criativos e outros que envelheceram menos bem.

Do 2D simples ao salto ambicioso para o 3D

O primeiro jogo mantém uma estrutura side-scroller tradicional. Mesmo sendo mais simples, ainda funciona bem graças aos controles responsivos e ao uso inteligente das habilidades do protagonista, como escalar paredes.

A progressão baseada na coleta de controles para desbloquear novas áreas incentiva exploração, embora o design das fases apresente certa repetição ao longo da campanha.

A grande virada acontece em Gex: Enter the Gecko. Inspirado por títulos como Super Mario 64, o jogo leva a franquia para o 3D com um hub central e fases temáticas mais elaboradas.

Essa mudança amplia significativamente a variedade. Objetivos múltiplos, chefes e exploração mais livre tornam a experiência mais rica. Ainda assim, a estrutura de ser expulso da fase após cada objetivo, exigindo repetição, evidencia um design datado.

Evolução sem ruptura no terceiro capítulo

Gex 3: Deep Cover Gecko segue a base do segundo jogo, expandindo suas mecânicas sem reinventá-las.

Novos colecionáveis e atividades adicionais ajudam a diversificar a progressão, mas a ausência de mudanças mais profundas faz com que a experiência pareça familiar demais, especialmente ao jogar os títulos em sequência.

Além disso, problemas antigos persistem. A câmera continua sendo um dos pontos mais frágeis, afetando a navegação e a precisão em momentos mais exigentes.

Melhorias modernas que facilitam o acesso

Do ponto de vista técnico, a coletânea entrega um trabalho sólido de preservação. Recursos como save state, rebobinamento, suporte a widescreen e filtros visuais tornam os jogos mais acessíveis ao público atual. Essas melhorias reduzem frustrações típicas da época e permitem uma experiência mais fluida.

Ainda assim, elas não corrigem completamente limitações estruturais, especialmente nos títulos em 3D, que carregam problemas de design difíceis de contornar.

Criatividade nas fases, limitações no combate

Um dos pontos mais interessantes está no design das fases. A trilogia apresenta ideias criativas, com níveis que exploram diferentes temas, mecânicas e até referências diretas a obras como Indiana Jones.

Por outro lado, os inimigos e chefes não acompanham esse nível de criatividade. Há pouca variedade, e os combates tendem a ser simples e pouco memoráveis, o que reduz o impacto de alguns momentos importantes.

Extras que valorizam a preservação

A coletânea se destaca pelo conteúdo adicional. Entrevistas, trilhas sonoras, materiais promocionais e até protótipos inéditos ajudam a contextualizar a franquia.

Além disso, a presença de materiais envolvendo Dana Gould (responsável pela voz original de Gex) reforça esse cuidado histórico, oferecendo um olhar mais completo sobre o desenvolvimento dos jogos.

Esse conjunto transforma a coletânea em algo além de uma simples reunião de títulos, funcionando também como um registro do período em que foram criados.

Gex Trilogy | New Features Overview Trailer

Gex Trilogy – Vale a pena?

Publisher: Limited Run Games
Console: PlayStation 5

Gex Trilogy Remaster é puro retrô: humor cheio de referências, fases criativas e aquela evolução clássica do 2D pro 3D. As melhorias ajudam bastante, mas câmera ruim e repetição ainda pesam. No fim, é nostálgico, divertido e meio datado ao mesmo tempo
Veredito Final
75%

Assassin’s Creed Shadows traz boa narrativa, mas sofre com a repetição

Após anos tentando equilibrar inovação e tradição, a franquia Assassin’s Creed chega a Assassin’s Creed Shadows com uma proposta ambiciosa: unir uma narrativa mais íntima a um mundo aberto expansivo no Japão Feudal. O resultado é um jogo que impressiona pela apresentação e pelo peso emocional da história, mas que ainda carrega estruturas já desgastadas ao longo dos últimos títulos da Ubisoft.

Dois protagonistas, dois caminhos que se cruzam

A narrativa é, sem dúvida, o ponto mais forte da experiência. Pela primeira vez, o jogador acompanha dois personagens com perspectivas opostas, mas complementares.

Yasuke, inspirado na figura histórica Yasuke, é retratado como um guerreiro em busca de identidade após deixar para trás um passado de submissão. Sua jornada é marcada por conflitos internos e pela tentativa de encontrar propósito em meio ao caos.

Já Naoe segue um caminho guiado pela vingança. Como ninja, sua história carrega um peso emocional forte desde o início, especialmente pela ligação direta com eventos que envolvem Yasuke. A relação entre os dois evolui com naturalidade, passando de confronto a compreensão mútua.

Mesmo com alguns elementos previsíveis, o roteiro se mantém consistente e entrega momentos marcantes, algo que nem sempre foi prioridade nos capítulos mais recentes da série.

Jogabilidade dividida entre furtividade e força bruta

A estrutura segue a base estabelecida por títulos como Assassin’s Creed Valhalla e Assassin’s Creed Odyssey, com progressão por níveis, equipamentos e árvores de habilidades.

A principal diferença está na dualidade entre os protagonistas:

  • Naoe representa o estilo clássico da franquia, com foco em furtividade, mobilidade e uso de ferramentas como kunais, bombas de fumaça e a hidden blade.
  • Yasuke adota uma abordagem mais direta, com combates pesados, uso de katanas e confrontos abertos contra múltiplos inimigos.

Essa divisão traz variedade e permite que o jogador escolha como abordar cada situação. No entanto, o sistema de combate ainda apresenta limitações.

Os inimigos seguem padrões previsíveis e raramente exigem adaptação mais profunda. Mecânicas como parry funcionam bem, mas não alcançam o nível de precisão visto em jogos como Sekiro: Shadows Die Twice.

Estrutura de mundo aberto que pesa pelo excesso

O jogo aposta em um mapa amplo, repleto de atividades espalhadas por diferentes regiões. Há contratos, missões secundárias, desafios específicos e diversos sistemas paralelos.

Embora a variedade exista, a execução sofre com repetição. Muitas dessas atividades têm pouco impacto narrativo e servem apenas como meio para evolução de personagem.

O sistema de objetivos também não ajuda. Em alguns momentos, a organização das missões é confusa, misturando tarefas principais e secundárias de forma pouco clara, o que pode prejudicar o ritmo da progressão.

Ainda assim, há boas ideias no meio desse excesso. A base principal e os refúgios oferecem funções interessantes, como gerenciamento de recursos e missões automatizadas. Atividades culturais, como meditação e treinamentos, ajudam a enriquecer o contexto histórico, mesmo que acabem diluídas na quantidade de conteúdo.

Um Japão Feudal impressionante

Visualmente, Assassin’s Creed Shadows atinge um dos pontos mais altos da franquia. O Japão Feudal é retratado com riqueza de detalhes, desde vilarejos até florestas densas e templos imponentes. O uso de iluminação dinâmica, mudanças climáticas e ciclo de dia e noite contribui para um mundo vivo e imersivo.

Os personagens também se destacam. As expressões faciais são bem trabalhadas, especialmente em cenas emocionais. O nível de detalhamento em armaduras e armas reforça a autenticidade da ambientação.

O combate, por sua vez, adota uma abordagem mais brutal, com efeitos visuais intensos que aumentam o impacto das batalhas.

Dublagem e desempenho elevam a experiência

A localização em português brasileiro é um dos grandes acertos. As performances de voz ajudam a dar ainda mais profundidade aos personagens, tornando os momentos dramáticos mais convincentes.

No aspecto técnico, o jogo apresenta desempenho sólido no PlayStation 5. A taxa de quadros se mantém estável, os carregamentos são rápidos e a experiência geral é fluida, um avanço importante em relação a lançamentos anteriores da série.

Assassin's Creed Shadows: Official World Premiere Trailer

Assassin’s Creed Shadows – Vale a pena?

Publisher: Ubisoft
Console: PlayStation 5

Assassin’s Creed Shadows manda muito bem na história com dois protagonistas interessantes e um Japão feudal lindo de explorar. A jogabilidade diverte com furtividade e combate mais bruto, mas o mundo aberto ainda sofre com excesso de conteúdo repetitivo. No fim, é envolvente, bonito e competente, só não foge totalmente das velhas fórmulas da série
Veredito Final
85%