Todos os posts de George Rodrigues

TI, estudante de jornalismo, redator e caçador de platinas.

Astro Bot celebra a história do PlayStation com estilo

Transformar uma simples demonstração técnica em uma das experiências mais marcantes de uma plataforma é algo raro. Astro Bot nasce justamente dessa evolução: o que começou com Astro’s Playroom como vitrine do PlayStation 5 se expande aqui em um jogo completo, ambicioso e carregado de identidade. Mais do que uma sequência, trata-se de um projeto que busca consolidar Astro como símbolo moderno da marca Sony.

Uma aventura simples que abre espaço para o espetáculo

A premissa é direta, mas eficiente. Durante uma celebração a bordo de uma nave em formato de PS5, Astro e seus companheiros são surpreendidos por um inimigo que destrói a estrutura e espalha a tripulação por diversos planetas.

A partir daí, a jornada se constrói com base na exploração desses mundos, no resgate dos robôs perdidos e na reconstrução da nave. É uma narrativa leve, com foco maior na experiência do que em complexidade dramática.

Esse minimalismo funciona bem porque permite que o jogo priorize ritmo, criatividade e momentos marcantes. Pequenos toques de humor como as interações com os bots resgatados ajudam a manter o tom descontraído do início ao fim.

Plataforma 3D com identidade própria

A base da jogabilidade segue os fundamentos clássicos dos jogos de plataforma 3D, mas com refinamentos que tornam cada ação extremamente precisa.

Astro é ágil, responsivo e versátil. Saltos, ataques e movimentação aérea se conectam de forma fluida, criando uma sensação constante de controle. O combate é simples, mas cumpre seu papel ao complementar a exploração sem quebrar o ritmo.

Os power-ups são um dos principais responsáveis pela variedade. Cada habilidade introduz novas formas de interagir com o cenário, desde ataques à distância até mecânicas específicas usadas em fases temáticas.

O DualSense como peça central da experiência

O grande diferencial está na forma como o jogo utiliza o DualSense. Aqui, o controle não é apenas um meio de interação, mas parte ativa do design.

O feedback tátil transmite sensações distintas para cada superfície, enquanto os gatilhos adaptáveis simulam resistência em ações específicas. Pequenos detalhes, como sons vindos do alto-falante do controle, reforçam ainda mais a imersão.

Essa integração não parece forçada, pelo contrário, ela se encaixa naturalmente na proposta e eleva a experiência como um todo.

Um tributo constante ao universo PlayStation

Um dos aspectos mais marcantes de Astro Bot é sua relação com a história da PlayStation. Ao longo da campanha, o jogador encontra versões robóticas de personagens icônicos. Referências a God of War, Metal Gear Solid, The Last of Us e Ghost of Tsushima aparecem de forma criativa, muitas vezes recriando cenas clássicas com um toque leve e bem-humorado.

Além disso, elementos históricos da marca também estão presentes. Consoles antigos, acessórios e objetos icônicos surgem como parte do cenário ou como itens colecionáveis, reforçando o caráter celebrativo do jogo.

O hub central amplia essa ideia com sistemas como máquinas de coleção, que desbloqueiam miniaturas e curiosidades, criando uma conexão direta com a memória afetiva dos jogadores.

Level design criativo e sempre surpreendente

Cada mundo apresenta uma proposta distinta, tanto visual quanto mecânica. Ambientes variam entre cenários tecnológicos, áreas naturais e espaços que exploram conceitos mais abstratos. Essa diversidade mantém a sensação de descoberta constante.

As fases são construídas com atenção ao ritmo, alternando momentos de exploração, desafios de precisão e sequências mais intensas. Chefes e desafios opcionais complementam essa estrutura, oferecendo testes adicionais para quem busca maior domínio.

Ainda que o jogo mantenha um nível de dificuldade acessível na maior parte do tempo, alguns desafios extras exigem mais precisão, funcionando como conteúdo adicional para jogadores mais experientes.

Direção artística vibrante e tecnicamente refinada

Visualmente, o jogo aposta em um estilo cartunesco altamente detalhado. As animações são fluidas, e Astro se destaca pela expressividade e carisma em cada movimento.

O uso de tecnologias como ray tracing adiciona profundidade aos cenários, especialmente em áreas com superfícies reflexivas e iluminação dinâmica. Cada ambiente possui identidade própria, com paletas de cores bem definidas.

O desempenho acompanha essa qualidade visual. A experiência se mantém estável, com alta taxa de quadros e transições rápidas entre áreas graças ao SSD do console.

Som e imersão que completam a experiência

A trilha sonora reforça o tom leve e aventureiro, adaptando-se ao estilo de cada fase. Em momentos mais intensos, ela acompanha a ação sem se sobrepor ao gameplay.

Os efeitos sonoros são precisos e ajudam a transmitir impacto e feedback das ações. O áudio 3D amplia a sensação de espaço, tornando o ambiente mais envolvente.

Quando combinado com os recursos do DualSense, o resultado é uma experiência sensorial completa, onde som e tato trabalham juntos para aumentar a imersão.

Astro Bot - Launch Trailer | PS5 Games

Astro Bot – Vale a pena?

Publisher: PlayStation Studios
Console: PlayStation 5

Astro Bot é puro carisma: plataforma 3D super polido, fases criativas e uso incrível do DualSense que faz diferença de verdade. Com visual lindo e várias referências à história da PlayStation, é leve, divertido e cheio de momentos memoráveis do começo ao fim

Veredito Final
100%
100%

Fatal Fury City of the Wolves é retorno sólido e desafiador

Trazer de volta uma franquia clássica de luta exige mais do que nostalgia, é preciso encontrar equilíbrio entre tradição e evolução. Fatal Fury: City of the Wolves surge com essa responsabilidade, apostando em uma base técnica sólida e sistemas modernos, mas sem abrir mão da identidade construída pela SNK ao longo dos anos.

Modos de jogo e uma tentativa ambiciosa de narrativa

A estrutura de conteúdo é ampla e atende diferentes perfis de jogadores. O tradicional Modo Arcade mantém a essência da série, colocando o jogador em uma sequência direta de combates até o confronto final. É uma experiência objetiva, mas eficiente, principalmente por incluir pequenas cenas que ajudam a contextualizar os personagens.

A principal novidade está nos Episódios de South Town, uma abordagem mais ambiciosa que mistura elementos de RPG com progressão baseada em exploração. Nesse modo, cada personagem evolui por meio de níveis e habilidades equipáveis, enfrentando desafios espalhados por mapas.

Apesar da proposta interessante, a execução não acompanha o potencial. A ausência de animações e dublagem (presentes em outros modos) reduz significativamente o envolvimento, fazendo com que a narrativa dependa quase exclusivamente de imagens estáticas. Além disso, a progressão baseada em repetição de combates pode se tornar desgastante, já que prioriza números e evolução gradual em vez de habilidade direta.

Estrutura competitiva completa e acessível

No cenário competitivo, o jogo entrega um pacote robusto. Os modos tradicionais contra CPU e jogadores locais estão presentes, acompanhados por uma experiência online completa com partidas casuais, ranqueadas e salas privadas.

O suporte a crossplay amplia a base de jogadores, enquanto o uso de rollback netcode garante partidas mais estáveis e responsivas, um elemento essencial para jogos de luta.

Um diferencial interessante é a possibilidade de enfrentar inteligências artificiais baseadas em jogadores reais, criando um ambiente de treino mais dinâmico e útil para quem deseja evoluir.

Para iniciantes, o jogo oferece um tutorial bem estruturado, cobrindo desde fundamentos básicos até sistemas mais avançados. Desafios de combo e modos de treino complementam esse aprendizado, embora algumas mecânicas mais complexas ainda exijam tempo para serem totalmente compreendidas.

Combate técnico com novas camadas estratégicas

A jogabilidade mantém a base clássica da franquia, com um sistema de quatro botões principais voltados para ataques e um botão adicional para ações especiais. A resposta dos comandos é precisa, favorecendo um estilo de jogo técnico e calculado.

O jogo permite escolher entre dois estilos de controle. O Arcade Style segue o padrão tradicional com comandos mais complexos, enquanto o Smart Style simplifica execuções, facilitando o acesso para novos jogadores, uma abordagem semelhante à vista em Street Fighter 6.

O grande destaque está no REV System, que introduz um medidor de energia utilizado para habilidades especiais como REV Arts, REV Accel e REV Blow. Esse sistema adiciona profundidade ao combate, incentivando decisões estratégicas constantes.

Por outro lado, o gerenciamento desse recurso exige atenção. O superaquecimento limita o uso excessivo, criando um equilíbrio entre agressividade e controle. Essa dinâmica funciona bem, mas também aumenta a complexidade geral da experiência.

Mecânicas avançadas que elevam o jogo

O sistema S.P.G. (Selective Potential Gear) amplia ainda mais a estratégia ao permitir escolher um ponto específico da barra de vida para ativar um estado de poder elevado. Quando ativo, ele oferece bônus importantes e libera habilidades mais devastadoras.

Embora seja uma ideia interessante, sua aplicação pode parecer pouco intuitiva no início. Mesmo com explicações detalhadas, entender o momento ideal de ativação exige prática e leitura de jogo, o que pode afastar jogadores menos experientes.

Na defesa, o jogo também se destaca. Mecânicas como Just Defend recompensam precisão ao bloquear ataques no último instante, enquanto sistemas como Dodge Counters e Guard Crushes adicionam profundidade às trocas durante as lutas.

Elenco equilibrado entre tradição e novidade

O roster inicial conta com 17 personagens, combinando nomes clássicos e novos lutadores. Figuras conhecidas como Terry Bogard, Rock Howard e Mai Shiranui mantêm estilos familiares e funcionam bem como ponto de entrada para novos jogadores.

Entre os estreantes, há variedade suficiente para diversificar o gameplay. Preecha traz uma abordagem baseada em trocas de postura, enquanto Salvatore Ganacci aposta em movimentos estilizados e pouco convencionais.

A presença de Cristiano Ronaldo como personagem jogável é uma escolha inusitada. Seu estilo mistura elementos do futebol com mecânicas de luta, criando uma proposta diferente, ainda que possa soar deslocada para parte do público.

Direção artística marcante, mas inconsistente

Visualmente, o jogo adota um estilo cel-shaded que mistura elementos 2D e 3D, preservando a identidade clássica da franquia. Os personagens são bem detalhados, com animações expressivas e efeitos visuais impactantes durante os golpes.

No entanto, nem tudo mantém o mesmo nível de qualidade. Alguns cenários apresentam inconsistências, seja na paleta de cores ou na integração entre elementos visuais, o que pode quebrar a imersão em determinados momentos.

A trilha sonora se destaca positivamente, combinando gêneros como rock, hip-hop e jazz para reforçar a atmosfera urbana do jogo. Os efeitos sonoros também cumprem bem seu papel, transmitindo impacto e intensidade durante os combates.

No aspecto técnico, o jogo entrega uma performance confiável. Com 60 fps estáveis e tempos de carregamento rápidos, a experiência se mantém fluida tanto offline quanto online.

FATAL FURY: CotW |Official Trailer

Fatal Fury: City of the Wolves – Vale a pena?

Publisher: SNK CORPORATION
Console: PlayStation 5

Fatal Fury: City of the Wolves manda bem no combate técnico e no online sólido, com sistemas novos que dão profundidade de sobra. Apesar de modos mais repetitivos e algumas escolhas estranhas, é um retorno forte, desafiador e cheio de estilo pra quem curte luta de verdade
Veredito Final
85%

Prince of Persia: The Lost Crown equilibra legado e inovação

Reimaginar uma franquia tão tradicional quanto Prince of Persia não é uma tarefa simples. Ao longo das décadas, a série passou por diferentes fases, desde o clássico de 1989 até o marco moderno Prince of Persia: The Sands of Time. Com Prince of Persia: The Lost Crown, a Ubisoft aposta em uma mudança ousada: abandonar o formato tradicional em 3D para abraçar o estilo metroidvania em 2D. O resultado é uma experiência que respeita o legado da franquia, mas encontra força justamente ao seguir por um caminho próprio.

Uma nova lenda em meio ao caos

A narrativa se inicia em uma Pérsia devastada pela guerra, onde a sensação de colapso iminente estabelece o tom da jornada. O jogador acompanha Sargon, um guerreiro que rapidamente se destaca entre seus aliados, não apenas por sua habilidade, mas também pelo impacto que causa ao seu redor.

Ao lado de figuras como Vahram, Orod e Neith, a trama constrói relações marcadas por tensão, admiração e rivalidade. Esse equilíbrio é importante para dar peso aos acontecimentos que seguem, especialmente quando uma missão de resgate coloca tudo em movimento.

O enredo ganha força ao introduzir o Athra, uma energia mística que concede poderes especiais, e ao levar o jogador até o enigmático Monte Qaf. Esse cenário não é apenas um pano de fundo, ele se torna peça central da narrativa, explorando conceitos ligados ao tempo de forma criativa.

A história se desenvolve com reviravoltas frequentes, explorando temas como traição, destino e consequências das escolhas. Personagens secundários, como mercadores e figuras místicas, ajudam a enriquecer o mundo, tornando-o mais vivo e interessante sem desviar o foco principal.

Estrutura metroidvania que valoriza exploração

A base do jogo está na exploração e progressão gradual. O mapa é amplo e interconectado, incentivando o retorno a áreas já visitadas conforme novas habilidades são desbloqueadas.

Cada região apresenta identidade própria indo de desertos hostis a estruturas antigas e misteriosas, com desafios que exigem atenção tanto na navegação quanto no combate. A progressão não depende apenas de avançar, mas de observar, testar e dominar o ambiente.

Os colecionáveis cumprem papel importante nesse sistema. Itens como pétalas especiais e recipientes de areia recompensam a curiosidade do jogador, oferecendo melhorias que impactam diretamente a jornada.

As missões secundárias complementam essa estrutura, adicionando variedade e aprofundando o universo sem se tornarem obrigatórias. Já o sistema de fragmentos de memória facilita a exploração ao permitir registrar pontos de interesse no mapa, reduzindo frustração em momentos mais complexos.

Movimentação precisa e cheia de possibilidades

A movimentação é um dos pilares da experiência. Cada salto, esquiva e corrida pelas paredes responde com precisão, criando uma sensação constante de controle.

As habilidades evoluem de forma significativa ao longo da campanha. O dash rápido e a manipulação de dimensões, por exemplo, não são apenas ferramentas de combate, mas elementos fundamentais para resolver desafios ambientais.

Esse conjunto transforma a exploração em algo dinâmico. Não se trata apenas de chegar a um destino, mas de entender como utilizar cada habilidade de forma eficiente para superar obstáculos cada vez mais elaborados.

Combate técnico e desafiador

O combate acompanha essa fluidez, exigindo reflexos rápidos e leitura constante dos inimigos. Cada confronto demanda atenção, especialmente conforme novos tipos de adversários são introduzidos.

Os amuletos adicionam uma camada estratégica relevante. Eles permitem adaptar o estilo de jogo, oferecendo bônus variados que incentivam diferentes abordagens. Essa personalização contribui para que cada jogador encontre seu próprio ritmo.

As batalhas contra chefes se destacam como momentos de maior intensidade. São encontros que exigem domínio das mecânicas e boa execução, funcionando como testes claros de progresso.

Ainda assim, em alguns momentos, o jogo pode apresentar picos de dificuldade que interrompem o ritmo. Embora desafiadores, certos trechos de plataforma e combates mais exigentes podem gerar frustração, especialmente para jogadores menos experientes no gênero.

Acessibilidade e equilíbrio de desafio

Um dos pontos mais interessantes é a forma como o jogo lida com acessibilidade. Em vez de comprometer a experiência, ele oferece ferramentas opcionais que permitem ajustar o nível de desafio.

É possível reduzir o dano recebido, destacar itens importantes no cenário e até pular trechos específicos de plataforma. Essas opções não interferem na progressão de quem busca uma experiência mais tradicional, mas tornam o jogo mais inclusivo.

Essa abordagem demonstra um cuidado importante no design, permitindo que diferentes perfis de jogadores aproveitem a jornada sem descaracterizar sua essência.

Direção artística e ambientação consistente

Visualmente, o jogo aposta em um estilo estilizado que funciona bem dentro da proposta 2D. Os cenários são variados e detalhados, reforçando a identidade de cada área explorada.

A trilha sonora acompanha essa ambientação de forma discreta. Não se destaca constantemente, mas cumpre seu papel ao reforçar o clima de cada momento.

No aspecto técnico, o desempenho é sólido. A promessa de alta taxa de quadros se traduz em uma experiência fluida, sem problemas visuais relevantes durante a campanha. Esse cuidado contribui diretamente para a precisão da jogabilidade.

Prince of Persia: The Lost Crown - Launch Trailer

Prince of Persia: The Lost Crown – Vale a pena?

Publisher: Ubisoft
Console: PlayStation 5

Prince of Persia: The Lost Crown consegue algo raro: respeitar o legado da franquia enquanto constrói uma identidade própria. A mudança para o formato metroidvania não apenas funciona, como amplia as possibilidades da série. A combinação de exploração inteligente, combate técnico e uma narrativa envolvente sustenta a experiência do início ao fim. Apesar de alguns momentos de dificuldade mais acentuada, o jogo se mantém consistente e recompensador.
Veredito Final
90%

Wizard of Legend 2 transforma cada partida em experimento

Wizard of Legend 2 chega como uma evolução ambiciosa dentro do gênero roguelike de ação, expandindo de forma significativa as bases estabelecidas pelo seu antecessor. O resultado é uma experiência mais complexa, mais caótica e consideravelmente mais flexível, que aposta tanto na experimentação de builds quanto na intensidade do combate para manter o jogador engajado partida após partida.

Um novo capítulo na jornada do Mago da Lenda

A premissa mantém o espírito original da franquia: acompanhar um jovem mago em sua busca para se tornar o lendário Wizard of Legend. No entanto, em vez de seguir uma narrativa linear tradicional, o jogo adota uma estrutura progressiva, onde a história se revela aos poucos conforme o jogador avança nas partidas.

Esse formato fragmentado transforma o enredo em um pano de fundo vivo, onde personagens, mistérios e detalhes do mundo são descobertos de maneira gradual. A narrativa não interrompe a ação, ela se constrói a partir dela.

Builds livres e combate altamente personalizável

A maior mudança em relação ao primeiro jogo está no sistema de construção de builds. Em vez de arcanas fixas e limitadas, o jogador agora pode montar combinações mais livres, equipando quatro arcanas iniciais e adquirindo outras duas ao longo da partida.

Essa liberdade é ampliada pela possibilidade de alterar habilidades através de vendedores, chefes e desafios, criando um sistema dinâmico de adaptação constante. Cada partida se torna uma experimentação diferente, incentivando sinergias entre elementos ou especializações mais focadas.

Artefatos como motor estratégico

Os artefatos desempenham um papel central na personalização das builds. Esses itens passivos adicionam modificadores que podem alterar completamente o estilo de jogo, desde aumento de dano elemental até efeitos de status como envenenamento ou atordoamento.

A interação entre arcanas e artefatos cria uma camada estratégica profunda, onde cada escolha influencia diretamente o desempenho do jogador. No entanto, nem todos os sistemas são perfeitamente consistentes, alguns artefatos apresentam comportamento irregular, o que pode quebrar parcialmente certas estratégias planejadas.

Um roguelike mais punitivo e técnico

O nível de dificuldade em Wizard of Legend 2 é significativamente elevado. As arenas são preenchidas por inimigos agressivos, ataques de longo alcance e efeitos de área constantes, exigindo atenção total do jogador.

O combate adota um ritmo próximo ao bullet-hell, onde posicionamento e tempo de reação são fundamentais. Pequenos erros podem ser fatais, especialmente em mapas com armadilhas ambientais como buracos e zonas de dano instantâneo.

Essa abordagem torna o jogo desafiador e exigente, recompensando jogadores que dominam padrões e refinam sua execução mecânica.

Cooperação como expansão natural do caos

Uma das grandes novidades é o modo cooperativo online para até quatro jogadores. Esse sistema amplia drasticamente o potencial estratégico do jogo, permitindo combinações de magias entre jogadores.

Sinergias como congelamento seguido de dano elétrico criam situações de alto impacto visual e tático, reforçando o valor do trabalho em equipe. Apesar de problemas técnicos iniciais na infraestrutura online, o modo coop tem potencial para ser um dos pilares mais divertidos da experiência.

Rejogabilidade como estrutura central

Mapas, inimigos e recompensas gerados de forma aleatória reforçam a estrutura roguelike e garantem variedade constante entre as partidas. A ampla gama de arcanas e artefatos amplia um sistema de experimentação quase infinito.

Cada tentativa fracassada não é apenas uma derrota, mas uma oportunidade de aprendizado e ajuste de estratégia, incentivando a progressão contínua mesmo em partidas mal-sucedidas.

Curva de aprendizado exigente, mas recompensadora

Apesar da profundidade, o jogo não é particularmente acessível para iniciantes. A complexidade das interações entre arcanas, artefatos e inimigos exige tempo, paciência e experimentação.

A ausência de explicações mais detalhadas sobre sinergias pode gerar confusão inicial, mas também reforça o aspecto de descoberta orgânica que define a experiência.

Um espetáculo visual em movimento constante

Visualmente, Wizard of Legend 2 abandona o estilo 2D do original em favor de um 3D estilizado mais ambicioso. Os cenários variam entre florestas densas, desertos áridos e templos congelados, todos com forte identidade visual e excelente uso de iluminação.

As animações das magias são um dos pontos mais impressionantes, com efeitos de partículas que reforçam constantemente a sensação de poder e caos controlado durante o combate.

A trilha sonora acompanha o ritmo da ação com precisão, alternando entre temas intensos durante batalhas e composições mais suaves em momentos de exploração. Cada arcana também possui feedback sonoro distinto, ajudando a reforçar a leitura do combate em meio ao caos visual.

Apesar da alta densidade de efeitos e inimigos na tela, o desempenho se mantém surpreendentemente estável. A taxa de quadros consistente garante fluidez mesmo em situações caóticas, algo essencial para um jogo baseado em precisão e reflexo.

Wizard of Legend 2 - Official Launch Trailer

Wizard of Legend 2 – Vale a pena?

Publisher: Balor Games
Console: PlayStation 5

Wizard of Legend 2 não se contenta em repetir a fórmula do original. Ele amplia sistemas, aumenta a complexidade e transforma cada partida em um experimento mágico de combinações, riscos e adaptação constante. É um roguelike que exige domínio, mas recompensa criatividade, e, principalmente, persistência.
Veredito Final
85%

Ender Magnolia: Bloom in the Mist é uma sequência mais completa e polida

Poucos jogos conseguem evoluir uma base já sólida sem perder identidade, mas Ender Magnolia: Bloom in the Mist faz exatamente isso. Partindo do legado de Ender Lilies Quietus of the Knights, a sequência não apenas refina ideias, ela amplia tudo que funcionava e reorganiza o que antes limitava a experiência.

Uma continuação que aprofunda o mundo

A nova história se passa anos após os eventos anteriores, apresentando uma realidade ainda mais fragilizada. No centro disso está Lilac, uma protagonista com a habilidade de purificar seres corrompidos, assumindo um papel essencial em um mundo à beira do colapso.

A narrativa ganha força ao explorar as consequências desse universo. Os Homúnculos, antes ferramentas, agora representam tanto ameaça quanto esperança. A relação entre Lilac e essas criaturas é o coração da história, criando uma dinâmica que mistura proteção, dependência e empatia.

Diferente do primeiro jogo, há um cuidado maior em desenvolver os personagens e revelar o passado aos poucos, tornando a jornada mais envolvente e emocionalmente consistente.

Combate mais versátil e centrado em escolhas

O sistema de combate evolui significativamente. Em vez de focar na quantidade de habilidades, o jogo aposta na personalização e na liberdade de montagem do seu estilo de jogo.

Cada Homúnculo possui múltiplas habilidades, e a possibilidade de equipar diferentes combinações cria abordagens variadas para cada situação. Nola, por exemplo, não é apenas uma aliada, ela representa um conjunto de opções ofensivas que podem ser adaptadas conforme a necessidade.

Essa flexibilidade transforma o combate em algo mais estratégico, incentivando experimentação constante ao invés de dependência de uma única build.

Progressão e personalização mais profundas

Aqui está uma das maiores evoluções. O jogo amplia significativamente as opções de progressão, oferecendo sistemas que vão além do básico do gênero.

Relíquias, equipamentos e apoios criam camadas adicionais de construção de personagem. Cada escolha impacta diretamente o desempenho, seja aumentando resistência, melhorando cura ou alterando habilidades passivas.

O sistema de crafting também se destaca, dando utilidade real aos itens coletados durante a exploração. Tudo contribui para um ciclo de evolução contínuo e recompensador.

Esse foco em personalização substitui com eficiência a abordagem mais quantitativa do título anterior, tornando cada jogador capaz de moldar sua própria experiência.

Exploração inteligente e bem guiada

O mapa é amplo, interconectado e repleto de segredos, como manda o gênero. No entanto, o grande diferencial está na forma como o jogo orienta o jogador.

Indicadores visuais ajudam a identificar áreas incompletas, caminhos bloqueados e locais que ainda guardam segredos. Isso reduz frustração sem eliminar o senso de descoberta.

As habilidades clássicas de progressão como pulo duplo, escalada e natação continuam presentes, mas são integradas de forma natural ao design do mundo.

Explorar não é apenas necessário, é constantemente recompensador, seja com melhorias, equipamentos ou fragmentos da história. No entanto, algumas áreas específicas apresentam design menos intuitivo, quebrando o fluxo natural da exploração.

Desafio equilibrado e acessível

O jogo consegue algo raro: agradar tanto jogadores mais casuais quanto os que buscam desafios intensos. As opções de dificuldade permitem ajustar diversos aspectos da experiência, desde o dano recebido até o tempo de reação. Isso torna o jogo mais inclusivo sem comprometer sua identidade.

Para quem prefere desafios extremos, também há opções que aumentam drasticamente a dificuldade, criando uma experiência mais punitiva.

Os chefes merecem destaque: criativos, desafiadores e bem construídos, eles exigem domínio das mecânicas e recompensam aprendizado.

Direção artística que eleva a experiência

Visualmente, o jogo é marcante. O estilo 2D detalhado combina elementos melancólicos com toques de fantasia e tecnologia, criando um mundo único. Cada área possui identidade própria, variando entre ambientes naturais e estruturas mais industriais, sempre mantendo uma atmosfera densa e envolvente.

A trilha sonora acompanha esse tom, reforçando momentos de exploração e combate sem se tornar invasiva. Tudo trabalha em conjunto para construir uma experiência imersiva.

Tecnicamente, o desempenho é estável, com carregamentos rápidos e transições suaves, algo essencial para o ritmo do jogo.

Ender Magnolia: Bloom in the Mist - Official Final Trailer

Ender Magnolia: Bloom in the Mist – Vale a pena?

Publisher: Binary Haze Interactive
Console: PlayStation 5

Ender Magnolia: Bloom in the Mist evolui tudo do anterior com combate mais flexível, progressão profunda e exploração bem guiada. Mesmo com pequenos tropeços no mapa, entrega uma experiência envolvente, desafiadora e muito mais refinada no geral
Veredito Final
90%

Jujutsu Kaisen Cursed Clash tem estilo, mas pouca profundidade

Adaptar um anime tão explosivo quanto Jujutsu Kaisen para um jogo de luta parece uma escolha natural, afinal, o material base praticamente pede por combates intensos e cheios de personalidade. Com isso em mente, Jujutsu Kaisen Cursed Clash chega cercado de expectativa, tentando transformar energia amaldiçoada em mecânica. O problema é que, apesar do potencial evidente, a execução não acompanha a força da obra original.

Uma adaptação fiel, mas pouco envolvente

O modo história revisita eventos conhecidos da primeira temporada e do filme, seguindo a narrativa de forma bastante direta. Para quem já acompanha o anime, tudo soa familiar, quase demais.

A fidelidade visual ajuda a manter a identidade da obra, mas a forma como a história é apresentada carece de impacto. Falta ritmo, falta construção, e principalmente falta interação que vá além de apenas reviver cenas já conhecidas.

Como porta de entrada, funciona. Como experiência narrativa dentro de um jogo, deixa a desejar.

Combate simples que limita o potencial

Aqui está o maior problema. O sistema de combate até tenta trazer elementos estratégicos com o uso de energia amaldiçoada e habilidades especiais, mas esbarra em uma execução rasa.

Os combos são limitados, as variações são poucas e, com o tempo, tudo se resume a repetir padrões. A sensação de evolução é quase inexistente, o que prejudica a longevidade.

As Expansões de Domínio aparecem como momentos de destaque, mas acabam sendo mais visuais do que mecânicas realmente impactantes. O resultado é um combate que parece promissor nos primeiros minutos, mas rapidamente se torna repetitivo.

Sistema de equipes com boas ideias

As batalhas em dupla são uma das propostas mais interessantes. Montar combinações de personagens e explorar sinergias traz um leve toque estratégico que ajuda a diferenciar o jogo de outros títulos do gênero.

O sistema de relacionamento entre personagens também tenta adicionar profundidade, incentivando o uso de duplas específicas para desbloquear conteúdos extras.

São boas ideias, mas que não recebem desenvolvimento suficiente para realmente sustentar a experiência a longo prazo.

Online instável e limitações frustrantes

O multiplayer deveria ser um dos pilares, mas acaba sendo um dos pontos mais problemáticos. Problemas de conexão, lentidão nas partidas e ausência de recursos importantes impactam diretamente a experiência.

A falta de cross-play reduz ainda mais a base de jogadores, enquanto a ausência de multiplayer local soa como uma oportunidade perdida — especialmente para um jogo focado em combates em equipe.

Mesmo quando funciona, o equilíbrio entre personagens e o tamanho das arenas podem gerar situações frustrantes.

Visual fiel, mas som apagado

Se há algo que o jogo acerta com consistência, é na apresentação visual. Os personagens são bem modelados e mantêm a identidade do anime, especialmente durante golpes especiais e momentos mais dramáticos.

As habilidades mais icônicas ganham destaque visual e ajudam a criar momentos que agradam aos fãs.

Por outro lado, o áudio não acompanha esse nível. A trilha sonora passa despercebida na maior parte do tempo, falhando em criar a tensão e a empolgação que os combates pedem.

JUJUTSU KAISEN CURSED CLASH – Launch Trailer

Jujutsu Kaisen Cursed Clash – Vale a pena?

Publisher: Bandai Namco
Console: PlayStation 5

Jujutsu Kaisen Cursed Clash acerta no visual fiel e nas ideias de combate em equipe, mas decepciona com luta rasa, pouca variedade e online problemático. No fim, diverte só por um tempo e não consegue aproveitar todo o potencial do anime
Desempenho
65%

Ruffy and the Riverside brilha no visual e nas ideias

Ruffy and the Riverside surge como uma das surpresas mais carismáticas de 2025, apostando em uma combinação pouco comum hoje em dia: plataforma 3D de pegada clássica, puzzles baseados em transformação de elementos e uma direção artística totalmente desenhada à mão. Desenvolvido pela Zockrates Laboratories, o título demonstra ambição logo de cara, ainda que nem sempre consiga sustentar sua criatividade com o mesmo nível de consistência ao longo da jornada.

Um herói improvável em um mundo à beira do colapso

O jogador acompanha Ruffy, um urso curioso e determinado, acompanhado por Pip, uma abelha tagarela cheia de personalidade, além do rabugento Sir Eddler, uma toupeira que atua como contraponto cômico do grupo. A trama começa com uma investigação aparentemente simples envolvendo um cristal mágico, mas rapidamente escala para uma ameaça maior: a libertação de Groll, uma entidade maligna que coloca o mundo de Riverside em risco.

Para impedir a destruição do cenário, Ruffy precisa reunir letras sagradas espalhadas por seis grandes regiões, cada uma com identidade visual e desafios próprios. A premissa é leve, quase infantil em sua apresentação, mas serve bem como base para a variedade de ideias que o jogo tenta explorar.

A mecânica de troca de elementos como centro da experiência

O grande diferencial de Ruffy and the Riverside está no sistema de troca de propriedades do ambiente. Com um único comando, o jogador pode escanear materiais como madeira, metal, lava ou água e transferir suas propriedades para outros objetos do cenário.

Essa mecânica abre espaço para soluções criativas de puzzles, transformando o próprio mundo em ferramenta. Uma cachoeira pode virar escada, uma ponte pode ganhar flutuação, e obstáculos podem ser reorganizados com base na lógica física do jogo.

A limitação de tempo e quantidade dessas transformações adiciona um leve senso de urgência, forçando o jogador a pensar rapidamente. Em seus melhores momentos, o sistema cria soluções inteligentes e satisfatórias. No entanto, com o tempo, alguns padrões começam a se repetir, e certos quebra-cabeças acabam se tornando previsíveis demais.

Exploração leve, mas cheia de personalidade

A estrutura de colecionáveis é um dos pilares da progressão. Marbles escondidas, borboletas associadas ao personagem Quintus e criaturas chamadas Etoi incentivam exploração constante, oferecendo recompensas como moedas, melhorias e elementos cosméticos.

Cada região também apresenta pequenas histórias paralelas, muitas vezes centradas em personagens excêntricos, como peixes em conflito com tubarões ou corvos que propõem enigmas. Essas interações ajudam a manter o mundo vivo, mesmo quando as atividades principais seguem uma lógica mais simples.

Progressão simples, mas com charme

O sistema de vida de Ruffy começa básico, com três corações, podendo ser expandido permanentemente através de itens específicos. Há também corações temporários, embora sua utilidade seja limitada pela perda ao trocar de área.

Um dos sistemas mais interessantes é a personalização de capas, obtida por meio de uma roleta de moedas. Esses modificadores podem gerar efeitos variados, como cura automática ou aumento de resistência, adicionando uma camada leve de aleatoriedade à progressão.

Plataforma clássica com movimentos familiares

Ruffy conta com um conjunto de habilidades tradicionais do gênero: ataques corpo a corpo, planagem com auxílio de Pip e um golpe carregado para controle de multidões. A movimentação é fluida na maior parte do tempo, ainda que algumas animações apresentem rigidez típica de jogos inspirados em gerações anteriores.

A estamina para corrida se recupera rapidamente, e o fluxo de exploração é constantemente incentivado pelo posicionamento generoso de moedas e recompensas pelo cenário.

Criatividade constante, execução irregular

Apesar da forte identidade criativa, o jogo enfrenta alguns problemas que impedem uma consistência maior. Quedas ocasionais de desempenho surgem em transições entre áreas maiores, e há pequenos problemas de localização em alguns diálogos, que afetam a fluidez da narrativa.

O maior ponto de fraqueza está no combate e na variedade de inimigos. Com um número reduzido de tipos ao longo da campanha, as lutas acabam se tornando repetitivas e pouco memoráveis. O mesmo vale para os chefes, que são poucos e apresentam padrões relativamente simples, com reaparições pouco modificadas.

Um mundo desenhado à mão com forte identidade visual

Visualmente, Ruffy and the Riverside é um dos seus maiores destaques. O estilo desenhado à mão remete a ilustrações infantis altamente detalhadas, com cores vivas e traços que reforçam a sensação de fantasia artesanal.

O título possui biomas bem variados e definidos, passando por praias ensolaradas, florestas, pântanos e cemitérios atmosféricos. Além disso, essa diversidade ajuda a sustentar o ritmo da exploração, mesmo quando a jogabilidade entra em momentos mais repetitivos.

A trilha sonora complementa bem essa proposta, com faixas leves e marcantes que reforçam o clima aventureiro e descontraído.

Ruffy and the Riverside - Launch Trailer | PS5 Games

Ruffy and the Riverside – Vale a pena?

Publisher: Phiphen Games
Console: PlayStation 5

Ruffy and the Riverside é super carismático, com visual desenhado à mão lindo e uma mecânica criativa de transformar o cenário. A exploração diverte, mas repetição nos puzzles e combate simples impedem que a experiência mantenha o mesmo brilho até o fim
Veredito Final
85%

The Crew Motorfest aposta em diversão arcade constante

Depois de revisitar a franquia e relembrar o quanto ela pode ser divertida, The Crew Motorfest chega com a missão de refinar tudo o que funcionou antes e entregar uma experiência mais coesa. A proposta continua ambiciosa: unir diferentes tipos de veículos em um único mundo aberto e transformar isso em algo natural e empolgante. A grande questão não é mais inovação, é execução. E aqui, o jogo mostra que aprendeu com o passado, ainda que não acerte em tudo.

Direção fluida e acessível, mas com profundidade

A base da jogabilidade aposta em um estilo arcade bem ajustado, que prioriza diversão sem abrir mão de controle. Cada veículo responde de forma distinta, exigindo adaptação constante, seja em alta velocidade no asfalto ou em terrenos mais instáveis.

A transição entre carros, barcos e aviões acontece de forma rápida e funcional, reforçando a proposta de variedade. Essa fluidez mantém o ritmo sempre dinâmico, evitando que a experiência se torne previsível.

Ao mesmo tempo, o jogo oferece opções suficientes para quem busca mais precisão, permitindo ajustar assistências e encontrar um equilíbrio entre acessibilidade e desafio.

Variedade de atividades mantém o ritmo constante

As corridas são o núcleo da experiência, mas o jogo vai além ao oferecer uma boa quantidade de eventos e desafios espalhados pelo mapa.

As playlists funcionam como guias temáticos, trazendo diferentes estilos de competição e incentivando o jogador a experimentar novas categorias de veículos. Isso ajuda a evitar repetição e mantém o progresso interessante.

Fora das corridas principais, há desafios secundários que exploram habilidades específicas, como velocidade, controle e execução de manobras. São pequenas variações que ajudam a dar fôlego à exploração.

Exploração recompensadora em um mundo vivo

O mundo aberto não serve apenas como pano de fundo, ele é parte essencial da experiência. Explorar rende recompensas constantes, seja por meio de eventos escondidos, itens colecionáveis ou oportunidades de aprimoramento.

Elementos como desafios espalhados pelo mapa e recompensas ocultas incentivam o jogador a sair das rotas tradicionais. A presença de ferramentas que ajudam na localização desses conteúdos evita frustração e mantém o fluxo da exploração.

O modo foto também se destaca, permitindo registrar momentos marcantes e aproveitar melhor a ambientação do jogo.

Ambientação que convida a dirigir sem pressa

A ilha de O’ahu é um dos grandes acertos. A variedade de cenários cria um ambiente agradável tanto para competir quanto para simplesmente explorar.

Os diferentes biomas, combinados com mudanças de iluminação e clima, ajudam a dar personalidade ao mapa. Há um cuidado visível na construção dos ambientes, que reforça a sensação de estar em um lugar vivo.

Ainda assim, a ausência de elementos como tráfego mais intenso ou pedestres pode diminuir um pouco a imersão para quem busca um mundo mais movimentado.

Progressão e recompensas bem estruturadas

O sistema de progressão funciona de forma consistente, incentivando o jogador a participar de diferentes atividades para evoluir.

Desbloquear novos veículos continua sendo um dos principais motivadores, e o jogo facilita esse processo ao oferecer alternativas como empréstimos em eventos específicos. Isso permite experimentar sem necessariamente investir de imediato.

As recompensas são frequentes o suficiente para manter o interesse, criando um ciclo constante de evolução e descoberta.

Apresentação sólida, com pequenos deslizes

Visualmente, o jogo entrega bons resultados. Os veículos são detalhados e bem representados, enquanto os efeitos de iluminação ajudam a valorizar corridas em diferentes horários.

O áudio acompanha essa qualidade, com motores convincentes e uma trilha sonora que combina com o ritmo acelerado das competições.

Apesar disso, alguns aspectos poderiam ser mais refinados. Certas limitações no mundo e pequenos detalhes técnicos impedem que a experiência alcance um nível ainda mais imersivo.

The Crew Motorfest: Gameplay Premiere Trailer | Ubisoft Forward

The Crew Motorfest – Vale a pena?

Publisher: Ubisoft
Console: PlayStation 5

The Crew Motorfest acerta na diversão com direção arcade gostosa, transições rápidas entre veículos e muita atividade pra fazer. O mundo é bonito e convidativo, mas ainda falta mais vida e polimento. Mesmo assim, é viciante e fácil de curtir por horas dirigindo sem compromisso
Veredito Final
88%

Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii abraça o caos

A primeira impressão ao ver Goro Majima liderando uma aventura pirata no Havaí é de estranhamento quase imediato. A franquia Like a Dragon já tem histórico de exageros, mas essa combinação parece ultrapassar qualquer limite lógico conhecido. Ainda assim, o que começa como uma ideia difícil de levar a sério rapidamente se transforma em uma experiência que entende exatamente o tipo de absurdo que está propondo e consegue fazer disso um ponto forte.

Um protagonista perdido em busca de identidade

A história acompanha Majima após ele despertar em uma ilha tropical sem memória e sem qualquer contexto sobre como chegou ali. Nesse estado de vazio, ele se agarra a uma única certeza improvável: a de que seu destino agora é o mar aberto e a vida de pirata.

Esse ponto de partida serve como base para uma jornada que mistura reconstrução pessoal, aventuras marítimas e a clássica busca por significado dentro do caos. A introdução de Noah, um jovem entusiasmado com histórias de exploração, cria um contraste interessante. Entre os dois surge uma relação que alterna leveza, humor e momentos inesperadamente humanos, com Majima assumindo uma função quase protetora, mesmo sem perder sua natureza imprevisível.

Humor, exagero e emoção em rota de colisão

A narrativa principal funciona melhor quando aceita seu próprio tom descontrolado. O jogo não tenta suavizar Majima, pelo contrário, amplifica sua excentricidade e usa isso como motor da história. Em vários momentos, o riso e a seriedade convivem lado a lado, criando uma identidade difícil de replicar.

Por outro lado, conteúdos paralelos nem sempre recebem o mesmo cuidado. Algumas missões secundárias começam com boas ideias, mas terminam antes de desenvolver plenamente seus temas, o que gera certa irregularidade no impacto geral da narrativa fora do eixo principal.

Combate estiloso com identidade caótica

O sistema de luta segue a tradição da franquia, apostando em impacto visual e exagero deliberado. Majima alterna entre dois estilos distintos: um mais ágil, focado em ataques rápidos e precisão, e outro que explora sua faceta pirata, com golpes amplos e postura mais agressiva.

Essa dualidade ajuda a manter o combate dinâmico e incentiva variação constante. Somam-se a isso ferramentas adicionais como gancho, armas de fogo e habilidades especiais bizarras, que reforçam o clima de caos controlado.

Apesar disso, a inteligência artificial dos inimigos nem sempre acompanha esse ritmo. Muitos confrontos acabam previsíveis, especialmente contra adversários comuns. Já as batalhas contra chefes apresentam mais estrutura, ainda que alguns padrões se repitam ao longo dos encontros.

Navegação e domínio do mar como expansão do gameplay

Um dos pilares mais interessantes do jogo está na gestão da embarcação principal. Personalizar o navio, recrutar tripulantes e enfrentar outras frotas adiciona uma camada estratégica que complementa bem a estrutura tradicional da franquia.

As batalhas navais são dinâmicas e exigem atenção constante, principalmente quando o clima interfere na visibilidade e no ritmo dos confrontos. No entanto, com o tempo, a repetição de situações semelhantes reduz parte do impacto inicial dessa mecânica.

Mesmo assim, o controle do navio e a construção da tripulação continuam sendo um dos elementos mais envolventes da experiência, funcionando como uma extensão natural da progressão do jogador.

Conteúdo paralelo entre criatividade e repetição

Fiel à série, o jogo oferece uma grande variedade de atividades opcionais. Há desde desafios clássicos até minijogos completamente absurdos que reforçam o tom cômico da franquia. Essa diversidade inicial ajuda a manter o ritmo leve e constantemente ativo.

Com o passar das horas, porém, algumas dessas atividades revelam estruturas muito semelhantes entre si. Isso faz com que parte do conteúdo secundário perca impacto, mesmo quando a ideia original é interessante.

Um mundo vibrante com oscilações técnicas

O cenário havaiano é um dos maiores destaques visuais do jogo. Ilhas detalhadas, vegetação densa e áreas urbanas vivas criam um ambiente rico e cheio de personalidade. A direção de arte aposta em cores fortes e iluminação marcante, reforçando a identidade tropical da experiência.

Os personagens seguem o padrão elevado da franquia, com expressões exageradas e animações carregadas de personalidade. As cenas principais mantêm boa direção e qualidade consistente de apresentação.

Ainda assim, o desempenho técnico não é totalmente estável. Em momentos mais intensos, especialmente durante combates ou áreas cheias de elementos, há quedas perceptíveis de fluidez que podem afetar a imersão.

Trilha sonora que reforça o espírito da aventura

A composição musical acompanha bem o tom do jogo, misturando elementos tradicionais da série com influências marítimas e tropicais. O resultado é uma trilha que alterna entre energia caótica e sensação de exploração constante.

As músicas de combate são intensas e carregadas de impacto, enquanto as faixas de navegação ajudam a reforçar o clima de liberdade e aventura.

Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii – Vale a pena?

Publisher: SEGA
Console: PlayStation 5

Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii não tenta ser contido ou lógico e essa é justamente sua maior força. Mesmo com irregularidades no ritmo, limitações técnicas e repetição em parte do conteúdo, o jogo se sustenta pela personalidade forte, pelo carisma do protagonista e pela ousadia de suas ideias. No fim, é uma daquelas experiências que só funcionam porque abraçam completamente o próprio exagero, entregando algo estranho, caótico e, ainda assim, genuinamente divertido.
Veredito Final
80%

Clair Obscur: Expedition 33 é a maior jornada de 2025!

Com um impacto raro para um jogo de estreia, Clair Obscur: Expedition 33, da Sandfall Interactive, não apenas chama atenção, ele domina a conversa. É um RPG que chega com ambição clara de marcar época, combinando narrativa emocional, combate por turnos refinado e uma direção artística que transforma cada cena em pintura. Entre tantos lançamentos do ano, poucos conseguem sustentar um nível tão alto de consistência em praticamente todos os aspectos.

Um mundo à beira de ser apagado

A premissa já nasce carregada de peso emocional. Em um mundo inspirado na Belle Époque francesa, a humanidade vive sob a ameaça da Artífice, uma entidade misteriosa que executa o ritual conhecido como Gommage: a cada ano, todas as pessoas acima de uma determinada idade simplesmente desaparecem.

Esse número, pintado em um monólito colossal, vai diminuindo progressivamente, e com ele, a esperança de sobrevivência da civilização.

É nesse cenário que surge a Expedição 33, uma missão final e desesperada para destruir a Artífice e quebrar o ciclo. Todas as expedições anteriores falharam. Agora, cabe a este último grupo tentar o impossível.

Assumimos o papel de Gustave, acompanhado por Maelle, Lune e Sciel, em uma jornada que rapidamente deixa de ser apenas uma missão de sobrevivência e se transforma em algo mais íntimo: uma exploração de identidade, memória e perda.

Uma narrativa sobre fim, esperança e humanidade

O mundo de Clair Obscur não é apenas um pano de fundo, ele é parte ativa da narrativa.

Após a chamada Fratura, que dividiu o continente há 67 anos, o planeta passou a existir em ilhas isoladas. A principal delas, Lumière, é uma versão distorcida e decadente de Paris, onde beleza e destruição coexistem em contraste constante.

O jogo trabalha temas pesados com uma sensibilidade rara: luto, amor, sacrifício e a inevitabilidade do fim. Nada aqui é tratado de forma superficial. Os personagens reagem ao mundo com vulnerabilidade real, e isso dá força ao enredo.

A trilha sonora reforça esse impacto emocional de maneira constante, transformando cenas simples em momentos memoráveis.

Combate por turnos que respira ação

Se a narrativa impressiona, o combate não fica atrás. Clair Obscur: Expedition 33 pega a base dos RPGs por turnos e adiciona uma camada de interação em tempo real que muda completamente o ritmo das batalhas. Não se trata apenas de escolher comandos, é preciso reagir.

Esquivas e defesas são parte central do sistema. A esquiva evita dano diretamente, enquanto a defesa, se executada no timing correto, não apenas reduz o impacto como abre espaço para contra-ataques devastadores. Isso cria um ritmo ativo que mantém o jogador constantemente engajado.

Personagens com identidade mecânica e narrativa

Cada integrante da Expedição 33 não é apenas um personagem dentro da narrativa é, por si só, um sistema de jogo completo, com identidade mecânica própria que se reflete diretamente em sua personalidade e papel na história.

Gustave exemplifica essa fusão de forma marcante: seu braço mecânico não é só um elemento estético, mas o núcleo de seu estilo de combate. A cada ação, ele acumula energia, criando um ritmo estratégico que culmina na liberação de golpes devastadores no momento certo.

Maelle, por outro lado, traz versatilidade e dinamismo ao campo de batalha. Sua habilidade de alternar entre diferentes posturas, sendo elas: ofensiva, defensiva e a poderosa forma “virtuosa”. Essas opções fazem de cada confronto em um jogo de adaptação, onde escolher a abordagem correta é tão importante quanto executá-la bem.

Conforme a jornada avança, novos personagens ampliam ainda mais esse leque de possibilidades, introduzindo mecânicas únicas que renovam constantemente a experiência. Entre eles, destaca-se o carismático Esquie, que transcende o papel tradicional de aliado ao funcionar como meio de transporte entre regiões, integrando exploração e narrativa de forma orgânica.

Um sistema profundo de builds e progressão

O sistema de personalização é um dos pilares mais interessantes do jogo. Os Pictos funcionam como habilidades passivas equipáveis, enquanto as Luminas permitem reutilizar esses efeitos de forma estratégica, criando combinações altamente personalizáveis.

Essa estrutura incentiva experimentação constante, permitindo builds muito diferentes para cada personagem.

As armas também seguem essa filosofia, exigindo investimento em atributos específicos e podendo ser aprimoradas até o nível 33, o que adiciona uma camada de progressão bem estruturada.

Exploração sem atalhos, mas cheia de descobertas

Um dos aspectos mais marcantes do jogo é a decisão de não incluir minimapa ou marcadores tradicionais.

A navegação depende de observação, bússola e leitura do ambiente. Isso aumenta a imersão e reforça a sensação de descoberta constante, especialmente ao explorar novas ilhas com Esquie.

O mundo é repleto de inimigos com padrões distintos, exigindo adaptação constante. Enquanto os chefes são um dos pontos altos: visuais impressionantes, múltiplas fases e mecânicas que podem punir qualquer erro.

Um RPG que valoriza conexões humanas

No acampamento, o sistema de relacionamento entre personagens adiciona profundidade emocional e mecânica. Conversas desbloqueiam habilidades e expandem o entendimento do passado de cada membro da expedição.

Além disso, o jogo oferece conteúdo opcional robusto: chefes secretos, colecionáveis, NG+, desafios extras e pequenas interações cômicas, como os duelos com comerciantes Gestrals.

Direção artística e trilha sonora de outro nível

Visualmente, o jogo é um espetáculo. A estética da Belle Époque distorcida cria um contraste constante entre beleza e destruição. Lumière, com sua Torre Eiffel fragmentada, é um dos cenários mais marcantes do jogo, mas não o único, cada área traz identidade própria, como o Cemitério de Barcos ou a enigmática Mansão.

A direção de arte equilibra cores vibrantes com ambientes decadentes, reforçando a sensação de um mundo em colapso.

No PS5, o jogo apresenta desempenho sólido, com 60fps estáveis e carregamentos rápidos. A experiência técnica acompanha o padrão elevado da produção, sem comprometer a imersão.

Um espetáculo à parte

Mas o verdadeiro destaque absoluto está na trilha sonora de Lorien Testard. É uma daquelas raras trilhas que não apenas acompanham o jogo, elas o definem. Cada momento emocional ganha peso adicional através da música, elevando cenas já fortes a outro nível.

O elenco de voz também chama atenção, com nomes como Charlie Cox, Jennifer English, Andy Serkis e Ben Starr, entregando performances consistentes e cheias de emoção.

Clair Obscur: Expedition 33 - Launch Trailer | PS5 Games

Clair Obscur: Expedition 33 – Vale a pena?

Publisher: Kepler Interactive
Console: PlayStation 5

Clair Obscur: Expedition 33 é um RPG que impressiona fácil: história pesada e bem escrita, combate por turnos com ação que prende e um visual absurdo de bonito. Com personagens marcantes e trilha incrível, entrega uma experiência intensa, envolvente e difícil de largar do começo ao fim
Veredito Final
100%